quarta-feira, 19 de outubro de 2011

VENERANDOS



O IVA

Em teoria, há muito que, em conversa com amigos, defendo que os consumidores poderiam deduzir, em sede de IRS, uma percentagem do IVA que suportam ao longo do ano. Bem sei que a tarefa administrativa seria demasiado pesada e quase impraticável. Contudo, dado que o problema foi agora aflorado, talvez fosse possível pô-lo em prática, pelo menos nalgumas actividades/ramos de negócio onde a fuga ao imposto é mais notória.
Funcionaria assim: o consumidor fornece o seu número de contribuinte ao vendedor/prestador do serviço e este emite a factura; o "sistema" regista a venda do bem ou serviço na "conta" do fornecedor bem como o IVA suportado pelo cliente na conta deste. No final do período respectivo o fisco conhece o IVA a cobrar ao fornecedor e no apuramento do IRS a percentagem do IVA a devolver ao contribuinte. Este, se quiser, pode confirmar, se guardar (!) todas as facturas.

Acabaria a fuga ao fisco? Nem por isso, mas poderia atenuá-la grandemente.
Imagine-se:
Vou jantar com a família e o custo da refeição é

Custos do serviço..............50
Margem bruta...................15
Total sem IVA...................65
IVA...................................15
Total a pagar.....................80

O lucro bruto do restaurante é de 15.

"Sem factura são 70", dizem-me (sou cliente assíduo e não trabalho no fisco nem na ASAE)

Poupo já 10, ou contabilizo 15 nas minhas contas com o fisco?
Se aceitar a proposta, o restaurante tem o mesmo lucro bruto de 15 acrescido de um lucro líquido de 5.
Como dizia o outro, é só fazer as contas.

Mas talvez fose de equacionar a hipótese, ainda que a médio prazo.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O CORTE NAS GORDURAS

Passos Coelho e os seus conselheiros azucrinaram-nos com as gorduras do Estado, nunca explicitadas, que era urgente cortar para salvação do País. Chegado ao poder, PC concretiza o corte de tais gorduras, gorduras que agora se descobre, residiam nos trabalhadores da função pública, que ganham um balúrdio e passam a vida de baixa ou no café da esquina, e nos reformados ( uns malandros que nada fazem e em nada contribuem para o bem-estar da comunidade, salvo levarem os netos ao infantário), desde que não sejam antigos políticos, que esses sacrificaram-se muito pela pátria, nem a quem tenha trabalhado para além dos limites humanamente admissíveis e, por isso, possa acumular 2, 3 ou mais pensões. Justamente!
Os trabalhadores das empresas privadas também vão contribuir um pouco para o corte das gorduras e, assim, lá temos o corticeiro Amorim a 'despegar' mais tarde meia hora.

O BANCO CENTRAL EUROPEU PARA NÃO INICIADOS

O BCE explicado aos não iniciados (como eu), conforme email recebido

- O Que é o BCE?
- O BCE é o banco central dos Estados da UE que pertencem à zona euro, como é o caso de Portugal.

- E donde veio o dinheiro do BCE?
- O dinheiro do BCE, ou seja o capital social, é dinheiro de nós todos, cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. Assim, à Alemanha correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10 dos 27 Estados da UE contribuiram com 30%.
- E é muito, esse dinheiro?

- O capital social era 5,8 mil milhões de euros, mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado, em três fases. No fim de 2010, no fim de 2011 e no fim de 2012 até elevar a 10,6 mil milhões o capital do banco.
- Então, se o BCE é o banco destes Estados pode emprestar dinheiro a Portugal, ou não? Como qualquer banco pode emprestar dinheiro a um ou outro dos seus accionistas.
- Não, não pode.
- Porquê?!

- Porquê? Porque... porque, bem... são as regras.
- Então, a quem pode o BCE emprestar dinheiro?
- A outros bancos, a bancos alemães, bancos franceses ou portugueses.
- Ah percebo, então Portugal, ou a Alemanha, quando precisa de dinheiro emprestado não vai ao BCE, vai aos outros bancos que por sua vez vão ao BCE
- Pois.
- Mas para quê complicar? Não era melhor Portugal ou a Grécia ou a Alemanha irem directamente ao BCE?
- Bom... sim.... quer dizer... em certo sentido... mas assim os banqueiros não ganhavam nada nesse negócio!
- Agora não percebi!!.

