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quarta-feira, 29 de maio de 2024

LIDO E COPIADO

Li hoje, algures:


"O pior crime é produzir vinho mau, engarrafá-lo e servi-lo aos amigos"




Aquilino Ribeiro, in "Aldeia, terra, gente e bichos"


Aviso meu: não produzo vinho (já fui produtor mas não servi a amigos) 


Adenda: 

Aquilino Ribeiro, que li, morreu em 27 de Maio de 1963

quarta-feira, 22 de março de 2017

LIDO


Resposta ao pequeno holandês




Ah, o que o noticiário de ontem me trouxe de arte e luxúria! Passeei-me pela Holanda, quando ela era grande e não só entreposto de impostos dos outros. Rembrandt em autorretrato, uma mão pousada no nadegueiro da sua mulher Saskia e outra levantando o cálice. Mulheres e copos. Vermeer é mais vinho branco, límpido como as suas sedas. Frans Hals, em Jovem e a Sua Amada, faz ambos de maçãs de rosto tão vermelhas que só pode ser do tintol que o rapaz levanta em glória. Já Gerard ter Borch, pintor dos ricos, só tem garrafas de cristal trazidas por criados. Jan Steen, pintor de tascas (bordeeltjes, cenas de bordel ou tabernas, são mesmo um género da grande pintura flamenga), no óleo Vinho Holandês, com uma bêbada de seio nu e coxas ao léu, homem com a mão marinhando pela perna dela e um querubim, nem 6 anos, já abotoado ao copo. Gabriel Metsu vai com a mulher, Isabelle de Wolf, para a taberna e pinta o casal agarrado, entre si e ao vinho. Copos e mulheres... E eu, confesso, não gastei o meu dinheiro num curso rápido sobre a pintura holandesa. Limitei-me a ler uma brochura da Académie Amorim, fundação de Américo Amorim, um homem do Sul da Europa, grato ao vinho e à cortiça. A brochura chama-se O Copo de Vinho na Pintura Holandesa na Idade do Ouro, porque os verdadeiros europeus estão gratos à grande Holanda. Já para responder a Jeroen Dijsselbloem, um curso rápido de arte portuguesa chegava: um c(*)  das Caldas para ti, pequeno holandês.

(*) por extenso, no original

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

AINDA ESTÁ PARA NASCER...

As aquisições de bens e serviços por parte da Presidência da República são sempre feitos por ajuste direto e sem que se dê qualquer explicação, mesmo estando em causa dinheiro público.

Uma auditoria feita às contas de 2014 – a primeira alguma vez feita à Presidência – denuncia aquilo que considera ser uma prática pouco correta e aconselha a que tal seja mudado em prol de uma maior transparência.
“O procedimento adotado para a aquisição de bens e serviços tem sido, frequentemente, o ajuste direto, por motivos materiais relacionados com a segurança”, lê-se no relatório do Tribunal de Contas, que não deixa de fazer notar que “as razões que impõem o recurso ao ajuste direto têm implicado também o recurso frequente a um conjunto de empresas que, devido às relações de confiança estabelecidas ao longo do tempo, têm recomendado e continuam a recomendar a sua escolha”.
Não sendo nenhum dos contratos em causa publicados no portal Base e sendo, por isso, desconhecidos dos portugueses os motivos que levaram à sua assinatura, o Tribunal de Contas entende que deve haver uma “ponderação entre as dimensões de segurança e transparência”.
Assim sendo, aconselha a Presidência a adotar o “princípio-regra” de publicitar os contratos públicos e “só excecionalmente” restringir essa informação.
A sugestão foi acolhida pelo Palácio de Belém, que admitiu ao Jornal de Negócios vir a mudar os procedimentos, mas só em relação aos contratos assinados a partir de 1 de janeiro de 2016.

Dos Jornais


Já nada me espanta, neste reino fétido. Mas, confesso, gostei do último parágrafo da notícia.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

LIDO

Nicolau Santos
Por Nicolau Santos
Diretor-Adjunto

28 de Dezembro de 2015

Os Emídios Catuns que nos pregaram um calote de 6,3 
mil milhões e andam à solta



Bom dia.


Desculpem, mas não há peru, rabanadas e lampreias de ovos que me façam 

 passar o engulho da fatura que neste final do ano veio parar outra vez aos 
 bolsos dos contribuintes por mais um banco que entrega a alma ao criador,
 no caso o Banif, no caso mais 3 mil milhões. É de mais, é inaceitável, é uma 
ignomínia para todos os que estão desempregados ou caíram no limiar da
 pobreza por causa desta crise e mais uma violência brutal para os que
 continuam a pagar impostos (e que são apenas cerca de 50% de todos
 os contribuintes).

