quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Tal como Estaline, quem o afronta..., fora com ele!

Jardim está, dia a dia, a perder o poder absoluto na Madeira. E a prova disso foram os resultados eleitorais das últimas autárquicas, impensável de acontecer há meia dúzia de anos atrás. Mas pior (para ele, claro; melhor para a democracia), Jardim já perdeu o poder absoluto no PPD/Madeira e só não caiu “abaixo do cavalo” nas últimas eleições internas por 142 votos. Ora, Jardim tem dito que quer abandonar a liderança do partido, mas claro quer lá pôr um capacho a quem possa dar ordens e, no fundo, continuar a mandar. Acontece que tem um opositor de peso, precisamente o militante que o afrontou nas últimas eleições internas e antigo Presidente da Câmara do Funchal – Miguel Albuquerque. Então, veio à tona a veia ditadora de Jardim que, com tiques de estalinista, quer liquidar politicamente Miguel Albuquerque, expulsando-o do partido. Sabemos como Jardim manobra aquela gente, mas espero que os titulares dos órgãos disciplinares do PPD/Madeira se lembrem que há leis no país que os limita a “alinharem” em prepotências antidemocráticas.

Entretanto é bom que se diga que já vai sendo tempo de os madeirenses tomarem consciência de que, como disse o próprio Miguel Albuquerque, “o tempo primitivo da adoração de estátuas já não existe”. 

MEM´RIAS MUSICAIS



Neste dia, em 1957, morre Arturo Toscanini, músico e maestro italiano

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

CONTRIBUTOS EXTERNOS


Hoje temos um poeminha do Zé Gil


A GOTA

Água mãe da vida
Sem ciclo, terra tolhida.
 Gota de chuva, neve ou orvalho
 Energia para qualquer atalho!
Haverá vida em marte?!
Ou água em qualquer parte?
Se a gazela vive no deserto
O homem é mais esperto!
Na serra tive um deslumbramento
 Tempo de S. Martinho, céu enevoado
Abóbada de capacete, no firmamento.
  Redor de montes, estaria aprisionado?!
A maior nostalgia é o útero materno
Cavidade amniota, reclamada ao segundo
Caução e convívio fraterno,
 Será a melhor gota do MUNDO?!



                                                                                                                      José Gil

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O Congresso

Finalmente (!) realizou-se no passado fim-de-semana o Congresso do CDS/PP, adiado sine-dia em consequência da crise política provocada por Portas quando o dito, não concordando com a promoção a ministra de Miss Swaps – Maria Luís Albuquerque –, anunciou “urbi et orbi” que continuar no Governo seria um acto de dissimulação e, por isso, tomava a decisão (IR)REVOGÁVEL de se demitir.
Pelas poucas notícias que ouvi, concluo que o Congresso serviu para…, nada. Ou melhor, serviu para Portas (não) explicar porque mandou p’rás urtigas a palavra irrevogável, dar o dito por não dito, e ser Vice-primeiro ministro. Ou seja: vendeu a sua palavra “por um bom prato de lentilhas”. Mas duas coisas me chamaram atenção:
- o pouco respeito com que o séquito de Portas tratou a oposição interna;
- um documento que os “jotas” do partido chegaram a apresentar para discussão.
Pois bem. Neste Congresso apresentou-se uma oposição a Portas que obteve um apoio de 16% em votação secreta, apesar de terem sido tratados pela pandilha do líder como se fossem traidores ou gente menor no partido. Adoptam o mesmo princípio de Salazar : “Quem não é por nós é contra nós”. Que rica Democracia!
Quanto ao documento dos “jotas” do partido. É verdade que alguém de bom senso conseguiu que o mesmo fosse retirado, mas entre outras coisas cretinas, a canalha propunha que se baixasse a escolaridade obrigatória, “em nome do princípio da liberdade de escolha”, sem mais.
É este um dos partidos que nos (des)governa! Para nossa desgraça.



RETARDATÁRIO



Ainda vai a tempo: parabéns, Cristiano Ronaldo!

