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segunda-feira, 22 de abril de 2019

CONTRIBUTOS EXTERNOS


Homens rijos que nem cornos


«Somos gente de trabalho, de muito trabalho. Somos gente que há 20 anos luta pelos seus direitos, por uma vida melhor, e ninguém ouviu e a quem nunca deram nada. Somos gente de um sindicato onde a política, os políticos e os sindicatos ligados à política não entram. Somos gente de trabalho, homens rijos que nem cornos e vamos levar esta greve até ao fim porque agora já nos ouvem», disse entusiasmado ao “PÚBLICO” Francisco Fidalgo, 54 anos, filiado no SNMMP e que há 20 anos conduz camiões de transporte de matérias perigosas.

Por Antunes Ferreira


Depois de uma maratona ao longo de uma noite e uma madrugada foi acordado entre o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas, SNMMP e a Associação Nacional de Transportes Públicos de Mercadorias, ANTRAN, com a mediação do Governo, foi decidido levantar a greve que desde a passada segunda-feira deixara o país na maior confusão pela falta de combustível.
E quem diria que um sindicato a que muitos chamavam depreciativamente “Bebé” – fora fundado apenas a 8 de Novembro do ano passado – conseguiria pôr Portugal de cócoras? Mas conseguiram-no e o resto é conversa da treta. A frase tornou-se viral: «Somos homens rijos que nem cornos!» Dita com um altivez e orgulho ela representa bem a independência de que os motoristas de matérias perigosas. Uma greve que foi paga apenas e só pela quotização mensal de 6,5 euros, pelos 800 associados.
Agora fica um ano para prosseguirem as negociações entre patrões (ANTRAM) e trabalhadores (SNMMP) com o acompanhamento tão atento quanto seja possível pelo Executivo. Porque o Sindicato já foi avisando que se não houver acordo voltará a acontecer o flagelo da greve. Desta feita há que ter muito cuidado e o aviso não cair em saco roto. Já se viu no que resultaram estes quatro – sublinho quatro – dias de confusão, donde mais vale prevenir do que remediar. Se é que remediar ainda for possível.
Não convém esquecer, de modo nenhum que se trata de lidar com «homens rijos que nem cornos!» 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

CONTRIBUTOS EXTERNOS



O Homem de Muitos Instrumentos (*)


Antunes Ferreira

Desde sempre “O Homem dos Sete Instrumentos” faccionou os portugueses. Recordo  que na minha meninice tinha um vizinho, o Senhor Samuel que além de ter três empregos, nos tempos do saudoso Salazar os tempos eram difíceis, (ainda que hoje os Mários Machados os tentem ressuscitar) tocava violino  nas horas vagas (?)   e ainda tinha tempo para à noite dar uma de guarda nocturno  com espadão e tudo. Por isso era conhecido pelo Homem dos Sete Instrumentos. E se mais houvera – mais tocara.Já nos nossos dias o Sérgio Godinho fez história com uma canção  a que deu exactamente esse título. Pessoalmente digo aqui à puridade que não sou fã do cantor de intervenção, realizador cinematográfico, autor, escritor, actor natural do Porto  cuja importância na música portuguesa é importantíssima e marcou uma época muito especial. A sua vida é bem o exemplo do título que deu à canção atrás mencionada.
Hoje temos um Senhor que é o Presidente da República e que também um Homem que toca Instrumentos mas no seu caso Muitos. Ou seja  ele é bombeiro, ele é fotógrafo, ele é enfermeiro, ele é professor, ele é nadador, ele é viajante, ele é visitante, ele é popular , ele é populista, ele é tudo e mais alguma coisa, ele é etc. Ele é mais do que Deus – está em toda a parte, é omnipresente e sabe de tudo,  é omnisciente. É o verdadeiro artista.
Convém, agora e aqui, dizer que não votei em Marcelo Rebelo de Sousa, não gosto de Marcelos. Também não gosto de selfies. Nem de abracinhos. É o meu feitio. E quem me fabricou já não está por cá e a forma que utilizou partiu-se. Posto isto, duas anotações que me deram dois murros no estômago, entre muitas outras. A saber:
1)  A ida à tomada de pose do capitão Jair Messias Bolsonaro como Presidente do Brasil. Para uma “conversa de um quarto de hora entre irmãos”? Irmãos? Eu não posso nem de longe nem de perto considerar, um fascista, racista, homofóbico, classista, machista e ouros qualificativos mais meu irmão!
2)  O seu telefonema para a Senhora Cristina Ferreira aquando da transmissão em directo do primeiro programa dela na SIC, alegadamente para a compensar da entrevista que concedera ao Senhor Manuel Luís Goucha. Um Supremo Magistrado da Nação não pode tomar atitudes destas. Em nome de quê? Da popularidade?


(*) substitui a publicada ontem



terça-feira, 8 de janeiro de 2019

CONTRIBUTOS EXTERNOS

O Homem de Muitos Instrumentos

Por Antunes Ferreira


Desde sempre “O Homem dos Sete Instrumentos” faccionou os portugueses. Recordo  que na minha meninice tinha um vizinho, o Senhor Samuel que além de ter três empregos, nos tempos do saudoso Salazar os tempos eram difíceis, (ainda que hoje os Mários Machados os tentem ressuscitar) tocava violino  nas horas vagas (?)   e ainda tinha tempo para à noite dar uma de guarda nocturno  com espadão e tudo. Por isso era conhecido pelo Homem dos Sete Instrumentos. E se mais houvera – mais tocara.
Hoje temos um Senhor que dizem ser o Presidente da República que é um Homem de Muitos Instrumentos

domingo, 18 de novembro de 2018

CONTRIBUTOS EXTERNOS


A percentagem do IVA

Por Antunes Ferreira

Corre por aí uma polémica que considero estapafúrdia – a que diz respeito à percentagem do IVA a aplicar às touradas ou corridas de touros (deixo aos interessados o livre alvedrio da escolha) – que já motivou inclusive alguma confusão dentro do Partido Socialista. Ora se mo permitem (e mesmo que não mo permitam) vou meter aqui a minha colher porque a bem da verdade não se trata de questão entre marido e mulher…
Os meus progenitores, o sr. Henrique Silva Ferreira e a dona Glória Hermínia Prata Antunes eram aficionados, diria mais, aficionadíssimos. Tourada a preceito era tiro e queda, fosse ela a normal, fosse aquela à portuguesa. Seguiam-nas quase todas aqui e no país vizinho, normalmente atrás da estrela maior do toureio português, o célebre Manuel dos Santos, natural da Golegã, que tinha como apoderado o sr. Patrício Cecílio (que diziam as más línguas era o pai putativo do rapaz)
O meu pai era regente agrícola pela Escola Agrícola de Santarém e, vejam lá, forcado do Grupo de Amadores da mesma cidade, o seja o Grupo de Forcados Amadores de Santarém e tinha a especialidade de cernelheiro isto é pegava os cornúpectos de cernelha com outro camarada. Era então o cabo do grupo um homem que ficou para a história dele de seu nome António Abreu.
Um dia, tinha eu doze anos, o meu pai levou-me à estalagem Gado Bravo, ali na Recta do Cabo na outra margem em plena lezíria ribatejana, local de reunião de aficionados tauromáquicos, que possuía um tentadeiro anexo. Nele decorria uma garraiada com uma pequena novilha (quiçá de mama…) no redondel e muita rapaziada que iam tentando pegá-la ou novilha-la com mais ou menos sucesso. O pai Ferreira disse-me então para ir também para a praça e ensaiar os dotes que sabia que eu tinha para a pega e citou – estou a relembrar a cena como se fora hoje – filho de peixe sabe nadar! Queria ele dizer na sua filho de pegador de touros à unha sabe pegar!
Porém quando eu lhe respondi muito envergonhado e enfiado que não senhor, não ia, que o bicho tinha dois paus na cabeça (na altura não dizia cornos na frente do meu  progenitor) a tristeza com que recebeu a minha cobarde negativa ainda hoje a tenho bem viva diante dos olhos.
Daí a qualificativa estapafúrdia que empreguei sobre a polémica que corre sobre a percentagem do imposto sobre o alor acrescentado. Ainda se fosse sobre a proibição ou a continuação da actual situação poderia ter algum significado. Que me desculpe o PAN  mas tenho de fazer a pergunta calina: então e Barrancos?

