quinta-feira, 31 de março de 2011

NÃO HÁ DIREITO!

Anda um homem 8 anos numa Faculdade, conclui um número elevado de cadeiras (!), é, por isso e não só, nomeado administrador dos CTT e vê-se agora na obrigação de suspender funções, por suspeita de aldrabar o seu diploma! Talvez o invocado "Bolonha" lhe dê razão, o que espero aconteça, já que o homem devia estar de boa fé, embora desde sempre não entenda essas "licenciaturas à bolonheza", salvo para a boa saúde financeira das universidades, que enganam tolos, ou pelas quais os tolos se deixam enganar. E, mais, espero que se for despedido o homem receba o previsto até ao final do contrato ajustado e uma boa indemnização por perdas e danos.

A dissolução

Pronto. O Sr. Presidente da República dissolveu finalmente a Assembleia da República e marcou eleições legislativas para o dia 5 de Junho. Decidiu fazer agora aquilo que não teve coragem de fazer após o seu discurso de ruptura política com o Governo, no dia da sua posse. E, mais uma vez, passou a mensagem para os portugueses de que a culpa da crise política que se instalou é dos partidos e, particularmente, do Governo, para quem mandou vários recados, como o de lhe dizer, de forma indirecta (por falta de coragem?), que tem condições de recorrer à ajuda externa. Acho graça que esteja agora muito preocupado com a nossa economia, o bem estar dos cidadãos e das suas famílias e, pasme-se, com a defesa do regime democrático. E o que fez para evitar a crise? Nada, usou a sua "velha máxima": não me comprometam. Com uma grande descaramento, para não dizer mesmo, com grande cinismo, veio apelar para que se evite a crispação. Mas ..., ó Senhor Presidente: quem foi que deu o pontapé de saída da crispação, não foi V. Exa no seu discurso de posse? Ah! dirá V. Exa: fui mal interpretado.

ALEA JACTA EST


  1. - Faites vos jeux.

  2. - Anote na agenda.

  3. - Cinco de Junho é que é.

Cavaco dixit.

DA LÍNGUA

O JN surpreende-me todos os dias, e nem sempre pelos melhores motivos. Leio hoje, em artigo assinado por Alexandra Inácio, que "a escola a tempo inteiro (ETI) fica ameaçada, se o próximo Governo não rever [sublinhado meu] a legislação". A jornalista (!) tem que rever a conjugação do verbo rever.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Mais uma desculpa para a fraca qualidade da justiça

Pelos vistos falta a tinta nas impressoras do Tribunal de Almada e também, em outros tribunais, dizem, por falta de pagamento do Ministério da Justiça. Mas vá lá, parece que vão emprestanto tinta entre eles. Há uma certa solidariedade entre tribunais, o que é bonito, muito bonito! Claro que um juiz já veio avisar que esta situação lamentável poderá brevemente afectar as decisões judiciais. Querem ver que a confusão toda que se instalou nos processos mais mediáticos, como o processo Casa Pia ou o processo Face Oculta, foi culpa da falta de tinta nos tinteiros das impressoras? E que por falta da tal tinta há processos, muito mais simples, que se arrastam nos tribunais há anos?

Cá para mim, nasceu mais uma desculpa para a falta de qualidade da nossa justiça.

Dissolução já

A partir do dia em que na Assembleia da República se formou a coligação dos cinco partidos da Oposição para chumbarem o PEC IV e derrubarem o Governo, tem sido deprimente ver, no todo ou em parte, através de reportagens televisivas, os trabalhos deste órgão de soberania. Neste momento só serve para "lavar roupa suja" e revogar Decretos Leis do Governo, entretanto já promulgados e em plena execução. Como estamos em vésperas de eleições legislativas, reina o oportunismo eleitoralista. Por isso: Dissolução já!

DA DITA CULTURA

O concurso "Quem quer ser milionário" tem perguntas que não lembram ao diabo, parecendo estar feito para ninguém ganhar um prémio que se veja. Mas há limites para a ignorância. Vejamos duas perguntas e respectivas respostas: - Samora Machel foi presidente de que país (hípóteses, se não erro: Portugal, Angola, Moçambique e Brasil)? Angola, responde o concorrente. - Que Presidente da República português foi assassinado? (alternativas: Teófilo Braga, Sidónio Pais, Óscar Carmona, Américo Tomás). Américo Tomás, responde o (outro) concorrente. Valha-me S. Francisco.

DÚVIDAS

Qual a razão para Cavaco Silva deixar arrastar a situação de um governo que não está em plenitude de funções, nem em gestão, nem demitido? A quem pode interessar este iato? Não me parece que seja ao País.

