quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Que raio de comparação!

No debate que ontem travou com Manuel Alegre, Cavaco Silva fez uma das suas já habituais acusações que caem bem ao comum dos portugueses quando se trata de fazer demagogia. Refiro-me à acusação que fez à actual Administração do BPN, de não ter recuperado aquele Banco, acusando-a de má gestão. E fez mesmo a comparação com o êxito obtido na recuperação de bancos ingleses por administrações que disse serem independentes (não sei de quem).
Que raio de comparação! O mercado financeiro inglês não é comparavel com o nosso mercado financeiro, desde logo porque o desenvolvimento das duas economias também não são comparáveis. Mas, provavelmente a maior diferença está no facto de os bancos ingleses terem nascido sólidos, enquanto o BPN nasceu da soma das poupanças de amigos, cujo objectivo era fazê-las crescer rápido e muito, aproveitando o peso político de muitos deles. Depois, tudo ainda se agravou mais dada a má gestão dos administradores fundadores, já acusados pela justiça da prática de actos fraudulentos e de outros crimes. Então, o que pretendeu Cavaco Silva com tal comparação? Não quero pensar que quis branquear amigos.

OS DEBATES

Foi com alguma (moderada) expectativa que assisti ao debate de ontem, entre Cavaco Silva e Manuel Alegre. Senti-me ligeiramente defraudado, embora tenha sido o mais político dos debates. Cavaco partiu ao ataque (conselho do seu conselheiro Lima?), mas mostrou-se arrogante qb, e inseguro nalgumas áreas, para além de exibir as suas habituais caretas de enfado ou desconforto. Alegre, não trazendo nada de novo, salvo na Justiça, exibiu pose de Estado e encostou às cordas o adversário nas questões da saúde e da educação. Mais uma vez, Cavaco fugiu com o rabo à seringa nas questões da SLN/BPN e na montagem das escutas. Por mim, continuo com as mesmas dúvidas sobre tais assuntos, ainda que acredite piamente, até prova em contrário, que há-de nascer duas vezes alguém mais honesto que a criatura.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

E agora?

O Tribunal Constitucional validou seis candidaturas à Presidência da República: as cinco candidaturas dos candidatos que se defrontaram nos debates que terminaram hoje, e o madeirense José Manuel Coelho. Este já disse que vai fazer uma queixa à Comissão Nacional de Eleições, já que se sente prejudicado em relação aos outros. E acaba por ter razão. Não teve por parte da Comunicação Social o mesmo tratamento que os seus cinco adversários. E agora, como vão compensá-lo desta falha? A verdade é que foi considerado como candidato de segunda. Isto não é próprio de um Estado de Dieito. E, de quem é a culpa?

Até que enfim!

Foi preciso chegar ao último debate para se falar com algum realce da Justiça. Até que enfim! Sendo a Justiça um dos sectores mais em crise na nossa democracia, não se percebe como andou tão esquecida nestes "confrontos de ideias" (?) entre cinco dos seis candidatos (seis, é verdade são seis!) às eleições presidenciais. E o mérito pertence a Manuel Alegre, respondendo à moderadora Judite de Sousa sobre algumas das primeiras acções que tencionaria fazer se fosse eleito. Manuel Alegre falou até que promoveria uma espécie de estados Gerais da Justiça, com a participação de toda a gente ligada a ela, tentanto acabar com o sentimento de grande parte dos cidadãos que é o de não acreditarem na Justiça. Cavaco Silva nada disse, pois sabe bem que enfrentar o corporativismo de juízes e magistrados pode trazer muito prejuízo a uma eleição.

O último debates

O último debate foi travado na RTP 1 entre Os candidatos Cavaco Silva e Manuel Alegre, sem dúvida alguma os principais protagonistas destas eleições presidenciais.
Foi um debate tenso, como foram todos os outros onde participou Cavaco Silva, mas também nada esclarecedor. Cavaco Silva, como sempre, acusou o seu adversário de mentir e caluniar e, mais uma vez, usou a fome e as dificuldades com que se deparam muitos portugueses para fazer demagogia . Manuel Alegre não disse mais do que aquilo que tem dito nalgumas intervenções desta pré-campanha. Ou seja, nada de novo.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

SURREAL

A partir de agora os partidos e e os seus dirigentes podem cometer toda a série de tropelias e ilegalidades contabilísticas/fiscais. Qualquer multa, mesmo emitida pelo Tribunal Constitucional, ainda que respeitando a dirigentes concretos e devidamente identificados, pode ser paga pela tesouraria do partido e levada a "custos do exercício". Como a subvenção do Estado tem em conta o total das despesas, o valor das multas é, pelo menos em parte, devolvido.
Não sei quem mais "admirar": o 'autor' da lei, os partidos que a aprovaram, ou o PR que a promulgou.
E nós a contribuir para a trafulice. É um fartar, vilanagem.
Será que a multa por mau estacionamento que o polícia me passou pode ser deduzida na minha dclaração de IRS?
Haja vergonha.

