segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

OS OFFSHORES

611 clientes ligados a Portugal têm 855 milhões no HSBC suíço

por DN.ptHoje25 comentários
611 clientes ligados a Portugal têm 855 milhões no HSBC suíço
Fotografia © icij.org/project/swiss-leaks
Mais de 200 portugueses têm dinheiro nesse banco, conforme foi revelado no escândalo Swiss Leaks. O Brasil, por sua vez, é o 4.º com mais clientes no banco ligados ao país.
Há 611 pessoas ligadas a Portugal com conta na filial suíça do banco HSBC envolvida no escândalo Swiss Leaks- destes, mais de 200 têm nacionalidade portuguesa. É o que mostram osdados revelados por um consórcio de jornalistas com sede nos Estados Unidos, que revelam ainda que um cliente com ligação a Portugal tem 143 milhões de euros depositados no banco.
O banco suíço HSBC viu milhares dos seus documentos confidenciais levados por um dos seus técnicos informáticos em 2008 e, após analisados por uma equipa de jornalistas, estestrouxeram à luz vários casos de utilização das contas no HSBC para fins ilegais, num escândalo que está a ser chamado "Swiss Leaks".
Os 611 clientes ligados a Portugal têm um total de 855 milhões de euros depositados no HSBC, sendo que mais de 200 deles são portugueses. Portugal ocupa o 45.º lugar na lista de países com mais ligações ao banco.

DN online

Por estas e por outras similares é que temos andado a viver acima das nossas possibilidades

MEMÓRIAS


Neste dia, em 1909, nasce Cármen Miranda, cançonetista luso-brasileira,


e....




...em 1964, morre Ary Barroso, compositor brasileiro

domingo, 8 de fevereiro de 2015

BOLAS À TRAVE

E o FCPorto arrecadou 3 pontos em Moreira de Cónegos e 2 pontos em Alvalade e na Luz. Bem bom...

LIDO

Palermices 

Sem produzir riqueza, sem trabalho, não se liberta dinheiro para respeitar compromissos. 08.02.2015 00:30 Lemos as notícias e é difícil de acreditar que a arrogância e cinismo podem conduzir um País pela estrada mais sinuosa da desgraça, quando outros, por nós, abrem janelas de oportunidades para sairmos do sufoco financeiro e económico em que nos encontramos. As reações do primeiro-ministro e de Pires de Lima aos esforços do governo grego para encontrar uma solução de menor sofrimento para o seu povo são, não só grosseiras, como revelam a sobranceria pesporrente própria de quem vive para o poder e pelo poder, completamente indiferente ao estado de miséria social, política e moral a que chegamos. Até o PS, que pareceu entender a janela de oportunidade que se abria com a vitória contra a austeridade, veio recuando, até revelar a mesma face cúmplice. Para esta gente importa ter o poder. Para esta gente nem há um vislumbre do que é o sofrimento, as mágoas, a desesperança. Tudo se passa só com um objetivo: financiar especuladores. Mais nada. Nem um grão de patriotismo na asa. Nem um sinal de amor ao País e às suas gentes que lhes alimentam as cumplicidades e a arrogância. Não é preciso ser especialista para perceber uma evidência: sem produzir riqueza, sem trabalho, não se liberta dinheiro para respeitar compromissos. Qualquer estúpido compreende isto. Se ganhamos cinco e temos de pagar oito, o único caminho é pagar juros e fazer crescer a dívida. Hoje percebe-se melhor o que pretende o governo grego. Quer tempo para pagar cinco, quer investir para ganhar oito e, desta forma, apaziguar a austeridade, aliviar quem sofre e pôr a Grécia a produzir. Quer dar esperança às suas gentes. Afinal de contas, a razão última do exercício nobre da política. Garantir àqueles que governam que o futuro vale a pena, que há no seu país um lugar para a coragem e a para a vida dos seus filhos e dos seus netos. Nada de novo trazem os gregos. João Cravinho há muito que vem defendendo este programa em Portugal. É um ilustre militante socialista, mas nem isso faz com que a sua voz seja ouvida pelos deuses de pés de barro que aspiram a ser poder a qualquer custo. A política de submissão e servilismo a que se dedicou o centrão político, ou como se gosta de dizer, os partidos do arco da governação, abandonou os portugueses à sua sorte, milhões à miséria, apenas para satisfazer predadores financeiros. A História os julgará, por mais eleições que ganhem, por este tempo em que chacinaram a esperança. 

