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domingo, 22 de junho de 2014

Alguém que faça qualquer coisa, para bem do partido!

O Partido socialista habituou os seus militantes, os seus simpatizantes e sobretudo os portugueses de uma forma geral a que o combate interno para liderar o partido se fazia de forma democrática, com divergências sim, e por vezes grandes, mas com muito civismo e respeito pelas opiniões contrárias e por quem disputa o poder. Mário Soares, o chamado pai fundador do partido, teve muitas vezes que enfrentar posições e moções de estratégia diferentes das suas, quer em Congressos, quer nos órgãos intermédios de decisão e poder. Ainda hoje se fala das célebres “reuniões dum sótão” e do grupo “do ex-secretariado”. Jorge Sampaio teve que enfrentar Guterres, que lhe tomou o poder. Em todas as situações de “luta pelo poder”, houve discussão, sim, mas nunca atitudes reles, próprias de gente “baixa”, provavelmente a soldo de quem não quer perder o poder, mesmo vendo que já perdeu há muito o apoio de quem se revê nos princípios do partido. E aqui refiro-me não só aos seus eleitores fiéis, mas também aos que votam ao centro e que ajudaram à conquista de uma quase maioria absoluta de António Guterres e à conquista da maioria absoluta de José Sócrates.
Infelizmente para o PS, e sobretudo para o país, o partido foi vítima do aparelhismo partidário e eis que a sua liderança é tomada por um político medíocre que, como o medíocre Passos Coelho, aprendeu nas jotas como tomar de assalto um partido. E não me venham com o argumento de que o tal Tozé chegou a líder do PS em eleições democráticas. Hitler também chegou ao poder na Alemanha através de eleições, não chegou?
O que se passou hoje em Ermesinde foi uma vergonha. Diz bem quem são os apoiantes do Tozé. Naturalmente, gente a soldo do seu séquito. Mas, por muitas atitudes rascas que tomem, não conseguirão os seus intentos. Chegou a hora das figuras “com peso” no partido tomarem uma posição. Há sempre “um Marinho Pinto” à espera de capitalizar quem não se revê em tanta mediocridade.

Espero que o presunçoso Secretário-geral (em agonia) diga, sem rodeios, se concorda com as atitudes daquela gente reles (felizmente pouco mais de uma dezena) que em Ermesinde insultou António Costa. Não me admira nada que, cobardemente, nada diga e sacuda a água do capote. Mas se dele já espero tudo, espero, no entanto, que alguns dos que estão com ele, nomeadamente Alberto Martins, digam o que pensam sobre o que se passou. Para bem da imagem do partido que neste momento dirigem (ou fazem de conta que dirigem!).

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A Plataforma

Começou a barafunda no PPD?
Foi hoje apresentado no Porto por gente ligada ao PPD, e que se dizem ser pessoas de relevo, um movimento, evidentemente de carácter político, que se define como sendo uma Plataforma de reflexão com o nome de “Uma Agenda para Portugal”. Ao que tudo indica, pretende ser uma alternativa aos actuais dirigentes daquele partido e também uma rampa de lançamento para que Rui Rio possa disputar eleições directas e substituir Passos Coelho na liderança. Mas, como convém, disfarçados de pessoas completamente desprendidos do poder, só movidos pela vontade de mudarem o rumo e encontrarem os caminhos que conduzam à resolução dos problemas do país ( que safadolas!).
Ora, foi quanto bastou para lançar a inquietação nas hostes, que começaram logo a apelidar a dita plataforma de reflexão como sendo um conjunto de barões. Ouvi mesmo num noticiário televisivo a Vice Teresa Leal Coelho, mostrando um certo nervosismo, dizer: “Quem retira Passos Coelho da liderança do PSD são os eleitores do PSD, não os barões do PSD”(sic). Pois bem, a senhora não foi correcta no que disse, pois não são os eleitores do partido que elegem o líder, mas o “aparelho do partido”. Só que, lançada a barafunda, quem jura que o aparelho não possa ser tomado por este movimento? A ver vamos.


