terça-feira, 11 de setembro de 2012

Os charabanecos


Antigamente, nas festas populares de província, apareciam uns palhaços de rua que entretinham e faziam rir as pessoas mantendo uns diálogos com um boneco a que chamavam de “charabaneco”. O charabaneco respondia que sim e que não, abanando com a cabeça, às perguntas que o seu dono lhe fazia e sempre de acordo com as respostas esperadas. Quer dizer: o charabaneco não tinha vontade própria, tinha que responder de acordo com a vontade do dono.
Ora, a que propósito me lembrei hoje dos charabanecos? Ao ver a postura e a subserviência dos secretários de Estado que acompanhavam o ministro Gaspar (a fazer o papel do dono) na conferência de Imprensa que decorreu no Ministério das Finanças. Então um deles, um tal Paulo Núncio, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, parecia um autêntico autómato, ou melhor dizendo um autêntico charabaneco.

E quem se ... lixa é o mexilhão!


Pr’o que me deu: Com muito esforço e, sobretudo, com muita paciência, acompanhei na televisão a conferência de imprensa do ministro das Finanças e dos seus secretários de Estado. Bom, fiquei a saber que, mais uma vez, me vão tirar (apetecia-me dizer roubar, mas é feio, não é?) dinheiro na minha reforma, para a qual descontei 40 anos, incluindo os descontos que paguei à posteriori de quase quatro que cumpri de serviço militar obrigatório, tinta meses dos quais na chamada guerra do Ultramar. Pois é, são sempre os mesmos a pagar. Mas, dirão os amigos do Gaspar, como já ouvi a Nicolau Santos do Expresso, que desta vez vai haver impostos para o Capital e para o bens patrimoniais, incluindo viaturas de luxo, etc. etc. Bom, isso é só conversa. Comparando, em termos relativos, com aquilo que está sempre a tirar (ou roubar? Não…, é feio) aos cidadãos que vivem dos seus rendimentos do trabalho ou das suas reformas, é para eles uma gota de água. Não há dúvidas, quem vai pagar mais uma vez a factura é o “ mexilhão”.
É por isso que não tenho dúvidas que, se nada se fizer (como, por exemplo, dar um chuto no cú ao Gaspar e ao Passos), Portugal passará a ser, em pouco tempo, um país de ricos e de pobres onde não há classe média. Ah, e de alguns jornalistas e arautos da desgraça.


MENTIROSO COMPULSIVO E PERIGOSO

Movimento Tugaleaks apresenta queixa contra Passos Coelho

O movimento cívico Tugaleaks apresentou no domingo, na GNR do Pinhal Novo, Setúbal, uma queixa contra o primeiro-ministro, para demonstrar em tribunal que Passos Coelho, e o seu Governo, mentiu aos portugueses e exigir a sua exoneração. "Nós pretendemos provar que a informação veiculada antes e depois da campanha não está de acordo com aquilo que foi prometido aos portugueses. Os portugueses foram enganados, os portugueses não têm qualquer controlo agora que o Governo está no poder (...). Vamos tentar usar a lei para mostrar que o que está a ser feito não corresponde à verdade, exigir explicações e se possível a exoneração do cargo de primeiro-ministro", explicou hoje à agência Lusa o fundador do movimento Tugaleaks, Rui Cruz.




Para o fundador deste movimento cívico, que se define como defensor da verdade da informação, e que está ativo na Internet através do seu portal e da sua página no Facebook, Passos Coelho não tem cumprido aquilo que prometeu aos portugueses, apontando-lhe muitas diferenças no discurso pré-eleitoral e pós chegada ao Governo.



"Durante alguns anos nós tínhamos visto Passos Coelho dizer uma coisa e foi para o Governo dizer exatamente outra. Quando agora dizem que vão cortar nos rendimentos, na campanha disseram que não o fariam", exemplificou.



Rui Cruz recusou adiantar pormenores sobre as especificações da queixa, dizendo que só serão prestados esclarecimentos sobre a "queixa exata" depois de contactado o advogado e de a GNR submeter a queixa a tribunal.



Na sua página na Internet, onde revelaram a apresentação da queixa e explicam as suas motivações, os responsáveis pelo movimento apelam também à participação dos cidadãos, pedindo que procurem evidências de que as declarações de Passos Coelho são contraditórias e não correspondem à verdade e que se voluntariem como testemunhas do processo, fornecendo dados de contacto para anexar ao processo.



