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domingo, 18 de outubro de 2015

De que têm medo?

É uma vergonha o que se está a passar em Angola, com a prisão de jovens activistas que fazem parte de um movimento de protesto contra o regime autoritário – para não lhe chamar ditadura – que reina naquele país.
Não se conformando com a prepotência dos senhores do regime que governam o país e que sobretudo se governam (eles e as suas famílias enriquecem e o povo sobrevive), alguns jovens resolveram levar a cabo várias acções para chamarem a atenção da Comunidade Internacional. E, como sempre sucede com aquele tipo de gente, foram presos, provavelmente seviciados, acusados de rebelião e, pasme-se, de golpe de Estado!
Ora, um destes contestatários é luso-angolano, portanto, cidadão angolano mas também cidadão português, e resolveu entrar em greve de fome para reforçar o protesto e dizer ao mundo que está disposto a dar a vida pela democracia e pela liberdade em Angola. O seu estado de saúde é extremamente grave e as autoridades angolanas mostram-se completamente desinteressadas do desfecho que possa acontecer.
Toda esta situação tem provocado o desagrado ou pelo menos a preocupação da comunidade internacional, sobretudo nas chamadas democracias ocidentais. E em Portugal? Bom, em Portugal o governo assobia para o tecto e sacode a água do capote. Dizem, o primeiro-ministro e o ministro dos negócios estrangeiros, que se trata de um assunto interno de Angola. Não comentam. Pergunto: De que têm medo? Se calhar que a filha do ditador não compre mais empresas portuguesas a preço de saldo. Será?


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Otelo e o 25 de Abril

Otelo Saraiva de Carvalho disse estar desiludido e que se soubesse como Portugal ia ficar não tinha realizado o 25 de Abril. Bom, parece-me presunção a mais, pois se é certo que Otelo foi, por assim dizer, o comandante operacional do movimento, não o é menos que foi obra de muitos outros militares que, no fundo, o escolheram a ele assumir aquelas funções. Confesso que nunca entendi muito bem a relação de Otelo com o espírito do 25 de Abril, por tudo quanto fez enquanto comandante do COPCON e, sobretudo, como um dos mentores do lamentável movimento das FP's 25. É verdade que o país atravessa uma grave crise financeira. É verdade que o país está longe do desenvolvimento preconizado no programa do Movimento das Forças Armadas, mas basta só a democracia e a liberdade para que possamos dizer: Valeu a pena. Mas mais Otelo, embora ainda haja pobreza, e muita dela escondida, já não se dividem sardinhas nas famílias mais pobres do interior. Antes do 25 de Abril só tinham bons cuidados de saúde os que podiam pagá-los. Nos anos imediatamente antes do o 25 de Abril morriam por ano mais de 6500 crinças, hoje morrem à volta de 300. Em 1974 só 5% da população tinha o ensino secundário completo, hoje têm-no quase 70%. E o número de portugueses licenciados e até doutorados, não tem qualquer comparação. E isto não conta Otelo? Se calhar para si não conta. Duma coisa tenho a certeza: Estaríamos muito pior se o 25 de Novembro não lhe tivesse travado os intuitos de estabelecer um regime totalitário de esquerda.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O PCP já não respeita o seu passado

É uma vergonha o comunicado do Partido Comunista sobre a atribuição do Prémio Nobel da Paz ao dissidente chinês Liu Xiaobo. E consideram que se tratou de mais um golpe na credibilidade deste galardão. Como é possível?! Então quem luta de uma forma pacífica pelas liberdades fundamentais dos cidadãos e pelos direitos humanos, num país despótico como é a China, não merece um prémio destes? Claro que merece. Merece o reconhecimento e a gratidão de todos quantos lutam pelos mesmos valores e defendem, em todas as situações, a liberdade e a democracia. Só as cabeças encolerizadas dos dirigentes comunistas portugueses pensam o contrário. Como é que um partido que no passado teve tantos militantes presos e até abatidos pela polícia política por pensarem diferente de Salazar e, em geral, dos princípios do Estado Novo, tem agora esta posição? Por respeito àqueles comunistas que foram perseguidos por delito de opinião, deviam estar calados. Mas não: O PCP já não respeita o seu passado! É isto um partido Democrático? Não é, não.