Todos nos lembramos do cortejo dos cinco maiores banqueiros portugueses

(Ricardo Salgado, Fernando Ulrich, Nuno Amado, Faria de Oliveira e
 Carlos Santos Ferreira) a irem ao Ministério das Finanças e depois à TVI 
exigir ao então ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, para pedir ajuda 
internacional. Todos nos lembramos como o santo e a senha da altura era o 
da insustentável dívida pública portuguesa por erros de gestão do Governo 
de José Sócrates. Todos nos lembramos das sucessivas reafirmações de que 
a banca estava sólida por parte do Banco de Portugal e do governador Carlos 
Costa. Todos nos lembramos dos testes de stress aos bancos conduzidos pela 
Autoridade Bancária Europeia – e como os bancos nacionais passaram sempre
 esses testes. E depois disso BPI, BCP, CGD e Banif tiveram de recorrer à linha 
de crédito de 12 mil milhões acordada com a troika. E depois disso o BES implodiu

– e agora o Banif também. E depois disso só o BPI pagou até agora tudo o que lhe 

foi emprestado. E antes disso já o BPN e o BPP tinham implodido. E a Caixa 
vai ter de
 fazer um aumento de capital. E o Montepio é uma preocupação. É de mais! 
Chega! Basta!

No caso do Banif, é claro que o governador Carlos Costa tem enormes 

responsabilidades na forma como o problema acabou por ter de ser resolvido. 
No caso do BES foi ele também que seguiu a estratégia da resolução, da criação 
do Novo Banco e do falhanço total dessa estratégia – a venda rápida que não
 aconteceu, a venda sem despedimentos que também não vai acontecer, os 17
interessados que afinal eram só três, as propostas que não serviam, e o banco 
que era para ser vendido inteiro e agora vai ser vendido após uma severa cura 
de emagrecimento. É claro também que a ex-ministra das Finanças, Maria Luís 
Albuquerque, tem responsabilidades diretas no caso, por inação ou omissão. 
E é claro que o ex-primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, geriu politicamente 
o dossiê.

Mas não confundamos os políticos e o polícia com os bandidos, com os que 

 levaram a banca portuguesa ao tapete. E para isso nada melhor do que ler o 
 excelente texto que o Pedro Santos Guerreiro e a Isabel Vicente escreveram 
na revista do Expresso da semana passada com um título no limite mas que é
 um grito de alma: «O diabo que nos impariu» - ou como os bancos nacionais 
destruíram 40 mil milhões desde 2008. Aí se prova que houve seguramente 
muitos problemas, mas que a origem de tudo está no verdadeiro conúbio lunar 
que se viveu entre a banca e algumas empresas e alguns empresários do setor da 
construção. Perguntam os meus colegas: «Sabe quem é Emídio Catum? É um desses empresários da construção, que estava na lista de créditos do BES com empresas 
que entretanto faliram. Curiosamente, Catum estava também na lista dos maiores 
devedores ao BPN, com empresas de construção e imobiliário que também faliram».
 E como atuava Catum? «O padrão é o mesmo: empresas pedem crédito, não o pagam, 
vão à falência, têm administradores judiciais, não pagam nem têm mais ativos para
pagar, o prejuízo fica no banco, o banco é intervencionado, o prejuízo passa para o
 Estado». Simples, não é, caro leitor?

A pergunta que se segue é: e o tal de Catum está preso? Não, claro que não. E assim, 

de Catum em Catum, ficámos nós que pagamos impostos com uma enorme dívida 
para pagar que um dia destes vai levar o Governo a aumentar de novo os impostos 
 ou a cortar salários ou a baixar prestações sociais. Mas se fosse só o Catum…
 Infelizmente, não. Até as empresas de Luís Filipe Vieira deixaram uma dívida 
de 17 milhões do BPN à Parvalorem, do Estado, e tinham ainda por pagar 600 
 milhões de crédito do BES. O ex-líder da bancada parlamentar do PSD, Duarte Lima, 
deixou perdas tanto no Novo Banco como no BPN. Arlindo Carvalho, ex-ministro 
cavaquista, também está acusado por ilícitos relacionados com crédito concedido 
pelo BPN para compra de terrenos. E um dos homens fortes do cavaquismo, 
Dias Loureiro é arguido desde 2009 por compras de empresas em Porto Rico e
 Marrocos, suspeita de crimes fiscais e burlas. Mas seis anos depois, o Ministério 
Público ainda não acusou Dias Loureiro, nem o processo foi arquivado.

Dos 50 maiores devedores do BES, que acumulavam um crédito total de dez mil 

milhões de euros, «o peso de construtores e promotores imobiliários é avassalador».
No BPN, «mais de 500 clientes com dívidas iguais ou superiores a meio milhão de 
euros deixaram de pagar». E a fatura a vir parar sempre aos bolsos dos mesmos. 
Por isso, o artigo de Pedro Santos Guerreiro e Isabel Vicente é imperdível. Para
ao menos sabermos que o que aconteceu não foi por acaso. Que muita gente não
 pagou o que devia ou meteu dinheiro ao bolso – e esperou calmamente que o
 Estado viesse socializar os prejuízos enquanto eles privatizaram os lucros.


