quarta-feira, 26 de outubro de 2011

PORTUGAL É UMA MINA? -2

No post anterior, para ser mais entendível, onde se lê "minério" devá ler-se "volfrâmio", como se dizia à época, quando de um dia para o outro se fizeram fortunas (que raramente foram duradouras).

PORTUGAL É UMA MINA?

Portugal sempre foi uma mina para uns quantos. Agora, parece vir a ser uma mina para todos. Um dia é o petróleo da Figueira ou do Algarve (além do do Beato), noutro o ferro de Moncorvo, noutro ainda o velho 'minério' de tungstânio, noutro mais a prata e ouro de Jales, de Valongo ou de Aljustrel e até o urânio da Beira Baixa.
Vai tudo para as minas, com o Álvaro a comandar e a fumar um charuto enrolado em notas de 10 euros, como faziam nos bons velhos tempos os negociantes do 'minério' com notas de 100 escudos.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

MEDIDAS FULCRAIS

O pândego do Álvaro insiste em defender que o aumento do horário de trabalho em 1/2 hora diária "é uma medida fulcral" para inverter a situação do país.
Já há dias abordei o assunto e mantenho a posição: em que é que a medida vai beneficiar a economia do país? A produção pode aumentar, e depois, quem compra? Ou vão aumentar os stocks de produtos fabricados, com os inerentes custos? E se há um aumento de horas trabalhadas, da ordem dos 12,5%, quem garante que os empresários não sejam tentados a despedir 12,5% dos trabalhadores? E se os produtos não se escoam, para que continuar a produzir ao mesmo ritmo e manter a mão-de-obra? E depois, quem paga os subsídios de desemprego? O ideal não seria aumentar o horário e trabalho para as 12 horas diárias e pagar o salário mínimo a toda a gente? Íamos sair da crise em poucos meses, digo eu.
Que raio de matéria ensina o Álvaro lá pelo Canadá? Deve ser numa universidade manhosa.

Quem te viu e quem te vê

Daniel Bessa, antigo ministro da Economia de António Guterres, disse hoje numa entrevista à margem de uma conferência levada a cabo pela Cotec que seria um sinal importante para os mercados externos se o PS aprovasse o Orçamento. Credo, digo eu. E, já agora, digo mais: Ó Daniel, quem te viu e quem te vê.

O Álvaro é um pândego

Já não é a primeira vez que digo que o Álvaro - o nosso (?) ministro da Economia, do Emprego e de muitas outras coisas, como da asneira, é um pândego. De vez em quando lembra-se de anunciar uma ideia esdrúxula para pôr em prática , que até parace estar a brincar connosco. Às vezes dou-lhe um desconto, porque penso que o homem está fora, muito fora da realidade do país de que é super-ministro.

Entre muitas outras coisas que hoje nos anunciou, relacionadas com o desemprego, veio informar-nos que cada desempregado vai ter um "gestor de carreira". Quando ouvi isto pela primeira vez, pensei que tinha ouvido mal. Mas após ouvir mais vezes, incluindo pela voz do próprio ministro, desabafei: Já não tenho pachorra..., quantos mais disparates terei que ouvir a este tipo? Gestor de carreira para um desempregado, para gerir o quê? Até hoje só conhecia gestores de carreira para artistas de cinema, de teatro e até de circo, e sobretudo para jogadores de futebol. Por isso, comecei logo a imaginar ver o Jorge Mendes, o José Veiga, o Paulo Barbosa e outros, à porta dos Centros de Emprego a propor contratos de agenciamento aos muitos milhares de desempregados. Não esqueçamos que estes gestores de carreira, normalmente apelidados de empresários, têm muita experiência em arranjar emprego a muitos futebolistas. E bons empregos, como sabemos, com óptimos ordenados. Ah, e estão credenciados pela FIFA.

RIGOR MATEMÁTICO

Leio no Público de hoje (página 2) que "em 2010, a RTP empregava cerca de 2412 profissionais".
Seriam 2411 e meia empregada de limpeza ou 2413 menos um porteiro de folga?