JOGADAS

Não sei como qualificar pior, se a actuação do Governo ao publicar um DL que aumentava os limites para autorização de despesas de contratos públicos em valores absurdos (e ao que parece fora do período que tinha para legislar sobre o assunto), se o chumbo do referido DL pela oposição unida na AR. Na dúvida, prefiro o chumbo, ainda que me pareça puro oportunismo. E talvez houvesse a possibilidade de o DL não ter sido promulgado ou o recurso ao TC. Jogadas sujas, de um e outro lado. Assim, não vamos lá.

NEOLOGISMOS

Ontem, referi aqui a 'presidenta' do Brasil com que o JN nos brindou. Vejo que a coisa é assumida e veio para ficar, já que o mesmo JN de hoje, logo na capa se refere à presidenta Rouseff, o que repete em textos no interior. Nada tenho a ver com o facto de a senhora Dilma Rouseff gostar de ser tratada por presidenta. O que não me parece minimamente aceitável é que o JN (ou qualquer outro meio de comunicação social) subverta a língua, inventando um termo "esdrúxulo"ao arrepio de qualquer norma. Ainda se, no mínimo, colocassem aspas... Um dia destes vamos ler "a chefa" de Estado do Brasil... Subserviência, parolismo ou o quê?

terça-feira, 29 de março de 2011

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


  • - Os juros da dívida portuguesa ultrapassaram os 9%.

  • - O FMI ainda não foi convidado a visitar Portugal.

  • - Passos Coelho quer, afinal, medidas mais duras (para os mesmos, evidentemente).

  • - O Metro de Lisboa vai voltar a parar por uns dias, por greve.

  • - Os Sindicatos da Função Pública querem a revogação da avaliação (e bem, já que o Mário Nogueira a conseguiu e, ou comem todos, ou....).

  • - Portugal ganhou à Finlândia no jogo do pontapé na bola a feijões.



  • - Nem tudo são más notícias, como se vê.

O 25/4 JÁ FOI

O 25/4 já foi há muitos anos, tantos que já ninguém se lembra dele, salvo alguns centenários que por aí ainda andam a atrapalhar o trânsito. É por issso que este ano não é evocado na Assembleia da República, sob o pretexto de que a mesma se encontra dissolvida, o que, de momento, não é líquido, embora previsível, e ainda que tenha uma Comissão Permanente a funcionar até nova Assembleia. Pronto, o 25 barra quatro já foi. E para o ano a não evocação jé nem será notícia. Assim vamos.

NÃO ME LIXEM 2

Passos Coelho diz, para americano ler, que chumbou o PEC IV porque as medidas propostas pelo governo não iam suficientemente longe. Mas ele, por interposto Miguel Macedo, disse isso na AR? Quais foram as alternativas apresentadas? Ora, porra, não me lixem, para não dizer não me f... Este sujeito poderá vir a ser primeiro-ministro? Poder, pode, mas não vamos ficar mais bem servidos.

É O PORTO, É O PORTO!

Souto de Moura, depois de Siza Vieira, ganhou o prémio Pritkzer, considerado o Nobel da Arquitectura. E, assim, vão dois, para Portugal, para a "Escola" do Porto, que iguala a Suiça. O nome de Souto de Moura para uma Avenida, já!

NÃO ME LIXEM

Como já aqui tenho referido, não sou fã do Novo Acordo Ortográfico. Penso que tem disparates dispensáveis, como a eliminação de algumas consoantes mudas, sendo o cúmulo a eliminação do 'p' em Egipto, embora escrevamos "egípcio". Agora, "inventaram" uma nova palavra: "presidenta", para se referirem a Dilma Rouseff, como faz o JN de hoje, na sua página 8, em notícia não assinada, com o título "Lula aconselha compra de dívida", em que a "presidenta" aparece duas vezes. Será erro crasso de quem escreveu a "notícia" ou parvo diletantismo? Não me lixem.

segunda-feira, 28 de março de 2011

O oportunismo

Quase todos os portugueses sabem que o PSD conseguiu na Assembleia da República a revogação do decreto da avaliação dos professores, por uma questão de oportunismo. Nunca viabilizou as propostas apresentadas nesse sentido pelos partidos da extrema esquerda como o PCP e o BE, e veio agora servir-se deles para, num acto de puro oportunismo, fazer junto dos professores uma autêntica caça ao voto,com vista às quase certas eleições legislativas antecipadas.