Francisco Moita Flores, in Correio da Manhã

ZAMALEK

Confrontos entre polícia e adeptos do Zamalek causam 22 mortos

por LusaHoje1 comentário
Confrontos entre polícia e adeptos do Zamalek causam 22 mortos
Equipa é treinada por Jesualdo Ferreira. É o primeiro encontro do campeonato egípcio aberto ao público depois de 2012.
Pelo menos 22 pessoas morreram hoje no Cairo, Egito, em confrontos que envolveram a polícia e adeptos do clube de futebol Zamalek, de acordo com o Ministério Público local.
Números anteriores, divulgados pela agência de notícias oficial egípcia, MENA, davam conta de 14 mortos.
Os confrontos ocorreram no primeiro encontro do campeonato egípcio aberto ao público depois de 2012.

DN online

O Jesualdo já comprou o bilhete de regresso a Portugal?

MARCELO DIXIT

Paula Teixeira da Cruz fala "muito, muito, muito" e foi "impulsiva" ao sugerir na TSF a legalização da venda de drogas leves em farmácias. "Falar a título pessoal? Não sei o que é isso..."

Comentando a atualidade política semanal na TVI, o professor considerou que a ministra da Justiça não pode falar a título pessoal sobre matérias que estão na sua jurisdição como membro do Governo. "Falar a título pessoal? Não sei o que é isso..."
Fonte: Dos jornais


Pois. Entretanto, Passos Coelho vem dizer que o assunto não está em cima da mesa e que a ministra falou a título pessoal.
Tal como Marcelo, também pergunto: que é isso de falar em nome pessoal? Os membros do governo andam à solta?