DEMAGOGIAS

Os subsídios de renda para os políticos que desempenhem funções permanentes na capital e aí ou nas cercanias não tenham residência, justa a todos os títulos, já conduziu à demagogia. Agora, é o ministro Aguiar Hífen Branco que, por solidariedade (!), abdica de tal subsídio. Eu, que tinha sido sondado para para chefe de gabinete do adjunto do um um secretario de Estado ( já não me recordo qual), terei que declinar o honroso convite.
Faxefavor de não me fazer rir.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Tanto chinfrim, porquê?

Acalmado o chinfrim que algumas personalidades da Direita fizeram, em consequência das críticas que o nosso venerando Chefe de Estado fez às medidas que o Governo PPD/CDS pretende introduzir no Orçamento do Estado, nomeadamente aquelas que S Exa considera violadoras da equidade fiscal, como o tirar os subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos e aos reformados e não àqueles que recebem rendimentos das actividades privadas, é altura de lhes perguntar:

Não foram todos apoiantes de Cavaco Silva, muitos deles elementos preponderantes nos seus órgãos da candidatura - Comissão de Honra ou Comissão Política? Não o conheciam bem? Não sabem que Cavaco Silva põe sempre os seus interesses pessoais e políticos à frente de todos os outros interesses? Não sabem que Cavaco estava mortinho por mandar "uma latada no Passos da jota" que o enfrentou nos órgãos do PPD? Ora, Cavaco Silva sabe, como todos nós sabemos, que tais medidas vão trazer uma grande recessão económica e, sobretudo, vão aumentar o desemprego, empobrecer muitos portugueses e colocar muitas famílias à beira da miséria, e ele não quer ficar ligado a estes dramas. Cavaco Silva também sabe, como todos nós, que vai haver muita contestação nas ruas e não quer ver cartazes e caricatuas suas que o apontem como um dos responsáveis. Ele quer estar em casa, ao lado da sua Maria, a ver as reportagens das manifestações e rir a bom rir das menções desagradáveis ao Passos Coelho e dizer bem alto: "Eu bem avisei!"

Ah, espero que Cavaco Silva, em coerência com o seu pensamento (será?), vete a lei do Orçamento se forem avante estas medidas, muito embora saiba que o teria obrigatoriamente de promulgar uma vez votado de novo por mairia absoluta no Parlamento. Mas, mantinha a sua posição. Caso contrário temos o direito de pensar que "é só fumaça"

CONTRIBUTOS PARA A CRISE - 2

José Cesário, a contragosto, suponho, lá abdicou também do subsídio de renda de casa. Mais um contributo para a crise.
Esperam-se mais gestos altruístas. Talvez o dr. Mota Amaral, homem estimável, pudesse abdicar das benesses que a senhora presidente da AR lhe atribuiu.

CONTRIBUTOS PARA A CRISE


Dezenas de emails recebidos contavam-me que o senhor cuja foto se vê acima gozava dos seus rendimentos num resort, de que era proprietário, em Cabo Verde.
Mentira, o senhor anda por aí, já que, segundo o DN online, até vem dizer que, sem prejuízo de poder abdicar de alguma das benesses legais de que beneficia, o seu grande contributo é criar trabalho nas suas empresas. E a mais não é obrigado. Ou será? Talvez explicar melhor a aposição da sua assinatura em documentos de certos negócios da SLN/BPN, por exemplo. Documentos que, terá dito, não leu!...

domingo, 23 de outubro de 2011

MAIS UMA PENALIZAÇÃO

Os trabalhadores da função pública vão ser ainda mais penalizados por via da retenção mensal do IRS. A tabela de retenções tem em conta o rendimento anual de 14 meses; como aqueles trabalhadores apenas vão receber 12 meses, descontarão mais do que o devido, ainda que no ano seguinte possam ver devolvida a diferença. Só que, entretanto, foram forçados a emprestar ao Estado, sem juros, uma parte do seu rendimento.
Ou será que o ministro Gaspar vai elaborar uma tabela diferente para a função pública? Mais um saque à falsa fé e uma trapalhada. E ficaremos por aqui? Além do corte do cabelo, também querem tirar-nos o couro?