- Sim, os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. O BCE de Maio a Dezembro de 2010 emprestou cerca de 72 mil milhões de euros a países do euro, a chamada dívida soberana, através de um conjunto de bancos, a 1%, e esse conjunto de bancos emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou 7%.
- Mas isso assim é um "negócio da China"! Só para irem a Bruxelas buscar o dinheiro!
- Não têm sequer de se deslocar a Bruxelas. A sede do BCE é na Alemanha, em Frankfurt. Neste exemplo, ganharam com o empréstimo a Portugal uns 3 ou 4 mil milhões de euros.
- Isso é um verdadeiro roubo... com esse dinheiro escusava-se até de cortar nas pensões, no subsídio de desemprego ou de nos tirarem parte do 13º mês.

- As pessoas têm de perceber que os bancos têm de ganhar bem, senão como é que podiam pagar os dividendos aos accionistas e aqueles ordenados aos administradores que são gente muito especializada.
- Mas quem é que manda no BCE e permite um escândalo destes?
- Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países.
- Então, os Governos dão o nosso dinheiro ao BCE para eles emprestarem aos bancos a 1%, para depois estes emprestarem a 5 e a 7% aos Governos que são donos do BCE?

- Bom, não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas, os bancos levam só uns 3%. A nós ou à Grécia ou à Irlanda que estamos de corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar, é que levam juros a 6%, a 7 ou mais.
Então nós somos os donos do dinheiro e não podemos pedir ao nosso próprio banco!...

- Nós, qual nós?! O país, Portugal ou a Alemanha, não é só composto por gente vulgar como nós. Não se queira comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou um calaceiro que anda para aí desempregado, com um grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prémios a que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.
- Mas, e os nossos Governos aceitam uma coisa dessas?

- Os nossos Governos... Por um lado, são, na maior parte, amigos dos banqueiros ou estão à espera dos seus favores, de um empregozito razoável quando lhes faltarem os votos.
- Mas então eles não estão lá eleitos por nós?

- Em certo sentido, sim, é claro, mas depois.... quem tem a massa é quem manda. É o que se vê nesta actual crise mundial, a maior de há um século para cá.
- Essa coisa a que chamam sistema financeiro transformou o mundo da finança num casino mundial, como os casinos nunca tinham visto nem suspeitavam, e levou os EUA e a Europa à beira da ruína. É claro, essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a gente como nós, que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos, a ver navios. Os governos, então, nos EUA e na Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram de repor o dinheiro.
- E onde o foram buscar?
- Onde havia de ser!? Aos impostos, aos ordenados, às pensões. De onde havia de vir o dinheiro do Estado?...
- Mas meteram os responsáveis na cadeia?
- Na cadeia? Que disparate! Então, se eles é que fizeram a coisa, engenharias financeiras sofisticadíssimas, só eles é que sabem aplicar o remédio, só eles é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody's, uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete, foram... passados à reforma. Como McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indemnização de 10 milhões de dólares a que tinha direito.
- E então como é? Comemos e calamos?
- Isso já não é comigo, eu só estou a explicar...

AS VACAS DO SR. SILVA

Esta foi recebida por email.