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

CONTRIBUTOS EXTERNOS


Um Messias para o Brasil

Por Antunes Ferreira
Jair Messias Bolsonaro nas presidenciais brasileiras é como a pescada: antes de o ser já o era. O voto electrónico vai ser uma confirmação do que vêm dizendo as diversas sondagens: a percentagem que vai alcançar sobre o candidato do PT Fernando Haddad será significativa e com isso o partido de Lula da Silva ficará com uma minoria preocupante pois a votação que deverá obter não será única mas sim pela soma dos votantes que não querem a extrema-direita protagonizada pelo ex-capitão cuja presença só por si já é ameaçadora.
Bem pode recordar-se que Hitler chegou ao poder através de eleições e delas resultou o abjecto e criminoso regime que foi o nazismo. Tudo indica que no caso brasileiro tal citação é chover sobre o molhado. Nem a fraudulenta e maciça utilização da aplicação WhatsApp por apoiantes milionários sobretudo empresas do candidato conotado com o fascismo à qual o povo não parece ter dado grande importância.   
O Brasil sofre dum trauma que adquiriu quando durante a II Guerra Mundial Stefan Zweig foge da Europa ensanguentada pelo nazi-fascismo onde viria a escrever o ensaio em 1942 Brasil, um país do Futuro. Nunca os brasileiros se conseguiram livrar desse verdadeiro anátema, pois a partir de então nunca mais o maior país da América do Sul foi do Presente.
Há ainda que te em consideração que a sociedade brasileira é multicultural e multirracial sendo que a percentagem de pretos e mestiços (mulatos ou pardos) ultrapassa já os 50 por cento. São eles um dos alvos preferenciais desse novo Messias – que inclusive leva o mesmo nome – que se propõe “abatê-los” bem como aos homossexuais, às lésbicas e sobretudo as “vermelhos”. É caso para dizer que Jair Bolsonaro quer salvar (?) o Brasil mesmo que este não queira ser salvo…
As propostas do candidato da extrema-direita são extremamente agressivas. A sua foto brandindo uma espingarda-metralhadora anda por toda a parte. Haddad não parece ter hipótese, porque, diz Bolsonaro, ele é um Lula trasvestido. Ou seja, anda a enganar o país, a ludibriar os brasileiros. Votar nele e votar no Diabo, no Mal, no Inferno, no regresso ao passado do roubo, do crime e principalmente da mais desenfreada corrupção.
Em 1951 a Empresa Nacional de Publicidade que edita o “Diário de Notícias dá a luz uma obra monumental da autoria de Armando de Aguiar jornalista daquele quotidiano intitulada O Mundo que os Portugueses Criaram com o beneplácito e o apoio de Oliveira Salazar. Nela o autor dá um significativo destaque ao caso do Brasil acentuando a enorme componente portuguesa na população brasileira. E não diz na raça pois que não existe uma raça brasileira de tal modo a população é miscigenada.
O que mais impressiona para quem tenta avaliar de fora o que está a acontecer nas campanhas e nas eleições brasileiras, e em especial naquelas que vão dar um novo inquilino para o Palácio do Planalto em Brasília, é que muitos que agora são ameaçados por Bolsonaro Votam nele.


sábado, 20 de outubro de 2018

CONTRIBUTOS EXTERNOS


Os robertos de Tancos

Por Antunes Ferreira

Uma opera buffa não conseguiria ser pior do que o famigerado caso do desaparecimento-aparecimento das armas de Tancos. Nem sequer uma tenda de robertos se poderia assemelhar ao folhetim estapafúrdio que pôs de rastos o Exército português. Pelo menos na minha meninice quando os saltimbancos armavam nos passeios as quatro varas sobre as quais estendiam os panos atrás dos quais moviam as marionetas rudimentares os putos que nós eramos divertíamo-nos com a algaraviada das personagens e pagámos os cinco tostões que era o preço que podíamos dar pelo espectáculo.
A instituição castrense não pode ser uma brincadeira e este tristíssimo caso infelizmente tem todas as características disso. Perante ele o público – ou seja os cidadãos –  parece estar a assistir a um filme cómico sem Charlot mas com militares e uns quantos civis todos no palco como diria o José Estebes “tudo à molhada e fé em Deus”. Só que aqui não se tratou do “Bamos lá cambada”; bem pelo contrário foi uma encenação que devastou uma instituição cuja seriedade e galhardia não pode ser posta em causa. E foi.
Cada dia que passa vai acrescentando novos pormenores a este complicadíssimo assunto e agravando o que já era e é gravíssimo. As cabeças que já rolaram não sere de atenuante muito menos de exemplo. Um qualquer exército tem forçosamente que respeitar o princípio da hierarquia. É ela que está na base da sua organização. Subvertê-la é por si só um crime. Vão longe os sovietes de soldados e marinheiros da revolução russa de 1917 e viu-se o que isso deu. Não se pode repetir uma experiência tão amarga, ainda que se tentasse em vários países que isso acontecesse.
Este mirabolante toma lá dá cá de armamento veio acrescentar ao início do descrédito do Exército com o que acontecera no curso de comandos em 2016 com a morte dos soldados Hugo Abreu e Dylan da Silva um  preocupante criticismo da população sobre os militares. Não posso falar e ódio porque seria demasiado, mas quando a dúvida se instala tudo pode vir a acontecer.
Eu próprio estive nas fileiras como oficial miliciano cinco anos dezoito dias e umas quantas horas por motivos políticos.  Chamaram-me comunista, embora o não fosse (e se o fora não me cairiam os parentas na lama…) mas, por incrível que pareça foi oficial da PJM, a Polícia Judiciária Militar – que não tinha nada que ver com esta que agora está na merda.
Por isso me custa assistir a este episódio degradante. Na tropa aprendi uma série de virtudes e também de maldades. Não enjeito esse longo período em que tive que comandar homens e levá-los quem sabia se até à morte. Um morreu-me em plena mata nos meus braços. É experiência que não desejo a ninguém. Fiz amigos e entendi o que quer dizer solidariedade.
O que está a acontecer é impossível – mas está a acontecer.  

sábado, 29 de setembro de 2018

CONTRIBUTOS EXTERNOS


Crimes e investigações

Por Antunes Ferreira

De repente apareceram pessoas a matar pessoas com requintes de malvadez, premeditadamente, com sangue frio q.b. crimes quem sabe se copiados e ou pelo menos inspirados em séries policiais de canais televisivos do tipo AXN. Será que uma vez mais o que falta de imaginação a nós, portugueses, terá de vir de fora, terá de ser importado? Já se sabia que a balança de pagamentos era usualmente deficitária. Mas pelo andar da carruagem agora a balança criminal também começa a sê-lo…
Há uns tempos o meu amigo e também jornalista Nicolau Santos (que muito admiro) escreveu um artigo em que enumerava as alíneas demonstrativas de que não somos um país pequeno. Arquivei-o mas no meio da desordem desarquivada que pratico não o consigo reproduzir aqui o que é uma contrariedade – e das grandes, ainda que s contrariedades não se devam quantificar. Mas, perdoem-me, sou assim e não é aos 77 anos que vou mudar. Burro velho…
Mas voltando à vaca fria (como diz o povo)  estes crimes passionais abrem um fosso profundo entre aqueles a que nos habituámos através das páginas de pasquins apelidados de jornais como é o caso do “Correio da Manha”, oops, “Manhã” e nos audiovisuais da sua CMTV. A TVI bem se esforça por integrar o pelotão mas não consegue, ainda que por vezes consiga atingir alguns objectivos.