Nicolau Santos, in Expresso online

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

LIDO

"Aquilo que foi o programa com que a coligação se apresentou aos eleitores é para respeitar
Não somos daqueles que nos apresentamos aos eleitores com um determinado programa e, depois de o voto ser depositado nas urnas, fazemos uma viragem de 180 graus e propormo-nos governar com modelos e propostas totalmente diferentes".

Quem disse? Nem mais nem menos do que o senhor ministro Marques Guedes, em entrevista ao Público.
Esta gente não terá um pingo de vergonha na cara?

sábado, 10 de outubro de 2015

LIDO

(...)
4. No terreno da vitória da coligação há duas soluções possíveis: uma é a coligação governar com o apoio do PS, outra, que ninguém refere, o PS governar com o apoio da coligação. Ambas as soluções manteriam o governo dentro daquilo que se tem chamado “arco de governação”. Se a manutenção desse “arco” é a coisa mais importante que há, como diz a coligação, a segunda hipótese não pode ser excluída por muito abstrusa que pareça. Aliás, o discurso da estabilidade é ambíguo, porque se se trata apenas da estabilidade formal de uma maioria parlamentar, favorece o PS mais do que o PSD-CDS.



Pacheco Pereira, in Público

E esta, hein?

sexta-feira, 31 de julho de 2015

A BILA E A VOLTA A PORTUGAL

A Volta
31.07.2015
FRANCISCO SEIXAS DA COSTA
Esperávamos, ansiosos, a chegada dos ciclistas, lá por Vila Real. Um pouco antes, nessa charneira dos anos 50 e 60, em que quase não havia transístores, alguém teria espalhado: "Já passaram no Alto de Espinho!". Esse era o separador mágico dos que estavam "p"ra cá do Marão", bem no topo das dezenas de curvas que começavam a nascer lá de baixo, em Amarante, contadas a partir do Largo do Arquinho. Imaginávamos então a descida infrene pela Boavista, Campeã e Arrabães, a derradeira subida desde a Ponte do Cabril, sob aquele calor transmontano dos "três meses de inferno".
Foi um tempo em que o ciclismo "eram" os clubes de futebol. Fora destes, havia, claro, outras vedetas, de Alves Barbosa a Ribeiro da Silva. Contudo, a nossa clubite congénita prevalecia sobre essas figuras, pelo que as camisolas de cor verde, encarnada (não se dizia vermelho, porque a censura cortava) ou azul eram por nós saudadas, à chegada, com um fervor que nos ligava diretamente a Alvalade, à Luz ou às Antas.
Nessa cidade que aqui recordo, onde nada ou quase nada se passava, a Volta era um acontecimento. As equipas distribuíam-se pelas pensões locais, as mais ricas iam para o Hotel Tocaio.
Desmontada a meta onde, horas antes, nos apinháramos para ver a chegada da caravana suada, o espetáculo passava então para a Avenida Carvalho Araújo, convertida num parque caótico de "carros de apoio", cheios de rodas com um reluzir metálico, de veículos da organização com papelada colada, os passeios subvertidos por hordas de estranhos, de identificação pendurada ao peito, o que lhes conferia uma dignidade mítica.
De chanatos arejados, numa mais do que duvidosa elegância, cheirando aos óleos da massagem pós-competição, os nossos "heróis" passeavam-se, impantes, ou jaziam refastelados em cadeiras de esplanadas, da Gomes ao Camposana, passando pela Brasileira.
Às vezes, viamo-los confraternizar com os jornalistas "da Volta". É que ali estavam, à nossa vista, o Aurélio Márcio, o Carlos Miranda, o Artur Agostinho, o Amadeu José de Freitas, o Manuel Dias, o Nuno Braz - nossos "íntimos" de "A Bola", do "Record", de "O Mundo Desportivo", do "Norte Desportivo" ou da "Emissora".
Ah! A cidade tinha um ciclista! Chamava-se Firmino Claudino. Emérito bilharista no "Excelsior", durante o ano arranjava e alugava bicicletas junto à estação. O Firmino às vezes corria a Volta, outras vezes não. Raramente chegava ao fim. Em qualquer caso, as etapas em Vila Real eram para ele momentos de glória, ao ser visto de braço dado com os companheiros famosos, como que a mostrar à terra: "Veem? Eu sou um deles!". Nesse dia, era.
*EMBAIXADOR

In JN de hoje

Que de recordações...
Sobra-me uma dúvida: o Firmino Claudino não tinha a loja junto ao antigo quartel, abaixo do Jardim da Carreira e quase em cima da meta do antigo circuito automóvel?