"Um dos exemplos apresentados na referida queixa é o que Passos Coelho no dia 24/03/2011 proferiu perante a comunicação social em visita a uma escola, 'se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal ainda, a minha garantia é de que ela seria canalizada para os impostos sobre o consumo e não para impostos sobre o rendimento das pessoas'. No dia 07/09/2012 Pedro Passos Coelho disse exactamente o contrário, quando afirmou que 'o Governo decidiu aumentar a contribuição para a segurança social, exigida aos trabalhadores do sector privado, para 18%". Desta forma alterou o "imposto" sobre o rendimento", lê-se na página do Tugaleaks, a título de exemplo.



O movimento Tugaleaks apela ainda à colaboração 'pro bono' de todos os advogados que se mostrem disponíveis para ajudar no processo. No portal na Internet, o movimento adianta que ainda esta semana será pedido um advogado oficioso à Segurança Social.



Rui Cruz adiantou que já 10 testemunhas se disponibilizaram para participar no processo e que deram início a conversações com um advogado que também se mostrou disponível para ajudar o movimento.



"Já temos 10 testemunhas que deram o nome, morada e contacto para testemunharem sobre Passos Coelho ter dito uma coisa e depois ter dito outra. Estamos a apelar aos advogados. Pretendemos que cada pessoa esteja protegida de forma 'pro bono' (gratuita 3/8 contra qualquer eventual represália política que possa sofrer", declarou.



Apesar de reconhecer que mesmo que consigam avançar com o processo em tribunal este poderá desenrolar-se durante anos, e muito para além do tempo de governação de Pedro Passos Coelho, Rui Cruz defendeu que não deve ser abandonado porque existe "uma responsabilidade que tem que se apurar a bem da transparência política".



"Se houver exoneração do cargo, mesmo já não o ocupando, as medidas tomadas poderão ser revistas ou anuladas. É uma coisa que em tribunal nacional provavelmente não será feito, mas pretendemos, se preciso for, recorrer ao tribunal europeu para fazer valer os nossos direitos", concluiu.







Lusa

POESIA DO ZÉ GIL

MÃE




Nome gerado

Reclamado,

Evocado,

Na Terra e no Céu

Até pelo mais ateu.

Balbuciado, mãe por mãe,

É o maior que o Mundo tem.

Avós, mães duas vezes,

Tratam os netos mais verdes.

Abelha-mestra: mãe governa

Presta cuidados especiais.

Ensina a falar e caminhar

Fonte de dados ancestrais.

Parte para o Além,

Deixa um infindo vazio,

Não alerta ninguém

Sorriso no abraço ao filho!





Porto, 29/8/12 José Gil



jose.gcmonteiro@gmail.com

GENTE FINA É OUTRA COISA


O ministro Aguiar hífen Branco continua a exercer a profissão de advogado? E dá maus exemplos ao comum cidadão? E manda deter e identificar um cidadão que fotografa a irregularidade? Valha-me Santa Engrácia!...

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Quem esfrega as mãos, quem é, quem é?



Nas grandes empresas, como por exemplo a EDP, os custos com pessoal baixam milhões de euros, como consequência da baixa das suas contribuições para a Segurança Social. E no caso concreto da EDP a medida, muito criticada por muita gente, não cria nem mais um emprego. O que cria é muito mais lucros. E com eles, muitos mais prémios para os seus gestores. Ora, quem é que já está a esfregar as mãos, quem é, quem é? António Mexia, Eduardo Catroga e muitos outros que por lá andam a” ganhar uns dinheiritos”!...