O caso do matutino é paradigmático: as suas equipas de “reportagem” chegam sempre antes das polícias que vão averiguar as ocorrências. É um mistério que me tem vindo a deixar muitíssimo intrigado, mas que creio fácil de resolver: saber quem informa o “Correio” antes de alertar as autoridades. Facílimo. O busílis é saber quem e quem…
Estes dois últimos casos o da senhora abatida pela filha adoptiva e genro e do triatleta assassinado pelo amante da esposa e por esta revestem-se de duas características que há que ressaltar: por um lado a desfaçatez e a  ironia de serem os próprios criminosos a alertarem as autoridades para os  “desaparecimentos misteriosos” dos que já tinham eliminado.
Por outro a proficiência, a paciência e o profissionalismo dos investigadores portugueses que passo a passo,  cuidadosamente, foram tecendo as teias em que os matadores se enredaram. Descendo as mínimos pormenores, sem dar nas vistas, paulatina e perseverantemente quais cães de fila atrás do cheiro, de uma pista. Nós, os portugueses, temos de lhes agradecer, pois estamos entregues em boas mãos.
Mas, infelizmente, neste contexto da investigação toda a rosa tem os seus espinhos. Os casos de Tancos são vergonhas a que o Exército não pode escapar. Quando o chefe máximo da Polícia Judiciária Militar fica em prisão preventiva, depois da sua instituição ter andado a “brincar às escondidas” com a sua partenaire civil há forçosamente que citar Shakespeare quando Hamlet diz que “Algo está podre no reino da Dinamarca”. Pelos vistos algo está podre no reino da investigação em Portugal..

domingo, 24 de junho de 2018

CONTRIBUTOS EXTERNOS


Os pais “helicópteros”

Por Antunes Ferreira


Já tinha ouvido chamar aos pais muitos qualificativos mas esta é a primeira vez que vejo que também podem ser “helicópteros”. Leram bem – helicópteros, aquelas aeronaves que se sustentam nos ares graças a duas hélices uma estabilizadora e a outra propulsora, aliás desnecessária se torna explicar o significado da palavra, mas o que parece importante é, sim, tentar explicar a expressão “pais helicópteros”…
Ela pode ser encontrada num artigo da jornalista Carmen Garcia do El País aqui da nossa vizinha Espanha. Para melhor elucidação transcrevo a abertura do seu texto:
“Meu amor, tome cuidado para não cair.” “Filhinho, coma o salame devagar para não se engasgar.” Frases desse tipo, em princípio inocentes, podem ser prejudiciais para as crianças da casa se usadas com frequência excessiva. Trata-se de uma atitude coloquialmente conhecida como paternidade-helicóptero, ou seja, aqueles pais e mães que sempre estão de olho nos seus filhos. Esse comportamento super protector pode ser muito nocivo para eles, segundo um novo estudo elaborado pela Universidade de Minnesota e publicado na revista “Development Psychology”
Para os autores do artigo do estudo, um pai-helicóptero é aquele que está a contror continuamente o seu filho, que lhe diz como deve brincar, como guardar as suas coisas, como agir, entre outras determinações. “Diante desse comportamento, e segundo os nossos resultados, as crianças reagem de maneira diferente. Algumas tornam-se desafiadoras com relação aos pais, outras simplesmente apáticas ou mostram-se muito frustradas.
Sou do tempo em que isto era impensável mas as coisas mudaram e hoje em dia no que toca à aprendizagem os métodos são bem diferentes. Ainda dei os primeiros passos na leitura pela Cartilha Maternal do João de Deus e também dos reflexos condicionados do Pavlov que partido da experiência famosa que metia um cão, uma campainha e um naco de carne influenciou os métodos do ensino.
Até agora sempre pensei que havia pais bons, pais maus, pais presentes, pais ausentes, pais a quem se dia chamar pais e até pais incógnitos, infâmia que era permitida nos registos de nascimento e que felizmente foi riscada dos assentos das conservatórias.
É vulgar ouvir-se falar em mães galinhas as que também são super protectoras, quais galináceas que controlam os seus pintos e não os deixam pôr as patas em ramo verde e inseguro.
Agora chegou a vez aos pais. Pensei que talvez pudessem ser classificados com pais galos. Mas, pelos vistos não. Os galos não migam prego nem estopa no cuidar dos pintos, usando uma palavra rasca querem que eles se lixem. Nem com um voo picado de um gavião esfomeado se preocupam. Nem mesmo sendo pais helicópteros que afinal são um fiasco: não voam.”.


  

