terça-feira, 10 de novembro de 2015

A Comunicação Social que temos

Nada me move contra a Comunicação Social, mas não posso deixar de manifestar a minha revolta quando sinto que a Comunicação Social, não só não está a ser isenta, mas está a ser desonesta, e pretende manipular a opinião pública, levando-a a dar importância sobre um acontecimento que ele não tem. Vi hoje em alguns canais de televisão reportagens em directo sobre uma manifestação que teve lugar junto à Assembleia da República organizada ou convocada pela Direita Radical. Pois bem os planos que nos davam, com imagens colhidas junto aos manifestantes, com deputados da Direita a misturarem-se com eles, e com Portas e outros a saudá-los nas varandas da Assembleia, até davam a ideia de serem muitos. Puro engano. Já vi há pouco em alguns blogues imagens de vistas panorâmicas dessa manifestação. Não enchem sequer metade da rua. Mais, não enchiam metade duma bancada de topo de um estádio de futebol, dum clube médio da primeira Liga.
Que dizer desta atitude das nossas televisões? Um nojo!!


Em Democracia quem manda são as maiorias e nunca as minorias, não é?

A Direita está completamente de cabeça perdida. E, vê-se agora a qualidade da sua democracia. Não aceitam as conjunturas políticas que resultaram das eleições legislativas. E porque na noite eleitoral se precipitaram e festejaram tendo como dado adquirido que iam governar, fazem agora acusações absurdas e despropositadas aos partidos da esquerda proferindo até insultos que ficam na fronteira da ordinarice e que são próprios de quem está muito dorido ou, melhor dizendo em linguagem brejeira, com dor de corno.

Tenham lá paciência. Ao contrário do que dizem, a culpa não é do António Costa. A culpa é do Passos Coelho, do Portas e da cambada que os apoiou e da que esteve com eles no Governo. O Povo disse, inequivocamente, que queria outra política. Eles, os PaFiosos, não entenderam que o Povo os queria ver pelas costas e, como não ouviram o que António Costa disse nas primárias do PS, antes e durante a campanha eleitoral, não acreditaram que, caso não tivessem maioria absoluta, Costa nunca lhes daria a mão. E, pior, não o conheciam bem. Julgavam que António Costa era o era um líder temeroso como o Tozé Seguro e que não era capaz de historicamente mudar o paradigma das maiorias parlamentares. Puro engano o deles. Agora…, agora tenham paciência, ou melhor, sejam verdadeiros democratas. Sei que para eles é difícil, mas em Democracia quem manda são as maiorias e nunca as minorias, não é? 

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

ALERTA!

Escondam, especialmente antes de almoço (ou façam-nas emigrar), as criancinhas! 
E os mais velhinhos não devem sair à rua nem atender à porta quem não conheçam. E se for um paramédico, mesmo que conhecido, devem ter alguns cuidados, desde logo cobrirem-se com um lenço (as mulheres) ou um gorro (os homens).
Os perigos espreitam.
Espera-se um comunicado de Belém a tranquilizar a população.

LIDO

"Aquilo que foi o programa com que a coligação se apresentou aos eleitores é para respeitar
Não somos daqueles que nos apresentamos aos eleitores com um determinado programa e, depois de o voto ser depositado nas urnas, fazemos uma viragem de 180 graus e propormo-nos governar com modelos e propostas totalmente diferentes".

Quem disse? Nem mais nem menos do que o senhor ministro Marques Guedes, em entrevista ao Público.
Esta gente não terá um pingo de vergonha na cara?

MUDAM-SE OS TEMPOS...



...mudam-se as vontades.

LEAL (DA COSTA) E MODESTO



"Era importante que o próximo ministro da Saúde fosse eu"

Fernando Leal da Costa era diretor do serviço de Hematologia no Instituto Português de Oncologia antes de ser chamado para integrar o Governo, em 2011.