E oportunismo "puxa" oportunismo. Vai daí, o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública, também por oportunismo, considera que a suspensão do sistema de avaliação deve abranger todos os trabalhadores da função pública e não só os professores. E exigem ao Governo que a mesma atitude seja tomada aos restantes trabalhadores do Estado. E eu pergunto: ao Governo? O que é que o Governo tem a ver com a suspensão da avaliação dos professores? Nada. Por isso senhores do sindicato: Façam ver ao PSD que são uns bons milhares de votantes. Pode ser que, por oportunismo, o PSD lhes faça a vontade. Mas rápido, que o Parlamento está quase a "fechar".

sábado, 26 de março de 2011

Futebol a nossa selecção

A selecção portuguesa de futebol empatou hoje a uma bola com a selecção do Chile, em jogo realizado no Estádio de Leiria. A qualidade do jogo não foi muito boa mas, mesmo assim, Portugal poderia ter vencido. À excepção de um lance que decorreu ainda na 1ª parte e no qual se lesionou o jogador português João Pereira , a selecção do Chile não teve qualquer outra oportunidade, e o golo foi obtido de um livre directo a mais de trinta e metros. Foi um bom pontapé, é certo, mas pareceu-me que Rui Patrício foi mal batido. Desconcentrou-se e lançou-se tarde à bola.
Resultado melhor do que o deste jogo para a nossa selecção foi o do jogo Noruega-Dinamarca. Também empate a uma bola, o que nos permite assumir a liderança do grupo de qualificação para o Euro 2012, se em Junho ganharmos em casa à Noruega.

Onde já chegam os boys!

Todos sabemos que há um grupo de pessoas (homens maioritariamente, mas também algumas mulheres) militantes ou próximos dos dois maiores partidos portugueses - PS e PSD, que, de acordo com a cor política da altura, vão ocupando cargos de relevo e muito bem remunerados, na Administração Pública e nas empresas do chamado Sector Empresarial do Estado. São os chamados boys. E há casos em que se torna "necesário" que haja boys dos dois lados. Mas, nestes casos, define-ne a respectiva paridade, de modo a que cada partido tenha, relativamente ao outro, um número de boys correspondente à sua representatividade. É assim, não é? Não estou enganado, pois não?
Atendendo às perspectivas políticas do momento, os boys do PSD andam "numa roda viva". Como dirá o ministro Augusto Santos Silva, já andam a salivar. Sentem que está perto a hora deles. Os do PS, já estão a fazer contas e previsões de quando poderão voltar (se sairem, bem entendido!). É a vida, como disse António Guterres.
Mais estranho me parece que estas coisas se passem em empresas de capitais privados, como o BCP. Pois bem, leio no jornal Público que a lista para o Conselho Geral e de Supervisão do banco traz uma novidade: a adequação ao quadro político que se antecipa poder vir a ter o PSD como protagonista. Assim, Santos Ferreira foi buscar Leonor Beleza e Álvaro Barreto, ex-ministros e pessoas carismáticas do PSD. Mas descansem, senhores do PS, também vai buscar Daniel Bessa que, sendo independente e crítico de Sócrates, foi ministro de António Guterres. Onde já chegam os boys!

Agora é que está preocupado?

Leio que o Presidente da República está preocupado com a mega-emissão de dívida pública que vai inevitavelmente acontecer em Junho. E que, agora que tem de decidir pela dissolução do Parlamento e pela marcação de eleições legislativas antecipadas, se vê confrontado com uma enorme complicação de calendários. Mas ..., ó senhor Presidente, o senhor não tinha os calendários à sua frente quando resolveu redigir um discurso de posse que iria incentivar a Oposição a arranjar maneira de fazer cair o Governo? E mesmo quando se perspectivou que cairíamos numa crise política de consequências imprevisíveis se o PEC fosse chumbado, o que fez V. Exa? Lavou as mãos como o fez o antigo governador romano Pôncio Pilatos. Tal como este, V. Exa demitiu-se de exercer as suas funções. Pilatos não quiz desagradar àqueles que queriam ver Jesus Cristo crucificado, V. Exa não quiz desagradar àqueles que queriam derrubar o governo. Ambos tomaram tais atitudes porque não queriam chatices. Mas V. Exa vai tê-las, não tenha dúvidas. Foi bem avisado disso por muita gente. Mas qual iluminado, que nunca se engana e raramente tem dúvidas, não os quiz ouvir. Mas, entretanto, ouviu a preocupação dos líderes europeus com a crise política que se instalou em Portugal? Bom, dirá V. Exa, eles não sabem nada disto.
Faço-lhe um apelo, senhor Presidente, quando V. Exa falar ao país para anunciar que vai dissolver o Parlamento (ou, como sempre para não dar a cara, vai fazê-lo no facebook?), faça uma promessa solene aos portugueses, como já o fizeram antecessores seus: se das eleições não sair uma solução forte de governo que possa enfrentar a crise em perfeita estabilidade, V. Exa renuncia ao mandato. Era de homem corajoso, não era?