O VALE TUDO OU O DOIS EM UM

Onze deputados do parlamento regional da Madeira estão a ser julgados pelo Tribunal de Contas (que exige a devolução de dois milhões de euros) por terem desviado subvenções atribuídas pela Assembleia Legislativa regional, o que não é nada de novo nem mereceria ser noticiado, dado o regime 'legal' daquela Região.
Só que... o advogado de alguns deputados ou ex-deputados do parlamento madeirense é, nem mais nem menos, que um deputado da Nação e líder parlamentar do PSD, Guilherme Silva.
Isto é: um deputado à AR é parte contrária ao Estado, aqui representado pelo Tribunal de Contas!
Dá para entender?
Para quando a dedicação exclusiva dos deputados? De manhã aprovam as leis e à tarde vão para os seus escritórios defender os seus clientes contra o Estado. 
Quando é posto cobro a isto?


MEMÓRIAS CINÉFILAS



Neste dia, em 1963, nasce Steven Soderbergh, realizador norte-americano

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

LIDO

Falácias e mentiras sobre pensões

A ideologia punitiva sobre os mais velhos prossegue entre um muro de indiferença, um biombo de manipulação, uma ausência de reflexão colectiva e uma tecnocracia gélida.


Escreveu Jean Cocteau: “Uma garrafa de vinho meio vazia está meio cheia. Mas uma meia mentira nunca será uma meia verdade”. Veio-me à memória esta frase a propósito das meias mentiras e falácias que o tema pensões alimenta. Eis (apenas) algumas:
1. “As pensões e salários pagos pelo Estado ultrapassam os 70% da despesa pública, logo é aí que se tem que cortar”. O número está, desde logo, errado: são 42,2% (OE 2014). Quanto às pensões, quem assim faz as contas esquece-se que ao seu valor bruto há que descontar a parte das contribuições que só existem por causa daquelas. Ou seja, em vez de quase 24.000 M€ de pensões pagas (CGA + SS) há que abater a parte que financia a sua componente contributiva (cerca de 2/3 da TSU). Assim sendo, o valor que sobra representa 8,1% da despesa das Administrações Públicas.

2. Ou seja, nada de diferente do que o Estado faz quando transforma as SCUT em auto-estradas com portagens, ao deduzi-las ao seu custo futuro. Como à despesa bruta das universidades se devem deduzir as propinas. E tantos outros casos…

3. Curiosamente ninguém fala do que aconteceu antes: quando entravam mais contribuições do que se pagava em pensões. Aí o Estado não se queixava de aproveitar fundos para cobrir outros défices.

4. Outra falácia: “o sistema público de pensões é insustentável”. Verdade seja dita que esse risco é cada vez mais consequência do efeito duplo do desemprego (menos pagadores/mais recebedores) e - muito menos do que se pensa - da demografia, em parte já compensada pelo aumento gradual da idade de reforma (f. de sustentabilidade). Mas porque é que tantos “sábios de ouvido” falam da insustentabilidade das pensões públicas e nada dizem sobre a insustentabilidade da saúde ou da educação também pelas mesmas razões económicas e demográficas? Ou das rodovias? Ou do sistema de justiça? Ou das Forças Armadas? Etc. Será que só para as pensões o pagador dos défices tem que ser o seu pseudo “causador”, quase numa generalização do princípio do poluidor/pagador?

5. “A CES não é um imposto”, dizem. Então façam o favor de explicar o que é? Basta de logro intelectual. E de “inovações” pelas quais a CES (imagine-se!) é considerada em contabilidade nacional como “dedução a prestações sociais” (p. 38 da Síntese de Execução Orçamental de Novembro, DGO).

6. “95% dos pensionistas da SS escapam à CES”, diz-se com cândido rubor social. Nem se dá conta que é pela pior razão, ou seja por 90% das pensões estarem abaixo dos 500 €. Seria, como num país de 50% de pobres, dizer que muita gente é poupada aos impostos. Os pobres agradecem tal desvelo.

7. A CES, além de um imposto duplo sobre o rendimento, trata de igual modo pensões contributivas e pensões-bónus sem base de descontos, não diferencia careiras longas e nem sequer distingue idades (diminuindo o agravamento para os mais velhos) como até o fazia a convergência (chumbada) das pensões da CGA.

8. “As pensões podem ser cortadas”, sentenciam os mais afoitos. Então o crédito dos detentores da dívida pública é intocável e os créditos dos reformados podem ser sujeitos a todas as arbitrariedades?

9. “Os pensionistas têm tido menos cortes do que os outros”. Além da CES, ter-se-ão esquecido do seu (maior) aumento do IRS por fortíssima redução da dedução específica?