"Algumas das reminiscências da minha escola primária têm a ver com vacas. Porque a D.ª Albertina, a professora, uma mulher escalavrada e seca, mais mirrada que uva-passa, tinha um inexplicável fascínio por vacas. Primavera e vacas. De forma que, ora mandava fazer redacções sobre a primavera, ora se fixava na temática da vaca. A vaca era, assim, um a...ssunto predilecto e de desenvolvimento obrigatório, o que, pela sua recorrência, se tornava insuportavelmente repetitivo. Um dia, o Zeca da Maria "gorda", farto de escrever que a vaca era um mamífero vertebrado, quadrúpede ruminante e muito amigo do homem a quem ajudava no trabalho e a quem fornecia leite e carne, blá, blá, blá, decidiu, num verdadeiro impulso de rebelião criativa, explicar a coisa de outra forma. E, se bem me lembro ainda, escreveu mais ou menos isto: "A vaca, tal como alguns homens, tem quatro patas, duas à frente, duas atrás, duas à direita e duas à esquerda. A vaca é um animal cercado de pêlos por todos os lados, ao contrário da península que só não é cercada por um. O rabo da vaca não lhe serve para extrair o leite, mas para enxotar as moscas e espalhar a bosta. Na cabeça, a vaca tem dois cornos pequenos e lá dentro tem mioleira, que o meu pai diz que faz muito bem à inteligência e, por não comer mioleira, é que o padre é burro como um tamanco. Diz o meu pai e eu concordo, porque, na doutrina, me obriga a saber umas merdas de que não percebo nada como as bem-aventuranças. A vaca dá leite por fora e carne por dentro, embora agora as vacas já não façam tanta falta, porque foi descoberto o leite em pó. A vaca é um animal triste todo o ano, excepto no dia em que vai ao boi, disse-me o pai do Valdemar "pauzinho", que é dono do boi onde vão todas as vacas da freguesia. Um dia perguntei ao meu pai o que era isso da vaca ir ao boi e levei logo um estalo no focinho. O meu pai também diz que a mulher do regedor é uma vaca e eu também não entendi. Mas, escarmentado, já nem lhe perguntei se ela também ia ao boi." Foi assim. Escusado será dizer que a D.ª Albertina, pouco dada a brincadeiras criativas, afinfou no pobre do Zeca um enxerto de porrada a sério. Mas acabou definitivamente com a vaca como tema de redacção. Recordei-me desta história da D.ª Albertina e da vaca do Zeca da Maria "gorda", ao ler que Cavaco Silva, presidente da República desta vacaria indígena, em visita oficial ao Açores, saiu-se a certa altura com esta pérola vacum: "Ontem eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando o pasto que começava a ficar verdejante"! Este homem, que se deixou rodear, no governo, pelo que viria a ser a maior corja de gatunos que Portugal politicamente produziu; este homem, inculto e ignorante, cuja cabeça é comparada metaforicamente ao sexo dos anjos; este político manhoso que sentiu necessidade de afirmar publicamente que tem de nascer duas vezes quem seja mais honesto que ele; este "cagarola" que foi humilhado por João Jardim e ficou calado; este homem que, desgraçadamente, foi eleito presidente da República de Portugal, no momento em que a miséria e a fome grassam pelo país, em que o desemprego se torna incontrolável, em que os pobres são miseravelmente espoliados a cada dia que passa, este homem, dizia, não tem mais nada para nos mostrar senão o fascínio pelo "sorriso das vacas", satisfeitíssimas olhando o pasto que começava a ficar verdejante"! Satisfeitíssimas, as vacas?! Logo agora, em tempos de inseminação artificial, em que as desgraçadas já nem sequer dispõem da felicidade de "ir ao boi", ao menos uma vez cada ano! Noticiava há dias o Expresso que, há mais ou menos um ano e aquando de uma visita a uma exploração agrícola no âmbito do Roteiro da Juventude, Cavaco se confessou "surpreendidíssimo por ver que as vacas, umas atrás das outras, se encostavam ao robô e se sentiam deliciadas enquanto ele, durante seis ou sete minutos, realizava a ordenha"! Como se fosse possível alguma vaca poder sentir-se deliciada ao passar seis ou sete minutos com um robô a espremer-lhe as tetas!! Não sei se o fascínio de Cavaco por vacas terá ou não uma explicação freudiana. É possível. Porque este homem deve julgar-se o capataz de uma imensa vacaria, metáfora de um país chamado Portugal, onde há meia-dúzia de "vacas sagradas", essas sim com direito a atendimento personalizado pelo "boi", enquanto as outras são inexoravelmente"ordenhadas"! Sugadas sem piedade, até que das tetas não escorra mais nada e delas não reste senão peles penduradas, mirradas e sem proveito. A este "Américo Tomás do século XXI" chamou um dia João Jardim, o "sr. Silva". Depreciativamente, conforme entendimento generalizado. Creio que não. Porque este homem deveria ser simplesmente "o Silva". O Silva das vacas. Presidente da República de Portugal. Desgraçadamente."


Luís Manuel Cunha in Jornal de Barcelos de 05 de Outubro de 2011.


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Olhó Buraco (ao segundo 32)

Continuo a ver o PS calado de mais

Nos últimos dias ouvimos e vimos alguns porta-vozes do PS justificarem um certo silêncio do partido, relativamente às medidas anunciadas na passada quinta-feira pelo primeiro-ministro, com o facto de não conherem em concreto a proposta do Orçamento. Ora, tal documento foi hoje entregue pelo Governo na Assembleia da República. Por isso, espero que o PS o leia rápido e comece finalmente a tomar uma posição, que só pode ser a de completa discordância com muitos dos conteúdos do mesmo. Repito mais uma vez: O Partido Socialista não pode deixar a oposição ao Governo entregue ao Patido Comunista e ao Bloco de Esquerda. Não tem que ficar refém do chamado memorando da troika.