Pais superprotetores, crianças que não sabem lidar com suas emoções. Esta é a premissa. E tem suas consequências.Costumam ser meninos e meninas que não controlam suas alterações de humor, suas emoções e seus sentimentos, e são mais fracos na hora de enfrentar os desafios de cada etapa do crescimento. “Isto é ruim. As crianças precisam de cuidadores que lhes sirvam de guia na hora de entender o que acontece com elas”, acrescentam os especialistas.
Segundo esses pesquisadores, os pais devem:
- Ser sensíveis às necessidades de seus filhos, reconhecendo quais são suas capacidades na hora de encarar diferentes situações.
- Orientar a criança, sem interferir nem solucionar o problema, para que ela consiga o objetivo a que se propõe, orientando-lhe que pode se virar sozinha, o que a levará a um melhor desenvolvimento da sua saúde mental e física e a melhores relações sociais e resultados escolares.
- Não limitar as oportunidades das crianças.
Ajudar seus filhos a controlarem suas emoções, conversando com eles sobre como entender seus sentimentos e explicando-lhes que os comportamentos podem resultar de certas emoções, assim como as consequências que as diferentes reações podem acarretar.
- Também podem ajudar seus filhos a identificar estratégias de confrontação positivas, como respirar fundo, ouvir música, colorir ou se retirar para um lugar tranquilo.
“Nossas conclusões salientam a importância de educar os pais, frequentemente bem intencionados, sobre o apoio à autonomia de seus filhos perante os desafios emocionais”, prosseguem os autores. “Também podem ser um bom exemplo para seus filhos. Por exemplo, eles podem usar estratégias de confrontação positivas, na hora de lutar com suas próprias emoções e comportamentos quando estão incomodados ou irritados”, concluem.
Para chegar a estes resultados, os pesquisadores analisaram durante oito anos 422 meninos e meninas de diferentes etnias e condições econômicas, fazendo avaliações em três ocasiões: aos 2, 5 e 10 anos de idade. Os dados surgiram da análise das interações entre pais e filhos, de relatórios de seus professores e de sua própria experiência narrada aos 10 anos. O teste consistia em que progenitores e crianças brincassem da mesma maneira como em casa. Segundo seus resultados, o controle excessivo na criação dos filhos quando a criançatinha dois anos estava associado a uma pior regulação emocional e de comportamento aos cinco. Ao contrário, quanto maior era a regulação emocional de uma criança aos cinco anos, menos provável era que tivesse problemas emocionais e maior a probabilidade de que tivesse melhores habilidades sociais e fosse mais produtivo na escola aos 10. Da mesma maneira, aos 10, as crianças com um melhor controle dos impulsos tinham menos probabilidades de sofrerem problemas emocionais e sociais e mais probabilidades de irem bem na escola.
Essas conclusões não são uma novidade. Pesquisas anteriores já apontavam as consequências negativas da superproteção das crianças. Uma delas, de 2016, concluía que “as crianças com pais intrusos e controladores, aqueles que pressionam muito os filhos a obterem boas notas, podem ser mais propensas a se tornarem altamente autocríticas, ansiosas e deprimidas”. E outra de 2017mostrava também que a paternidade-helicóptero era mais frequente com as meninas, “e que este comportamento podia ser prejudicial para sua capacidade de desenvolver mecanismos de confrontação efetivos para resolver conflitos e lidar com os fatores de estresse da vida cotidiana”.
“Efetivamente, os principais efeitos da superproteção são que não deixamos que os menores aprendam por si mesmos a resolver os problemas do seu dia a dia. Ao não desenvolverem tais habilidades, normalmente eles têm mais propensão a serem mais ansiosos e a terem mais dificuldades de regulação emocional”, explica por email o psicólogo espanhol Jesús Matos, mestre em Psicologia Clínica e da Saúde. “Se em lugar de fomentar a autonomia optamos pela superproteção”, prossegue, “estamos criando crianças muito dependentes, que irão sofrer mais na hora de enfrentar as dificuldades inerentes à vida, por não terem ninguém que as resolva.”
As chaves para a educação são o apoio e os limites, não a superproteção. “Tudo bem ajudarmos nossos filhos a resolverem certos problemas, mas sempre tentando envolvê-los na tarefa. Para que entendam que há uma relação entre esforço e recompensa. Desta maneira, pouco a pouco fomentamos sua autonomia. Obviamente, sempre é preciso levar em conta os perigos potenciais que podem aparecer, e se manter precavido contra eles. Uma boa maneira de proteger com controle é falar com outros pais e professores de crianças da mesma idade para estabelecer limites aproximados do que cada criança tem condições de enfrentar. Não podemos pretender que nossos filhos de quatro anos encarem problemas como os de 12”, argumenta o especialista.
Além de Matos são muitos os especialistas que enfatizam a importância fundamental de dar autonomia às crianças, permitindo que desenvolvam suas emoções e comportamentos de forma adequada. Há alguns meses, Eva Millet, autora do livro Hiperniños ¿Hijos Perfectos o Hipohijos? (“hipercrianças: filhos perfeitos ou hipofilhos?”) dizia a este jornal que“as hipercrianças são produto de uma hiperpaternidade na hora de criar e educar nossos pequenos, uma criação que lhes dá tudo, as protege de tudo e lhes indica como devem ser”. E enfatizava que, para ela, “a criação na atualidade é monstruosamente intensiva. A superproteção infantil produz crianças-altar, o que a transforma em hipocrianças,meninos e meninas que não sabem se defender, que não são autônomos, porque já recebem tudo pronto. Recebem tudo resolvido.”
BENEFÍCIOS DA AUTONOMIA INFANTIL
JESÚS MATOS, PSICÓLOGO E ESPECIALISTA EM PSICOLOGIA CLÍNICA E DA SAÚDE
Os principais benefícios são o aumento de autoestima das crianças, que assim se percebem como capazes de enfrentar situações. Isto por sua vez ajuda o menor a administrar com eficácia emoções como a ansiedade, o medo e a frustração. Porque cada vez vai adquirindo mais experiência em situações difíceis (sempre procurando que sejam adequadas à sua idade).


sexta-feira, 8 de junho de 2018

CONTRIBUTOS EXTERNOS


Há vida em Marte?
Da Comunicação Social
O robô “Curiosity”, da agência espacial NASA, detectou a matéria orgânica mais complexa jamais encontrada na superfície de Marte, um avanço no estudo sobre a existência de vida no planeta vermelho. O “Curiosity”, que está no planeta vermelho há vários anos, também descobriu provas de variações sazonais nas emissões de metano, indicando que a fonte desse gás – muitas vezes (mas nem sempre) um sinal de actividade biológica – vem do próprio planeta. O metano pode ser armazenado em camadas de gelo sob a superfície. As amostras do material orgânico, em rochas antigas com 3500 milhões de anos, foram retiradas pelo “Curiosity” a cinco centímetros de profundidade na base do Monte Sharp, dentro cratera Gale, considerado um antigo lago. “É um avanço significativo, pois indica-nos que o material orgânico é preservado em ambientes de Marte que nos desafiam”, disse a principal autora de um dos dois estudos publicados na revista “Science”, a astrobióloga Jennifer Eigenbrode, da NASA. Para a cientista, a descoberta desta matéria complexa pode permitir “encontrar algo mais bem preservado que contenha uma assinatura da vida”.O “Curiosity”que pousou em Marte em 2012, já tinha descoberto matéria orgânica em 2014, mas em pequenas quantidades.“Este estudo mostra em detalhe a descoberta de compostos orgânicos complexos e distintos no sedimento. Isto não significa que haja vida, mas os compostos orgânicos são os blocos de construção da vida”, afirmou Sanjeev Gupta, professor de ciências da Terra no Imperial College de Londres e também autor de um dos trabalhos.

Por Antunes Ferreira

Haverá vida para lá da Terra? Desde que o Homem pela primeira vez se colocou a questão ainda não se conseguiu obter uma resposta conclusiva e dentro da mediocridade do pensamento de quem assina estas linhas nunca se conseguirá ainda que a filosofia afirme que nunca se deve dizer nunca… Curiosamente, o fado também. Poderia aditar em minha defesa que não sou filósofo – o que é uma redonda mentira. Todo o homem é filósofo, quanto mais não seja todos temos a nossa filosofia própria. E, vistas bem as coisas, todos os portugueses são fadistas – só que uns mais afinados do que os outros…
Quantas pessoas, associações, grupos e academias se vêm dedicando ao estudo dos OVNIS, os Objectos Voadores Não Identificados? Um ror delas, enuncia-las seria despiciendo para isso existe a Wikipédia e outras que tais. O que se pretende saber e creio que isso é o primordial, no fundo elas fazem a pergunta mas por que bulas num universo imensurável só a nossa Terra teria o direito a ter vida o que em termos comezinhos seria o único astro habitado por seres inteligentes – ou que assim se consideram?
 Seteven Spielberg, com o seu “Encontros imediatos do 3.º grau” em 1977 revolucionou o cinema introduzindo-lhe essa faceta da ficção científica sobre os alienígenas. O filme teve uma aceitação à escala global dando bem o exemplo do salto no desconhecido que o Homem pretendeu dar, pretende e pretenderá na busca dessa pergunta filosófico-existencial: será que alguém nos estará a observar? Onde? Como? Desde quando? E surge a inquietante problemática levantada por George OrwelI com o seu Big Brother…