TSIPRAS

Tsipras não recua e assume posição de choque com a zona euro

Primeiro-ministro mantém mudanças às políticas de austeridade em discurso desafiador e até emocionado ao Parlamento.
“Se não mudarmos a Europa, a extrema-direita irá fazê-lo”, disse Tsipras ALKIS KONSTANTINIDIS/REUTERS
Se este é um jogo de quem recua primeiro – a Grécia ou os restantes parceiros da zona euro – no seu discurso deste domingo perante o Parlamento, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, manteve-se firme na sua posição, sem recuar um milímetro.
Enganou-se quem esperava moderação na sequência da viagem de Tsipras e do seu ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, a algumas capitais europeias, onde não receberam apoios relevantes. Antes do discurso, o gabinete de Tsipras garantia que o que o primeiro-ministro diz em Atenas não será diferente do que dirá em Bruxelas. Sublinhando a noção de que está a falar para uma audiência global, no Twitter, a conta de Tsipras em inglês ia debitando alguns dados e argumentos que o primeiro-ministro fazia no Parlamento em Atenas.
Num discurso desafiador, sublinhando a necessidade de democracia, de os países poderem tomar as suas próprias decisões, e dizendo que a austeridade atrasou as leis do trabalho para “tempos medievais”, o primeiro-ministro grego prometeu refeições e electricidade de graça para quem não as pode pagar. “A Grécia não pode ser um país civilizado se milhões tiverem fome.” Disse ainda que o Governo irá reabrir a televisão pública ERT (encerrada em 2013) “sem excessos”, voltar a ter o 13.º mês para reformas abaixo de 700 euros, e excluiu ainda mais baixas na idade da reforma e mais cortes nas pensões. A maior concessão foi no fasear do aumento do salário mínimo, que prometeu fazer de forma gradual até 751 euros em 2016.
Lançou-se numa retórica especialmente dirigida à Alemanha (sem a nomear) quando disse esperar que a Europa tenha aprendido a não repetir os erros do passado, e a não humilhar países (a humilhação da I Guerra é um dos motivos da ascensão de Hitler).
Agitou o fantasma do que poderá acontecer se o seu Governo não conseguir concessões: “Se não mudarmos a Europa, a extrema-direita irá fazê-lo.” “Não queremos ameaçar a estabilidade na Europa”, garantiu. “O nosso objectivo é chegar a uma solução com os nossos parceiros, uma solução que resulte para todos”.
Tsipras disse ainda que o seu Governo “não tem o direito de pedir uma extensão do memorando” com a troika que termina a 28 de Fevereiro, como insistem os outros governos da zona euro, o que torna o encontro do Eurogrupo de quarta-feira especialmente importante. “Não posso pedir a continuação de um erro.” O chefe do Governo grego diz que tem uma proposta clara para apresentar e que espera conseguir um programa de transição até ao Verão. "Estamos a pedir um acordo de transição até ao Verão. Apesar das dificuldades, é possível”. Na semana passada o líder do Eurogrupo tinha descartado esta hipótese dizendo que não havia “acordos transitórios”.
Repetiu que tenciona pagar a dívida “mas para isso há que negociar”, declarou.
Tsipras anunciou então uma série de cortes nos privilégios dos políticos: a começar pelo “exército de consultores” do seu próprio gabinete, até aos automóveis dos deputados (na Grécia cada deputado tem direito a um carro de serviço) e a extravagâncias do executivo anterior, como um carro de 700 mil euros numa frota de 7500 veículos, que será cortada para metade.
Em relação a impostos, prometeu acabar com um imposto especial na electricidade (considerado especialmente injusto e que foi criado pela dificuldade do Governo grego fazer a colecta fiscal), mas pediu aos gregos que paguem os seus impostos (em vésperas de eleições no país a colecta fiscal baixa sempre muito com os devedores a anteciparem alguma flexibilidade, ou mudança nas regras, que lhes permita pagar menos). “Vamos lutar arduamente contra a evasão fiscal que foi uma das razões que levou o nosso país à beira do colapso.”
Prometeu ainda investigar “listas com grandes depósitos”, ou seja, listas como a enviada em 2010 por Christine Lagarde, então ministra das Finanças de França, ao governo grego, e que incluíam os nomes de mais de 2000 gregos com contas no estrangeiro e assim suspeitos de alguma fuga ao fisco. A lista foi perdida, houve nomes que desapareceram de uma cópia para o original entretanto reenviado, um jornalista que a revelou foi duas vezes a julgamento por causa dela, enquanto a investigação aos nomes que estavam na lista tardava (com excepção do antigo ministro das Finanças Giorgos Papaconstantinou, que está a ser julgado).
A gestão dos contratos no sector público será objecto de uma nova lei que permita avaliação por mérito e mudanças de chefes de serviço para cortar as ligações políticas, prometeu Tsipras. Na Grécia é impossível despedir estes responsáveis e a cada mudança de Governo vão sendo acrescentados. “Vamos quebrar as ligações entre a administração e os políticos.”
Também prometeu a quebra da terceira ligação “perigosa”, com os media – as televisões privadas vão ter de pagar licenças, o que actualmente não acontece.
“Nos últimos dias sentimos que o nosso orgulho foi recuperado”, disse Tsipras. “É o nosso dever não desapontar as pessoas que nos apoiam, de todos os lados do espectro político”, argumentou. “Depois de cinco anos de barbárie de resgate, o nosso povo não consegue mais aguentar promessas não cumpridas.” O discurso está prestes a terminar: “não vamos negociar a nossa história, o orgulho e a dignidade do nosso povo. Estes são valores sagrados para nós”, disse. “Vamos servir a nossa Constituição.”
O primeiro-ministro emociona-se e recebe uma ovação dos deputados. “O discurso foi óptimo para o sentimento dos gregos, desastroso para um acordo potencial com a zona euro”, diz o jornalista grego Yannis Koutsomitis. Terça-feira o Governo será submetido a um voto de confiança, quarta-feira espera-se uma longa reunião do Eurogrupo. 
Fonte: Público online

O Tsipras está a ver-se grego. Oxalá consiga levar o barco ao Piréu.
  

