sábado, 14 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

CONTRIBUTOS EXTERNOS

Um textículo do Henrique Antunes Ferreira, que anda, em vacances, pelas Índias e que sofreu um pequeno acidente



Nomes com História



Por Antunes Ferreira

Ainda não tinha contado que o Amigão Dr. Zito Menezes, já muitas vezes citado nas colunas da nossa Travessa, decidira levar-me à Professora Doutora Flora Miranda para que ela me visse a perna esquerda muito escalavrada. Assim aconteceu e ilustre médica receitou-me um antibiótico forte, um sabonete desinfectante e… Betadine. Pela consulta, paguei a exorbitância de 300 rupias, pouco mais de… quatro euros; uma exorbitância… Já comecei o tratamento e a pata esquerda parece melhorar.

Por isso, voltou-me alguma disposição, animado pelos Amigos Zito Menezes, Carminho Costa e Álvaro Amorim, este de longa data e que é o “presidente” da nossa tertúlia Sabores & Saberes que todas semanas às quintas-feiras se reúne no restaurante “Sabores de Goa” no Bairro das Colónias aí em Lisboa. Note-se que foi a única denominação escapada ao frenesim salazarento que, como bom provinciano, pensou ter enganado a ONU com a transformação em… províncias ultramarinas. Porém o Bairro manteve orgulhosamente a assim e ninguém foi capaz de do derrotar, por decreto-lei aprovado na Assembleia Nacional.

Daí que hoje na antevéspera do Carnaval (que por estas bandas é também e ainda muito comemorado, com desfile de carros alegóricos e toda a parafernália do entrudo) me decida a escrever um textículo tendo por cabeça ÁGUA DE COCO. Quem nunca a experimentou faça como disse o Camões: “mais vale experimenta-lo que julga-lo; mas julgue-o que não pode experimenta-lo. Serão prosas curtas e convalescentes. Férias são férias, serviço é serviço, conhaque é conhaque.
Um exemplo: no centro de Pangim, mais coisa menos coisa, a caminho da praça da igreja da capital, há um jardim (que já vi mais do maltratado) e agora reconstruído pela “câmara municipal” da cidade, o City Council. Chama-se ele Garcia de Orta - quando puto o desgraçado que dissesse Garcia da Orta ira imediatamente premiado com cinco palmatoadas pela dona Clélia Marques, directora da escola Mouzinho da Silveira e professora da quarta-classe – em homenagem ao médico e botânico que chegou a físico da Imperatriz da Rússia, no século XVI.

Pois num dos prédios que o rodeiam pode encontrar-se o Clube Vasco da Gama onde nos tempos dos portugueses decorriam bailes famosos até de madrugada, com serviço aprimorado (e apropriado), onde eram famosos os croquetes de carne bem picantes, O clube fica num terceiro andar, debruçado sobre o jardim, mas hoje está reduzido a um restaurante sem grandes motivos para aplauso. Nele continuam a pontificar os croquetes, que posso dizê-lo por experiência própria têm vindo a definhar. A freguesia é cada vez mais menor. Por lá param muitos cabelos brancos, que mais dia, menos dia seguirão o seu destino final.

Nesta terra de contrastes mas também de singularidades, é curioso para um luso-viajante que aqui aporta encontrar esta curiosidade. Para quem já está habituado, com é o caso do escriba, não tem especial significado esta coincidência. No entanto, e mesmo assim, em prédios onde há mais de cento e muitas lojas que na maioria dos casos ostentam nomes como Vishal , Karmonkar e outros, um clube denominado Vasco da Gama com photographya e pendão do descobridor que inaugurou o caminho marítimo para a Índia sem transferência em qualquer estação e sem cor identificadora da linha – é obra. Ainda que os croquetes já não sejam o que era, Sic transit…



EFEMÉRIDES


Neste dia, em 1965, morre, assassinado em Espanha pela PIDE, o general Humberto Delgado

MEMÓRIAS


Neste dia, em 1883, morre Richard Wagner, compositor alemão

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

TRANSCRITO

Hoje por Pedro Santos Guerreiro
Diretor Executivo
 
12 de Fevereiro de 2015
 
“Falidos mas livres” (mas não ainda)
 
Quem acompanha processos europeus complexos está habituado a reuniões decisivas que não decidem, adiam. Faz parte da negociação – e da encenação? – entre estados membros e assim foi ontem à noite, no “encontro do tudo ou nada” entre ministros das Finanças que não foi nem tudo nem foi nada. O destino da Grécia na zona euro fica adiado para segunda-feira. A notícia da noite foi: não houve acordo sequer quanto a um comunicado conjunto.