sexta-feira, 5 de junho de 2015

LIDO (2)


Jorge Jesus, Bruce Jenner e Cristina Ferreira

por FERREIRA FERNANDESHoje
Um treinador de futebol é sempre uma vedeta. 
Por isso, além de saber da poda que o leva à fama,
 um treinador precisa de golpes de asa. Jorge Jesus 
podia posar como Bruce Jenner que se vestiu de 
Caitlyn, com corpete cintado e branco, ou desnudar-se numa capa de revista, com o retrato da Cristina Ferreira
 na virilha. Ele não fez uma coisa nem outra, o que o 
livrou de bisturis ou de se aleijar no prego da moldura 
da Cristina. E, contudo, ganhou à mesma a atenção dos projetores: J.J. foi para Alvalade. O que também não é 
sem risco porque, com ele sob o signo do leão, um dia destes ainda o vemos com a juba pintada à Maria José Valério. Mas, pronto, está escolhido. Não percebo, mas admiro: em tempos em que os desesperados atravessam 
o Mediterrâneo só num sentido, é gratificante ver um homem a atravessar a Segunda Circular a contracorrente.
 E é essa a principal mensagem: um homem escolheu. Tão simples como isso. J.J. agiu como num contrato entre iguais: de um lado, ele, um bom profissional, do outro,
 um grande clube. E J.J. ousou decidir como lhe apeteceu. Uma tolice, penso eu - mas isso também sou eu a pensar nos meus interesses clubísticos. Pensando nos meus interesses de cidadão, agradeço a J.J. ter feito o que entendeu fazer. "Ingrato", chamou-lhe alguém do Benfica. Mais um que não entendeu a diferença entre ser fiel, próprio de alguém amarrado, e ser leal, que é de quem cumpre o acordado e, depois, parte. 
Tão simples como isso.


Ferreira Fernandes, in DN

LIDO

As garantias, outra vez

Passos e Portas apresentaram o esboço das suas promessas eleitorais em forma de “garantias”. Foi bonito.
Mas ao fim de quatro anos de promessas não cumpridas, a única verdadeira garantia que temos é que a palavra deles não merece confiança. 
[CORTE_EDIMPRESSA]
Agora é a sério, dizem eles, com ar solene e olhos postos nas câmaras de televisão. Como se nada se tivesse passado e não tivessem sido eles a decidir cortes inéditos e brutais nas pensões já atribuídas, Passos Coelho e Paulo Portas vêm agora dizer, imagine-se, que assumem o dever de garantir a "previsibilidade" e "segurança" no pagamento das pensões. Quais? Segurem-se: todas, "actuais e futuras" (que eles, em tempo de eleições, não fazem a coisa por menos). Mais garantem que para a próxima será diferente e juram que vão passar a governar no respeito pela muito respeitável, e aliás douta, jurisprudência do excelentíssimo Tribunal Constitucional. Não há como negar: embora súbito, o respeito de Passos e Portas pela Constituição e pelos direitos dos pensionistas é tanto que chega a ser comovente.

A pergunta óbvia é esta: que valor têm as "garantias" de última hora que Passos e Portas pretendem dar aos eleitores? Tendo em conta o divórcio entre o que agora é prometido e a prática da governação nos últimos quatro anos, não se vê como é que, fora das fidelidades partidárias, alguém ainda pode ter a dose de ingenuidade suficiente para acreditar nestas promessas, vindas de quem vêm. E não é apenas a prática da governação que retira credibilidade às "garantias" agora apresentadas, é também o que já sabemos sobre as intenções da coligação PSD/CDS para o futuro. 

Veja-se, mais uma vez, este caso dos direitos dos pensionistas: afinal, que valor tem o facto de Passos e Portas virem agora garantir "previsibilidade" e "segurança" aos pensionistas quando ainda há dias a própria Ministra das Finanças explicou que a verdadeira intenção da coligação PSD/CDS é cortar mais 600 milhões de euros na segurança social e expressamente admitiu que esse corte poderá ser feito precisamente através de cortes nas pensões já atribuídas? 

Para as lideranças da direita, isso agora não interessa nada. O tempo é de pura encenação e propaganda. Mas há limites e permanece em vigor uma regra básica: tudo o que é demais não presta. E o problema é mesmo esse: as "garantias" de Passos e Portas são demais para ser verdade. 