MEMÓRIAS



Neste dia, em 2001, morre Artur Semedo, actor e realizador poruguês

sábado, 7 de fevereiro de 2015

LIDO (2)

(...)

As variantes deste desejo são várias, a começar pelo desejo de que o Syriza abandone de forma explícita e evidente as suas propostas eleitorais, que seja como Hollande, em França. Confundindo o seu desejo com a realidade proclamam que isso já aconteceu, mas seria bom serem mais prudentes, porque não é a explicitude das propostas que conta, mas o saber-se se haverá ou não ganho de causa para os gregos com todo este processo. E, mais importante, ainda, que os gregos estejam convictos de que o obtiveram votando no Syriza e não em qualquer outro partido.
A versão dura é o desejo que o Syriza traia de forma evidente o que prometeu, aceite um acordo de fachada, para que tudo continue na mesma. Que o Syriza apareça aos olhos de todos como um bando de oportunistas, demagogos, irrealistas, que se venderam por um prato de lentilhas, as mesmas lentilhas “inevitáveis” que a Nova Democracia servia e que funcionavam como conforto para governos colaboracionistas como o português.
Aí haveria o desejo de que o Syriza encontrasse aquilo que eles chamam a “realidade” de frente, de preferência sob a forma de um choque frontal com medidas de retaliação, que punam os gregos pelo modo como votaram. É o desejo maldoso de que os gregos sejam punidos com mais austeridade, porque contestaram a austeridade, ou não a aplicaram com a ferocidade que deveria ter tido. Quando o nosso primeiro-ministro diz que os gregos não fizeram o que deviam, como Portugal e a Irlanda, o que está a dizer é que a tragédia que se abateu sobre a Grécia com números assustadores de pobreza, miséria, desemprego, falta de condições de vida mínimas, de desespero, foi pouco. E como eles contestaram esse “pouco” devem ter ainda mais, que é para aprenderem a ser bem-comportados. E por aí adiante, num exercício que Marx chamaria “luta de classes”, que é a pólvora em que esta gente anda a mexer alumiando um fósforo mental para ver o que se passa.
Claro que, do outro lado, há também uma outra série de desejos, nem todos recomendáveis. Um deles é o de que o Syriza faça por “nós” aquilo que não somos capazes de fazer, faça pela esquerda aquilo que ela não é capaz de fazer, usar o mimetismo com o Syriza sem se ser capaz de fazer o lento trabalho de implantação que ele fez. Ou desejar ganhar eleições copiando o Syriza no plano antiausteritário e ignorar os aspectos soberanistas e patrióticos que o fizeram sair da exclusividade extremista.
Ou desejar que Portugal seja a Grécia nas próximas eleições. Iludir-se com a ignorância de que a situação grega (ou até espanhola com o Podemos) não é a situação portuguesa. Em Portugal, as próximas eleições serão muito bipolarizadas e, se o não forem, é porque o PSD-CDS já as ganhou, ou o PS terá apenas uma “vitorinha”. O PASOK na Grécia foi varrido do mapa porque a bipolarização se fez entre o Syriza e a Nova Democracia, como em Espanha o Podemos pode crescer devido às fragilidades do PSOE. Em Portugal, nada disso acontece.
Eu também tenho um desejo simples e modesto, com muito poucas ilusões. Desejo que as coisas corram bem para os gregos, que eles comecem a sair do buraco infernal em que foram colocados, e que possam, pelo seu acto corajoso de votar contra o statu quo, mostrar que a ditadura da “inevitabilidade” é um deserto mental perigoso, útil para se subordinar Portugal aos poderes europeus e alemães, fragilizar a democracia e empobrecer os portugueses. É por isso que a milhas do Syriza se pode saudar a mudança que o Syriza trouxe a um mundo estagnado e pantanoso, maldoso e desigual. Não preciso de explicar mais nada, pois não? 