10. Caminhamos a passos largos para a versão refundida e dissimulada do famigerado aumento de 7% na TSU por troca com a descida da TSU das empresas. Do lado dos custos já está praticamente esgotado o mesmo efeito por via laboral e pensional, do lado dos proveitos o IRC foi já um passo significativo.

11. Com os dados com que o Governo informou o país sobre a “calibrada” CES, as contas são simples de fazer. O buraco era de 388 M€. Descontado o montante previsto para a ADSE, ficam por compensar 228 M€ através da CES. Considerando um valor médio de pensão dos novos atingidos (1175€ brutos), chegamos a um valor de 63 M€ tendo em conta o número – 140.000 pessoas - que o Governo indicou (parece-me inflacionado…). Mesmo juntando mais alguns milhões de receitas por via do agravamento dos escalões para as pensões mais elevadas, dificilmente se ultrapassam os 80 M€. Faltam 148 M, quase 0,1% do PIB (dos 0,25% que o Governo entendeu não renegociar com a troika, lembram-se?). Milagre? “Descalibração”? Só para troika ver?

12. A apelidada “TSU dos pensionistas” prevista na carta que o PM enviou a Barroso, Draghi e Lagarde em 3/5/13 e que tinha o nome de “contribuição de sustentabilidade do sistema de pensões” valia 436 M€. Ora a CES terá rendido no ano que acabou cerca de 530 M€. Se acrescentarmos o que ora foi anunciado, chegaremos, em 2014, a mais de 600 M€ de CES. Afinal não nos estamos a aproximar da “TSU dos pensionistas”, mas a … afastarmo-nos. Já vai em mais 40%!

13. A ideologia punitiva sobre os mais velhos prossegue entre um muro de indiferença, um biombo de manipulação, uma ausência de reflexão colectiva e uma tecnocracia gélida. Neste momento, comparo o fácies da ministra das Finanças a anunciar estes agravamentos e as lágrimas incontidas da ministra dos Assuntos Sociais do Governo Monti em Itália quando se viu forçada a anunciar cortes sociais. A política, mesmo que dolorosa, também precisa de ter uma perspectiva afectiva para os atingidos. Já agora onde pára o ministro das pensões?

P.S. Uma nota de ironia simbólica (admito que demagógica): no Governo há “assessores de aviário”, jovens promissores de 20 e poucos anos a vencer 3.000€ mensais. Expliquem-nos a razão por que um pensionista paga CES e IRS e estes jovens só pagam IRS! Ética social da austeridade?
Público

Quem escreveu este texto?
É verdade: Bagão Félix, quem diria!


RONALDO, BOLA DE OURO

"Congratulo calorosamente Cristiano Ronaldo, o capitão da seleção nacional, por mais uma magnífica conquista na sua carreira. Com este prémio, Cristiano Ronaldo prestigia a seleção nacional e o nosso país" (Pedro Passos Coelho,Primeiro-ministro de Portugal)
"Há muito que a sua capacidade de trabalho e a entrega que coloca no que faz, superaram as fronteiras do futebol. O futebol de Cristiano Ronaldo é hoje um dos maiores e melhores exemplos de projeção do nome de Portugal" (António José Seguro, Secretário-geral do PS)
"É o primeiro português a receber por duas vezes esta distinção. Este galardão é o reconhecimento do seu excecional nível desportivo, do empenho e dedicação que tem colocado em todo o seu percurso como futebolista" (Cavaco Silva, Presidente da República)

Correio da Manhã

Ninguém quer perder o comboio....

ISALTINO

«Isaltino Morais pediu ao Tribunal de Execução de Penas de Lisboa para cumprir metade da pena de dois anos em casa, com pulseira electrónica
A informação foi avançada pela agência Lusa com base numa fonte judicial.»

A notícia é omissa quanto à "casa" em que pretende cumprir a metade da pena. Será na sua casa de Cabo Verde?