DR

Política Leal da Costa Há 7 Horas

O ministro Paulo Macedo foi substituído na pasta da Saúde por aquele que era o seu secretário de Estado-adjunto.
Leal da Costa contou ao SOL que o convite de Passos Coelho para assumir a liderança do Ministério chegou via telefone no dia 26: “Disse-lhe logo: ‘Com certeza senhor primeiro-ministro: seja por 24 horas ou por 4 anos”.
“Há muito boa gente que pensa que fui escolhido para 15 dias mas, perdoem-me a arrogância, o senhor primeiro-ministro por ventura reconhecerá a minha competência”, atirou, acrescentando que “era importante” a continuação no cargo.
“Acho que era importante que o próximo ministro da Saúde fosse eu”, frisou.

Comentários para quê? É um (emproado) artista português

A Comunicação Social e os Comentadores que temos

A actualidade política, entre outras coisas, veio mostrar-nos que a nossa Comunicação Social, em geral, incluindo os comentadores que nela gravitam, não é isenta. E nem consegue disfarçar. Diga-se, contudo, que há algumas excepções, mas muito poucas. Uma vergonha!!
Ainda há pouco, nos três canais de notícias – SIC Notícias, RTP 3 e TVI 24 – constactei este facto. E se os comentadores da RTP 3 – João Marcelino e Nuno Saraiva – e da TVI 24 – António Costa, ex-director do Diário Económico – foram comedidos nas suas análises, a comentadora, ou se quisermos a convidada do programa “Opinião Pública” da SIC Notícias – Raquel Abecassis, da Rádio Renascença – foi o grande exemplo do que estou a dizer. A Senhora mais parecia uma figura de proa da Direita, mais propriamente da ala mais radical. Pior do que ela só o José Gomes Ferreira. Bom, este, nem quando alguém contesta o que ele está a dizer, mostrando-lhe até provas do contrário é capaz de, pelo menos, se calar.
E eu pergunto: o que quer esta gente? Que o PS, caladinho, fizesse uma Oposição de faz de conta, conseguindo dos PaFiosos o consentimento e a aprovação de algumas poucas medidas que fazem parte do programa que apresentou aos portugueses? Se calhar!!

Mas o PS, não pode atraiçoar quem nele votou. Como disse Carlos César um verdadeiro socialista prefere que o partido se entenda com os partidos à sua esquerda do que viabilizar um governo da Direita. Não posso estar mais de acordo.

MEMÓRIAS

Neste dia,



em 1854, nasce John Philip Souza, compositor norte.americano, de origem portuguesa




em 1893, nasce P.I. Tchaikosky, compositor russo




em 1916, nasce Ray Conniff, compositor, trombonista e maestro norte-americano 

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A PONTE DE D. MARIA PIA




Neste dia, em 1877, é inaugurada a ponte D. Maria Pia, sobre o Douro, ligando Vila Nova de Gaia ao Porto

MEMÓRIAS


Neste dia, em 1809, nasce Felix Mendelssohn, compositor alemão

terça-feira, 3 de novembro de 2015

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

PREGADOR OU FAZEDOR DE PARECERES?

O ministro Calvão da Silva lamentou ainda a morte do homem de 80 anos que desapareceu este domingo, a cuja família disse ter apresentado condolências. "Era um homem que já tinha vindo do estrangeiro, tinha 80 anos, fica a sua mulher Fátima", disse o ministro. "Ele, que era um homem de apelido Viana, entregou-se a Deus e Deus com certeza que lhe reserva um lugar adequado".

DN online

Este homem, que dizem (inventaram?) ser ministro - talvez ministro ou pregador de um qualquer culto - é o mesmo que, com uma linguagem deste primarismo, emitiu um parecer abonatório do Salgado?
Balha-me deus! 
Para o seu próprio bem-estar é melhor regressar aos pareceres escritos.

PS - Vale a pena ler e/ouvir mais declarações do dito pregador. É hilariante.