domingo, 6 de maio de 2018

CONTRIBUTOS EXTERNOS


Nobel – O feitiço e o feiticeiro

Por Antunes Ferreira
O Mundo onde vivemos tem em cada dia novidades que ainda nos surpreendem; pelo menos falo por mim e por isso usar o colectivo talvez seja um tanto abusivo. Mas tinha forçosamente de fazer este introito face ao tema que vou abordar esta semana – o Nobel da Literatura.
A Academia Sueca, abalada por um escândalo envolvendo fugas de informação e abusos sexuais que fez sair cinco dos seus membros, poderá não atribuir este ano o prémio Nobel da Literatura, indicou ontem, sexta-feira, o presidente da Fundação Nobel, Carl-Henrik Heldin.
Em declarações à televisão pública sueca SVT, o responsável falava depois de a rádio pública SR ter noticiado que várias pessoas do Comité Nobel e da Academia Sueca consideram que o prémio não deve ser concedido este ano, para dar tempo à instituição para cicatrizar as feridas e recuperar a confiança da opinião pública.
Assim, seriam outorgados dois prémios de Literatura em 2019, um dos quais correspondente ao ano anterior, de acordo com uma ideia apoiada por Peter Englund, um dos membros que abandonou a academia.
O escândalo rebentou em Novembro do ano passado, quando o jornal Dagens Nyheter publicou a denúncia anónima de 18 mulheres de abusos e agressões sexuais contra o dramaturgo Jean-Claude Arnault, ligado à academia através do seu clube literário e marido de um dos seus membros, Katarina Frostenson.
A academia cortou todas as ligações a Arnault e encomendou uma auditoria independente sobre as suas relações com a instituição, mas divergências internas quanto às medidas a adotar desencadearam demissões, acusações e saídas de cinco membros, entre os quais a secretária permanente em exercício, Sara Danius, e Katarina Frostenson.
O relatório rejeita que Arnault tenha influenciado decisões sobre prémios e subsídios, embora o apoio económico que recebeu viole as regras de imparcialidade, pelo facto de a sua mulher ser coproprietária da empresa que geria o clube literário; e confirma que a confidencialidade sobre o vencedor do Nobel foi diversas vezes violada.
Esta é a principal transcrição das notícias publicadas pelos media e através das redes sociais e que caiu como uma “bomba atómica de megatoneladas literárias”. Até os Prémios Nobel!... Que mais poderá acontecer? A pergunta calina que ficou célebre como título da comédia de 2001 que agitou o mundo do filme tem perfeito cabimento neste contexto.
O inventor da explosiva dinamite nunca pensaria que uma fundação criada como o seu nome para dar prémios prestigiosos a pessoas e entidades que assim ficavam prestigiadas resultasse agora numa situação… explosiva. Volta-se o feitiço contra o feiticeiro?

quinta-feira, 5 de abril de 2018

CONTRIBUTOS EXTERNOS



A Volta ao Mundo
de Bicicleta

Por Antunes Ferreira

Ronaldo a partir da terça-feira passada teve direito à Capela Sistina da Basílica de São Pedro no Vaticano pela mão de um caricaturista… italiano que o colocou no lugar do Adão quando Deus o criou no famoso afresco do tecto do templo a cidade papal.
No meio de um Mundo louco – ia quase a escrever cada vez mais louco, mas a loucura não tem graduações escrevê-lo seria uma asneira – onde as agressões, físicas, orais, ambientais, etc. imperam, a indústria do Desporto adquiriu uma importância gigantesca.
Longe ficou o football criado e regulamentado na Grã Bretanha por volta de 1880 que então era apenas e um desporto. Volto então ao madeirense Cristiano Ronaldo, o melhor jogador do Mundo que no estádio da Juventus em Turim marcou o que muitos consideram o melhor golo da Champions; pelo menos para mim que adoro o futebol é-o.
Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro nasceu no Funchal e o menino pobre tem hoje o seu nome dado ao aeroporto da sua ilha que o idolatra e se rende aos seus pés. Com 33 anos tem uma carreira prodigiosa, três filhos e uma filha uma fortuna fabulosa, empreendimentos diversos incluindo um hotel em associação com a cadeia Pestana, a mais famosa portuguesa no ramo.
O seu “extraterrestre” pontapé de bicicleta, um dos dois com que ajudou o Real Madrid a vencer a primeira mão da eliminatória contra a Juventus por 0-3 tem corrido o Mundo e merecido os comentários mais entusiásticos, aliás merecidíssimos.
O próprio Marcelo já declarou que o felicitou e que na sua próxima visita oficial a Espanha vai convidá-lo para comparecer num acto oficial para mostrar ao Mundo que um português é o melhor do Mundo.

  

terça-feira, 20 de março de 2018

CONTRIBUTOS EXTERNOS



Trump e o Fim do Mundo

Por Antunes Ferreira

Corre na Internet uma piada que reproduz uma gravura tirada duma página do Facebook. Nela reproduzem-se em reprografia os 45 presidentes que até hoje os EUA tiveram, 43 dos quais surgem de forma uniformizada e sem identificação, o penúltimo é negro e o último é um palhaço. O gag nem precisa de explicação, de tal forma é evidente.
Donald Trump, o quadragésimo quinto presidente da História dos Estados Unidos da América é no mínimo um palhaço, porque para começar é um criminoso. E um paranóico. E se ser multimilionário não é pecado, a forma como alcançou o “estatuto” é criminosa. De resto também é mentiroso e os casos que teve com prostitutas são conhecidos.
O último (Será mesmo o último?) terá sido o tão falado caso acontecido com a actriz de filmes pornográficos Stormy Daniels com quem Trump manteve uma relação e para a qual pagou uma avultada quantia para a manter calada sobre essa relação, o que Stephanie Cliffords, o verdadeiro nome da actriz aceitou, e que agora tenta reembolsar a fim de contar num programa televisivo o que realmente se passara ente o presidente e ela. Trump continua a negar.
Por outro lado a disputa ente Donald Trump e Kim Dong-un continua na ordem do dia, ainda que um tanto apagada pela disputa sexual, mas, cuidado, nem um nem o outro esquecem as afirmações trocadas numa disputam diabólica em que a sorte do Mundo está a ser jogada. É um novo Apocalipse? São dois Nostradamus? É o Fim do Mundo?
Foi anunciado um encontro entre os dois, entre os senhores da guerra que, obviamente levarão para a mesa os truques de que dispõem e que, naturalmente, não revelam. Joga-se, portanto, a sorte deste triste órgão que é a Terra, que são os países que a compõem, entre os quais está o nosso, Portugal, entre os povos que a recheiam, repito, também nós, os portugueses.
Ao lado desta hipótese de hecatombe está a China que anunciou uma noa geração de submarinos incontroláveis e indetectáveis e também o Sr. Putin que ameaçou com uma arma invencível capaz de destruir tudo o que seja arma adversária e a qualquer distância.
Repito a pergunta dramática: será o Fim do Mindo? 

