Já
não é a primeira vez que o FMI, através dum qualquer dos seus muitos técnicos
superiores (ou inferiores?) ou até mesmo da sua Directora Geral, a Senhora
Christine Lagarde, vem publicamente defender doutrinas absolutamente contrárias
àquelas que impuseram aos países a quem prestam assistência financeira,
sozinhos ou em troika, como é o caso de Portugal. Não foi preciso esperar dois
anos para que quase todos os portugueses concluíssem que a maldita austeridade
que nos impuseram não resolve os problemas das contas públicas – défice e dívida
pública – e, pelo contrário, agrava-os, dado o impacto que causam na economia.
Caiu
hoje a notícia de que técnicos do FMI “reconhecem que esta instituição estava
errada em muitas das suas políticas”. Perante este relatório, várias foram as
reações das forças políticas e parceiros económicos e sociais. Mas, deu-me
vontade de rir (de facto, não foi só vontade de rir, mas…, adiante) ouvir as
críticas feitas ao FMI pelo Vice-presidente do PPD, Marco António Costa, que acusa
aquela instituição de hipocrisia institucional. E eu pergunto: Em vez de andar
a mandar umas “labecas” para português ver e ouvir, porque é que Marco António
não nos anunciou que o Governo vai aproveitar este relatório e sentados à
frente dos técnicos da Troika lhes vão dizer olhos nos olhos: “meus amigos,
basta! Agora são vocês mesmos que dão razão a quem critica há muito a receita
que nos impuseram. Está na hora de mudarmos de política”.
De
que têm medo o PPD, o CDS e o Governo, para não fazerem já isso? Dos neoliberais, de um modo geral, da Senhora
Merkel ou dos banqueiros?