José Pacheco Pereira, in Público de hoje

LIDO (1)

Uma intensa nuvem de desejos

A milhas do Syriza, pode-se saudar a mudança que o Syriza trouxe a um mundo estagnado e pantanoso, maldoso e desigual. Não preciso de explicar mais nada, pois não?
Uma das coisas que a vitória do Syriza e o conjunto de eventos posteriores têm mostrado é a sua importância para todo o espectro político da Europa. Neste sentido, os gregos podem falhar em tudo, que nada será de novo igual nem na Grécia, nem na Europa.
Quando um acontecimento gera tão intensos sonhos e pesadelos, estamos perante a história. Pode ser uma nota de pé de página, um parágrafo de meia dúzia de linhas, mas ficará na história da Europa. Embora não esteja certo, admito que possa vir a ser o mais importante momento europeu depois da unificação alemã.
Há quem considere que nada disto tem importância, até pela irrelevância da Grécia no conjunto das economias da União Europeia, ou pelo seu papel de minúsculo David face ao Golias alemão. Mas David matou Golias apenas com uma funda... Seja como for, mais do que não ter importância, é o desejo de que não tenha importância e o mundo volte ao conforto do habitual. Como em todo este texto se verá, um dos efeitos do caso grego é multiplicar o mundo dos desejos, e isso é já, em si mesmo, uma poderosa vitória simbólica.
Mas olhe-se para o mapa de Europa, a que se deve acrescentar alguma da história da Europa. A Grécia está nos Balcãs, por si só um sítio muito pouco recomendável. Um pouco mais acima e a leste arde cada vez com mais vigor a guerra civil ucraniana, talvez o mais perigoso conflito internacional dos dias de hoje. Ao seu lado está um tradicional inimigo, a Turquia, o fim da Europa e o princípio da Ásia. Alguém pensa que a Grécia possa ser esmagada e humilhada sem consequências na sua política externa e na geopolítica da região?
Os adversários do Syriza, que são os “ajustadores inevitáveis”, sabem que se deu um ponto sem retorno. Nós sabemos disso e eles sabem que nós sabemos que eles também sabem. Mas um ponto sem retorno não significa que o caminho seja unívoco, apenas que as coisas já não voltam para trás. Mesmo que, no fim de tudo isto, o Syriza seja varrido da governação, os gregos remetidos para uma maior pobreza, e os alemães e os seus aliados e colaboracionistas tenham conseguido domar a “revolta” grega, a paz podre destes últimos anos não mais voltará.
No passado, ainda próximo, havia uma maneira de acabar com a aventura do Syriza: ajudar os “coronéis” a fazer um golpe de Estado. Pode parecer impossível, mas as forças armadas gregas vão ser o lugar de um complexo choque de lealdades. Por um lado, há uma forte componente nacionalista na vitória do Syriza – o aspecto mais negligenciado nas análises que privilegiam o “ideológico” no extremismo do Syriza – e não há grego que não se sinta insultado pela prepotência alemã e pelos seus diktats à Grécia. Isso coloca os militares mais perto do governo, mesmo que possa ser tido como um governo de perigosa ideologia “comunista”.
Por seu lado, os militares gregos são “militares NATO” impregnados de uma forte cultura vinda da Guerra Fria, e podem reagir a uma viragem governamental pró-russa que se venha a dar de conveniência e de desespero, e que representa de facto uma das margens de manobra para que o Syriza pode ser empurrado. Podem também achar que a fragilização da Grécia representa oportunidades para o seu adversário histórico, a Turquia, que pode ter a tentação de explorar este momento difícil. Há um largo contencioso, incluindo um conflito territorial sobre as ilhas gregas do mar Egeu, entre a Grécia e a Turquia, a somar aos conflitos mais a norte com a Macedónia, perdão, a FYROM, e com o Epiro albanês. Se reduzirmos o actual conflito grego apenas à sua dimensão da dívida, da troika, das imposições alemãs, e não virmos o resto, cometemos um sério erro de análise.
Por isso, o Syriza dá origem a um grande feixe de desejos, que penetram na linguagem política, muitas vezes levando os seus sujeitos a confundirem o que desejam com a realidade. Há sonhos pró-Syriza, e pesadelos anti-Syriza, e estão aí à solta nos discursos, nos artigos, nos debates, nas redes sociais, nos blogues. Há, do lado dos defensores da “inevitabilidade”, abalados pela singularidade de um partido de fora do “arco governativo” ideológico ter ganho as eleições, um desejo central: que o Syriza falhe. Que, pura e simplesmente, tudo corra mal, haja novas eleições e volte a Nova Democracia a governar a Grécia, reconstituindo-se o mundo como “nós” o conhecemos, familiar, habitual, “inevitável”. Se isso acontecer, o mundo volta aos eixos, ou seja, à “inevitabilidade.
(...)