O Sr Seguro falou, mas.... tarde


Já passavam quase 48 horas da comunicação de Pedro Passos Coelho, sobre as novas medidas de austeridade, quando, finalmente, o líder do maior partido da Oposição resolveu comentá-las publicamente. É certo que António José Seguro poderá dizer que o PS já tinha tomado posição através do líder da sua bancada parlamentar, Carlos Zorrinho. Mas sendo o PS o partido que alterna o poder com o PPD, era o seu líder que tinha obrigação de as vir comentar, atendendo até ao facto de terem sido anunciadas pelo primeiro-ministro e de serem medidas que vão afectar, no mau sentido, as vidas de milhões de portugueses. Não estou a imaginar Mário Soares, António Guterres e José Sócrates (os três que foram líderes no Governo e na Oposição) a encomendarem o “sermão” a um outro qualquer dirigente.
De qualquer modo, António José Seguro lá veio dizer que o PS “não pode pactuar”, que já “é tempo de separar as águas de um modo mais claro” e deu a entender que, nestas circunstâncias, o PS deverá votar contra o Orçamento (ainda há dúvidas?). Mas fê-lo de modo muito soft. Até parecia que estava com receio de proferir certas palavras. Ora, um governo que, desde há algum tempo, vem tomando medidas cretinas que estão a mandar muitos portugueses para a pobreza, não pode ser combatido com falinhas mansas. Tem que ser combatido com energia e sem rodeios. E, Sr Seguro: já é tempo do PS anunciar “alto e bom som” que já não se revê no memorando e que a sua acção política não mais o terá em conta, pois já foram tomadas muitas medidas que nada têm a ver com as que foram acordadas
Muitos portugueses esperam do PS uma oposição mais agressiva e muito mais combativa. Se estes dirigentes, incluindo o Secretário Geral, querem continuar com a mesma atitude a que chamam de “oposição responsável”, porque não sabem, não têm feitio ou querem fazer outra, então, por favor, deem o lugar a outros. Não faltam no partido jovens militantes capazes de combaterem o neoliberalismo cruel de Passos Coelho, Gaspar & outros. Querem que eu refira alguns? Pois lá vai: Pedro Nuno Santos, Pedro Marques, Fernando Medina e João Galamba. Não refiro Isabel Moreira, porque não é militante do partido. Mas…, tenho cá a impressão que António José Seguro não gosta muito deles, pois não?  

domingo, 9 de setembro de 2012

MAIS RESPEITO, EXIGE-SE!

Então, não é que o nosso amado líder, na peugada do venerando, passou a comunicar com o país atravéz do Facebook, utilizando o pseudónimo de Pedro? A gaita é que não faço parte do país do Pedro, uma vez que o tal Facebook não faz parte da minha Koltura. E que diz que disse o Pedro? Que está muito penalizado pelas medidas que o primeiro-ministro - supõe-se -anunciou há dias. Mas que merda é esta? Não aprecio grandemente que gozem comigo, nomeadamento quando a isso não dou azo. Este sujeito faz o mal e a caramunha e ri-se, ainda por cima à socapa? E se tivesse um pouco mais de respeito pelos cidadãos?

A indignação do Tony


              Toda a gente se indignou, até Tony no Irão

E o que vai fazer Cavaco?







Cavaco Silva está farto de dizer que “Há limites para os sacrifícios” dos portugueses, dando a entender que diz não a mais austeridade. E agora, perante as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro, o que vai fazer. Assobiar, mais uma vez, para o tecto? Se calhar, como quase sempre tem feito.  

sábado, 8 de setembro de 2012

Até onde?


Pertenço àquele número de portugueses que não acredita, nem um bocadinho, naquilo que Passos Coelho diz, embora não me seja indiferente. Por isso, não fiquei de todo surpreendido com a sua comunicação de ontem. Passou dois terços do tempo a dizer que a culpa do descontrolo das nossas finanças públicas era dos governos anteriores (se calhar estava a lembrar-se dos governos de Cavaco Silva), para depois gastar o outro terço a comunicar-nos o disparate que vai fazer ao obrigar os trabalhadores a pagarem mais 7% para a segurança Social, os patrões a pagarem menos 5,75% e o Estado a arrecadar (sub-repticiamente) mais 1,25%. E depois a querer fazer de nós pategos e a jurar a sete pés que não, não vai haver aumento de impostos. Então, ó Passos: os trabalhadores portugueses vão receber menos dinheiro no fim do mês; desse valor os patrões ficam com algum e entregam o resto ao Estado; e isto não é imposto? Valha-o Deus, então o que é, um donativo?
Mais uma vez este governo que nos desgoverna, revelou um completo desprezo pelos pensionistas e reformados, acusou os trabalhadores de serem os responsáveis pelo desemprego e a falta de competitividade das empresas e condescendência para com os mais ricos. Até onde vão chegar as suas atitudes cretinas para com a classe média e os portuguese mais desfavorecidos

BOAS NOTÍCIAS?