Entendamo-nos: quem mandou os jovens emigrar e prejudicou gravemente as condições de vida das famílias, não pode agora aparecer a "garantir" que vai promover a natalidade e enfrentar o problema demográfico; quem desinvestiu na escola pública, aumentou as taxas de retenção no ensino básico e acabou com o programa "Novas Oportunidades", não pode agora "garantir" que a sua prioridade vai passar a ser a qualificação das pessoas; quem degradou os serviços públicos, paralisou o funcionamento dos tribunais, semeou o caos nas urgências, cortou na protecção social e agravou a pobreza e as desigualdades, não pode agora "garantir" que se vai transfigurar em defensor do Estado Social; quem foi incapaz de fazer a reforma do Estado e não hesitou em suspender o programa Simplex, não pode agora "garantir" que está apostado na qualificação da administração pública e no combate à burocracia; quem falhou todas as metas de consolidação das contas públicas e bateu todos os recordes de aumento da dívida pública não pode agora "garantir" que a vai baixar; quem escolheu a austeridade "além da troika", fez o enorme aumento de impostos, cortou nos salários, cortou nas pensões, cortou no investimento e conduziu a economia à mais grave recessão de que há registos, fazendo disparar o desemprego e destruindo mais de 400 mil postos de trabalho em apenas quatro anos, não pode agora "garantir" que, mantendo a mesma política, vai ser capaz de promover um ciclo de investimento, crescimento económico e criação de emprego. 

Quando se lê a "carta de garantias" de Passos e Portas, distante como está da sua prática política dos últimos anos, o que ocorre é a velha pergunta: pode alguém ser quem não é? Todos sabemos a resposta. Mas quando se percorrem as "linhas de orientação geral para a elaboração do programa eleitoral do PSD e do CDS", com todas as suas promessas para amanhãs que cantam, o que apetece perguntar é outra coisa: afinal, qual é a alavanca que sustenta tantas promessas de um novo ciclo de crescimento para a economia portuguesa? Essa resposta é menos evidente mas, bem vistas as coisas, está lá nas entrelinhas e não podia ser mais decepcionante: a mesma fé de sempre nas virtudes da "austeridade expansionista". Para lá da propaganda, é esse, outra vez, o programa da direita. Nem mais, nem menos.

Pedro Silva Pereira, in Económico

sexta-feira, 10 de abril de 2015

ASSIM VAMOS

Como os bandidos

por FERNANDA CÂNCIOHoje
A manifestação/concentração de 14 de novembro de 2012 à frente do parlamento, lembram-se? Foi aquela em que a polícia, de capacete e fato antimotim, esteve a levar com pedras do passeio, arremessadas por meia dúzia de pessoas, durante uma - inexplicável - hora. Ao fim da qual avançou e varreu à bastonada a praça e todas as ruas, circundantes e não circundantes, até ao Cais do Sodré, agrediu dezenas e prendeu outras dezenas de pessoas.
Pois bem: mais de dois anos depois, aliás, dois anos, quatro meses e duas semanas depois, a 1 de abril (adequado, como se verá), soube-se do resultado da averiguação efetuada pela Inspeção-Geral da Administração Interna. E sabemo-lo por um jornal, o Sol, que "teve acesso ao relatório", porque acesso público - por exemplo no site da instituição, onde seria de esperar ver o dito - não existe. Aliás, mesmo para jornalistas, fui informada, só por requerimento e "tem de ir a despacho".
Criada há 20 anos, na sequência da horripilante decapitação de um cidadão no posto da GNR de Sacavém, a IGAI surgiu como a grande esperança de que as forças policiais fossem na sua atuação alvo de fiscalização e formação no sentido de respeitarem a lei - incluindo, naturalmente, os deveres de respeito pelos direitos fundamentais dos cidadãos, razão de ser primeira das polícias. Mas o tempo incompreensível ocorrido desde os acontecimentos até, segundo o Sol, o relatório ficar "disponível" (para quem?) e os excertos reproduzidos esmorecem a expectativa. Diz então a IGAI que houve "abuso de poderes funcionais" por parte dos agentes. Enumera: "empunhar o bastão com o cotovelo acima do ombro" (dando balanço); bater na cabeça (e até na cara, num dos casos reportados pelo relatório); conduções ilegais a esquadra "para identificação"; colocação de pessoas, nem sequer detidas formalmente, em celas; etc. Menciona por exemplo um bombeiro que, indo para o trabalho, foi apanhado na confusão e acabou cinco dias no hospital e uma jovem de 17 anos que diz terem-na obrigado a despir-se integralmente e a pôr-se, nua, de cócoras (fez queixa ao DIAP, que arquivou), entre outros. Conclusão da IGAI: se a conduta dos agentes em causa "mereceria certamente censura e ação disciplinar", como "as caras estavam escondidas pelos capacetes e viseiras" nada se pode fazer. O mesmo quanto às nove pessoas que alegam ter sido agredidas na casa de banho da esquadra do Calvário por "agentes embuçados": "Uma agressão poderia produzir gritos e estes seriam ouvidos pelas muitas pessoas que estavam na esquadra", cita o Sol. Mas "mesmo que houvesse prova, os seus autores não poderiam ser reconhecidos" - estavam embuçados, então. O jornal resume: "Tudo arquivado." Pode acrescentar-se: batam, prendam ilegalmente, torturem, desvirtuem por completo a vossa missão, envergonhem o vosso uniforme, senhores polícias. Desde que ninguém filme e tapem a cara, da IGAI (que também pode pintá-la de preto, já agora) não esperem castigo.