A ENTREVISTA

A entrevista do ministro Gaspar à RTP foi uma fraude. Para além de perguntas que ficaram por fazer, nomeadamente a origem do "colossal desvio", que continua por explicar, e não ser confrontado com o plano para buraco da Madeira nem com o novo buraco do BPN, o ministro fez um discurso redondo e redundante, refugiando-se no acordo com a troika (que não pode ser, como não é, uma vaca sagrada), fugindo a algumas perguntas (veja-se o caso dos reformados da função pública em contraponto aos da Segurança Social). Por outro lado, não deu resposta à questão primordial que é a do crescimento económico. Vai ser a meia hora a mais de trabalho na actividade privada que vai resolver o problema?
Espero que o ministro Gaspar, aquando da discussã do OE na AR, explique melhor as medidas e os resultados esperados.

Até me deu o sono!

Nem sei como classificar a entrevista do ministro das Finanças. Quis explicar o que não é explicável. Vezes sem conta, começava a resposta(?) à pergunta do entrevistador dizendo: Repare que..., e depois, parecia entupido e arrastava-a, chegando ao ponto de dizer: o que eu penso que você me queria perguntar, era... Bom, mais uma vez ficamos no limbo, no que diz respeito à explicação dos célebres buracos que têm servido de desculpa para a tomada destas medidas duríssimas para os portugueses. E quanto à equidade da distrubuição dos sacrifícios, estamos confessados! É preciso ter lata quando, perante factos que o jornalista lhe apresentava que eram a prova de que os sacrifícios afectavam muito mais os funcionários públicos e os reformados do que os trabalhadores das empresas privadas, o ministro refutava dizendo que as medidas estão a ser tomadas tendo em conta os mais desfavorecidos. Demagogia barata. Na parte final da entrevista já me faltava a paciência para o ouvir. E como ele fala tão "devagarinho" e muito baixinho, até me deu o sono. Eu que até tinha tomado um café bem forte!

Mentiroso,eu? O Best Of

Quem será o próximo Capelão?

Mentiroso, eu?

sábado, 15 de outubro de 2011

O Ranking das escolas

Todos os principais meios de Comunicação Social, com mais incidência na imprensa, apresentaram os seus Ranking das escolas, feitos com base nos resultados das provas nacionais de exame. É tempo, como disse o líder de uma das Associações de Directores de Escola, de se mudar a linguagem e começar a falar-se de ranking dos resultados dos exames nacionais e não de ranking das escolas. As escolas com melhores resultados não são necessariamente as melhores, embora uma má escola não possa, obviamente, ter bons resultados . O Jornal Público de hoje traz uma entrevista ao holandês Gert Biesta, professor universitário no Reino Unido, que questiona se este tipo de rankings avaliam aquilo que é realmente importante e conclui que "uma boa educação é muito mais do que bons resultados nos exames". Uma rápida análise dos rankings publicados mostra-nos que as escolas com os melhores resultados, quer públicas quer privadas, estão instaladas nas áreas metropolitanas das grandes cidades. E que nestas as escolas com piores resultados estão próximas das zonas residenciais com mais problemas sociais. Não por acaso. Um dos factores fundamentais do sucesso escolar está nas famílias. Conheço escolas que trabalham bem, são frequentadas por alunos que obtêm bons resultados, mas são também frequentadas por alunos cujas famílias são completamente desestruturadas e muitas vezes à beira da pobreza. É claro que nestas escolas as médias dos exames têm que ser muito mais baixas do que nas outras. Mas conheço, pessoalmente, muitos jovens que fizeram o seu percurso escolar nelas, entraram em universidades públicas, licenciaram-se, alguns doutoraram-se e hoje são profissionais de sucesso. Por isso, olhar para os rankings das escolas como listas que as ordenam das melhores para as piores é uma falácia.

NOVO AUTARCA MODELO

Luís Filipe Menezes acha bem que tenha sido cancelada (a mando governo!), a inauguração oficial (que se previa sem pompa nem circunstâcia) do último troço da Linha Amarela do metro Porto, em Vila Nova de Gaia. A concordância do autarca radica na época de austeridade em que nos encontramos. Será que a Metro do Porto se esqueceu de convidar os membros do governo, primeiro-ministro incluído?
Contudo, a austeridade não impede que o ministro Mota Soares se desloque a Ponte do Lima para entregar 11 - onze - chaves de novas habitações.
Por outro lado, Menezes afirmou que é o único autarca que "tem as mãos lavadas" quanto aos custos do metro. Pode deduzir-se que os restantes autarcas, antigos ou actuais, têm as mãos sujas. Quanto sujas?
Acresce que Menezes responsabiliza o antigo governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, pelo corte do subsídio de Natal aos funcionários públicos, pois não se apercebeu das maningâcias de Oliveira e Costa e seus amigos do BPN.
Para sua erudição, visite o andar modelo, perdão, ouça e aprecie o autarca modelo de nova geração.