A falta de acordo até para fechar um comunicado é mais do que o símbolo do fracasso da reunião
. Segundo conta o Financial Times, o ministro das Finanças Varoufakis informou os presentes de que estava de acordo com a publicação de um comunicado conjunto, mas terá sido desautorizado pelo seu primeiro-ministro quando telefonou para Atenas. Eva Gaspar, no Negócios, diz que a reunião não cumpriu sequer os mínimos: "um acordo sobre o método e o calendário a seguir para tentar alcançar um entendimento concreto".

Yanis Varoufakis, que entrou como estrela da noite, fotografado entre os demais com um sorriso largo, recusava à saída em falar de derrota: “Foi-me dada uma oportunidade maravilhosa para apresentar a nossa visão, as nossas análises e as nossas propostas.” Para já, a maior pressão está na forma de assegurar o financiamento da Grécia até setembro.
O encontro até começara bem, com Lagarde e Varoufakis a darem a mão e a trocarem piropos, numa inesperada demonstração  de  ternura para as fotografias que quebrou o gelo. “Ele chegou de blazer e calças pretas”, ensaiou Luciano Alvarez no Público, “ela esperava-o toda de preto e de cabedal”, e assim a reunião do Eurogrupo começou “de forma fofinha entre ele e ela. Com ambos rendidos um ao outro, perdidos entre sorrisos e olhares cúmplices.”

A questão não é se a reunião foi “fofinha”, é perceber se o ambiente institucional em torno da Grécia aperta ou distende. Hoje, Alexis Tsipras estará na sua primeira cimeira europeia, com a Grécia na maior indefinição. Tsipras e Varoufakis têm forte apoio popular na Grécia, o que ainda ontem se viu, numa manifestação contra as políticas de austeridade que juntou 15 mil na praça Syntagma, em Atenas, empunhando cartazes com palavras de ordem como “Falidos mas livres” ou “Um sopro de dignidade”.

E Portugal?
Frase puramente opinativa: Portugal está na posição mais cínica: ao lado da Alemanha desejando que a Grécia vença. Hoje, numa carta dirigida ao primeiro-ministro, um conjunto economistas, políticos, cientistas e outras personalidades apelam a Passos Coelho que mude de posição em relação à Grécia. Os subscritores têm como base os dinamizadores do Manifesto dos 74 que propôs a renegociação da dívida, mas alargam o apoio a outras personalidades. Portugal, note-se, foi o quarto país do mundo que mais aumentou a sua dívida entre 2007 e o segundo trimestre de 2014, de 258% para 358% do PIB. Isso mesmo, 385% em dívida acumulada (Estado, empresas e famílias), segundo um estudo da McKinsey noticiado no Negócios.

Até à segunda, querida Grécia. Até depois, Portugal.

Até quando, Ucrânia?

Noutra maratona negocial, os líderes da Ucrânia, Rússia, França e Alemanha estiveram fechados numa cimeira da paz em Minsk visando uma solução que ponha termo ao conflito em solo ucraniano. O objetivo de conseguir um acordo de cessar-fogo não está ainda conseguido. Mas a agência de notícias estatal russa Ria Novosti, citada pela CNN, noticiou durante a madrugada em Lisboa que será assinado um acordo de dez pontos, que prevê a retirada de artilharia pesada e a criação de uma zona desmilitarizada. Um acordo de cessar-fogo pode ainda ser conseguido nas próximas 48 horas. Fumo branco?


OUTRAS NOTÍCIASHá dois assuntos que estão em metade das primeiras páginas de hoje nas bancas. O segundo tema fica para o fim; o primeiro é manchete no Jornal de Notícias, no Económico e no Público: a proposta do governo de que as autarquias possam reduzir o horário de trabalho para 35 horas semanais fica sujeita à condição de as câmaras terem as contas em dia. Na verdade, essa é uma de sete condições, que o Negócios lista. O assunto dura há ano e meio.