sexta-feira, 25 de março de 2011

Amplo consenso? Já o há

Vejo e ouço muita gente a opinar que o país só consegue tomar medidas eficazes para combater a crise se houver um amplo consenso ou até uma coligação alargada a vários partidos. Mas, coligação já existe : PSD, CDS/PP, BE e PCP. Não foi esta coligação de partidos, de larguíssimo espectro, que chumbou o PEC IV? Não foi esta muito ampla coligação que hoje votou a revogação da avaliação de professores? Então, para quê eleições? O Sr.Presidente da República deve chamar os líderes destes partidos e pedir-lhes que formem um governo, evitando-se os custos de novas eleições e o arrastar da crise política. Talvez os mercados, perante esta sólida coligação, recuperassem a confiança nas nossas finanças públicas! Ao que chegamos.

OUVIDO - 2

Almeida Santos, em entrevista a Maria Flor Pedroso, hoje, na Antena Um, disse do seu espanto por o Presidente da República não enviar, na quarta-feira passada, uma mensagem à AR, "coisa que demoraria, no máximo, meia hora a escrever" (cito de memória), no sentido de ser obtido um consenso quanto à aprovação do PEC IV, o que pode indiciar que o PR desejava o resultado alcançado.
Sem papas na língua.

OUVIDO

Miguel Portas, na Antena Um, sobre Passos Coelho:"é um farsola", com "a coluna vertebral de um caracol". Chiça!

Que grande pantomina!

"Os impostos indirectos tratam todos pela mesma medida, tanto pobres como ricos, razão porque são, nesse aspecto, mais injustos. É essa, aliás, a razão por que eu nunca concordei em taxar cada vez mais os impostos indirectos, nomeadamente o IVA."
Quem disse isto, quem disse? Foi Sócrates? Foi Teixeira dos Santos? Foi algum professor de economia , ou um qualquer daqueles paineleiros que andam nos painéis das TVs a falar daquilo de que se julgam sábios? Não, meus amigos. Foi o líder do PSD Pedro Passos Coelho. E para que não houvesse dúvidas deste seu pensamento, escreveu-o no seu livro recentemente publicado. Agora, que lhe cheira a poder, meteu a ideia não sei onde e divulgou que fará o contrário se ganhar as eleições e formar governo.
E que dizer disto: Que grande coerência, ou que grande pantomina? Começa bem a apresentar o seu programa, não começa?

quinta-feira, 24 de março de 2011

Começou a caça ao voto

Tal como disse o ministro dos Assuntos Parlamentares Jorge Lacão, o PSD perdeu o sentido de decência, e eu ainda digo mais: iniciou a caça ao voto.
Anunciou que, caso forme governo, aumentará a taxa de IVA para 25%. Até agora, e sobretudo na altura das negociações para a viabilização do Orçamento de Estado para 2011, o PSD dizia não abdicar do princípio de que não haveria qualquer aumento de impostos. Todos nos lembramos do pedido de desculpas que Pedro Passos Coelho fez aos portugueses por ter aceite, ou não ter leventado problemas, a ajustamentos que o Governo fez relativamente a alguns impostos. É realmente uma enorme cambalhota, ou em linguagem mais apropriada ao momento, é uma enorme pantomina.
Mas, em termos de pantominas, o PSD não se ficou por aqui, pois apresentou no Parlamento um projecto de lei que determina a revogação do sistema de avaliação de professores que está em vigor. Ora, o actual processo de avaliação já vem da legislatura anterior, quando o PS tinha maioria absoluta. O PSD, embora dizendo que este processo de avaliação não era o seu, sempre contribuiu para que, nesta legislatura de maioria relativa, projectos de lei análogos propostos por outros partidos fossem chumbados. Agora, que cheira a eleições toca a dar um rebuçado a mais de 200.000 professores. Uma VERGONHA !

quarta-feira, 23 de março de 2011

A DECISÃO

A dissolução, ou não, do Parlamento está nas mãos de Cavaco Silva, depois de ouvir os partidos e o Conselho de Estado. Como parece haver uma maioria, ainda que contra natura, na AR, seria desejável que o PR "encomendasse" um novo governo com base em tal maioria, evitando uma ruidosa, enfadonha e custosa campanha eleitoral num momento em que há que apresentar soluções a "Bruxelas" e aos "mercados". Sempre quero ver qual a decisão do PR. Ele que diz defender a estabilidade, deve, ao menos uma vez, dar o seu contributo (a tal magistratura activa de que se arrogou) para que ela seja rapidamente conseguida. E, se assim for, espero uma "atitude responsável" por parte do PS, não inviabilizando o programa que tal governo apresentará na AR.