In DN

Tudo bons rapazes, a começar pelos do IGAI.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

LIDO (2)

Da indignidade, da vergonha e da humilhação

por Nuno Saraiva

Não faço a mínima ideia se os relatos sobre a reunião
do
 Eurogrupo que dão conta de que Portugal, de braço 
dado 
com Espanha, se comportou como pau de cabeleira, 
isto é, 
empata-acordos, são verdadeiros. Não me chegam as 
palavras
 vagas do ministro holandês que preside ao 
"clube dos 19". 
Tenho aliás a tentação de confiar muito mais no que 
diz 
Yanis Varoufakis - afinal de contas, e ao contrário de 
outros que bem conhecemos, não rasgou as promessas 
que fez aos seus 
eleitores mal se apanhou no poder - que, com elegância, 
se referiu ao assunto, do que na retórica de alguém 
que é 
cúmplice da humilhação continuada a que gregos e 
portugueses têm sido sujeitos.
E sim, é de humilhação que se trata quando em 
causa está a dignidade de um país inteiro. Seja em Portugal ou na Grécia, é disto que estamos a falar. Senão, vejamos. Que outra palavra pode ser
 utilizada que não seja humilhação, quando 
assistimos à exibição da ministra das Finanças,
 Maria Luís Albuquerque, toda contentinha e bem amestrada no papel de aluna exemplar, pelo seu 
chefe alemão, Wolfgang Schäuble? Que outro sentimento podemos ter que não seja de repulsa 
pela indignidade que significa um governo 
vangloriar-se da sua obediência cega a Berlim, 
incapaz de reconhecer que o "austericídio" 
deixou um rasto de 1,2 millhões de 
desempregados - são os números do desemprego
 real -, uma vaga de emigração de mais de 300 mil pessoas em três anos, um aumento da pobreza para níveis de há várias décadas, um recuo da confiança dos empresários no investimento para patamares negativos, um crescimento económico anémico de 0,9% em 2014 que não compensa sequer 
a contração da economia em 1,5% em 2013? 
Como é que alguém com um pingo de vergonha, confrontado com a realidade dos factos, consegue insistir que tudo 
correu bem? Que outra expressão que não seja vexame podemos usar para classificar a atitude de quem, por mero preconceito, faz tudo para que o governo, democrática e legitimamente eleito pelos gregos, falhe e ainda diz, com orgulho e perfídia, que "eles [os gregos] vão ter muita dificuldade em explicar este acordo aos eleitores"?
Na verdade, esta gente só tem um propósito que é mostrar que manda, que tem o poder de vergar 
e pisar quem muito bem entende. Não se trata de diabolizar a Alemanha ou os alemães. Até porque, 
certa e seguramente, nem todos serão capazes de ostentar um cartaz que diga "Ich bin Schäuble!".
Sejamos claros. Aquilo que o primeiro-ministro e alguns dos seus correligionários protagonizaram nesta semana, bem como em todas as anteriores dos últimos três anos, foi só mais um episódio da 
narrativa moral e subserviente que começaram a escrever em 2011, quando aceitaram acriticamente seguir as ordens de uns mangas de alpaca que ninguém elegeu, que aterravam em Lisboa de três 
em três meses. E mesmo perante o ato de contrição, ainda que tardio, do presidente da Comissão Europeia, Passos Coelho preferiu continuar de joelhos, entrincheirado na barricada de quem parece desprezar os mais elementares valores da solidariedade europeia.
Foi aliás isso que Jorge Sampaio veio dizer quando recordou que "Portugal, desde que entrou para a UE, esteve sempre na formação dos consensos necessários", e que, "nos tempos que vamos vivendo, os países que têm sofVeremos se algum dia o atual governo vislumbra a luz e percebe que assumir que errou não é estúpido. E que abanar o rabo em vez de bater o pé é não se dar ao respeito e permitir que o povo que representa seja tratado de forma indigna e humilhante.
rido mais não devem pôr-se uns contra os outros".