Em quatro anos, 12 mil automobilistas foram avisados de que se tivessem mais um incidente ficariam sem carta de condução. Mas apenas 41 ficaram sem ela. Grande parte dos processos prescreveu. A notícia faz hoje manchete do Diário de Notícias.

Francesco Schettino, o comandante do Costa Concordia, navio que naufragou em janeiro de 2012 matando 32 pessoas, foi condenado a 16 anos de cadeia. Schettino não assistiu à leitura da sentença. De acordo com o seu advogado, "estava com febre".

A Caixa Geral de Depósitos teve prejuízos de €348 milhões em 2014. Uma redução face a 2013 mas mesmo assim quase um milhão por dia. Tudo por causa de créditos do passado que não são pagos, o que obrigou a provisões e imparidades de quase mil milhões.

O Benfica é o primeiro finalista da Taça da Liga, depois de vencer o Setúbal por 3-0 na Luz.

O Bloco de Esquerda e PS admitem chamar ao Parlamento uma investigação sobre os casos portugueses do processo Swiss Leaks, que lista 220 clientes portugueses. Por causa da revolta levantada pelo escândalo, que revelou contas no HSBC da Suíça que facilitavam a fuga aos impostos e a ocultação de ativos (se quiser saber como, o Expresso Diário explica), o Henrique Monteiro aqui escreveu que é preciso separar a fuga do fisco do julgamento moral da riqueza, “como se quem fosse rico tenha de ser necessariamente suspeito”. Na China os julgamentos são outros: o magnata mineiro Liu Han, que era o 148º chinês mais rico, foi executado depois de ser condenado por crime organizado.

A concessão de vistos gold caiu a pique, noticia o Negócios. Em Janeiro foram atribuídos 78, “menos de metade dos emitidos em Novembro, quando rebentou o escândalo de corrupção neste programa.”

Obama pediu autorização ao Congresso norte-americano para autorizar a utilização de forças militares contra o auto-denominado Estado Islâmico (Daesh), num plano a três anos. A notícia há de ter muitos desenvolvimentos...


FRASES“Portugal, um país que passou também por dificuldades, emprestou à Grécia cerca de 1.100 milhões de euros e agora está a transferir muitos milhões que são tirados dos bolsos dos contribuintes”. Cavaco Silva, ontem aos jornalistas.

“São declarações que procuram humilhar - por contrapartida de um comportamento do Governo português que o Presidente da República procura todos os dias elogiar - o povo grego e o Governo grego”. Carlos César, respondendo a Cavaco.

“Intenções da Altice são positivas para Portugal”, diz o ministro da Economia, Pires de Lima. A PT começará já por reduzir o número de administradores, noticia o Económico.

“Eu não teria cortado relações com o Benfica", Filipe Soares Franco, sobre a decisão do Sporting do fim de semana, citado no DN.

“Plantem vegetais extensivamente em estufas!” é um dos novos 310 slogans oficiais da Coreia do Norte, agora revelados.


O QUE EU ANDO A LERNão li nem ando a ler “As 50 sombras de Grey”, cuja adaptação a filme tem sido arrasado pela crítica, que o apelida de coisas como “pornografia para mamãs”, embora muitos escrevam que, em comparação com o livro, lhe falta sexo. Mas pronto, a coisa estreia hoje em todo mundo, com mais de 40 mil bilhetes já vendidos em Portugal, e a histeria está em todo o lado. Inclusive em quase todas as primeiras páginas de hoje dos jornais – esse era o segundo tema reincidente de que lhe falei.

Recomendo-lhe outra leitura, a partir das 18 horas. Se ontem a notícia foi de que o Aeroporto da Portela pode vir a chamar-se Humberto Delgado, (a notícia pode ser lida por exemplo aqui), o facto são os 50 anos sobre a sua morte. Esta tarde, no Expresso Diário (que pode ler assinando ou usando o código da revista E de sábado passado), vamos republicar nos Ficheiros Expresso uma entrevista histórica de 1998 a Rosa Casaco, que chefiou a brigada da PIDE que assassinou o general Humberto Delgado a 13 de Fevereiro de 1965, perto de Badajoz. “Como matámos Humberto Delgado”

E pronto, amanhã aqui estará o Martim Silva, que veremos se conseguirá escrever no Dia dos Namorados sem esbanjar recomendações pirosas ou, vá lá, alimentar a epidemia de graçolas com “As 50 Sombras de Grey” que se leem em jornais por todo o mundo.