Com a descida da taxa social única a suportar pelas empresas, o custo do factor trabalho vai diminuir e, logo, os preços vão baixar e/ou o emprego aumentar. Parece, não é? Porém, como os consumidores vão ver os seus rendimentos líquidos diminuidos, vão retrair-se ainda mais na aquisição de bens e serviços, pelo que as empresas não vão contratar novos trabalhadores, por desnecessários, se não despedirem uns quantos pela descida na procura. Quem ganha? Talvez, marginalmente, as empresas exportadoras. Contudo, não esperemos um aumento exponencial das exportações, já que a capaciade instalada não é suficiente, nem os mercados externos são elásticos e não é suposto haver novos investimentos, até porque escasseia o crédito, que está mais vocacionado para os negócios de casino. A curto prazo, ganharão as grandes mercearias dos senhores Soares dos Santos e Belmiro de Azevedo, a EDP dos chineses, a Banca da dona Isabel dos Santos, a PT e outros grandes empregadores.
Para além da provável inconstitucionalidade das medidas anunciadas (e aguardo a posição dos deputados e do PR), o primeiro-ministro pode ter aprofundado, de modo irreversível, a própria cova.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

PARA ONDE CAMINHAMOS?

Mais uma vez apelo aos entendidos que me expliquem como vai o país sair da fossa onde se encontra com as medias anunciadas hoje por Passos Coelho. O que pretende este homem e o seu homem de mão, o Gaspar? Ou a culpa é da troika, a quem não têm coragem de fazer um manguito?
Muito a sério: não entendo o alcance das medidas, que não resolvem nenhum problema de fundo e vão causar novos problemas.
Haverá alguém que diga, alto e bom som: não podemos ir por aí?

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Que grande confusão


Estamos a pouco mais de uma semana do início do novo ano lectivo e reina a maior confusão no ensino, consequência das mudanças levadas a cabo pelo Ministério da Educação de forma atrapalhada, ou como é vulgar dizer-se, em cima do joelho. Então, relativamente à colocação de professores e aos respectivos concursos a confusão é total. O ministro, sobretudo, diz e desdiz com a maior desfaçatez. Num dia há professores sem horário (os chamados professores de horário zero) que ficam em pânico porque se sentem atirados para um chamado quadro de mobilidade e no dia seguinte ouvem o ministro dizer que vai haver trabalho para todos nas escolas; num outro dia cerca de dois mil docentes contratados descobrem que não estavam oficialmente colocados porque não tinham validado na plataforma online a sua colocação - um procedimento que lhes era exigido pele primeira vez, e no dia seguinte ouvem dizer que o ministério os vai manter (pergunto: a fazer o quê?). E entretanto são enormes as filas de professores à porta dos Centros de Emprego!
Mas, a grande confusão virá com o decurso do ano lectivo, fruto das instalações feitas à pressa dos mega agrupamentos. Alguns deles (ou quase todos) vão funcionar com projectos educativos diferentes, com regulamentos internos diferentes, com dois ou mais Conselhos Pedagógicos, com professores a darem aulas em duas ou mais escolas (do mesmo agrupamento) em que os manuais escolares são diferentes, coordenados por mais do que um coordenador de área curricular, etc, etc. É assim que se pretende combater o insucesso escolar? Claro que não, e o ministro até tem (será que tem mesmo?) consciência disso. Mas, a Troika (maldita troika!) ordenou-lhe que cortasse nas despesas e ele obedece. E com os mega agrupamentos mandou milhares de funcionários e de professores, ditos contratados, para a rua. É este o Crato do “Plano Inclinado”?  

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

NÃO PERCEBI

Devo estar a ficar balhelhas. Não percebi a ponta de um corno do que Passos disse, algures, creio que na Protecção Civil, em relação à carga fiscal. Alguém me explica, direitinho, o que disse o homem?

LIDO

"...dos três intervenientes [Cavaco, Governo, troika] no debate, Cavaco é o único que ninguém acusa de ter culpa - e bem, pois está cientificamente provado que Cavaco nunca tem culpa de nada."

Ricardo Araújo Pereira, in Visão

Concordo com o autor da peça, já que Cavaco, um ser superior, nunca se engana e raramente tem dúvidas, como ele próprio afirmou em tempos. 

Tanto prejuízo, como é posível?