MEMÓRIAS

Neste dia, em



1906, nasce Luchino Visconti, realizador italiano





1913, nasce Burt Lancaster, actor note-americano
(ver também vídeo dedicado a Luchino Visconti)




1975, morre  (assassinado) Pier Paolo Pasolini, realizador italiano






2004, morre (assassinado) Theo van Gohg, realizador holandês 


DIAS

Hoje é Dia dos Fieis Defuntos, ou dos Finados

domingo, 1 de novembro de 2015

LUTO



(Foto: Público online)


Morreu José Fonseca e Costa, um Senhor do Cinema português
Paz à sua alma

MEMÓRIAS


Neste dia, em 1957, nasce Carlos Paião, músico português


E aí vai (para quem não conheça) a letra de uma das suas mais bonitas canções

Eles são duas crianças a viver esperanças, a saber sorrir.
Ela tem cabelos louros, ele tem tesouros para repartir.
Numa outra brincadeira passam mesmo à beira sempre sem falar.
Uns olhares envergonhados e são namorados sem ninguém pensar.


Foram juntos outro dia, como por magia, no autocarro, em pé.
Ele lá lhe disse, a medo: "O meu nome é Pedro e o teu qual é?"
Ela corou um pouquinho e respondeu baixinho: "Sou a Cinderela".
Quando a noite o envolveu ele adormeceu e sonhou com ela...

[Refrão]
Então,
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer,
vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.

Cinderela das histórias a avivar memórias, a deixar mistério
Já o fez andar na lua, no meio da rua e a chover a sério.

Ela, quando lá o viu, encharcado e frio, quase o abraçou.
Com a cara assim molhada ninguém deu por nada, ele atéchorou...

[Refrão]

E agora, nos recreios, dão os seus passeios, fazem muitosplanos.
E dividem a merenda, tal como uma prenda que se dá nos anos.

E, num desses momentos, houve sentimentos a falar por si.
Ele pegou na mão dela: "Sabes Cinderela, eu gosto de ti..."



DIAS

Hoje é o DIA DE TODOS OS SANTOS, 
que já foi feriado nacional (religioso).

sábado, 31 de outubro de 2015

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

DÚVIDAS

O PR que discursou hoje, manso, é o mesmo de há pouco mais de uma semana, vociferante? Ou são meros sósias?
E o pm, hoje empossado, é o mesmo que governou, como lhe aprouve, em Portugal durante os últimos 4 anos e que falou do modo que ouvimos, impante, na noite eleitoral de 4 de Outubro? Ou um é zombie do outro?
Ou ambos à procura de batatinhas. Tardiamente, julgo eu. Só se jogam, como dizem alguns, numas facas nas costas. Roma já paga a traidores? Não creio.

Não há palavras!

Em democracia o jornalismo, ou de forma mais geral a Comunicação Social é um dos pilares importantes. Não por acaso existe censura nas ditaduras. Mas os jornalistas, em democracia, têm que respeitar um conjunto de regras e deveres essenciais à sua função. E uma delas é não usar a cretinice.
Anteontem Quarta-feira, por acaso, comecei a ver o programa do José Gomes Ferreira na SIC Notícias, cujo nome, salvo erro, é negócios da semana.
Na primeira parte do programa (confesso que já não consegui ver a segunda parte), o convidado era um tal Joaquim Paulo Conceição, apresentado como CEO do Grupo LENA. O objectivo era, penso eu, o de ouvir o entrevistado sobre o alegado favorecimento das empresas daquele grupo durante o tempo em que Sócrates foi primeiro-ministro. Mas o que o Ferreira fez, não foram perguntas, mas acusações. E com tal sofreguidão que o homem nem tinha tempo de se defender e de provar o contrário servindo-se dos documentos de que se muniu. Para ele, Ferreira, era evidente: As empresas do LENA eram empresas do regime.
Não há palavras para descrever tanta pulhice. Aquilo a que assistia era autêntico jornalismo de sarjeta! Às tantas não aguentei mais e mudei de canal.