Os comentários

No passado dia 25 o primeiro-ministro dirigiu-se aos portugueses através da habitual Mensagem de Natal. Foi uma mensagem sem surpresas, com o primeiro-ministro a falar dos tempos difíceis da crise e a pedir aos portugueses que não desistam de lutar contra ela com determinação. Foi um discurso positivo para incutir ânimo, confiança e esperança aos seus concidadãos. Outra coisa não se esperaria de José Sócrates.
Entretanto, os comentários da Oposição também nada trouxeram de novo. Foi o "blá blá" do costume, desde a "cassete de ocasião" do Partido Comunista, até ao já estafado argumento dos partidos da direita de que o primeiro-ministro fala de um país que não conhece. Apenas um senão: O porta do Bloco de Esquerda desvalorizou a mensagem de José Sócrates, dizendo que o seu conteúdo é contrariado pela queda do "rating" dos bancos portugueses e pela continuada falta de confiança dos mercados financeiros. Quem havia de dizer! Aqueles que para os bloquistas são muitas vezes tratados por perigosos agentes do capitalismo, são agora citados como pessoas de confiança. Ao que chega a hipocrisia!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Juízes em causa própria

É sabido que várias estruturas sindicais vão recorrer aos tribunais administrativos, pedindo que seja considerada ilegal a redução salarial a que vão ser sujeitos os trabalhadores da Administração Pública a partir de 1 de Janeiro de 2011. Entre aquelas estruturas sindicais que já se posicionaram nesse sentido, destaco a Associação Sindical dos Juízes, uma estrutura sem sentido, já que os seus membros são parte integrante de um órgão de soberania. Pois tal atitude dos juízes sindicalistas é insólita, se não mesmo absurda. Como podem alguém ser juiz em causa próxima? Como pode alguém ir decidir um conflito de que é uma das partes? Por mim, não tenho conhecimentos jurídicos para dizer como, mas que acho muito estranho, acho!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

E a Justiça?

Um dos piores sectores da nossa democracia é a Justiça. É sabido que uma maioria dos portugueses não acredita nela. Pois bem, ainda não vi em nenhum dos debates que se discutisse o problema da justiça, e que influência pode ter o futuro Presidente da República no sentido de serem tomadas medidas que alterem a situação. Provavelmente têm receio de afrontar os seus lóbis corporativos. Valem muitos votos, não valem?


A todas as pessoas que dão importância às minhas mensagens, lendo-as, desejo UM BOM NATAL

OS DEBATES

Não tenho assistido a todos o debates para as presidenciais, sendo que as que vi foram de uma grande sensaboria. Vi hoje Defensor Moura e Cavaco Silva e diria que o primeiro não teve papas na língua e o segundo fugiu algumas vezes com o rabo à seringa e utilizou, também ele, uma cassete, bem repleta de auto-elogios que já enjoam.
Espero que algum dos candidatos que ainda têm que o enfrentar o questione sobre as célebres escutas engendradas por um assessor com a cobertura de um jornal dito de referência.

Abençoado conflito com os cortes orçamentais

Leio a notícia que o ex-director do SIED (ou, como dizia a notícia, o ex-chefe dos espiões) vai trabalhar para a Ongoing e também que aceitou convites para dar aulas na Universidade Nova de Lisboa e colaborar com a Fundação Kofi Annan. Não sei, nem ninguém saberá ao certo, quanto é que o cavalheiro vai ganhar com estes três ... empregos, mas, de certo x vezes mais do que aquilo que ganhava no cargo do qual se demitiu.
Ora, na altura da sua demissão, foi dito que o homem se demitia em conflito com os cortes orçamentais impostos pelo Governo. Abençoado conflito, não acham?