Até depois? Até já, Portugal. No site do Expresso e no Diário às 18 horas.

MEMÓRIAS



Neste dia, em 1979, morre Jean Renoir, realizador francês

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

MEMÓRIAS



Neste dia, em 1948, morre Sergei Eisenstein, realizador russo

e....





...em 2000, morre Roger Vadim, actor e realizador francês

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

MEMÓRIAS


Neste dia, em 2005, morre Arhur Miller, dramaturgo norte-americano, que foi csado com Marylin Monroe

e....



...em 2008, morre Roy Scheider, actor norte-americano

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

OS OFFSHORES

611 clientes ligados a Portugal têm 855 milhões no HSBC suíço

por DN.ptHoje25 comentários
611 clientes ligados a Portugal têm 855 milhões no HSBC suíço
Fotografia © icij.org/project/swiss-leaks
Mais de 200 portugueses têm dinheiro nesse banco, conforme foi revelado no escândalo Swiss Leaks. O Brasil, por sua vez, é o 4.º com mais clientes no banco ligados ao país.
Há 611 pessoas ligadas a Portugal com conta na filial suíça do banco HSBC envolvida no escândalo Swiss Leaks- destes, mais de 200 têm nacionalidade portuguesa. É o que mostram osdados revelados por um consórcio de jornalistas com sede nos Estados Unidos, que revelam ainda que um cliente com ligação a Portugal tem 143 milhões de euros depositados no banco.
O banco suíço HSBC viu milhares dos seus documentos confidenciais levados por um dos seus técnicos informáticos em 2008 e, após analisados por uma equipa de jornalistas, estestrouxeram à luz vários casos de utilização das contas no HSBC para fins ilegais, num escândalo que está a ser chamado "Swiss Leaks".
Os 611 clientes ligados a Portugal têm um total de 855 milhões de euros depositados no HSBC, sendo que mais de 200 deles são portugueses. Portugal ocupa o 45.º lugar na lista de países com mais ligações ao banco.

DN online

Por estas e por outras similares é que temos andado a viver acima das nossas possibilidades

MEMÓRIAS


Neste dia, em 1909, nasce Cármen Miranda, cançonetista luso-brasileira,


e....




...em 1964, morre Ary Barroso, compositor brasileiro

domingo, 8 de fevereiro de 2015

BOLAS À TRAVE

E o FCPorto arrecadou 3 pontos em Moreira de Cónegos e 2 pontos em Alvalade e na Luz. Bem bom...

LIDO

Palermices 

Sem produzir riqueza, sem trabalho, não se liberta dinheiro para respeitar compromissos. 08.02.2015 00:30 Lemos as notícias e é difícil de acreditar que a arrogância e cinismo podem conduzir um País pela estrada mais sinuosa da desgraça, quando outros, por nós, abrem janelas de oportunidades para sairmos do sufoco financeiro e económico em que nos encontramos. As reações do primeiro-ministro e de Pires de Lima aos esforços do governo grego para encontrar uma solução de menor sofrimento para o seu povo são, não só grosseiras, como revelam a sobranceria pesporrente própria de quem vive para o poder e pelo poder, completamente indiferente ao estado de miséria social, política e moral a que chegamos. Até o PS, que pareceu entender a janela de oportunidade que se abria com a vitória contra a austeridade, veio recuando, até revelar a mesma face cúmplice. Para esta gente importa ter o poder. Para esta gente nem há um vislumbre do que é o sofrimento, as mágoas, a desesperança. Tudo se passa só com um objetivo: financiar especuladores. Mais nada. Nem um grão de patriotismo na asa. Nem um sinal de amor ao País e às suas gentes que lhes alimentam as cumplicidades e a arrogância. Não é preciso ser especialista para perceber uma evidência: sem produzir riqueza, sem trabalho, não se liberta dinheiro para respeitar compromissos. Qualquer estúpido compreende isto. Se ganhamos cinco e temos de pagar oito, o único caminho é pagar juros e fazer crescer a dívida. Hoje percebe-se melhor o que pretende o governo grego. Quer tempo para pagar cinco, quer investir para ganhar oito e, desta forma, apaziguar a austeridade, aliviar quem sofre e pôr a Grécia a produzir. Quer dar esperança às suas gentes. Afinal de contas, a razão última do exercício nobre da política. Garantir àqueles que governam que o futuro vale a pena, que há no seu país um lugar para a coragem e a para a vida dos seus filhos e dos seus netos. Nada de novo trazem os gregos. João Cravinho há muito que vem defendendo este programa em Portugal. É um ilustre militante socialista, mas nem isso faz com que a sua voz seja ouvida pelos deuses de pés de barro que aspiram a ser poder a qualquer custo. A política de submissão e servilismo a que se dedicou o centrão político, ou como se gosta de dizer, os partidos do arco da governação, abandonou os portugueses à sua sorte, milhões à miséria, apenas para satisfazer predadores financeiros. A História os julgará, por mais eleições que ganhem, por este tempo em que chacinaram a esperança. 