Pergunto: Como é possível jornalismo daquele na SIC Notícias?

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Porque vociferam os PaFiosos deputados?

A Direita trauliteira que nos vai continuar a governar, provavelmente por pouco tempo e por teimosia e cegueira de Cavaco Silva – o Presidente de alguns portugueses – anda de cabeça perdida e faz e diz coisas pouco condizentes com um verdadeiro Estado de Direito Democrático. Porquê? Só posso pensar que não quer, de modo algum perder o poder. Será que tem algo a esconder; se calhar?
Para eles a tradição vale mais que a Constituição. Mas, pelos vistos, nem sempre. Ou melhor, têm a excepção para confirmar a regra. Pois bem, para lá dos primeiros plenários que servem, digamos assim, para instalação do Parlamento – início dos mandatos dos deputados, e eleição do Presidente, primeiro, e depois dos vice-Presidentes e dos Secretários, os primeiros debates parlamentares, propriamente ditos, dizem sempre respeito à apresentação do programa do Governo, à apreciação e discussão do mesmo, e à sua possível rejeição que, aprovada, implica a queda do Governo.
Ora, esta Direita PaFiosa, que fez o que quis no anterior Parlamento, queria agora continuar a mandar de acordo com os seus interesses. E vai daí, mandavam a tradição às malvas e queriam um primeiro debate parlamentar, antes do programa do Governo, para se tratarem de assuntos relacionados com os compromissos internacionais. Pura chacota!!    
Mas, claro, a maioria do Parlamento disse NÃO. Em Democracia são as maiorias que mandam, não são? Então, porque vociferam os PaFiosos deputados?  


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

CAVACO E A IMPRENSA ESTRANGEIRA

Portugal votou, Cavaco falou e o mundo reagiu. Depois da imprensa e dos comentadores nacionais, também lá fora se multiplicam as reações ao discurso do Presidente. Das mais diversas proveniências, da esquerda à direita, o Presidente da República é trucidado por boa parte da imprensa internacional.


Público

Está visto, a imprensa estrangeira está toda "feita" com o Costa e com o Jerónimo. Ou será pela Catarina?

INCONGRUÊNCIAS

Em Itália, Cavaco Silva, depois de, entre outras coisas, afirmar que não retirava "uma linha" da sua comunicação ao país (quando informou ter indigitado Passos Coelho para primeiro-ministro), perante outra pergunta respondeu (e cito de memória) que "no estrangeiro não se pronuncia, como bem sabem, sobre o que se passa em Portugal."
Este homem é um espanto, de incongruências e não só.