O PS tem que cerrar fileiras. O PS deve votar contra o Orçamento

O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho fartou-se de mentir aos portugueses e, irresponsavelmente, continua a mentir. Enquanto líder do maior partido da Oposição, reprovou o PEC IV porque tal plano ia pôr em prática medidas muito penelizadoras para os portugueses e causaria retracção da nossa economia. Na altura das negociações para a viabilização do Orçamento para 2011, Passos Coelho pediu desculpa aos portugueses por aceitar ligeiro aumento de impostos, já que tinha opinado ser contra qualquer aumento dos mesmos. Mexer no subsídio de Natal, nunca, Credo...; Agora Governo, já decidiu cortar-nos metede do subsídio de Natal deste ano, todo o subsídio dos anos de 2012 e 2013 e todo o subsídio de férias dos mesmos anos. Ah, sempre mostrou estar a par de toda a situação e gabava-se de ter pronta uma lista das gorduras do Estado a cortar e, por isso, não percebia o porquê do então governo não o fazer de imediato!

Quinta-feira, com enorme lata e descaramento, mas com um semblante que mais parecia ter-lhe morrido alguém de família, veio anunciar aos portugueses medidas duríssimas que, como disse o Bispo D. Januário Torgal Ferreira vão fazer com que muitos passem a ser escravos. São medidas que vão muito para lá do acordo celebrado com a Troika e que estão em discordância com a opinião Presidente da República e de alguns sectores do PPD e da Direita como, pasme-se, a baronesa Ferreira Leite. A recessão económica vai ser brutal, a miséria vai generalizar-se.

E o PS, o que vai fazer o PS? Não pode ficar calado. Tem que cerrar fileiras contra esta loucura, contra este atentado à dignidade de milhões de portugueses. O PS não tem que estar amarrado ao acordado com a Troika, se a prática dessas medidas mostram que são eradas, mas muito mais desamarrado está na medida em que as propostas do Governo vão muito para lá delas. Então, o PS não pode hesitar. O PS tem que votar contra o Orçamento e explicar aos portugueses o porquê da sua opção de voto. O PS não pode deixar a oposição ao Governo nas mãos do PCP e do Bloco de Esquerda. António José Seguro tem que mostrar que tem coragem para lutar ao lado dos portugueses contra este enorme ataque do neo-liberalismo. Se não tem, então dê lugar a outro. Sei, e tenho a certeza, que há socialistas com estofo e coragem para isso.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O BURACO, MAIS UMA VEZ

O governo continua a não responder, preto no branco, sobre a origem do "colossal desvio". Onde e a quanto ascendem as parcelas do desvio? Temos o direito de saber e o governo o dever de informar, sem margem para dúvidas . Não basta atirar um qualquer número para o ar, sem especificação quantitativa e temporal, deixando apenas subentendido que a culpa é do anterior governo. Que seja, mas diga-se abertamente onde e quanto. Até para memória futura, se for o caso.

Bispo arrasa medidas do Governo

Em entrevista dada hoje à RTP o Bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, arrasa as medidas anunciadas pelo Governo, a quem acusa de falta de lucidez e de aventireirismo e fica-se por um "nim", quando a jornalista lhe pergunta directamente se acha que o primeiro-ministro é um aventureiro. Chega mesmo a dizer que a classe média em Portugal e os mais desfavorecidos "vão ser perfeitamente esmagados" e transformados em perfeitos escravos. Faz analogia do sofrimento a que alguns portugueses vão estar sujeitos com os sofrimeiros que outros no passado sofreram na PIDE. Para ele Sá Carneiro, se fose vivo, caía para o lado ao tomar conhecimento das medidas anunciadas. Termina com um aviso muito sério:"Eu não sei se não estaremos a caminhar para o Apocalipse Now da Grécia".

Uma entrevista a rever no site da RTP - www.rtp.pt.

E QUEM AUTORIZOU?