Francisco Moita Flores, in Correio da Manhã

ZAMALEK

Confrontos entre polícia e adeptos do Zamalek causam 22 mortos

por LusaHoje1 comentário
Confrontos entre polícia e adeptos do Zamalek causam 22 mortos
Equipa é treinada por Jesualdo Ferreira. É o primeiro encontro do campeonato egípcio aberto ao público depois de 2012.
Pelo menos 22 pessoas morreram hoje no Cairo, Egito, em confrontos que envolveram a polícia e adeptos do clube de futebol Zamalek, de acordo com o Ministério Público local.
Números anteriores, divulgados pela agência de notícias oficial egípcia, MENA, davam conta de 14 mortos.
Os confrontos ocorreram no primeiro encontro do campeonato egípcio aberto ao público depois de 2012.

DN online

O Jesualdo já comprou o bilhete de regresso a Portugal?

MARCELO DIXIT

Paula Teixeira da Cruz fala "muito, muito, muito" e foi "impulsiva" ao sugerir na TSF a legalização da venda de drogas leves em farmácias. "Falar a título pessoal? Não sei o que é isso..."

Comentando a atualidade política semanal na TVI, o professor considerou que a ministra da Justiça não pode falar a título pessoal sobre matérias que estão na sua jurisdição como membro do Governo. "Falar a título pessoal? Não sei o que é isso..."
Fonte: Dos jornais


Pois. Entretanto, Passos Coelho vem dizer que o assunto não está em cima da mesa e que a ministra falou a título pessoal.
Tal como Marcelo, também pergunto: que é isso de falar em nome pessoal? Os membros do governo andam à solta?

