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sexta-feira, 1 de maio de 2015

Está na hora de reflectir

No dia 1 de Maio, para além dos desfiles e dos discursos dos líderes sindicais (e das palavras de ocasião de alguns líderes políticos que aparecem para se mostrarem), torna-se urgente que se aproveite a data e o que ela tem de importante para os trabalhadores para se fazer uma grande reflexão sobre o movimento sindical. É um dado adquirido que o movimento sindical, de um modo geral, vem perdendo força e importância no mundo laboral. Se não, vejamos: O número de trabalhadores sindicalizados é cada vez menor. À excepção de sectores como a Banca, Transportes Públicos, Professores, Saúde (médicos e enfermeiros) e outros (poucos, do Estado) a percentagem de trabalhadores sindicalizados ronda os 10% (dez por cento!). E de quem é a culpa, dos trabalhadores ou dos sindicatos? Dos trabalhadores não é com certeza, mas dos sindicatos ou, mais propriamente, das centrais sindicais, para quem tais trabalhadores não interessam porque não têm poder reivindicativo. Quantos trabalhadores do comércio e serviços (incluindo turismo e outros), aderem às greves gerais? E de muitas indústrias, incluindo a da construção civil, a não ser que tenham salários em atraso? Normalmente não aderem, ou aderem poucos. Mas provavelmente tais trabalhadores precisam de mais apoios dos sindicatos e das centrais sindicais, sobretudo UGT, já que CGTP, depois da saída de Carvalho da Silva, voltou a ser cada vez mais correia de transmissão do PCP.
Está na hora de reflectir. Numa sociedade democrática justa, não há trabalhadores de primeira e trabalhadores de segunda. Sei que não é fácil, numa altura de grande desemprego, com patrões a quem só interessa trabalho barato em detrimento de trabalho qualificado. Mas é preciso tentar.
Faço um apelo à UGT: Mãos à Obra!  





sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Que raio de sindicalismo é este?

Desde que José Sócrates foi preso preventivamente, que o Sindicato dos Guardas Prisionais, na pessoa do seu Presidente, tem dito e até reivindicando os maiores disparates.
Primeiro o sindicalista insurgiu-se pelo facto de Sócrates – a quem ele nunca tratou pelo nome, mas sim como “o referido recluso” – ter muitas visitas; depois insurgiu-se porque Sócrates recebia muitas encomendas. Num e noutro caso o indivíduo pedia mais guardas, porque os existentes, coitadinhos, estavam a ter muito mais trabalho! Quer dizer que o tipo estava a aproveitar-se da medida de coação imposta a Sócrates para conseguir os seus intentos reivindicativos.
Mas, não se ficou por aqui. Não se percebe com que intenção veio denunciar três situações, próprias dum chamado “bufo” dos maus tempos do Estado Novo: que José Sócrates tinha na cela um cachecol do Benfica; que usava botas não condizentes com o regulamento; e, “crime dos crimes!!!”, que o ex-primeiro-ministro fazia telefonemas dum sítio não autorizado da prisão. Que dizer desta atitude? Eu digo que o cavalheiro que preside ao dito sindicato, tem qualquer trauma com Sócrates e quer agora vingar-se, numa altura em que ele está na mó de baixo. Mas Miguel Sousa Tavares, num artigo publicado no Expresso escreve: “Isto não é sindicalismo: é canalhice, pura e simples. É a miserável valentia lusitana de pisar e descalçar as botas a quem já está caído”.

Com a devida vénia, subscrevo o que Miguel Sousa Tavares escreveu. E pergunto: Isto é sindicalismo sério? Não é, de certeza.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Cinismo ou cretinice na conferência de Helder Rosalino?

Hoje, por volta as cinco e meia da tarde, o programa “Opinião Pública”, que eu estava a ver na SIC-Notícias, foi interrompido para dar em directo uma conferência de imprensa de Hélder Rosalino – secretário de Estado da Administração Pública. Pretensamente o Sr Rosalino pretendia dar a conhecer as conclusões das reuniões com os sindicatos da função pública sobre a discussão da mobilidade especial, agora chamada de requalificação, das rescisões amigáveis (?), do aumento do horário de trabalho e dos descontos para a ADSE.
Como não houve qualquer acordo, era fácil a tarefa de Rosalino. Mas não, o homem falou, falou, falou …, fartou-se de “meter palha” e, como diria o outro, não disse nada. Ou melhor; disse alguns disparates dos quais destaco dois:
- não há motivo para os funcionários públicos estarem especialmente preocupados;
- o aumento do horário “atenua” redução de funcionários.