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

CONTRIBUTOS EXTERNOS

Bruno de Carvalho: da trapalhada ao crime

Por Antunes Ferreira

Hoje, sábado, embora não seja habitual abordar temas como este que contemplo, não posso deixar de o fazer pela indignação e pela classificação de crime que considero que sinto que ele tem em absoluto. Trata-se de um crápula que tem por nome Bruno de Carvalho e que é presidente do Sporting Clube de Portugal, o meu clube de sempre. O homem, por incrível que pareça foi reeleito com maioria esmagadora, cerca de 90 por cento.
Carvalho é um demagogo, um orador exaltado, aos gritos, sabe empolgar a “sua” assistência, insultar os seus opositores, pelos vistos infelizmente poucos, é mentiroso, agressivo, odioso, tem todos os “atributos” ara ser o ditador que é. Mais grave, é contra os Direitos do Homem bem como a Constituição da República, o que, para mim, é contra o 25 de Abril. Um espécime rara.
Como ditador que se preza, a corte que o rodeia é constituída por sabujos, pobres lambe-botas, que, sentados na mesa das assembleias gerais que o presidente de pacotilha usa convocar, enfrentam a matilha dos associados que deliram com as arengas inflamadas do seu idolatrado “Deus”!
Tenho de dizer que Bruno de Carvalho não é só uma besta, também fez coisas boas: ao lado do nosso estádio (moro ali quase ao lado) ergue-se o pavilhão João Rocha –  um grande Presidente que o Sporting teve e que conheci e com quem convivi – que foi mandado construir por Carvalho. Também a consolidação das contas financeiras foram obra dele.
Não obstante, a hedionda criatura tem contra ela um rol de tal tamanho de actuações insidiosas, horríveis, tortuosas, criminosas que superam as boas que atrás referi e que são do conhecimento público. Vou terminar com o que se passou na última assembleia e com as consequências que dela decorreram.
O presidente ditador pretendera introduzir três novos pontos na legislação do seu clube que não vale a pena descriminar para reafirmar a determinação dele, ser ditador, disfarçadamente, está visto. A assembleia geral decorreu na maior balbúrdia, todos os pontos foram aprovados, obviamente por esmagadora maioria e ali começou o inexplicável.
Além dos mais cobardes ataques aos seus adversários a quem já chamava sportingardos, o gajo apelou aos sportinguistas para a partir daquela data deixarem de ler os jornais e ver os comentadores televisivos (inclusive os que representavam o SCP) expectando a Sporting TV, o que resultou nos jornalistas quando saiam do pavilhão terem sido insultados e até agredidos por associados leoninos

Logo no dia seguinte o Sindicato dos Jornalistas, o CNID, o Sindicado dos Jornalistas Desportivos e outras agremiações e uns quantos comentadores comentados sportinguistas que tinham acompanham Carvalho recusaram a “sugestão”/imposição. Uma trapalhada!  

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

CONTRIBUTOS EXTERNOS

Terramotos

Por Antunes Ferreira

Na madrugada da passada segunda-feira mais de trezentos sismos com magnitude entre os graus 1,9 e os 3,2 da escala de Richter assolaram os Açores, com especial incidência na ilha de São Miguel. Ao semanário “Observador” de Lisboa, o presidente do Instituto do Mar e da Atmosfera declarara que a crise sísmica poderia prolongar-se “seguramente durante dias, até semanas e possivelmente meses”. Os Açorianos – tão habituados a estas situações – limitam-se a… continuar a viver.
Soube-se então que esta crise sísmica teve origem na mesma falha tectónica que há quinhentos anos quase destruiu São Miguel assolada por um terramoto catastrófico seguido de um tsunami. Estava-se em 1522e a falha era e é resultante (Ponto Triplo) do encontro de três placas submersas: a euroasiática, a norte-americana e a africana. Cientificamente ainda há muito para estudar.
O Homem nem conhece, bem ou mal, o planeta em que vive. Julga, mas, na realidade não. Porém, nem tanto ao mar, nem tanto à terra, a Humanidade conhece o concreto, o local onde vive, o que come, o seu estatuto vivencial, emocional e tradicional, o sentido da responsabilidade, da sobrevivência, dos valores morais, do dever, da obrigação, da filiação, da paternidade, da maternidade, do valor do numerário (talvez o principal) e muitos outros, se se continuasse a enumerá-los chegar-se-ia ao infinito… E, obviamente, também conhece os “valores” contrários.


É por tudo isso que a introspeção nos rodeia num amplexo indeclinável e impossível de “desatarraxar” e pior, vivemos assim porque queremos viver assim, disso não podemos sair quiçá não queremos sair. A complexidade desta estranha maneira de viver desnorteia-nos, desnorteia a Humanidade porque afinal o que é a vida, onde ele começou, onde ela acabará? Perguntas como imensas respostas mas nenhuma solução. Donde se chega ao drama existencial. Muitos filósofos têm vindo a abordar o tema de todos os ângulos possíveis e imagináveis, Para dar alguns exemplos desde Santo Agostinho até Hegel e Kierkegaard a procura do drama existencial foi constante, durou séculos e vai continuar. "Conhece-te a Ti mesmo e conhecerás todo o universo e os deuses, porque se o que procuras não achares primeiro dentro de ti mesmo, não acharás em lugar algum"- frase do Templo de Delfos na Grécia.

domingo, 19 de novembro de 2017

CONTRIBUTOS EXTERNOS

Uma desgraça chamada seca

Por Antunes Ferreira


Já não bastavam os terríveis incêndios florestais, a seca também assola o nosso país.
A água como é sabido é um bem essencial para Portugal. Quase todos os autarcas têm tomado medidas. O Governo também as tem. Mas António Costa não pode mandar chover. Por todo o Mundo a água era tema controverso Tome-se por exemplo as Colinas de Golan s Montes Golan. Elas  são o centro da discórdia nas relações entre Israel e a Síria. As montanhas, que hoje delimitam a fronteira norte israelita, foram ocupadas durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Telavive anexou-as em 1981.
 Consideradas militarmente estratégicas, por mor da sua altitude, as colinas também são de grande importância devido às suas fontes de água, isso numa região que sofre anualmente com a seca. De acordo com uma informação dada nessa altura pela BBC, estima-se que cerca de um terço da água que abastece Israel nos dias de hoje é proveniente de Golan.
 O município de Nelas declarou, ontem o estado de emergência devido à seca, anunciou o autarca José Borges da Silva, em entrevista à TSF. Segundo o presidente da Câmara de Nelas, a região atravessa uma "situação de calamidade" devido à falta de água, que deve ser combatida "com medidas imediatas e sem olhar a custos", depois dos incêndios que atingiram fortemente a zona centro do país, associados ao tempo seco que tem afectado Portugal. Uma das primeiras medidas foi desactivar as piscinas municipais de Nelas, que se encontram vazias devido ao racionamento de água. José Borges Silva falou mesmo num "racionamento de guerra" relativamente à água, lembrando que há, pelo menos, mil postos de trabalho que dependem da água.
Por isso as medidas adoptadas pelo Governo e pelas autarquias têm vindo a ser informadas com seriedade, apoiadas pelo Instituto Português do Mar e Ambiente, aumentando a sua classificação até se chegar à “calamidade”. As imagens que se veem todos os dias nas televisões com a terra gretada pela ausência da chuva dão aos cidadãos um desalento, uma tristeza e uma desmoralização que são de bradar aos céus; aos céus que praticamente durante o ano de 2017 não deixam cair umas pingas de água.
Todo o país está preocupado pela falta da chuva. 
Uma oração pela chuva e consequentemente pela seca foi proposta pelo Cardeal-Patriarca, D. Manuel Clemente, que foi empregada pelos sacerdotes cristãos, aquando da celebração da missa.”Deus do universo, em quem vivemos, nos movemos e existimos, concedei-nos a chuva necessária, para que, ajudados pelos bens da terra, aspiremos com mais confiança aos bens do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.” São com estas as palavras que D. Manuel Clemente promove a ideia afirmando ainda no comunicado que uma iniciativa deste género não é assim tão invulgar, já que “O Missal Romano inclui orações por necessidades de vária ordem, também no que à natureza se refere”.
O sentido da oração, explicou o Cardeal-Patriarca em comunicado, surge num contexto de “prolongada seca, que muito afeta o ambiente e as culturas. Os incêndios foram extremamente gravosos, com grande número de vítimas mortais e de feridos, além de muitos danos materiais e prejuízos económicos e sociais, que é urgente colmatar. Toda a solidariedade é devida a quem sofreu, toda a intervenção estatal e social é absolutamente prioritária”. É neste sentido que surgiu este apelo para que a oração seja adicionada às homilias.