LIDO - 2

O Governo de Passos e Portas tem vários ministros novos mas alguns deles estiveram envolvidos em casos judiciais antigos. É o caso de Fernando Negrão e a Universidade Moderna ou Costa Neves e o caso Portucale. Calvão da Silva atestou mais recentemente a idoneidade de Ricardo Salgado.
Comecemos por Fernando Negrão, novo ministro da Justiça. Juiz de círculo que passou por várias comarcas do interior até chegar ao Tribunal da Boa Hora onde fez parte do coletivo que julgou Costa Freire, ex-secretário de Estado da Saúde de Leonor Beleza no início dos anos 90, e José Beleza, irmão da ex-ministra da Saúde de Cavaco Silva, Negrão foi nomeado diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) entre 1995 e 1999. Era a época em que os casos judiciais terminavam com prescrições de gaveta e em que a investigação criminal era muito marcada pelo caso da Universidade Moderna onde se investigava suspeitas de gestão danosa da administração daquela instituição liderada pela família Braga Gonçalves misturadas com guerras maçónicas que tinham o filho do reitor, José Braga Gonçalves, como protagonista. Em suma: todos os jornais procuravam saber novidades do caso Moderna.
Estávamos em março de 1999. O Diário de Notícias (DN) avança com a notícia em primeira página de que vão ser realizadas buscas judiciais à Universidade Moderna.
A informação é desmentida, as buscas não se chegam a realizar-se e a jornalista que assina a notícia, com o apoio da direção editorial do DN, denuncia Fernando Negrão, então diretor nacional da PJ, como a fonte da notícia em conversas telefónicas com a jornalista Margarida Maria ocorridas a 5 e 9 de março de 1999 e ouvidas por dois membros da direção editorial do jornal.
Pressionado por Cunha Rodrigues, então procurador-geral da República, e por Vera Jardim, ministro da Justiça do governo de António Guterres que lhe retira a confiança política, Negrão é obrigado a demitir-se. Mas o problema não fica por ali.
Concentrado em fazer do caso Negrão um caso exemplar da luta contra a violação do segredo de justiça, Cunha Rodrigues empenha-se pessoalmente e ordena um inquérito rápido – a abertura da investigação era obrigatória por o crime ser público, isto é, o Ministério Público (MP) estava sempre obrigado a investigar como magistratura que zela pela legalidade. Negrão é acusado do crime de violação do segredo de justiça pelo MP com os testemunhos dos jornalistas do DN logo em 1999 e acusa Cunha Rodrigues de montar uma cabala conta si por profundas divergências sobre a lei orgânica da PJ e o modelo de investigação criminal.
Sendo juiz de círculo, do quadro do Tribunal Criminal de Setúbal, teve de ser um tribunal superior, a Relação de Lisboa, a analisar o requerimento de abertura de instrução criminal apresentado pelo advogado Proença de Carvalho. A desembargadora Margarida Blasco (mais tarde, diretora do Serviço de Informações e Segurança por indicação do primeiro-ministro Durão Barroso e atualmente inspetora-geral da Administração Interna por nomeação de Miguel Macedo em 2012) fica com o caso nas mãos, liderando as sessões de instrução que acabam por transformar-se num quase julgamento num das salas da Relação de Lisboa. Os jornalistas do DN mantém a sua versão, Fernando Negrão contesta e Margarida Blasco acaba por não pronunciar o atual ministro da Justiça a 31 de maio de 2000 por entender que não existia uma alta probabilidade de o mesmo ser condenado em julgamento. As versões contraditórias apresentadas e o facto de a desembargadora ter considerado as conversas ocorridas como privadas, foram decisivos para o arquivamento.
O MP ainda recorreu para o Supremo Tribunal de Justiça mas um ano mais tarde, em 2001, o caso ficou definitivamente encerrado. Eleito nas eleições legislativas antecipadas de 2002 para deputado nas listas do PSD e mais tarde ministro da Segurança Social do governo de Santana Lopes (2004/2005), Fernando Negrão voltou a ser considerado suspeito de um novo caso de violação de segredo de justiça relacionado com um inquérito da PJ do Algarve e com o seu ex-diretor nacional adjunto Sousa Martins mas o caso não teve os mesmos desenvolvimentos do caso da Moderna. Estava em causa uma investigação sobre a autoria de panfletos anónimos sobre o presidente da Câmara de Ourique, José Raúl dos Santos, do PSD.