Como se diz em linguagem popular, este governo “não dá uma pr’a caixa”.
Foram divulgados os resultados do primeiro semestre deste ano das empresas públicas do sector dos transportes. Muito dificilmente poderiam ser piores. Os prejuízos aumentaram praticamente para o dobro. E se houve sector onde o Governo mais atingiu, de um modo geral, o bolso do comum dos portugueses foi o dos transportes. Os preços das tarifas aumentaram – bilhetes e passes sociais; os descontos especiais para idosos e estudantes diminuíram e abrangem agora um número diminuto de beneficiários; houve supressão de carreiras em quase todos os serviços; os custos com pessoal diminuíram muito, em consequência da dispensa de muitos trabalhadores, e os prejuízos duplicaram, como é possível? Alguém tem o dever de vir explicar aos portugueses o porquê deste descontrolo. Deveria ser o ministro - um tal Álvaro, mas …, já pouca gente o leva a sério. Então, esperemos que um tal Sérgio Silva Monteiro, Secretário de Estado dos Transportes, que às vezes vem em poses de rambo criticar quem o critica e passar as culpas ao Governo anterior, venha explicar este descalabro!
Ah, Já me ia esquecendo de referir que a qualidade dos serviços é cada vez pior. Diria mesmo, muito pior!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

SUBMARINOS

A PGR reitera que nada há sobre Paulo Portas no que aos submarinos respeita. Ponto final.
Entretanto, a eurodeputada Ana Gomes afirma que a PGR anda a enviar correspondência sobre o negócio para endereço errado na Alemanha e, pelos vistos, tal corespondência não é devolvida ao remetente, o que não abona os Correios Alemães. Será que Ana Gomes já informou a dra. Cândida do novo endereço?

FOTOCÓPIAS

Não sei porquê, palpita-me que as fotocopiadoras do MNE já estão prontas para arrancar a grande velocidade. Isto, se o doutor Relvas não tiver escondido atrás dos cortinados algum dos seus espiões que impeçam tal desaforo. Ou as fotocópias vão sendo feitas diariamente, por causa das moscas?

Têm cá uma lata!

Tal como previsto por muita gente, as medidas que nos foram impostas pela Troika, como contrapartida ao empréstimo que nos fez, têm conduzido o nosso país a uma enorme recessão. O PIB diminui, o desemprego não para de aumentar e o número de empresas que caem na insolvência é assustador. As pessoas com menores recursos caem na pobreza e a classe média está em vias de extinção. E o grande objectivo que era o equilíbrio das contas públicas está cada vez mais inatingível. Ainda há poucos dias ficámos a saber que o défice acordado não vai ser atingido. Para já a previsão de 4,5% passou para 5,3%, mas há estudos que apontam, no mínimo para 5,6% - um desvio superior a um ponto, ou como diria, ou melhor, como dirá o primeiro-ministro, um desvio colossal. E agora, mais austeridade? Impossível, pois o Governo com aquela ideia cega do “temos que cumprir, custe o que custar” já foi muito para além do acordado no memorando. Então a Troika, se fizer uma avaliação séria, só poderá concluir que não é possível atingir os objectivos do memorando com as medidas impostas e que, portanto, é preciso alterara-las.
Entretanto, parece que a Troika nas suas conversas com os parceiros sociais já se está a pôr à margem de eventuais culpas dos maus resultados de tanta austeridade imposta aos portugueses. Estes tipos da Troika, têm cá uma lata

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

NÃO, NÃO É EM PORTUGAL

Texto de Mia Couto, recebido por email:


O May be man


Existe o "Yes man". Todos sabem quem é e o mal que causa. Mas existe o May be man. E poucos sabem quem é. Menos ainda sabem o impacto desta espécie na vida nacional. Apresento aqui essa criatura que todos, no final, reconhecerão como familiar.

O May be man vive do "talvez". Em português, dever-se-ia chamar de "talvezeiro". Devia tomar decisões. Não toma. Simplesmente, toma indecisões. A decisão é um risco e obriga a agir. Um "talvez" não tem implicação nenhuma, é um híbrido entre o nada e o vazio.

A diferença entre o Yes man e o May be man não está apenas no "yes". É que o "may be" é, ao mesmo tempo, um "may be not". Enquanto o Yes man aposta na bajulação de um chefe, o May be man não aposta em nada nem em ninguém. Enquanto o primeiro suja a língua numa bota, o outro engraxa tudo que seja bota superior.