TSIPRAS

Tsipras não recua e assume posição de choque com a zona euro

Primeiro-ministro mantém mudanças às políticas de austeridade em discurso desafiador e até emocionado ao Parlamento.
“Se não mudarmos a Europa, a extrema-direita irá fazê-lo”, disse Tsipras ALKIS KONSTANTINIDIS/REUTERS
Se este é um jogo de quem recua primeiro – a Grécia ou os restantes parceiros da zona euro – no seu discurso deste domingo perante o Parlamento, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, manteve-se firme na sua posição, sem recuar um milímetro.
Enganou-se quem esperava moderação na sequência da viagem de Tsipras e do seu ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, a algumas capitais europeias, onde não receberam apoios relevantes. Antes do discurso, o gabinete de Tsipras garantia que o que o primeiro-ministro diz em Atenas não será diferente do que dirá em Bruxelas. Sublinhando a noção de que está a falar para uma audiência global, no Twitter, a conta de Tsipras em inglês ia debitando alguns dados e argumentos que o primeiro-ministro fazia no Parlamento em Atenas.
Num discurso desafiador, sublinhando a necessidade de democracia, de os países poderem tomar as suas próprias decisões, e dizendo que a austeridade atrasou as leis do trabalho para “tempos medievais”, o primeiro-ministro grego prometeu refeições e electricidade de graça para quem não as pode pagar. “A Grécia não pode ser um país civilizado se milhões tiverem fome.” Disse ainda que o Governo irá reabrir a televisão pública ERT (encerrada em 2013) “sem excessos”, voltar a ter o 13.º mês para reformas abaixo de 700 euros, e excluiu ainda mais baixas na idade da reforma e mais cortes nas pensões. A maior concessão foi no fasear do aumento do salário mínimo, que prometeu fazer de forma gradual até 751 euros em 2016.
Lançou-se numa retórica especialmente dirigida à Alemanha (sem a nomear) quando disse esperar que a Europa tenha aprendido a não repetir os erros do passado, e a não humilhar países (a humilhação da I Guerra é um dos motivos da ascensão de Hitler).
Agitou o fantasma do que poderá acontecer se o seu Governo não conseguir concessões: “Se não mudarmos a Europa, a extrema-direita irá fazê-lo.” “Não queremos ameaçar a estabilidade na Europa”, garantiu. “O nosso objectivo é chegar a uma solução com os nossos parceiros, uma solução que resulte para todos”.
Tsipras disse ainda que o seu Governo “não tem o direito de pedir uma extensão do memorando” com a troika que termina a 28 de Fevereiro, como insistem os outros governos da zona euro, o que torna o encontro do Eurogrupo de quarta-feira especialmente importante. “Não posso pedir a continuação de um erro.” O chefe do Governo grego diz que tem uma proposta clara para apresentar e que espera conseguir um programa de transição até ao Verão. "Estamos a pedir um acordo de transição até ao Verão. Apesar das dificuldades, é possível”. Na semana passada o líder do Eurogrupo tinha descartado esta hipótese dizendo que não havia “acordos transitórios”.
Repetiu que tenciona pagar a dívida “mas para isso há que negociar”, declarou.
Tsipras anunciou então uma série de cortes nos privilégios dos políticos: a começar pelo “exército de consultores” do seu próprio gabinete, até aos automóveis dos deputados (na Grécia cada deputado tem direito a um carro de serviço) e a extravagâncias do executivo anterior, como um carro de 700 mil euros numa frota de 7500 veículos, que será cortada para metade.
Em relação a impostos, prometeu acabar com um imposto especial na electricidade (considerado especialmente injusto e que foi criado pela dificuldade do Governo grego fazer a colecta fiscal), mas pediu aos gregos que paguem os seus impostos (em vésperas de eleições no país a colecta fiscal baixa sempre muito com os devedores a anteciparem alguma flexibilidade, ou mudança nas regras, que lhes permita pagar menos). “Vamos lutar arduamente contra a evasão fiscal que foi uma das razões que levou o nosso país à beira do colapso.”
Prometeu ainda investigar “listas com grandes depósitos”, ou seja, listas como a enviada em 2010 por Christine Lagarde, então ministra das Finanças de França, ao governo grego, e que incluíam os nomes de mais de 2000 gregos com contas no estrangeiro e assim suspeitos de alguma fuga ao fisco. A lista foi perdida, houve nomes que desapareceram de uma cópia para o original entretanto reenviado, um jornalista que a revelou foi duas vezes a julgamento por causa dela, enquanto a investigação aos nomes que estavam na lista tardava (com excepção do antigo ministro das Finanças Giorgos Papaconstantinou, que está a ser julgado).
A gestão dos contratos no sector público será objecto de uma nova lei que permita avaliação por mérito e mudanças de chefes de serviço para cortar as ligações políticas, prometeu Tsipras. Na Grécia é impossível despedir estes responsáveis e a cada mudança de Governo vão sendo acrescentados. “Vamos quebrar as ligações entre a administração e os políticos.”
Também prometeu a quebra da terceira ligação “perigosa”, com os media – as televisões privadas vão ter de pagar licenças, o que actualmente não acontece.
“Nos últimos dias sentimos que o nosso orgulho foi recuperado”, disse Tsipras. “É o nosso dever não desapontar as pessoas que nos apoiam, de todos os lados do espectro político”, argumentou. “Depois de cinco anos de barbárie de resgate, o nosso povo não consegue mais aguentar promessas não cumpridas.” O discurso está prestes a terminar: “não vamos negociar a nossa história, o orgulho e a dignidade do nosso povo. Estes são valores sagrados para nós”, disse. “Vamos servir a nossa Constituição.”
O primeiro-ministro emociona-se e recebe uma ovação dos deputados. “O discurso foi óptimo para o sentimento dos gregos, desastroso para um acordo potencial com a zona euro”, diz o jornalista grego Yannis Koutsomitis. Terça-feira o Governo será submetido a um voto de confiança, quarta-feira espera-se uma longa reunião do Eurogrupo. 
Fonte: Público online

O Tsipras está a ver-se grego. Oxalá consiga levar o barco ao Piréu.
  