IMPRENSA E POLÍTICA

O DN denunciou o caso de diversos políticos que recebem subsídio de residência, sendo que dois deles têm casa nos arredores de Lisboa, como é o caso do ministro Miguel Macedo que tem residência legal em Algés, onde se recolhe durante a semana. Num primeiro momento, o ministro afirmou que não abdicava de uma benesse a que legalmente tinha direito. Deve ter metido a mão na consciência e concluído que se tal subsídio era legal também era de moralidade duvidosa, mormente num momento em que só falta tirar os olhos aos cidadãos, e vai abdicar da benesse.
Este é um exemplo de como as ditaduras não permitem uma imprensa livre.
Não tivesse o DN denunciado o caso e tudo continuava a correr às mil maravilhas para um sujeito que deveria ter um comportamento exemplar, exemplar no sentido de dar o exemplo.
Espera-se que outros casos de idêntico calibre venham a público e muitos dos políticos da nossa praça tenham vergonha na cara e não nos insultem nem nos comam por lorpas.

sábado, 22 de outubro de 2011

MUDANÇAS

O clima está em fase de mudanças, desde o Minho ao Algarve. Ventania, frio e até algum gelo estão anunciados para os próximos tempos. Parece que desde Massamá até à região da Casa da Coelha os ventos gélidos se irão fazer sentir. Tempos difíceis, já que o aquecimento vai ficar mais caro e as pensões de reforma vão ser cortadas, mesmo para a dona Maria. Como equilibrar/minimizar os efeitos deste clima?

UM BOM EXEMPLO

O carro oficial (um BMW) do presidente da Câmara de Torres Novas pifou e vai para a sucata. Vai ser adquirido um usado, já que o presidente diz que se sentiria desconfortável, em época de crise, a 'passear-se' num automóvel novo em folha. Gesto demagógico? Pois que seja. Aplausos para o presidente da Câmara de Torres Novas.

LIDO - 2

"Nem o pior governo socialista nem um governo de Alberto João Jardim conseguiriam fazer tanto mal em tão pouco tempo! Nunca a riqueza do país havia sido sugada assim pelo Estado."
(...)"Ele [Cavaco Silva], que, numa década irrepetível de abundância de dinheiros europeus, conseguiu governar com défices de 6 e 7%, ele que acrescentou os funcionários públicos e tornou a Segurança Social insustentável, veio agora revoltar-se contra o governo que ajudou a instalar, porque ousaram tocar na sua pensão de funcionário público e na da sua mulher"

Miguel Sousa Tavares, in Expreso de hoje

LIDO

"C0mo se vê, Pedro Passos Coelho escusa de de cansar na sua simpática procura da «origem» e dos «culpados» da crise. Basta que se meta no carro e pergunte em Belém pelo sr. Presidente da República, se ele não andar ocupado a tratar do monstro, com quem na aparência se reconciliou. Afinal de contas, por feio e repugnante que pareça, o monstro é filho dele. Muito dele."

Vasco Pulido Valente, in Público de hoje.

E esta? Que grande exemplo!

Miguel Macedo, ministro da Adminitração Interna recebe, pelos vistos, todos os meses um subsídio de 1400 euros como subsídio de alojamento, apesar de ter um apartamento nos arredores de Lisboa, onde reside durante toda a semana. Então, que moralidade é esta? A austeridade é só para os outros portugueses? Mas, atenção: tratar-se à apenas de uma "fuga à austeridade"? Ora, sabe-se que este ministro é o único que apresenta duas moradas na sua declaração de rendimentos. Como se admite que alguém viva ao mesmo tempo em duas cidades que distam entre elas mais de 300 quilómetros?

Mas, sobretudo, que exemplo dá o ministro aos seus concidadãos?

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Mário Soares e Adriano Moreira

Màrio Soares e Adriano Moreira foram os convidados de uma conferência levada a cabo anteontem à noite pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, a que assisti, e cujo título era:"Novos para digmas para pedir a mudança". Considerados por muita gente como dois dos senadores da República, quer pelo prestígio político que adquiriram, quer pela lucidez que demonstram, apesar da avançada idade que têm, prenderam a atenção das muitas pessoas que assistiram ao debate, um pouquinho mais do que meio milhar. Muito bom se pensarmos que tinha a concorrência de um jogo de futebol para a Liga dos Campeões, em que intervinha o F C Porto.