CONTRIBUTOS EXTERNOS

Mais uma crónica do Zé Gil



Azeitona
                                                        Gil Monteiro*

A oliveira será uma árvore especial? Desde pequeno que a considero sagrada. Sem o ramo de oliveira não haveria idas a S. Martinho à Missa de Domingo de Ramos, nem entrega, depois de benzido pelo Senhor Prior, aos padrinhos, para receber o folar da Páscoa!
A iluminação na aldeia era feita com petróleo ou velas. Só em casos especiais ou, na falta de petróleo a vender, é que as candeias de azeite (mais bonitas, diga-se...) entravam em exercício. Os lampiões de ir às lojas dos animais e palheiros, por precaução de incêndios, eram de azeite. Mas, nos velórios toda a iluminação era com azeite, em candeeiros especiais e candeias, emprestados por amigos; assim como as almotolias de abastecimento. Os cheiros dos mortiços pavios tornavam o ambiente da sala mortuária próprio dos templos ou dos céus!?
 Ao matabicho não faltavam os figos secos, e nas merendas as azeitonas marcavam presença, e eram guardadas na talha para todo o ano. Um naco de broa, numa mão, e um punhado de azeitonas, na outra, davam para o lanche da tarde da pequenada da escola! Agora, outros galos cantam: levam pacotes de quase tudo, como as embalagens de batata frita, à frente de outras semelhantes, ou de olivas (nome será poético?), selecionadas e sem caroços.
Em S. João da Pesqueira a bola de carne, como as do folar da páscoa, leva, no recheio, azeitonas caseiras. É com uma tigela delas cortilhadas que o Mateus convida os amigos para a degustação do vinho novo na adega.
As oliveiras podem ser centenares, quando não milenares. Quase se poderia dizer que são eternas. Qualquer tronco queimado ou destruído dá novos rebentos... Numa plantação de vinha foram arrancadas as oliveiras, dispersas no terreno, e colocadas nas bordaduras dos socalcos. Fiquei cético do trabalho, mas mais incrédulo permaneci ao ver abrir um rego e serem “semeados” nacos de oliveira, cobertas com a terra cascalhenta! Mas, o Manuel foi dizendo:
 – Para o próximo ano tenho aqui um alfobre de novas plantas!
Hoje, cercam o plantio de touriga nacional e dão bonitos frutos.
Quando vimos a praça dos Clérigos (Porto) ajardinada com oliveiras e, também, em terraços de prédios modernos, temos que venerar a árvore?! Sim, mas a parte mais sentimental é ela ser, preferivelmente, escolhida para fazerem ninhos os melros e outros pássaros.
Se a dieta alimentar anda tanto na berra, não podemos esquecer o consumo do azeite. Molhar o pão torrado – o de centeio é o melhor – em azeite puro é um manjar! Jamais posso esquecer o dia da safra, na quinta do douro, em que se comiam torradas, do famoso pão de Provesende, feitas no bagaço de aquecimento da azenha e mergulhadas no azeite quente, acabado de sair da separadora. A azeitona, utilizada em saladas e aperitivos, deverá também fazer parte das novas dietas sofisticadas, como, por exemplo, em condimentos dos milhos no pote (!), tão apregoados ultimamente, e pouco encontrados nos restaurantes. É preciso dar força à dieta mediterrânica, não esquecendo as papas de sarrabulho feitas com milhos.
Árvore tão bela, tão santificada, tão modesta no cultivo e tão útil, tinha que ter um contra: a apanha da azeitona, durante as geadas de inverno, é um inferno frio! Só as fogueiras e o sobe e desce do nevoeiro, nas linhas de água, dão alento aos apanhadores dos olivais durienses!
A oliveira devia ser entronizada como a árvore de Portugal.


Porto, 9 de dezembro de 2013

                                                                                       *José Gil Correia Monteiro

                                                                                       jose.gcmonteiro@gmail.com

domingo, 12 de janeiro de 2014

LIDO - PROMOÇÕES

O Ministério da Administração Interna (MAI) vai promover 1210 militares da GNR e autorizou a abertura de 400 novas vagas para ingresso no Curso de Formação de Guardas, anunciou hoje fonte do MAI à agência Lusa.

O MAI "autorizou o processo de promoções na GNR, de forma a fazer face às necessidades de enquadramento e operacionais" da guarda, totalizando 1210 o número de militares a serem promovidos, refere o ministério numa nota enviada à Lusa.
De acordo com a mesma informação, o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, em despacho conjunto com a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, autorizou a abertura de 400 novas vagas para ingresso no Curso de Formação de Guardas da Guarda Nacional Republicana (GNR).
DN online


Pois, pois, não vá o diabo tecê-las...