Isto é cinismo ou cretinice? Se calhar, é as duas coisas.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Entrevista do PGR II


Volto à entrevista do PGR.
Pinto Monteiro, na sua entrevista de ontem, confirmou algumas coisas que qualquer português minimamente informado já sabia. Destaco três: duas delas relacionadas com o chamado processo “face oculta” e a outra relacionada com o Freeport.
Face oculta: Que as chamadas escutas telefónicas em que interveio o ex-primeiro-ministro José Sócrates nada têm que indicie qualquer comportamento que justifique, sequer, uma investigação judicial. Mais, disse o PGR, que tais escutas, que foram consideradas ilegais e mandadas destruir, só não andam por aí a ser divulgadas porque efectivamente nada têm de relevante. A outra coisa que o Dr. Pinto Monteiro disse no seguimento das escutas, é que há escutas telefónicas ilegais feitas pelas polícias. Alguém acha que, não senhor, não há? Só os sindicatos.
Freeport: O PGR disse que o chamado processo Freeport, foi um processo político. E é claro que foi. Já se esqueceram que partiu duma carta, supostamente anónima, feita por um ex-deputado do CDS, que tinha ligações ao governo de Santana Lopes?
Evidentemente, como era esperado, lá vieram os sindicatos do sector, quais virgens ofendidas, a clamar revolta. Tenham lá paciência. É assim tão difícil ouvir as verdades?                       

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Que pena!


Não tinha ouvido ou lido qualquer referência à greve (?) de hoje nos STCP. Por isso, não estranhei ter visto um autocarro numa reportagem televisiva, em directo, do programa da RTP “Bom Dia Portugal, a propósito de dar notícias sobre situação do trânsito na cidade do Porto. Saí de casa no meu carro, com o rádio ligado e sintonizado na TSF. A determinada altura está na hora de um dos serviços noticiosos daquela emissora e o destaque é: “Autocarros parados no Poro devido à greve nos STCP”. Aqui, sim, estranhei, pois confirmei pelo espelho rectrovisor que atrás de mim circulava um autocarro da careira 503. Mas, chegado ao cruzamento da rua S. João de Brito com a Avenida Boavista reparo noutro autocarro também parado no semáforo, este da carreira 502. Entro na avenida para subir dois quarteirões até à rua Primeiro de Janeiro, onde fica o Estádio do Bessa. Não percorri mais do que trezentos metros, mas foi quanto bastou para ver mais três autocarros, um deles, lembro-me, da carreira 201. Então, pensei: como é possível haver greve nos STCP se em tão curto espaço de tempo vi cinco autocarros, para além daquele que tinha visto na televisão? Comecei a ficar zangado com a TSF. Como era possível uma rádio de referência dar uma notícia tão despropositada?
Começa o desenvolvimento do noticiário e a certa altura fala um dirigente sindical da FESTRU que dizia estar a greve a ser um êxito, pois havia mais autocarros parados que o número de trabalhadores sindicalizados e…, outros disparates!
Pensei então: com sindicalistas deste calibre o sindicalismo português afunda-se cada vez mais. Os dirigentes sindicais em Portugal agem como há 38 anos. Para eles nada mudou no país e no mundo. Que tristeza! Continuam correias de transmissão dos partidos. Que pena!



sexta-feira, 6 de maio de 2011

Não consigo entender.

Já nos habituámos a ver num dia de greve, seja em que sector for, grande disparidade na percentagem de adesão dita pelas estruturas representativas dos trabalhadores e as estruturas representativas do patronato ou, se quizermos ser mais rigorosos, dos empregadores. Hoje foi dia de greve na Função Pública. Ora, os sindicatos do sector dizem que a percentagem de adesão foi de 60%, enquanto o Governo informou que a adesão não foi além de 2,77%. Uma diferença de 57,23%. Como é possível? Quem fala verdade ou, se quisermos, quem está mais próximo da realidade? Há, no entanto, dados que nos permitem dizer que a adesão devia ter sido baixa, já que não causou grandes transtornos nos diversos serviços do Estado. Por exemplo: os sindicatos esperavam que fossem afectados, por falta de funcionários não docentes, os exames de aferição de Língua Portuguesa que hoje decorreram nas escolas. Ora, verificou-se que dos cerca de 273 mil alunos objecto deste exame, só 270 não o puderam fazê-lo. O mesmo aconteceu em muitos centros de saúde, onde decorreram com muita normalidade as consultas programadas. Dá ideia, então, que esta greve foi um flop. Por isso, não consigo entender o contentamento dos líderes sindicais.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

MEDIDAS CAUTELARES

Centenas de providências cautelares vão ser metidas nos tribunais para suster a descida dos vencimentos na função pública, o que sou capaz de entender, mas cujo resutado me palpita vir a ser nulo. Uma pergunta, porém, me ocorre: quais vão ser os custos e as custas, e quem vai ganhar com a coisa? Palpita-me que os sindicatos (e os advogados dos ditos) vão cobrar a sua comissãozinha à conta, não? Os cofres devem estar depauperados, pelo que até convém que a medida seja tomada em todos os concelhos do País e por todos os sindicatos da FP. Quantos mais, melhor.