À tempestade vem a seguir a bonança; oxalá tudo de componha com a vinda da chuva. A esperança é sempre a última a morrer.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

CONTRIBUTOS EXTERNOS

Os incêndios originaram uma “batalha”

Por Antunes Ferreira

A fricção entre o PR e Governo, não é, de todo, um jogo de cabra-cega, é um momento sério e muito importante na actual legislatura até esta terminar ou, pelo menos abanar o namoro que se veio mantendo desde que Marcelo Rebelo de Sousa tomou posse. Foi como se um visitasse normal e semanalmente um molho de rosas, foi um galanteio acompanhado por um belo ramo de rosas; porém as rosas têm espinhos…
Quem anda um tanto distraído pelo futebol caseiro e internacional deve ter seguido as reportagens desta catástrofe pelos incêndios que foram ardendo por Portugal muitas vezes em directo. Os que andavam no terreno tiveram muita dificuldade em conter a emoção e os telespectadores não conseguiam ignorar os sinistros fogos florestais; foram os piores que aconteceram no país, com um número de mortos e de feridos de que não há memória de terem a dimensão que estes tiveram.
É óbvio que António Costa não podia mandar chover, mas toda a sua equipa, ou seja o Governo que encabeça, esteve abaixo da posição que deviam ter tido – e não tiveram. Com excepções de uns quantos que se aperceberam do grandíssimo desastre que consumia homens e bens. As casas, as fábricas e os instrumentos diversos podiam ser reconstruídos mas as vidas não.
E foram os incêndios florestais que levaram ao desacordo entre Belém e São Bento, abalando o equilíbrio que as pessoas que os protagonizaram, Marcelo e Costa. Porém não se deve esquecer a pergunta que tinha sido posta pelos diversos meios de comunicação: vai ou não recandidatar-se? O PR respondeu  “deixem chegar as autárquicas e depois logo decidirei”. Uma resposta que uns meses depois teve o seu seguimento na declaração de guerra entre os dois órgãos da soberania.  O caso felizmente não chegou ao divórcio, uma boa noticia para nós.
Todos nós sabemos que depois da tempestade vem a bonança. Mas no caso presente vamos ver quando será que ela virá. O país precisa de estabilidade o que significa de sossego político; e o que está a acontecer fica nos antípodas com os desejos do PR. A politiquice – que anda de braço dado com a política – tem de deixar-se de coscuvilhices; para estas bastam as vizinhas.
António Costa deu uma entrevista à TVI durante a qual tentou minimizar o confronto com Marcelo; este por seu turno abrandou a descasca pesada que atirara para São Bento. Parece que a trovoada política amainou e os beneficiários somos nós, os cidadãos.

Agora vamos arregaçar as mangas – e trabalhar sem descanso.   

domingo, 22 de outubro de 2017

CONTRIBUTOS EXTERNOS


Antunes Ferreira

Sem sequer um sobressalto, um solavanco, o carro caiu ao rio mesmo ao lado da estação Transtejo-Seixal. Dentro dele um casal que sem tugir nem mugir nem se deu ao luxo de usar o travão. Caíram, apenas caíram, num baque redondo e surdo e imergiram A malta que esperava o barco e tinha gritado Cuidado! Cuidado! Ainda se dá uma tragédia! E deu mesmo!

Foi suicidado o dito cujo casal e o VW Golf também o foi. Resta agora saber quem os suicidou. Facto provado foi um acto que se tratou de um autossuicidado ou dum suicidado-auto. Até pareceu o Rali de Portugal. Face à desgraça em Palmela a Autoeuropa mandou que a bandeira da VW fosse posta a meia haste. Durante toda esta salgalhada, a inconstante Constança pediu a demissão aceite pelo primeiro-ministro à velocidade de 1456,17 km/hora. O Inimigo Público informou que consta que a Madona se propôs substituir a admitida demitida. 

Guardar o anonimato...

Perante este verdadeiro riomote, só restou ao autor investigar o que realmente teria levado ao autossuicídio. De acordo com fontes muito bem consideradas, e muito conhecedoras do tema as, ouvira os mergulhadores da Administração do Porto de Lisboa, os senhores José Monteiro Nicolau e Segismundo Oliveira da Serra que pediram o anonimato  o qual foi aceite imediatamente pelo autor. De acordo com eles a versão da estória que se segue é fundamental. E voltaram a mergulhar; ninguém os  suicidou.


... fazer um aborto...


A estória do casal suicidado é triste. O malandro no meio de uma brincadeira mais animado engravidou a moçoila, e propôs-lhe fazer um aborto; ela respondera-lhe: nem pó! A criança ver ser um filho da mãe com o orgulho dela e completara a afirmação – não aborto, não aborto, não aborto!!! E terá mandado às urtigas o malvado proponente. Houvera uma grande discussão e no final desta chegaram à conclusão  que alguém os suicidaria. E zás! Tejo para os três: o casal e o Volkswagen Golf.


Batalha de São Mamede

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

CONTRIBUTOS EXTERNOS

Um pesadelo horrendo

Por Antunes Ferreira

Foi dum pesadelo, a depressão bipolar, que consegui sair e quase não acredito que bastou um clique para aparecer a recaída e outro clique para recomeçar a viver… Sejamos claros: durante quase um ano em Lisboa e Goa e de novo em Lisboa fui uma pedra de basalto sem ligar ao que se passava à minha volta, à minha família, às minhas Amigas e aos meus Amigos que sempre, mas sempre! me empurraram para um caminho ressuscitado. Nunca lhes poderei agradecer.
Mas mesmo assim faço-o do fundo do coração, sabendo que nada valho, intercalado com um muito obrigado. A vida é madrasta e não há rosas sem espinhos, nem semente semeada que dará em tempo oportuno o fruto da felicidade. Porém quase um ano não a consegui desatar de um silêncio desumano, marmóreo e tumular.
Donde quero uma vez mais sublinhar os resultados que consegui alcançar e chegar aos objectivos mais consentâneos e resumidos no que o povo diz – esta vida são dois. Contudo o ano horribilis durou pelas minhas contas 303 dias. Um tsunami bipolar é mais do que descer aos infernos sem saber que os podia deitar fora pela janela aberta da felicidade e da euforia que queria voltar a desfrutar.
Perdoem-se leitores este desabafo que é mais confissão; embora não tenham sido parte duma dor que senti na pele e na carne que não me era possível sair desse nevoeiro sem cavalo branco nem sebastião, sempre estiveram comigo nas horas mais más. Repito: a vida é madrasta e o contar dos dias desanimados e trucidados por mor de uma maleita indiscritível é uma vereda negra que nos amarga os meses ´perdidos dum calendário também perdido e lancinante.

Hoje fico-me por aqui na companhia duma Grande Mulher de nome Raquel que me acompanhou como sempre me acompanha nos dias mais ácidos duma doença que nos tira o amor à Vida. Depois no sábado virão os filhos e as filhas/noras e os netos e a neta que são para mim os melhores do Mundo. Do Mundo? Do universo sem buracos negros nem cassiopeias mas estrelas brilhantes que nos dão o alento para alcançar o objectivo mais ansiado - viver.