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O estado não tem que suportar o ensino privado

Não sou, de forma alguma, contra o ensino privado. Considero, até, que o ensino privado é um complemento do ensino público, e sei que há escolas do privado que oferecem ensino de muita qualidade. Contudo, se são privadas, embora integradas no sistema educativo e seguindo as orientações pedagógicas do Ministério da Educação, têm também como finalidade a obtenção de um lucro. Por isso não têm que ser subsidiadas pelo Estado. Pode e deve o Estado em casos pontuais solicitar-lhes que prestem determinados serviços pelos quais lhes paga.
Assim, só é admissível que escolas privadas recebam dinheiro do Estado quando, situadas em zonas carecidas de ensino público, as substituam em parte. Quando essas zonas ficam abrangidas pela rede pública de ensino, cessam os contratos entre as escolas privadas e o Estado. Por isso, o Governo criou um diploma que altera o regime destes contratos que está neste momento em Belém a aguardar uma decisão do Presidente da República, que optará por promulgá-lo ou vetá-lo. Só que o Governo cometeu um erro: não se lembrou que, agora, Cavaco Silva além de Presidente é, também, candidato a voltar a sê-lo. E, claro, como tem que agradar a quem o apoia, toma a parte pelo todo e arma-se em defensor do ensino privado em geral e "começa a gritar: agarrem-me se não eu veto".
Ó Senhor Presidente: o Estado não tem que suportar o ensino privado, muito menos em tempos de austeridade.

NOTÍCIAS

Ontem não houve debates para as presidenciais. Porreiro, pá!

Não sei se algum dos candidatos andou por albergues, lares de idosos, cantinas escolares abertas em tempo de férias e similares.



Assaltaram o e-mail da Ana Gomes e roubaram-lhe documentos. O Assange não está detido?


O défice cai pela primeira vez este ano. Falta saber como vai ser no final do ano, em que costumam aparecer surpresas.

O Sporting tirou a barriga de misérias em Setúbal e já estã em 3.º lugar.

Pior é que a águia Vitória deixou, ao que parece, de voar na Luz.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Uma vergonha!

Ao que chega a demagogia dos políticos portugueses! Agora, mas só agora, em vésperas de eleições presidenciais é que todos os políticos se lembram dos pobres, e alguns até dizem sentir vergonha por existir pobreza no nosso país. Coitados dos pobres! Não basta a dolorosa vida que têm e as privações a que estão sujeitos e ainda têm que ser o objecto da demagogia dos nossos políticos, dos quais até são vítimas pela falta de coragem e cobardia que tiveram ao não criarem medidas que diminuissem o fosso entre eles, pobres, e os ricos, cada vez mais ricos, até nestes tempos de crise.
E já agora, uma pergunta: Se não estivéssemos a pouco mais de um mês das eleições presidenciais, nas quais é candidato, Cavaco Silva teria ido " ao programa das sobras dos restaurantes e ao casamento do sem-abrigo"? Responda quem souber.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Os debates dos candidatos

Continuam os debates entre candidatos às eleições presidenciais. Hoje tivemos o debate entre Manuel Alegre, o candidato apoiado pelo Bloco de Esquerda e, oficialmente, pelo PS, e Francisco Lopes, o candidato que representa o Partido Comunista.
Foi um debate morno, sem qualquer interesse e em que à excepção de algumas poucas matérias, os dois estiveram mais de acordo do que em desacordo, e foi visível a sintonia que tiveram quanto às críticas a Cavaco Silva, sobretudo à forma como o actual Presidente exerceu o seu mandato.
Depois destes quatro primeiros debates, não me sinto mais esclarecido e o único candidato que me surpreendeu foi Fernando Nobre. Não positivamente mas, pelo contrário, de forma bem negativa. Fernando Nobre apresenta-se como o candidato anti-partidos. Ora a democracia faz-se, não só, mas sobretudo com partidos. Os cidadãos independentes de partidos podem e devem participar na vida democrática, mas não podem participar contra os partidos nem serem hostis a eles, e Fernando Nobre tem um discurso hostil aos partidos e aos políticos que os integram. Espero que os portugueses penalizem este tipo de demagogia.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

CAMPANHA MORNA

A campanha para as presidenciais vai morna, a deslizar para o frio.
Ontem, Alegre e Defensor estiveram quase sempre de acordo...em criticar o actual titular.
Hoje, Cavaco e Nobre (quase não saíram dos temas económicos) não aquentaram nem arrefentaram.
Falta "sangue", o que receio não venha a acontecer, salvo no debate entre Alegre e Cavaco. A ver.