Costa Neves e o caso Portucale

Damos agora um salto no tempo para o ano de 2005 – últimos dias do governo de Santana Lopes, primeiro-ministro que tentava discutir a vitória nas eleições legislativas antecipadas marcadas pelo Presidente Jorge Sampaio com José Sócrates, o novo líder do PS.
Pressionados por Abel Pinheiro, então diretor financeiro do CDS/PP e figura muito influente no partido de Paulo Portas, Nobre Guedes (ministro do Ambiente), Telmo Correia (ministro do Turismo) e Costa Neves (ministro da Agricultura) assinam um despacho a declarar o interesse pública da Herdade da Vargem Fresca, propriedade do Grupo Espírito Santo. Era o que bastava para ser viabilizar o abate 2.500 sobreiros e abrir o caminho à construção do projecto turístico da empresa Portucale.
O Departamento Central de Investigação e Ação Penal, contudo, tinha aberto um inquérito por suspeitas de trafico de influências e estava a ouvir todas as conversas e a seguir todos os passos dos protagonistas desse caso, com destaque para Abel Pinheiro e as respetivas suspeitas de financiamento partidário ilícito que recaíram sobre o CDS/PP – partido que tinha indicado dois dos três ministros envolvidos no caso.
Costa Neves foi constituído arguido em 2007 por suspeitas de tráfico de influências, dois anos após o início das investigações, mas acabou por não ser acusado no final do inquérito – Nobre Guedes tinha visto os indícios recolhidos contra si serem arquivados num despacho intercalar dado em 2006 e Telmo Correia nunca passou de testemunha.
Quando foi conhecida a notícia da sua constituição de arguido, e antes de ser conhecida a decisão do MP de arquivar o caso contra si, Costa Neves viu Carlos César, então presidente do governo regional dos Açores e hoje líder parlamentar do PS, elogiar-lhe a honestidade e sair em sua defesa. Mais tarde, no final do julgamento, Abel Pinheiro e os restantes arguidos foram igualmente absolvidos.

Calvão da Silva tentou ajudar Ricardo Salgado

O novo ministro da Administração Interna é um histórico do PSD, presidente do Conselho Jurisdição Nacional do partido, com uma longa carreira académica. Doutorado em Direito Civil e professor catedrático da Universidade Coimbra, Calvão da Silva acabou por ser protagonista de um episódio mediático do caso BES/GES revelado pelo jornal i. Contratado como juriconsulto por Ricardo Salgado para emitir um parecer jurídico que seria enviado para o Banco de Portugal, Calvão da Silva arriscou pronunciar-se sobre os 14 milhões de euros que o construtor José Guilherme transferiu para as contas de Ricardo Salgado que estiveram na origem de retificações fiscais que foram realizadas pelo líder da família Espírito Santo e que levaram, inclusive, o Ministério Público (MP) a pedir explicações em dezembro de 2013 ao líder da família Espírito Santo.
Afirma Calvão da Silva no parecer pago por Ricardo Salgado que tal prémio de 14 milhões de euros, que o ex-líder do BES classificou ao MP como uma “liberalidade” de José Guilherme por lhe ter dado bons conselhos imobiliários para investir em Angola, enquadra-se no “bom princípio geral de uma sociedade que quer ser uma comunidade – comum unidade –, com espírito de entreajuda e solidariedade”.
Calvão da Silva acrescenta ainda no referido parecer o seguinte:
A liberalidade foi por conselho dado a título pessoal, fora do exercício de funções e por causa das funções de administrador bancário, não se vê por que razão censurar a sua aceitação, muito menos que possa constituir fator relevante na decisão de registo sob o prisma da idoneidade necessária a uma gestão sã e prudente da instituição de crédito”.
Isto é, o futuro ministro da Administração Interna não viu nenhum problema no facto de um presidente executivo de um banco ter recebido 14 milhões de euros de um cliente, como também não considerou incompatível por parte de Ricardo Salgado o exercício de funções de consultor em Angola para um cliente de um banco angolano que era detido maioritariamente pelo BES e que o próprio Salgado acompanhava de perto.
Este parecer de João Calvão da Silva tornou-se relevante depois de Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, ter citado o mesmo para justificar a sua decisão de ter mantido a idoneidade de Ricardo Salgado depois do jornal i ter noticiado as retificações fiscais feitas por Ricardo Salgado devido à sua atividade declarada como consultor com rendimentos obtidos em Angola.


Jornal online Observador


O Zé Manel Fernandes terá  mudado a linha editorial do Observador?