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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Com "as praxes" o Povo anda entretido!

Não há noticiário televisivo ou radiofónico que não fale da tragédia do MECO, a qual, segundo uma enorme percentagem de comentadores, e não só, foi consequência de actividades de praxe levadas a cabo por um grupo de “altos dirigentes” académicos da Universidade Lusófona.
 Por outro lado, têm sido emitidos diversos programas e/ou fóruns a falar do tema, quase todos pouco esclarecedores e, pelo contrário, peças jornalísticas para lançar a confusão. E, pior, muito pior, até um secretário de Estado  já deu o seu veredicto: “houve crime!” Pergunta-se: se o processo ainda está em fase de inquérito, como é que o dito secretário de Estado sabe que houve crime?
Bem, em todo caso, e sabendo o impacto que um tragédia destas tem na população em geral, o tema praxes veio para a ribalta do dia a dia da política e subalternizou situações e temas importantes da governação. Particularmente o Governo tem sido beneficiado, pois os cidadãos andam ocupados com a desgraça do Meco e nem sequer dão conta das balbúrdias que continuam a ser as actividades do Governo. Estou a imaginar Passos Coelho a esfregar as mãos e a ordenar aos seu assessores que continuem a “lançar achas para a fogueira”. Salazar entretinha o Povo com “Fátima, fados e futebol”; Passos Coelho entretém o Povo com as desgraças que vão acontecendo. Até ver!


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Praxes, ou actos criminosos que devem ter um fim?

Já manifestei neste blog a minha posição relativamente às praxes académicas, sobretudo dos últimos vinte a trinta anos: sou contra. Ainda aceito a justificação de que as praxes tenham sido importantes na integração dos novos estudantes que chegavam a Coimbra para frequentarem a Universidade, porque Coimbra era uma cidade universitária por excelência. A maioria da sua população estava directa ou indirectamente ligada à Universidade.
Nos últimos dias, em consequência da tragédia do MECO, o tema praxe está “na ordem do dia”. E a Comunicação Social não perdeu a oportunidade para tirar partido dele – sobretudo televisões e rádios. Ora, foi através de passagens de alguns destes programas que tomei conhecimento de algumas acções de praxe, para mim, inimagináveis. Nem tenho palavras para qualificar algumas coisas que vi. Qualificar  aquilo  de boçal ou imbecil é pouco. Aquelas práticas são desumanas, humilhantes e atentam contra a integridade física e mental dos praxados. Quem é capaz de praxar daquela forma, só tem um nome: Cretino.
Levantam-se agora algumas vozes no sentido de as autoridades académicas e a tutela do ensino superior tomarem medidas para acabar com elas. Mas apareceu logo quem discordasse, com o argumento de estarmos num país livre. Pois estamos, é verdade. Mas num país livre, a liberdade de uns acaba quando atenta contra a liberdade dos outros. Por outro lado, Portugal é um Estado de Direito, onde as leis se aplicam a todos os cidadãos e em todas as circunstâncias. Muitos daqueles actos são criminosos e, como tal, para além de terem de ser punidos, têm de ser “prevenidos”.

A não ser assim, que país é este?  

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A brutalidade das praxes; até quando?

 Ainda é muito cedo para se concluir o que quer que seja, mas tudo leva a crer que aquela tragédia que ocorreu na praia do Meco está ligada à praxe. Surgem agora testemunhos de pessoas que presenciaram actos muito estranhos, como terem visto jovens a rastejar com pedras atadas aos tornozelos.
Tenho ideia que não é a primeira vez que ocorre uma tragédia ligada a praxes, mas esta, pelo eco que teve na Comunicação Social e pelo número de estudantes e de famílias que afectou, não pode deixar de merecer uma tomada de posição forte de todas as autoridades académicas, da Justiça e da tutela do Ensino Superior.
A praxe nasceu em Coimbra como maneira de animar com as suas práticas a integração dos novos estudantes na sua Universidade. Não nos esqueçamos que Coimbra era, por assim dizer, uma cidade universitária onde a maior parte dos estudantes eram oriundos da Província e através da praxe os “caloiros” tomavam contacto com os mais velhos que os protegiam e os ajudavam ao longo da sua vida académica. Tirando casos muito remotos – século XVII ou XVIII, penso – não há notícias de casos como os de agora. Nas universidades de Porto e Lisboa, cidades maiores e onde a vida académica não tinha influência no dia a dia das mesmas, não havia praxe.
Infelizmente, a partir dos anos oitenta a praxe generalizou-se e não há hoje instituição de ensino superior público ou privado que não tenha praxe. E a praxe de hoje não passa de conjunto de actos absolutamente reprováveis que humilham os caloiros e que em muitos casos são autênticas agressões físicas e psicológicas, só aceites pelos ofendidos com medo de se verem ostracizados. Uma vergonha!  
E o que tem feito quem de direito devia actuar? Nada, ou quase nada, incluindo a Justiça. Só há um governante, ou melhor dizendo, um ex-governante, que se pode gabar de ter lutado contra esta actividade boçal e estúpida: Marçal Grilo. Na sua qualidade de ministro da Educação, incentivou as instituições de ensino superior a combaterem a praxe, que ele apelidou de “afronta aos valores da própria educação e à razão de ser daquelas escolas”.

Infelizmente, volto a dizer, mais ninguém se interessou e faz alguma coisa. Quantos estudantes terão ainda que morrer?

domingo, 1 de abril de 2012

PRAXES

Agora, é Coimbra que suspende a praxe, depois de mais uns actos de violência. Mas quando acabarão, de vez, esses espectáculos macabros, medievais e enxovalhantes da dignidade humana? A integração dos alunos na Universidade tem que passar por actos de degradação e de bestialidade, muitos deles exibidos na praça pública, como se de um circo romano se tratasse?