MEMÓRIAS (MUSICAIS)


Neste dia, em 2003, morre Maurice Gibb, um dos Bee Gees

sábado, 11 de janeiro de 2014

COCÓ DE CANÍDEOS

Nápoles quer identificar por ADN fezes de cão nas ruas para multar donos


Dos jornais

À atenção do Dr. Rui Moreira. Nápoles não pode ser pior que o Porto. 

PASSOS, O COELHO

Passos reconhece que não tem sido um bom presidente do PSD

"Não se pode ser bem em tudo", diz Passos aos que o criticam como líder do PSD.
Expresso online


Falta saber em que é que o sujeito é 'bom'.
Como governante é o que se conhece. Como cantor, o La Féria não o quis. Só se tiver sido na Tecnoforma do tio Ângelo, a vender formação para os operadores de aeroportos municipais. 

CONTRIBUTOS EXTERNOS

Mais uma interessante crónica do Zé Gil




Dia de Reis
                                                            *Gil Monteiro

Hoje é Dia de Reis. Grande dia foi. Agora, já não é. Os tempos mudam, têm mesmo que mudar: a evolução positiva ou negativa faz parte da existência da vida. Décadas de subsistência serão suficientes para observar as mudanças profundas?!
Por assistir ao esquecimento do dia de Reis, e apenas se ouvirem o cantar das janeiras, daí ser o tema para a uma crónica – assunto quixotesco, de criatura nascida em aldeia transmontana!?
O pedir e o cantar dos Reis eram obrigatórios. Os mordomos da Festa de Santa Maria Madalena tinham que recolher o fumeiro, orelhas do porco e presuntos; bem como milho, centeio, feijão, vinho do Porto ou azeite; e outras prendas, a serem leiloadas, nas escadas graníticas da capela, após a missa dominical. O maior sucesso do leilão era a venda de pratos de aletria, finalmente ornamentados a canela, e as caixas dos segredos (!), onde, o ter de dar um beijo à Alice fazia bater o badalo da sineta! Um cálice de vinho Fino, tapado com uma bolacha, podia ter mais valor que o ganho de um dia de trabalho a cavar de sol a sol! Os moços casadoiros, trabalhadores semanais nas vinhas do Pinhão, eram os mais competitivos, e ainda ofereciam talhadas de aletria, na ponta das navalhas, aos amigos e conhecidos. Os produtos sobrantes eram vendidos a olho ou guardados pelo Américo, para possíveis compradores. Os foguetes, os músicos, a armação dos andores tinham que ser pagos!
O presépio, armado ao lado do altar principal, era um esmero de perfeição, carinho e muita ternura. O Armando, seminarista em Vila Real, era o arquiteto teórico e prático. As figuras bíblicas, compradas antes de vir para férias, esperavam pela construção. As gentes do campo, as ovelhas e o cão apareciam, ofertadas, por encanto, vindas de todos os lados. Os montes e vales, revestidos a musgo de caminhos tortuosos, feitos a farinha e farelo, iam ter à Gruta Sagrada. Por influência do grande rebanho de ovelhas, vindas, em transumância, da serra da Estrela, e os safões do Sr. João e ajudante indicaram o caminho (!) à estrela do presépio; agora, suspensa por linha invisível do teto da capela. Belém seria perto do ponto mais alto de Portugal?!
Da missa do galo até à do feriado de dia de Reis o Menino Jesus, dado a beijar pelo padre de Abaças, mudava de tamanho e visual: no domingo de Ano Novo só tinha um pezinho a descoberto e todo de bibe, colocado no Altar para ser beijado! E as figuras bíblicas?! Todos os dias deslocadas um pouco, nos caminhos tortuosos do musgo. E o Gaspar, quase a chegar à gruta e não poder ser apeado do camelo?! Solução:


 – Foi enterrado no estábulo, coberto com palha, só de cabeça livre, para poder ofertar o Deus Menino!
Pior foi a minha cabrinha de porcelana, de buraquinhos no lombo, quando serviu de paliteiro (!), ao ser deslocada pelo Armando, causou espanto! Saiu de cena e, não sei como, voltou às antiguidades do guarda-loiça! Dentro da gruta só os Reis Magos podiam entrar. A magia era tanta que parecia mesmo a oferta do ouro, incenso e mirra, cumprindo as citações do Evangelho, segundo S. Mateus. O rei Herodes podia esperar, pois tinha nascido o rei dos Judeus!
As cenas bíblicas do presépio continuavam na mente das crianças. Apenas um caso:
O Sr. Prior convocava as crianças da catequese, nos domingos de primavera, para a capela da serra da Sr.ª da Azinheira. Pelos caminhos, faziam-se explorações no meio ambiente, dando caça às lagartixas e pássaros; enquanto jogavam às pedradas, o Toninho berrou: “Vinde ver, vinde ver...”!
 – Estas covinhas (no granito do caminho) foram feitas pela burrinha de Nossa Senhora, quando fugia, com o Menino, para o Egito!