MEMÓRIAS



Neste dia, em 2001, morre Artur Semedo, actor e realizador poruguês

sábado, 7 de fevereiro de 2015

LIDO (2)

(...)

As variantes deste desejo são várias, a começar pelo desejo de que o Syriza abandone de forma explícita e evidente as suas propostas eleitorais, que seja como Hollande, em França. Confundindo o seu desejo com a realidade proclamam que isso já aconteceu, mas seria bom serem mais prudentes, porque não é a explicitude das propostas que conta, mas o saber-se se haverá ou não ganho de causa para os gregos com todo este processo. E, mais importante, ainda, que os gregos estejam convictos de que o obtiveram votando no Syriza e não em qualquer outro partido.
A versão dura é o desejo que o Syriza traia de forma evidente o que prometeu, aceite um acordo de fachada, para que tudo continue na mesma. Que o Syriza apareça aos olhos de todos como um bando de oportunistas, demagogos, irrealistas, que se venderam por um prato de lentilhas, as mesmas lentilhas “inevitáveis” que a Nova Democracia servia e que funcionavam como conforto para governos colaboracionistas como o português.
Aí haveria o desejo de que o Syriza encontrasse aquilo que eles chamam a “realidade” de frente, de preferência sob a forma de um choque frontal com medidas de retaliação, que punam os gregos pelo modo como votaram. É o desejo maldoso de que os gregos sejam punidos com mais austeridade, porque contestaram a austeridade, ou não a aplicaram com a ferocidade que deveria ter tido. Quando o nosso primeiro-ministro diz que os gregos não fizeram o que deviam, como Portugal e a Irlanda, o que está a dizer é que a tragédia que se abateu sobre a Grécia com números assustadores de pobreza, miséria, desemprego, falta de condições de vida mínimas, de desespero, foi pouco. E como eles contestaram esse “pouco” devem ter ainda mais, que é para aprenderem a ser bem-comportados. E por aí adiante, num exercício que Marx chamaria “luta de classes”, que é a pólvora em que esta gente anda a mexer alumiando um fósforo mental para ver o que se passa.
Claro que, do outro lado, há também uma outra série de desejos, nem todos recomendáveis. Um deles é o de que o Syriza faça por “nós” aquilo que não somos capazes de fazer, faça pela esquerda aquilo que ela não é capaz de fazer, usar o mimetismo com o Syriza sem se ser capaz de fazer o lento trabalho de implantação que ele fez. Ou desejar ganhar eleições copiando o Syriza no plano antiausteritário e ignorar os aspectos soberanistas e patrióticos que o fizeram sair da exclusividade extremista.
Ou desejar que Portugal seja a Grécia nas próximas eleições. Iludir-se com a ignorância de que a situação grega (ou até espanhola com o Podemos) não é a situação portuguesa. Em Portugal, as próximas eleições serão muito bipolarizadas e, se o não forem, é porque o PSD-CDS já as ganhou, ou o PS terá apenas uma “vitorinha”. O PASOK na Grécia foi varrido do mapa porque a bipolarização se fez entre o Syriza e a Nova Democracia, como em Espanha o Podemos pode crescer devido às fragilidades do PSOE. Em Portugal, nada disso acontece.
Eu também tenho um desejo simples e modesto, com muito poucas ilusões. Desejo que as coisas corram bem para os gregos, que eles comecem a sair do buraco infernal em que foram colocados, e que possam, pelo seu acto corajoso de votar contra o statu quo, mostrar que a ditadura da “inevitabilidade” é um deserto mental perigoso, útil para se subordinar Portugal aos poderes europeus e alemães, fragilizar a democracia e empobrecer os portugueses. É por isso que a milhas do Syriza se pode saudar a mudança que o Syriza trouxe a um mundo estagnado e pantanoso, maldoso e desigual. Não preciso de explicar mais nada, pois não? 