Nuno Saraiva in DN 

LIDO

O ex-ministro do Emprego do Governo de Aníbal Cavaco Silva considerou que "há uma clara falta de noção exata da realidade do que é a economia portuguesa por parte dos membros da 'troika'", composta pelo Banco Central Europeu (BCE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e Comissão Europeia (CE).
"Dá ideia que fizeram um modelo, que é um modelo de pronto a vestir, que se aplica, indiferentemente das características culturais e económicas de cada país", disse o presidente do Conselho Económico e Social (CES).
No entender do responsável, que preside aquela que foi a "primeira instituição que falou num programa mal desenhado e num ciclo vicioso, centrado na austeridade e na incapacidade de redução do défice público", a "troika" descurou quatro aspetos que caracterizam a economia portuguesa.
Silva Peneda salientou que o desequilíbrio da economia portuguesa é de "natureza estrutural e muito profundo", assente em pequenas e médias empresas (PME), muito diferente dos países da Europa.
Num segundo aspeto, assinalou tratar-se de um programa aplicado num país que não tem moeda própria, o que dificulta o sucesso da sua aplicação.


Domingos de Andrade in JN de hoje


Silva Peneda, que Passos Coelho não quis que fosse Comissário Europeu, como lhe foi pedido pelo senhor Junker e que, por isso ou por causa disso, o convidou  para seu conselheiro, dá uma entrevista ao JN que vale a pena ler.
Passos deve estar com as orelhas a arder.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

LIDO

Os "povos" que não querem trabalhar

Em 2010, ainda governava José Sócrates, Cavaco Silva ouviu do Primeiro-ministro checo as seguintes palavras: «O défice do nosso orçamento chegou, o ano passado, aos cinco por cento. Eu fico muito surpreendido por Portugal não estar preocupado quando tem um défice de oito por cento. É um caso curioso, interessante e espero que não estejam aqui jornalistas porque, a nível interno, eu digo que é absolutamente necessário eliminar o défice o mais depressa possível e defendo a introdução de medidas radicais para o conseguir. Portanto, sr. presidente, peço-lhe que não divulgue por cá que vocês têm um défice ainda maior que o nosso».
Vaclav Klaus fez várias afirmações deste tipo diante de Cavaco Silva, algumas nos contextos mais inapropriados, e o Presidente ficou muito incomodado. Acabou por responder que Portugal iria sem dúvida no futuro ter défices mais baixos e elogiou um dos PEC de Sócrates.

Muita água passou de 2010 a 2015. É natural que hoje Cavaco Silva se sinta como Klaus face à Grécia, até porque as suas afirmações da semana passada são do mesmo teor das do político checo. No intervalo, Portugal “ajustou”, ou seja, aumentou exponencialmente os seus impostos, cortou salários e despediu centenas de milhares de portugueses, levou milhares de empresas à falência, destruiu a vida e o futuro de muitas famílias portuguesas, acabou com a escassa e débil classe média que se formara depois do 25 de Abril, alterou profundamente o equilíbrio das relações laborais a favor do patronato, vendeu todas as “jóias da coroa” menos uma, aumentou a pobreza, a exclusão social e as diferenciações sociais, desmantelou vários serviços públicos na administração central, na saúde, na educação e na justiça, e tem uma política externa ficcional. Mas “ajustou”, pelo que Cavaco Silva pode aparecer orgulhoso diante do sucessor de Klaus e dizer, na linguagem adolescente de Passos Coelho, que “fez o trabalho de casa”. Como batemos no fundo, alguns números da economia são debilmente positivos e outros continuam negativos, uns crescem, outros descem, outros já cresceram e depois desceram. Nalguns casos, as coisas melhoraram exactamente pelas razões que o governo demonizava, como seja o consumo interno.

Nada de sólido, tudo muito instável e ninguém de bom senso é capaz de dizer que foi feita qualquer “reforma estrutural” em Portugal, muito menos na economia. Na sociedade sim, mas chamar-lhe reformas é um insulto à inteligência. Andou-se para trás. Quem quiser “compor” o país, vai ter enormes dificuldades.

É verdade que os juros estão historicamente baixos, só que não há nenhum analista independente que atribua essa circunstância aos méritos nacionais, mas sim ao BCE e ao excesso de liquidez dos investidores, que levaram quase todos os juros europeus (incluindo os gregos, até Janeiro de 2015), a baixar muito. A única coisa que o governo pode dizer a seu favor na questão dos juros é que, como sempre foi bom aluno das políticas de “ajustamento”, não foi um óbice para essa descida, como é o haver hoje em Atenas um governo rebelde. Mas, como também qualquer analista independente dirá, os juros são de tal maneira voláteis face aos diferentes riscos europeus, que podem voltar a subir a qualquer altura.

Cavaco Silva e Passos podem hoje esnobar da Grécia, como Klaus fazia com Portugal, mas ao fazê-lo enfileiram no pior que existe hoje na política europeia: a perversão dos objectivos da União, transformada num instrumento da política económica e financeira da Alemanha. A essa situação de facto, que nenhum Tratado permite, juntam-se duas outras ainda maiores perversões – o declínio do socialismo europeu domado pelo Tratado orçamental, logo a perda da alteridade política, e o permanente resvalar das democracias europeias para retirar do escrutínio dos parlamentos e, pior ainda dos eleitores, todas as políticas europeias decisivas. Está criado um monstro, e é da natureza dos monstros fazer monstruosidades.