Basta de retórica

Já sabemos que a retórica faz parte da actividade política, mas sempre retórica, ou só retórica, não dá credibilidade ao político.
O líder do maior partido da oposiçao é useiro e vezeiro em comentar actividades da governação, recorrendo quase sempre à retórica. Ainda agora, solicitado a pronunciar-se sobre desemprego, Pedro Passos Coelho diz que o desemprego é uma chaga social muito forte (o que todos nós já sabemos) e que "isso significa, portanto, que precisamos de políticas activas de emprego mais profundas, mais persistentes, e precisamos, sobretudo, de atrair mais investimento".
Pois é; é fácil dizer que precisamos..., precisamos..., precisamos... . Mas precisamos é de dizer o que vamos fazer. Precisamos é de dizer, com clareza, que políticas activas, profundas e persitentes se vão tomar, e como vamos atrair mais investimento. Caso contrário é só retórica. E não é com retórica que se constrói a alternância ao poder.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

PANTERA COR DE ROSA


Morreu, aos 88 anos, Blake Edwards, realizador do Pantera Cor de Rosa (e inspector Clouseau)

ACONTECE

Já muitos disseram o que havia a dizer sobre Carlos Pinto Coelho. A mim, resta-me agradecer-lhe o que considero o melhor programa cultural que até hoje passou na RTP.

ELOGIOS

Segundo o El País, consta dos documentos da WikiLeaks a visita de uma delegação do PS à Embaixada americana em Lisboa, onde terá sido afirmado que Ana Gomes é "uma senhora muito excitada, pior que um rottweiller à solta" e que (frase atribuída a José Lello) a ala mais à esquerda do PS é um grupo de "alegristas".
Elogios a camaradas...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

ATÉ ÀS CALENDAS

O caso BPN começou a ser julgado hoje, mas já foi adiado para 19 de Janeiro. Muita água há-de ir parar ao mar até o caso ser, definitivamente, julgado, palpita-me.
Oa pauzinhos na engrenagem não hão-de faltar...
Entretanto, como ninguém oferece um chavo pela coisa, lá teremos que aguentar uns bons milhões...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Os debates dos candidatos

Começaram hoje os debates televisivos (dois a dois) dos candidatos às eleições presidenciais. O primeiro frente-a-frente foi entre Francisco Lopes, o candidato escolhido desta vez pelo Partido Comunista para marcar a habitual presença, e Fernando Nobre, talvez o candidato das pessoas da esquerda não comunista que não querem votar em Manuel Alegre e da direita que não querem votar em Cavaco Silva.
Ambos trocaram algumas acusações com pouco sentido. Francisco Lopes, como era previsível, usou os argumentos da "cassete comunista" para justificar a sua candidatura, enquanto Fernando Nobre se apresentou como o candidato anti-partido, precendo querer capitalizar um certo descontentamento que existe na sociedade, neste momento de crise. Não me parece que qualquer um deles tivesse angariado um só voto dos eleitores indecisos.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Quem governa é o governo

Numa altura em que a qualidade do nosso sistema educativo tem sido elogiada, até por organizações internacionais; quando se sabe que o resultado da avaliação dos nossos alunos sofreu uma evolução impressionante, que nos põe a par de alguns dos países mais desenvolvidos; quando se aponta Portugal como um dos exemplos de que as "políticas adequadas de educação são eficazes na luta contra o insucesso escolar";
vêm duas associações de directores escolares falar em instabilidade nas escolas, criada pelo Governo. Ora, não me parece que escolas instáveis conduzam a que os alunos melhorem os seus conhecimentos.
Dizem também os pretensos senhores directores que a situação se está a tornar insustentável e que, por isso, vão reunir-se e forçar a abertura de novos caminhos que permitam encontrar soluções ..., quais soluções?
Quem define a política educativa é o Governo; quem fiscaliza os actos do Governo é o Parlamento; e quem julga os actos do Governo é o Povo, quando é solicitado a pronunciar-se em eleições livres. As associações de directores são importantes, como o são os sindicatos de professores e de outros profissionais ligados ao ensino, bem como as associações de pais e de estudantes. Mas ... , quem define a política educativa é o Governo, porque é o Governo que governa.

domingo, 12 de dezembro de 2010

O REI

Atendendo ao pedido de várias famílias, e embora com muitos a variados sacrifícios, parece que o Rei Alberto I (O Único e Eterno Líder) se vai recandidatar a mais um mandato no seu Reino das Bananas.
Bom proveito.