José Pacheco Pereira, in Público de hoje

LIDO (1)

Uma intensa nuvem de desejos

A milhas do Syriza, pode-se saudar a mudança que o Syriza trouxe a um mundo estagnado e pantanoso, maldoso e desigual. Não preciso de explicar mais nada, pois não?
Uma das coisas que a vitória do Syriza e o conjunto de eventos posteriores têm mostrado é a sua importância para todo o espectro político da Europa. Neste sentido, os gregos podem falhar em tudo, que nada será de novo igual nem na Grécia, nem na Europa.
Quando um acontecimento gera tão intensos sonhos e pesadelos, estamos perante a história. Pode ser uma nota de pé de página, um parágrafo de meia dúzia de linhas, mas ficará na história da Europa. Embora não esteja certo, admito que possa vir a ser o mais importante momento europeu depois da unificação alemã.
Há quem considere que nada disto tem importância, até pela irrelevância da Grécia no conjunto das economias da União Europeia, ou pelo seu papel de minúsculo David face ao Golias alemão. Mas David matou Golias apenas com uma funda... Seja como for, mais do que não ter importância, é o desejo de que não tenha importância e o mundo volte ao conforto do habitual. Como em todo este texto se verá, um dos efeitos do caso grego é multiplicar o mundo dos desejos, e isso é já, em si mesmo, uma poderosa vitória simbólica.
Mas olhe-se para o mapa de Europa, a que se deve acrescentar alguma da história da Europa. A Grécia está nos Balcãs, por si só um sítio muito pouco recomendável. Um pouco mais acima e a leste arde cada vez com mais vigor a guerra civil ucraniana, talvez o mais perigoso conflito internacional dos dias de hoje. Ao seu lado está um tradicional inimigo, a Turquia, o fim da Europa e o princípio da Ásia. Alguém pensa que a Grécia possa ser esmagada e humilhada sem consequências na sua política externa e na geopolítica da região?
Os adversários do Syriza, que são os “ajustadores inevitáveis”, sabem que se deu um ponto sem retorno. Nós sabemos disso e eles sabem que nós sabemos que eles também sabem. Mas um ponto sem retorno não significa que o caminho seja unívoco, apenas que as coisas já não voltam para trás. Mesmo que, no fim de tudo isto, o Syriza seja varrido da governação, os gregos remetidos para uma maior pobreza, e os alemães e os seus aliados e colaboracionistas tenham conseguido domar a “revolta” grega, a paz podre destes últimos anos não mais voltará.
No passado, ainda próximo, havia uma maneira de acabar com a aventura do Syriza: ajudar os “coronéis” a fazer um golpe de Estado. Pode parecer impossível, mas as forças armadas gregas vão ser o lugar de um complexo choque de lealdades. Por um lado, há uma forte componente nacionalista na vitória do Syriza – o aspecto mais negligenciado nas análises que privilegiam o “ideológico” no extremismo do Syriza – e não há grego que não se sinta insultado pela prepotência alemã e pelos seus diktats à Grécia. Isso coloca os militares mais perto do governo, mesmo que possa ser tido como um governo de perigosa ideologia “comunista”.
Por seu lado, os militares gregos são “militares NATO” impregnados de uma forte cultura vinda da Guerra Fria, e podem reagir a uma viragem governamental pró-russa que se venha a dar de conveniência e de desespero, e que representa de facto uma das margens de manobra para que o Syriza pode ser empurrado. Podem também achar que a fragilização da Grécia representa oportunidades para o seu adversário histórico, a Turquia, que pode ter a tentação de explorar este momento difícil. Há um largo contencioso, incluindo um conflito territorial sobre as ilhas gregas do mar Egeu, entre a Grécia e a Turquia, a somar aos conflitos mais a norte com a Macedónia, perdão, a FYROM, e com o Epiro albanês. Se reduzirmos o actual conflito grego apenas à sua dimensão da dívida, da troika, das imposições alemãs, e não virmos o resto, cometemos um sério erro de análise.
Por isso, o Syriza dá origem a um grande feixe de desejos, que penetram na linguagem política, muitas vezes levando os seus sujeitos a confundirem o que desejam com a realidade. Há sonhos pró-Syriza, e pesadelos anti-Syriza, e estão aí à solta nos discursos, nos artigos, nos debates, nas redes sociais, nos blogues. Há, do lado dos defensores da “inevitabilidade”, abalados pela singularidade de um partido de fora do “arco governativo” ideológico ter ganho as eleições, um desejo central: que o Syriza falhe. Que, pura e simplesmente, tudo corra mal, haja novas eleições e volte a Nova Democracia a governar a Grécia, reconstituindo-se o mundo como “nós” o conhecemos, familiar, habitual, “inevitável”. Se isso acontecer, o mundo volta aos eixos, ou seja, à “inevitabilidade.
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