Ora, quando Cavaco e Passos passaram a falar dos “gregos” como uma entidade orgânica, um país de gente preguiçosa, que só quer férias, que não paga impostos, nem aliás coisa nenhuma, das portagens à electricidade, e que pretende viver eternamente à custo do dinheiro estrangeiro, eles engrossaram uma hoste europeia que é demasiado conhecida e que vai do Partido dos Verdadeiros Finlandeses, à Liga Norte italiana de Umberto Bossi e à sua reivindicação da Pâdania.

O caso italiano é muito significativo, porque espelha argumentos muito comuns nas zonas ricas de um determinado país, em relação às zonas mais pobres, muitas vezes rurais e pouco industrializadas, como é o caso do Sul da Itália. Por que razão o Norte italiano rico, industrial, trabalhador e próspero tem que “pagar” para esses preguiçosos da Calábria que vivem da assistência social e não querem trabalhar? O mesmo tipo de “argumentos” existe em vários países: na antiga Checoslováquia por parte dos checos e contra os eslovacos, em Espanha e mesmo em Portugal. E não é verdade que os alentejanos não gostam de trabalhar e querem viver sempre à “sombra de um chaparro” a dormir? E Pinto da Costa não falou várias vezes do Porto e do Norte trabalhador que alimenta os “mouros” de Lisboa para baixo? E em que é que estes “argumentos”, atingindo povos, regiões, histórias diferenciadas, são diferentes dos que a extrema-direita dá contra os “pretos”, os “árabes”, e os “imigrantes”, que também não querem trabalhar, mas viver da segurança social e das regalias dos países mais ricos, em detrimento dos seus habitantes “nacionais”?

Cavaco Silva e Passos Coelho falaram dos “gregos” com o mesmo grau de generalidade e anátema. Como muito dos seus repetidores nos media e nas redes sociais, são as “características” intrínsecas do povo que são atacadas. O que aconteceu na Grécia, nesta versão, é culpa do povo, não dos anteriores governos gregos. Percebe-se, porque o povo votou mal e derrotou o governo preferido por Cavaco Silva e Passos Coelho: o tandem troika-Nova Democracia.

Sim, porque se o PASOK tem culpas no passado, a Grécia era até Janeiro governada por um governo membro do Partido Popular Europeu (de que faz parte Merkel, Rajoy, Passos Coelho e Portas) que foi apoiado pelos partidos no poder na Alemanha, Espanha e Portugal. E mais: foi governado pela troika, em conjunto ou em cima, e se os resultados deixaram a Grécia com a gigantesca dívida que tem, e sem “ter feito o trabalho de casa”, a culpa é de quem? Do Syriza? Silêncio.

E os gregos não querem austeridade, o pecado mortal da Grécia para Cavaco e Passos. Mas o que é que eles tiveram nos últimos anos: despedimentos, falências, encerramentos, corte de serviços fundamentais, cortes na educação, na saúde, na segurança social, uma queda brutal do produto Interno Bruto? De onde é que isto veio, do esbanjamento e da preguiça inata aos gregos? Como é que se chama a isto, senão uma dura, penosa, cega, punitiva austeridade? Na verdade, como Passos Coelho diz com todas as letras: foi pouco, têm ainda que ter mais. Mas o que nem Cavaco nem Passos dizem, é aquilo que é evidente: não resultou, nem resulta, nem resultará. É uma receita errada quer em Portugal, quer na Grécia. Mas era a continuação dessa receita, aquilo a que chamam “cumprir as regras”, que Passos queria para a Grécia, com aquela cegueira que tem os acólitos e que continua mesmo quando os mestres já estão noutra.

Voltando a Klaus, ele disse uma coisa muito interessante, pediu a Cavaco “que não divulgue por cá que vocês têm um défice ainda maior que o nosso”,porque isso iria fazer os checos contestarem as medidas do governo. Uma parte importante da intransigência com os gregos vem de governos acossados, como é o caso do português e do espanhol, que andaram a dizer aos seus povos que não havia alternativa a não ser a política que seguiam.

Ora, a questão não é a de validar o programa do Syriza, ou assinar por baixo de Tsipras e Varufakis, mas a de saber se, no fim de tudo, os gregos têm ganhos de causa ao terem votado como votaram. E se sim, como é que ficam os que tinham para eles a receita de tudo continuar na mesma, votando na Nova Democracia, na obediência à troika, e na política até agora intangível da Alemanha. Esse é que é o mal grego que Cavaco e Passos querem extirpar.

José Pacheco Pereira, in Público de hoje