CONTRIBUTOS EXTERNOS

ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

                                                                                     Gil Monteiro*

Fomos criados para viver em comunidade. Somos seres gregários, em que a sobrevivência individual é rara, mas sempre auxiliada por outros elementos da natureza, nem que seja só o murmúrio de uma queda de água ou o rugido de uma fera, para lá dos canais de isolamento! Claro, passa a expressar apenas esses e outros sons, deixando de falar ou articular palavras. Isolar pessoas (os mais velhos) é acelerar a sua morte. Daí a necessidade das “conversas chatas” dos idosos e os excessos de comunicação digital dos jovens. Quase meninos, andam com telemóvel na mão e auscultadores nos ouvidos.
Resta às pessoas caseiras a televisão e os animais para quebrarem um pouco os isolamentos! Ia dizer, mesmo com empregada(o) domiciliária(o) – quem os pode ter! – as plantas das janelas ou cultivadas nas marquises são meios ótimos para passar o tempo e ter salsa fresca para os cozinhados!
Criado em aldeia transmontana, onde as casas de lavradores tinham o seu cão e gatos vários, de entrada e saída de casa livre, apenas impedidos, tapando o buraco próprio, quando o porco morto secava pendurado numa trave do telhado da lareira. Tive, pois, mais contactos com os cães, chegando a ter um só meu, enquanto fui para a quinta de Provesende, para poder frequentar a 2ª classe, devido à Regente Escolar de Roalde ter emigrado para o Brasil! Os gatos são mais fofos e ariscos. Era raro encontrar um que pedisse colo ou desse colo. Estar no escano da cozinha não era com eles, estavam receosos do excesso de calor ou de apanhar pingos de água quente. Quando escolhi um bonito, todo pretinho, levei-o, metido num saco, no cavalo a caminho da quinta, na passagem pelos povoados, berrava, berrava!...

 – Levas aí um gato roubado! – Ouvia à volta do cavalo.

MEMÓRIAS


Neste dia, em 1984, morre Francisco Ribeiro, conhecido como o Ribeirinho, actor e realizador português