Apesar destes dois políticos serem de áreas políticas diferentes - Mário Soares da Esquerda, Adriano Moreira da Direita, estiveram muitas vezes de acordo. Ambos discordam das medidas anunciadas pelo Governo para combater o défice das contas públicas e controlar a dívida, que no seu entender vai aumentar, e muito, a pobreza em Portugal. Ambos fizeram críticas muito duras a Angela Merkel a Nicolas Sarkozy pela forma como estão a conduzir o projecto europeu, em completo desrespeito por todos os tratados. Ambos acham que só uma Europa forte e unida pode fazer frente ao ataque especulativo dos chamados mercados financeiros sobre as dívidas soberanas, em especial as dos países com mais dificuldades financeiras. Mário Soares foi mais incisivo e mais directo nas críticas à actual política dos "cortes violentos" que infernizam a vida dos portugueses. E, depois de manifestar que está de acordo com as críticas do Presidente da República no que respeita à equidade fiscal dos cortes dos subsídios de Natal e de férias, questionou se o limite dos sacrifícios pedidos aos pensionistas não foi há muito ultrapassado.



PASSOU-SE

"Passos 'conta' com corte nos salários dos privados", leio no DN online.
A eventual diminuição de salários vai relançar a economia?
Este homem passou-se!

LIDO

"A eleição do dr. Cavaco para Presidente da República foi uma das maiores desgraças que sucederam a Portugal e aos portugueses desde 2006. Mas foi pior que uma desgraça, foi um erro."

A verrina de Vasco Pulido Valente, in Público de hoje.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

EXECUÇÕES

A pena de morte é uma barbaridade que não deveria ser tolerada.

Sou contra as execuções sob qualquer pretexto, "legais" que sejam.

Kahdafi, que não me merecia qualquer simpatia, deixou de servir e foi hoje executado a sangue frio.

Não creio que o mundo tenha ficado melhor e mais seguro.

BOLAS À TRAVE

Pode dizer-se que a jornada europeia de futebol não correu mal de todo para os clubes portugueses. Assim, o Benfica e o Sporting ganharam em casa, o Braga empatou fora e o Porto, o patinho feio, empatou em casa contra um clube até agora pouco credenciado. Está tudo em aberto, como dizem os experts do pontapé na bola.

OE E EQUIDADE

Cavaco Silva diz, com razão, que tem que haver equidade na distribuição de sacrifícios. De facto, porquê sobrecarregar os trabalhadores do Estado (e os pensionistas) e não os da actividade privada? Porque ficam de fora outros rendimentos que não os do trabalho? A razão é que, para a redução do défice, é necessário cortar nas despesas do Estado e não tanto aumentar as receitas. Os cortes, necessários, deveriam, porém, ocorrer noutras áreas da despesa que não nos encargos com pessoal (ou reformas). Só que isso revela-se muito mais moroso, ainda que os actuais governantes há muito "soubessem" onde cortar, que nunca seria no 13.º mês ou no subsídio de férias (Passos Coelho não se cansou de o afirmar). E se tentassem renogociar os limites do défice e da dívida, de forma mais suave? O exemplo da Grécia não basta, ainda que estes se tenham comportado de modo calaceiro? O que vai acontecer à economia, que se sabe ir entrar em recessão por uns anos, não permitindo sair do buraco que continua, com as políticas anunciadas, a ser cada vez mais fundo?
Depois do "aviso" do PR, será de esperar que o OE seja revisto na sua quase totalidade, uma vez que não resolve nenhum dos nossos problemas, só os agrava.
Espero, também, que o PS, de uma vez por todas, mostre as suas cartas e vá a jogo.

E AGORA?






Cavaco Silva não está de acordo com o OE para 2012, pelo menos no tocante aos cortes não equitativos no rendimento. Está apenas a demarcar-se (a tirar o cavalo da chuva?) ou a enviar um sério aviso a Passos Coelho?

Entretanto, o conselheiro de Estado Vítor Bento parece discordar de Cavaco. Como vai ser na próxima reunião do Conselho de Estado?








(boneco roubado à Caixa dos Pregos, com a devida vénia)