Porto, 6 de janeiro de 2014


                                                                               *José Gil Correia Monteiro

                                                                              jose.gcmonteiro@gmail.com

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

LIDO: OS ABONOS

O abono para tocar o sino



O leitor sabia que o Estado gasta, todos os anos, 1,4 milhões de euros num suplemento entregue aos motoristas dos vários ministérios para estes trazerem as viaturas limpinhas? Eu não sabia, mas é verdade.
O leitor sabia que, até 2013, uma coisa chamada "abono mensal para o toque do sino nas cerimónias solenes e colocação das bandeiras" custava ao Estado 1496 euros por ano? Eu não sabia, mas é verdade.
O leitor sabia que os ministérios da Educação e da Ciência pagam um "suplemento indeterminável" (sic) a 49 pessoas que custa, todos os anos, 41.693 euros? Eu não sabia, mas é verdade.
O leitor sabia que existe um suplemento pago a funcionários públicos intitulado "suplemento n.d. (dados não disponíveis)"? Eu não sabia, mas é verdade. Este é um bocadinho mais caro: custa 1,1 milhões de euros por ano e é pago a 433 pessoas que trabalham nos ministérios da Economia, Educação, Finanças e Saúde.
E por aí fora, num rol de suplementos com nomes curiosos, para dizer o mínimo, mas de eficácia duvidosa, na exata medida em que não se pode aquilatar da sua real necessidade e utilidade por não se saber exatamente o que são. Ao todo, o Estado paga, anualmente, 700 milhões de euros na atribuição de 280 suplementos salariais a funcionários públicos, qualquer coisa como 5% da despesa total em salários. E estes extras não incluem gastos com subsídio de alimentação, horas extraordinárias e ajudas de custo!
O caráter inaudito do que aqui fica dito, publicado na última edição da revista "Sábado", não é, por si só, um problema grave. A não ser nos casos em que, para aumentar os salários (e por essa via a despesa pública), o Estado deu caráter permanente a complementos que eram transitórios. Os funcionários do FMI toparam a marosca: primeiro, devem ter rido a bandeiras despregadas com a coisa; mas depois franziram o sobrolho, ao perceber que, em média, 14% da remuneração mensal dos funcionários públicos é resultado destes convenientes complementos.
O caráter inaudito do que está dito é, porém, um extraordinário exemplo do modo como chegamos aqui: passo a passo, irresponsavelmente, acreditando que o dinheiro é elástico e chegaria sempre para pagar favores, calar os descontentes e sossegar os sindicatos que erguem ameaçadoramente a bandeira dos direitos adquiridos sempre que alguém ameaça beliscar o que está, mesmo que esteja mal.
A parede foi-se aproximando, mas nós continuamos a acelerar, pensando tratar-se de uma miragem. Não era. Os reformados e pensionistas que ontem ficaram a conhecer a extensão da nova pancada no seu rendimento precisavam, agora mais do que nunca, de um suplemento. É tarde. Não há dinheiro. Foi gasto noutros suplementos...

Paulo Ferreira, in JN



EFEMÉRIDES (CINÉFILAS)