Sem chegar a ser chave para nada, o May be man ocupa lugares chave no Estado. Foi-lhe dito para ser do partido. Ele aceitou por conveniência. Mas o May be man não é exactamente do partido no Poder. O seu partido é o Poder. Assim, ele veste e despe cores políticas conforme as marés. Porque o que ele é não vem da alma, vem da aparência. A mesma mão que hoje levanta uma bandeira, levantará outra amanhã. E venderá as duas bandeiras, depois de amanhã. Afinal, a sua ideologia tem um só nome: o negócio. Como não tem muito para negociar, como já se vendeu terra e ar, ele vende-se a si mesmo. E vende-se em parcelas. Cada parcela chama-se "comissão". Há quem lhe chame de "luvas". Os mais pequenos chamam-lhe de "gasosa". Vivemos uma nação muito gaseificada.

Governar não é, como muitos pensam, tomar conta dos interesses de uma nação. Governar é, para o May be Man, uma oportunidade de negócios, de "business" como convém hoje dizer. Curiosamente, o "talvezeiro" é um veemente crítico da corrupção, mas apenas quando beneficia outros. A que lhe cai no colo é legítima, patriótica e enquadra-se no combate contra a pobreza.

Mas a corrupção em Moçambique, tem uma dificuldade: o corruptor não sabe exactamente a quem subornar. Devia haver um manual, com organograma orientador. Ou como se diz em workshopês: os guidelines para evitar que o suborno seja improdutivo. Afinal, o May be man é mais cauteloso que o andar do camaleão: aguarda pela opinião do chefe, mais ainda pela opinião do chefe do chefe. Sem luz verde vinda dos céus, não há luz nem verde para ninguém.

O May be man entendeu mal a máxima cristã de "amar o próximo". Porque ele ama o seguinte. Isto é, ama o governo e o governante que vêm a seguir. Na senda de comércio de oportunidades, ele já vendeu a mesma oportunidade ao sul-africano, depois vendeu-a ao português e ao indiano. Está agora a vender ao chinês que ele imagina ser o "próximo". É por isso que para a lógica do "talvezeiro", é trágico que surjam decisões porque elas matam o terreno do eterno adiamento onde prospera o nosso indecidido personagem.

O May be man descobriu uma área mais rentável que a especulação financeira: a área do não deixar fazer ou numa parábola mais recente, "o não deixar". Há investimento à vista? Ele complica até deixar de haver. Há projecto no fundo do túnel? Ele escurece o final do túnel. Um pedido de uso de terra, ele argumenta que se perdeu a papelada. Numa palavra, o May be man actua como polícia de trânsito corrupto que em nome da lei, assalta o cidadão.

Eis a sua filosofia: a melhor maneira de fazer política é estar fora da política, melhor ainda, é ser político sem política nenhuma. Nessa fluidez se afirma a sua competência: ele sai dos princípios, esquece o que disse ontem, rasga o juramento do passado. E a lei e o plano servem, quando confirmam os seus interesses. E os do chefe. E, à cautela, os do chefe do chefe.

O May be man aprendeu a prudência de não dizer nada, não pensar nada e, sobretudo, não contrariar os poderosos. Agradar ao dirigente: é o seu principal currículo. Afinal, o May be man não tem ideia sobre nada: ele pensa com a cabeça do chefe, fala por via do discurso do chefe. E assim o nosso amigo se acha apto para tudo. Podem nomeá-lo para qualquer área: agricultura, pescas, exército, saúde. Ele está à vontade em tudo, com esse conforto que apenas a ignorância absoluta pode conferir.

Apresentei, sem necessidade o May be man. Porque todos já sabíamos quem era. O nosso Estado está cheio deles, do topo à base. Podíamos falar de uma elevada densidade humana. Na realidade, porém, essa densidade não existe. Porque dentro do May be man não há ninguém. O que significa que estamos pagando salários a fantasmas. Uma fortuna bem real paga mensalmente a fantasmas. Nenhum país, mesmo rico, deitaria assim tanto dinheiro para o vazio.

O May be Man é utilíssimo no país do talvez e na economia do faz-de-conta. Para um país a sério não serve.



OS GREGOS, NOSSOS AMIGOS

Ouço que a troika quer que os malandros dos gregos trabalhem mais horas e mais dias. Provalvelmente, por menor salário e menores descontos para a sua Segurança Social. É, também, bem feito, já que os gajos passam a vida a viajar de papo para o ar pelas milhentas ilhas que infestam os seus mares. Vão trabalhar, malandros!