Temos o HAF de volta.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

CONTRIBUTOS EXTERNOS

Um ano para esquecer

Por Antunes Ferreira


Este ano que está prestes a acabar devia ter terminado quando começou – a 1 de Janeiro de 2016. Foram 366 dias dos quais a maior parte deles se pode classificar como negativos. Pelo menos, de acordo com a minha opinião. E para mim é melhor ter opinião – mesmo que má – do que não ter opinião nenhuma. De resto, e em abono do que escrevo, o homem é o único animal que tem e que a expressa. Que se saiba…
Foi um ano recheado de guerras, aliás como todos o têm sido. Nisso, portanto e infelizmente não foi excepção; mas os conflitos armados e letais abusaram e, pior sem se verem o seu fim. Poderá dizer-se que também não há aqui novidade pis os homens desde que desceram das árvores começaram a bater-se entre si o que foi o parto da guerra ou das guerras.
Estas foram eclodindo por todo o globo terrestre, originando desgraças, devastações, perdas humanas, enfim tudo o que os desvarios castrenses parem num desejo criminoso de auto destruição. Eles são sempre  detonados pela vontade dos políticos especialmente dos ditadores apoiados pelos que os alimentam, ou seja os fabricantes, os vendedores e os traficantes de armamento.
Neste contexto vigara a regra sem regras: quanto mais sangue – melhor. Porque também é sabido que sofre as guerras são as populações indefesas que em nada contribuíram para elas. Por isso muito se tem escrito sobre esse demoníaco acontecimento que nunca deixou de existir. São conhecidos textos entre ditados e de autores que tentam justificar os actos bélicos desde o latino si vis pacem, para belum  até ao escrito de Sun Tzu O verdadeiro objectivo da guerra é a paz…
Argumentos destes não mais do que uma tentativa aliás espúria de justificação do injustificável. A paz, essa, será realmente, a ausência da guerra? Então para quê a Sociedade das Nações? Então qual o motivo da Organização das Nações Unidas? Porquê a fundação da Comissão Europeia? E o Acordo Sobre as Armas Nucleares? E os acordos entre beligerantes que duram uns escassos dias e que quando são assinados já sabem as partes que nã serão cumpridos?
Mas há retrocessos da barbárie que eram impossíveis de prever como é a loucura do Daesh que não olha a meios para atingir os seus fins. E em qualquer lugar e em qualquer momento. É isso que caracteriza o terror e por isso o autodenominado Estado Islâmico (Isis) é uma organização terrorista. E como não se pode colocar um polícia ou um soldado junto de cada cidadão, vamos ver no que isto vai dar…
Todos estes considerandos que pecam pela repetição de coisas de que quase toda a gente sabe. E mesmo também não seja uma “novidade nova” – passe o pleonasmo… - tenho de mencionar que praticamente em simultâneo Donald Trump, o eleito presidente dos Estados Unidos da América e Vadimir Putin, presidente da Rússia declararam unilateralmente ser necessário aumentar o poder nuclear de cada um dos respectivos países. 
Não costumo fazê-lo, mas este 2016 que felizmente está a acabar para mim foi também um ano mau. Não lhe posso chamar como o fez Isabel um annus horribilis mas quase. Durante e logo no seu início começou a saga da morte por cancro de muito bons Amigos que atingiu o cômputo de 23 o que foi muito doloroso; o meu irmão Braz que vive e trabalha no Médio Oriente luta contra com cancro na próstata.
O meu primogénito Miguel (52), economista, ao fim de 23 anos como director administrativo e financeiro da Avis (na qual recebe diversos prémios por ser o melhor) foi despedido pela nova Administração, fez um acordo extrajudicial – mas anda à procura de empego.
Eu próprio e de acordo com a minha médica de família que pôs a hipótese, pensei ter Parkinson – o que após dias de ansiedade felizmente não se confirmou; além disso, andei a tratar-me de uma infecção pulmonar (aparentemente grave) que se veio a revelar muito menos grave do que previa.

A minha mulher Raquel continua com alguns problemas cardíacos que não se sabe bem o que são, embora já tenha feito todos os exames e análises possíveis e imagináveis ainda que não se tenham agravado. Enfim são os 75 e 76 anos… Perdoem-me o desabafo.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

CONTRIBUTOS EXTERNOS

A recontagem e Moscovo

Por Antunes Ferreira

As últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos da América parece que não chegaram ao fim com a proclamação de Donald Trump como vencedor. O complexo mecanismo eleitoral norte-americano está a ser posto em causa, nada que não tivesse acontecido antes. Mas, desta feita, está a atingir dimensões nunca vistas, desde as manifestações de rua contra o candidato eleito até às dúvidas cada vez maiores dos resultados do escrutínio.
As considerações dubitativas deram como resultado que três estados que eram considerados a “cintura da ferrugem” avançassem para a recontagem dos votos eleitorais: Michigan, Winsconsin e Pennsylvania. Um espanto. Trump apressou-se a vir a terreiro considerando que se trata de uma atitude estúpida que não iria alterar o que se iria verificar: o próximo presidente norte-americano a partir de Janeiro seria ele e ponto final.
Os lobbies têm muitíssima força em Washington e no resto do país. Na política americana (e em quase todas as outras) não se pode viver – e vencer – sem eles. E o apelo ao patriotismo (muitas vezes ao “patrioteirismo”) é uma arma igualmente muito utilizada pelos partidos do espectro político. Da direita até à esquerda ele serve-lhes de bandeira e até aos extremismos de cores antagónicas issi também acontece. O populismo usa-o como arma de arremesso e a democracia teme-o. Porém, a ditadura também. Este é o Mundo em que vamos sobrevivendo.
O ainda presidente dos EUA, Barack Obama, declarou, ontem (sexta-feira), que pretende analisar o resultado das últimas eleições depois das suspeitas da intervenção de um hacker russo. "Podemos estar a passar por um novo limiar e temos de ser nós a fazer o balanço do que está a acontecer. Devemos fazer uma revisão, desenvolver estratégias futuras, para entender o que aconteceu, para, daí, tirar algumas lições", disse Lisa Monaco, conselheira de Barack Obama, para questões de contra terrorismo e segurança interna.
Era impensável que assim acontecesse – mas aconteceu. Já em Outubro, responsáveis do Departamento de Segurança Interna dos EUA tinham acusado Rússia de ter pirateado as plataformas do Comité Nacional Democrata e de outras organizações políticas, para interferir nas eleições. O mais interessante (e importante) é que no início da semana, estas mesmas acusações foram reiteradas.
O Departamento de Segurança disse estar confiante de que o governo russo ordenou a invasão dos emails de várias pessoas e instituições", incluindo políticos norte-americanos”. E sublinhou em comunicado que acreditava " que apenas um alto responsável russo poderia ter autorizado este tipo de actividade", podia ler-se no comunicado.
No entanto, esta não é a primeira vez que umas eleições norte-americanas se veem confrontadas com uma interferência estrangeira. Em 2008, quando Lisa Monaco pertencia aos quadros superiores do FBI, a agência alertou as campanhas do então senador Obama e do senador John McCain para uma possível infiltração dos respectivos sistemas por parte da China, revelou a conselheira.
Em Outubro, os EUA acusaram oficialmente a Rússia de realizar uma ampla campanha com o objectivo de influenciar as eleições. A denúncia, feita pelo Departamento de Segurança Nacional e pelo gabinete do director dos Serviços de Informação norte-americanos, dizia que o Kremlin realizou acções de pirataria em computadores do Comité Nacional do Partido Democrata e de outros órgãos e personalidades políticas. Os responsáveis do partido democrata já apelaram a Barack Obama para divulgar mais informação relacionada com os alegados ataques informáticos por parte da Rússia.

Hoje há a certeza que os segredos não são segredos. A capacidade de informação é um poder que abarca o Mundo e qualquer dos seus habitantes. Não se pode esconder nada. Razão tinha George Orwell com o seu “1984”. Não é o “Big Brother” que “is watching us”, é a globalização, é a Aldeia Global de McLuhan. É, um destes dias, a máquina a substituir o homem. E o Trump a ser presidente