Neste dia, em 2007, morre Carlo Ponti, produtor e realizador italiano

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Ao que chegou o SNS

Ontem e hoje foi notícia, com relevo, em diversos órgãos da Comunicação Social o caso duma cidadã portuguesa da zona da Grande Lisboa que esteve dois anos para que ser submetida a uma colonoscopia com o objectivo de confirmar, ou não, ter cancro no intestino, após um exame mais primário ter dado o alarme. Infelizmente para ela, o alarme não era falso. Tem mesmo cancro e, de tal maneira já evoluído que não é operável. Ao que chegou o SNS! O SNS era provavelmente, até à entrada em funções deste desgraçado governo, o sector da vida portuguesa que mais tinha evoluído. Pois bem, a partir do momento em que passou a ser gerido por um ex-banqueiro ligado às  seguradoras de saúde, que pode ser um grande gestor e bom combatente da alta corrupção e dos gastos supérfluos que havia e ainda há no Serviço, mas cujo primeiro objectivo é aliviar o Orçamento do Estado, porque assim  lhe foi pedido (ou imposto?), o SNS não só regrediu, como está a ser destruído. E a grande velocidade. Se nada for feito, vamos voltar aos piores tempos do Estado Novo, em que só tem direito a tratar-se quem tem dinheiro para o fazer. Os outros…, Morrem! Talvez assim se diminua a esperança de vida e, com isso, se diminua o valor das pensões de reforma. Até já estou a ver alguns “talibãs”, ditos comentadores de assuntos económicos, a esfregar as mãos. Entre eles um tal Camilo Lourenço, a quem, possuído de um ódio que brotava na sua expressão facial, ouvi hoje dizer que é preciso cortar a despesa pública, “nem que seja a pontapé”. E isto, num canal da RTP, que possivelmente lhe paga honorários chorudos com o dinheiro dos nossos impostos. Até gostava de saber ao certo quanto lhe paga.

    

CHINAS

A chinesa Fosun assegurou a compra da Caixa Seguros e pretende expandir a atividade da companhia para os mercados asiáticos e africanos, revelou hoje o secretário de Estado das Finanças, Manuel Rodrigues, depois de ser anunciado o desfecho desta operação.

TSF

Li que o Cinema Londres, em Lisboa, se vai transformar num armazém china. 
Será que o pintelhos vai ser o gerente da loja e dos seguros da Caixa? Mais uns 50000 a dobrar?
São horas de o pessoal do rectângulo começar a aprender mandarim e cantonês.

MEMÓRIAS (CINÉFILAS)


Neste dia, em 2011, morre Peter Yates, actor britânico

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

AS COMISSÕES DE INQUÉRITO

O 4-Pereiró defende aqui que devem acabar com as comissões de inquérito na AR. À primeira vista diria que concordo, pelos motivos aduzidos. No entanto..., no entanto, sabendo nós, de antemão, o que elas valem e as conclusões a que conduzem, sempre se vai sabendo muita coisa que de outro modo ficaria fora do escrutínio público. Sempre prefiro ir sabendo de umas mentirinhas de gente grã-fina e de umas malandrices cometidas por políticos e outros entendidos na matéria do que ficar ignorante toda a vida. O mal não está nas comissões, mas no seu regimento, coisa que não vejo alguém querer mudar, para que tudo fique na mesma. O resultado não é tudo; cada um pode fazer a sua leitura do relatório, o que já não é mau de todo.

CASA ROUBADA....

Hospitais aumentam em 21% as colonoscopias em 2014

por LusaHoje

Os hospitais da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) vão aumentar em 21% o número de colonoscopias a realizar em 2014, o que traduzirá mais 5.500 exames, foi hoje anunciado.

Casa roubada, trancas à porta, ou é só para inglês ver, depois da notícia hoje difundida?

O CHERNE E AS BASÓFIAS

«Durão Barroso garante que Comissão Europeia esteve sempre ao lado da Grécia»

Agência Lusa


Olha se não estivesse! A Grécia já teria desaparecido do mapa ou regressado ao tempo de Sócrates, o grego.
Balha-me Neptuno!

A NOVA LOTARIA

Ao que leio e ouço, as 'apostas' para as rifas de um novo automóvel, que parece que será usado (daqueles que são apreendidos por qualquer razão) já começaram, e o 1.º sorteio será em Março. Pelo sim pelo não, sempre que tomo um café ou vou ao Pingo Doce comprar pão para o almoço, peço a facturinha com o NIF. Já tenho em meu poder uma resma de facturas, dentro de uma velha, digo, antiga caixa de sapatos que havia guardado para o que desse e viesse e que, agora, se revelou útil. Quem não arrisca (e aqui não arrisco niente) não petisca, ou como dizia o outro, não não trabuca não manduca(*). Não aconselho que façam o mesmo, pois assim tenho mais probabilidades de trocar de chaço.
Não sei se o Santana Lopes já deu autorização para as tais rifas, mas o problema não é meu. Ele que se entenda com a senhorita swaps.
(*) Esta fez-me lembrar o Morgado, da Natália Correia!