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

CONTRIBUTOS EXTERNOS

DIA DE REIS

Noite luarenta de dezembro
O céu parecia brilhar
Por ter nevado, o tempo ia amainar
O Balhestra diria: “vai haver calor se bem me lembro”!
Chuva de estrelas cadentes, na serra a reluzirem
 Tontas viravam à capela da Sª da Azinheira
Seriam lágrimas de fogo no Eirô estrelejar?!
Relento de arraial pedia café e bagaceira!
Estrela louca caiu na casa da Elisa
Pela telha vã da cozinha podia ver-se o Rui em camisa!
Os cavacos acenderam e os pingos do fumeiro secaram
Na loja do gado, a cabra e a ovelha berraram.
Nove meses após um parto começava.
“ António foi chamar a Ana Ventura...
Manuel vai virar uma telha da capela “
Rompia o dia e o bebé já chorava!
Tinha nascido mais um enguiço
Forte, muitos anos passados, e sem sumiço.
 Dia de Reis recordar a prenda de maior graça
Ter um pião das nicas com baraça!
   Porto, 5/1/15                                                                                                          José Gil
                                     jose.gcmonteiro@gmail.com


MEMÓRIAS



Neste dia, em 1932, nasce François Truffaut, actor e realizador francês

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A GRAVATA DE TSIPRAS

Renzi, que deu uma gravata a Tsipras, acredita em acordo Europa / Grécia







Matteo Renzi, primeiro-ministro italiano, oferece uma gravata a Alexis Tsipras, que a promete usar quando "for encontrada uma solução viável" para  a Grécia.
Espero ver brevemente o Tsipras de gravata....

Fonte: Expresso

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Tanto descaramento desta cambada!

Provavelmente instruídos por Passos Coelho, esse subserviente lacaio da Senhora Merkel de quem recebeu instruções para o efeito, os muitos deputados, dirigentes políticos e outros porta-vozes da Direita que desgraçadamente nos governa, sempre que instados a pronunciarem-se sobre se o BCE deveria ou não adquirir dívida pública dos diversos países               do euro, diziam cobras e lagartos de tal hipótese, pois para eles seria um péssimo sinal que nem sequer serviria para resolver os problemas dos países que apelidavam de indisciplinados.
Pois bem, contrariando a posição da Alemanha o BCE resolveu comprar dívida pública e privada, com aquisições de 60 milhões de euros de títulos por mês. E o que dizem agora os arautos da Direita? Com a maior desfaçatez, e aquelas caras de safados que usam em tais ocasiões, vêm dizer que concordam com a medida que chegam, pasme-se, a qualificar de decisão histórica.
Não há pachorra para aguentar tanto descaramento desta cambada!



Que raio de sindicalismo é este?

Desde que José Sócrates foi preso preventivamente, que o Sindicato dos Guardas Prisionais, na pessoa do seu Presidente, tem dito e até reivindicando os maiores disparates.
Primeiro o sindicalista insurgiu-se pelo facto de Sócrates – a quem ele nunca tratou pelo nome, mas sim como “o referido recluso” – ter muitas visitas; depois insurgiu-se porque Sócrates recebia muitas encomendas. Num e noutro caso o indivíduo pedia mais guardas, porque os existentes, coitadinhos, estavam a ter muito mais trabalho! Quer dizer que o tipo estava a aproveitar-se da medida de coação imposta a Sócrates para conseguir os seus intentos reivindicativos.
Mas, não se ficou por aqui. Não se percebe com que intenção veio denunciar três situações, próprias dum chamado “bufo” dos maus tempos do Estado Novo: que José Sócrates tinha na cela um cachecol do Benfica; que usava botas não condizentes com o regulamento; e, “crime dos crimes!!!”, que o ex-primeiro-ministro fazia telefonemas dum sítio não autorizado da prisão. Que dizer desta atitude? Eu digo que o cavalheiro que preside ao dito sindicato, tem qualquer trauma com Sócrates e quer agora vingar-se, numa altura em que ele está na mó de baixo. Mas Miguel Sousa Tavares, num artigo publicado no Expresso escreve: “Isto não é sindicalismo: é canalhice, pura e simples. É a miserável valentia lusitana de pisar e descalçar as botas a quem já está caído”.

Com a devida vénia, subscrevo o que Miguel Sousa Tavares escreveu. E pergunto: Isto é sindicalismo sério? Não é, de certeza.