Um médico do SNS do Algarve, chefe de serviços e dedicação exclusiva, tem um vencimento de 5 000 euros/mês. Nada a objectar, ainda que seja um vencimento de se lhe tirar a bata. Só não entendo é como "leva" para casa mais de 60 000 euros/mês!
E quem autoriza uma "cena" destas? E quantos casos mais haverá por aí?
Os ministros Macedo e Gaspar têm que explicar a 'coisa', ainda que a culpa possa não ser sua.

ATÉ A ÁGUA!

A água engarrafada - um bem supérfluo, de luxo, como é sabido - vai passar a pagar, e bem, IVA à taxa de 23%, tal como o whisky.

O BURACO

As brutais medidas anunciadas por Passos Coelho não vão, no meu ponto de vista, resolver qualquer problema dos vários em que o país se encontra. Temo, até, que venham a agravar a situação.


O défice e a dívida portuguesas são de natureza estrutural e não conjuntural, pelo que medidas avulsas, limitadas no tempo, sem outro tipo de medidas de fundo, não vão ao cerne da questão e não resolvem problema nenhum. Apenas o adiam, com custos acrescidos.


O corte no rendimento bruto dos funcionários públicos e nas pensões de reforma e o aumento da taxa de IVA em diversos bens e serviços, diminuindo drasticamente o rendimento disponível, vão conduzir a uma diminuição do consumo, tendo como efeito imediato a diminuição da cobrança de IRS e de IVA (e em relação a este a fuga ao seu pagamento tenderá a aumentar) e a curto prazo à diminuição da produção e ao aumento do desemprego, com o consequente aumento das prestações sociais. Isto é: podem diminuir as receitas e aumentar os encargos. Tudo isto conducente à recessão da economia mais grave do que a admitida.


Acresce que sendo algumas das medidas anunciadas (subsídios de férias e de 13.º mês) válidas apenas para os próximos 2 anos, serão repostas em 2014. Que orçamento vai conseguir acomodar essa reposição? Ou o défice volta a disparar e voltamos à estaca zero, ou, pior ainda, a uma estaca enterrada e provavelmente podre?

Sem medidas que relancem a economia (que não vejo anunciadas - por onde anda o ministro?), que cortem, em definitivo, as tão apregoadas gorduras do Estado, receio que daqui a 2 anos estejamos ainda pior que hoje.

Veremos o que resulta da discussão do OE na AR, mas não se me afigura que haja coelhos escondidos na cartola. O governo não os terá e as oposições, mormente o PS, que está encolhido, com um líder de ocasião, não se mostra capaz de adiantar seja o que for.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

E agora Senhor Presidente?

O Senhor Presidente da República quando "abraçou" a cruzada anti-Sócrates disse: Há limites para os sacrifícios dos portugueses. E agora Senhor Presidente, não tem nada para dizer?

Que sorte!

Quem tem sorte é Américo Amorim. Vai continuar a não pagar impostos sobre os lucros dos seus ganhos financeiros, a não pagar qualquer imposto sobre o seu património e..., ainda mais sorte: apesar da idade não está reformado e, embora sendo um trabalhador assalariado, não é funcionário público!

Tenho pena deles!

Não era bonito ter pena de mim. Seria uma forma de narcisismo. Tenho sim pena do Mira Amaral e de outros como ele que, por trabalharem meia dúzia de anos aqui, meia dúzia de anos ali, meia dúzia de anos acolá, têm três ou quatro reformas maiores que a minha (e, palavra de honra; só tenho uma). Coitados o que eles vão perder!...

QUE DIZ CAVACO?

Em tempos, Cavaco tinha como primeira preocupação derrubar o governo do Pinto de Sousa com argumentos do tipo de que estava a ser ultrapasasado o limite da carga fiscal para o comum dos contribuintes. Que diz agora o mesmo (?) Cavaco, quando se avizinha a ultrapassagem, em grande velocidade, de tal limite? Acha bem ou nem por isso? Diga coisas, homem. O pessoal tem muito gosto em ouvi-lo.

MÚSICOS

"Músico": que tem muita lábia (dos dicionários).


Passos Coelho, para além de, dizem, ser um cultor do solfejo, é um bom músico. E conhece a escala toda, de baixo para cima e cima para baixo, incluindo tempos, pausas e compassos, mínimas e semi-mínimas, colcheias e semi-colcheias, fusas e semi-fusas, andamentos allegro, vivacci e and so on. Só que, parece-me, fenece-lhe a qualidade de bom orquestrador. Irá aprender. Só que, entretanto, receio ficar surdo.