PGR

Dizem por aí que a doutora Cândida Almeida poderá vir a ser a nova PGR. Depois da sua aula em Castelo de Vide, acredito que sim. E é bem feito.

PERGUNTAS INOCENTES

Sempre vão ser conhecidas as verdadeiras identidades do Jacinto Leite Capelo Rego e dos esmoleres do cerca de um milhão de euros? Curioso estou.

CRÓNICAS DO ZÉ GIL

Regressando, devagarinho, que estou cansado com as festas e romarias de Agosto, aí vai uma crónica do Zé Gil, que tem andado meio mudo (é das festas!).



CIDADELA DE CASCAIS


Gil Monteiro*



Ouvir falar de Lisboa era como sonhar com um reino de fadas, onde uma grande urbe era local de adoração, não por duendes, em nuvens de linho fofo de roca de fiar, mas por figuras angelicais espelhadas nas águas do tejo. Como acontecia com o andor de Nª Senhora da Azinheira, percorrendo a serra, a caminho do largo do Eiró de S. Martinho. A música e os foguetes, e os andores coloridos e brilhantes, faziam pensar numa Lisboa sempre em festa, como se ouvia, pelos ceguinhos, cantar as suas marchas e os fados de Amália!

Pelos anos 50, houve migração de famílias de Roalde para Lisboa. O Zé Rocha, único residente que recebia um jornal, pois nem um rádio de bateria havia no local, informou:

– É devido às construções de bairros novos...

Assim, no tempo da vindima e férias, podia a ver, novamente, o Manel Paleiro ou Tonho da Soqueira, e perguntar:

– Como era Lisboa? Havia muitos carros de bois?!

– Muitas casas, muitas ruas, muitos automóveis, muitos comboios, campos da bola... – Dizia o Paleiro, enquanto apanhava agriões, (1º e único), no ribeiro!

– As ruas grandes chegam daqui a S. Martinho? – Mais: chegavam a Sabrosa!!

Foi necessário passar meses a cumprir serviço militar, na Cidadela de Cascais, para conhecer os becos lisboetas do bairro da Bica, o museu das Janelas Verdes, o palácio do Ramalhete (Eça), a casa de fados Nau Catrineta, em Alfama, e subir às sete colinas. Resultado: passei a gostar e admirar a urbe, mas em estadias curtas, e sempre a pensar no regresso à Invicta, e na autoestrada, depois de Fátima, sentimos já o Porto!

Acontecimentos familiares levaram a passar um fim-de-semana na Capital, e desperto pela publicidade, ao aproveitamento turístico da Cidadela de Cascais, fui ver...

Na tarde de calmaria do mês de agosto, instalado no carro de uma sobrinha, deu para observar, com olhos de ver, a linda marginal Lisboa - Cascais. O movimento era muito, e as praias regurgitavam de jovens e crianças. Os carrinhos de bebé tinham de fazer gincanas, entre os parques de automóveis saturados. Os brilhos suaves das águas do Mar da Palha resplendiam nos edifícios, palacetes e fortes militares. O espetáculo deliciava o corpo e a alma. Não havia sinal da crise!

A visita à Boca do Inferno e ao Guincho e, perdido, na Quinta da Marinha, não sobrou o tempo para a Cidadela. Mas, só o portão de entrada, antiga Porta de Armas, despertou os anticorpos dos “estragos” feitos pelo curso de Cadetes, aí feito. A vontade de recordar a estadia era pouca. Apenas um apontamento:

Preparado para passar um sábado e domingo, em Lisboa, sou chamado ao capitão, conhecido como o “assassino da voz meiga”, que disse:

– Vai fazer os cálculos de tiro aéreo, este fim-de-semana, para os fogos reais da Bateria, a realizar na praia Guincho.

“Derreado” com o papel dos dados matemáticos, tendo a solidariedade de colegas, à morosa e complicada tarefa, e com tabelas trigonométricas, consegui, depois de almoço de sábado, entregar os cálculos ao dito oficial, retido no quartel, em serviço de escala.

Ainda não tinha poisado as folhas dos cálculos, na sua mesa, ouvi o voz meiga dizer:

– Ó cinco, (era o cadete n.º 5) estava para o mandar chamar! As coordenadas dadas estavam erradas, com elas, ia abater os aviões de passagem para Lisboa!



Porto, 29 de agosto de 2012



*José Gil Correia Monteiro

jose.gcmonteiro@gmail.com