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Eleições autárquicas

Antes das eleições autárquicas, sobretudo no último mês e meio, os comentadores políticos e principalmente os jornalistas/comentadores (ou comentadores jornalistas) diziam que nem o PS teria uma grande vitória nem o PPD teria uma significativa derrota. E que por isso, atendendo a que a ocasião era favorável ao PS e desfavorável ao PPD, por força da austeridade governativa, o líder António José Seguro iria enfrentar alguma ou muita contestação no partido, dependendo da fraca vitória ou, quiçá, de uma derrota de última hora. Ao contrário, Passos Coelho teria praticamente garantido o sossego da sua liderança. Puro engano daqueles sabichões! Afinal, apurados os resultados das eleições verifica-se que o PS teve uma vitória clara e inequívoca e que o PPD teve uma grande derrota. O PS alcançou resultados eleitorais que nenhum outro partido ou coligação alguma vez obteve em eleições autárquicas. Ganhou algumas das Câmaras das localidades mais populosas do país – Lisboa, Sintra, Gaia, Amadora, Odivelas, Gondomar, Valongo e outras. O PPD, mesmo coligado com o CDS/PP (Paulo Portas) de Câmaras populosas ganha Braga e Cascais. Mas a vitória do PS, que é efectivamente uma grande vitória, não é porém uma vitória imaculada, pois perdeu três bastiões onde tinha ganho sempre – Braga, Guarda e Matosinhos, e uma outra onde governou os últimos 12 anos – Loures. E se nos casos de Braga, Guarda e Loures podemos dizer que funcionou a alternância, em Matosinhos funcionou, ou melhor, não funcionou a coragem e a autoridade do líder para pôr cobro à ambição desmedida de um dirigente local que pensou poder manobrar os eleitores do PS como manobrou alguns militantes do Partido.
Para além de PS e PPD e à parte as candidaturas de Independentes de que falarei depois, quero pronunciar-me sobre os resultados da CDU, do BE e do CDS.
A CDU, como sempre ganhou – dizem eles! Ganhou, como? Teve mais votos? Conquistou mais câmaras? Elegeu mais candidatos? Claro que não. Teve vitórias parciais em câmaras importantes, é certo, mas quase todas, ou mesmo todas, são câmaras que tinha perdido há pouco tempo para o PS.
O Bloco de Esquerda sofreu também uma enorme derrota, a qual não tem a mesma repercussão da derrota do PPD porque o BE não passa de um partido de protesto com muito pouca ou nenhuma implantação autárquica.
Finalmente o CDS/PP. Se alguém tinha dúvidas de que Paulo Portas é o maior malabarista da política portuguesa, tirou-as na noite eleitoral. Com que alegria Portas anunciou que tinha ganho 5 câmaras – um penta, como ele referiu de mão aberta. Pobre partido de poder que canta vitória com tais resultados! Ah, qual daquelas câmaras tem pouco menos ou pouco mais de cinquenta mil habitantes? No fundo, Portas falou para dentro do partido, tentando apagar a fogueira que acendeu quando fez aquele golpe palaciano que o levou a vice-primeiro-ministro.    


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Oxalá não se arrependam!

As eleições autárquicas do próximo Domingo, ficam marcadas pela participação significativa de candidatos ditos independentes. E chamo-lhes “ditos independentes” porque de independentes têm muito pouco ou quase nada, já que quase todos são dissidentes de um partido com quem entraram em rota de colisão por não serem eles o candidato. Mesmo Rui Moreira, candidato à Câmara do Porto, não é de todo independente, pois candidatou-se sabendo que o CDS e um movimento de notáveis do PPD nunca apoiariam Menezes e, pelo contrário, tudo fariam para que este não fosse eleito.

Das muitas candidaturas dos tais ditos independentes, quero referir-me em particular a duas delas – a de Guilherme Pinto em Matosinhos e a de Élio Maia em Aveiro – actuais Presidentes das Câmaras, respectivamente pelo PS e pelo PPD, partidos que não os recandidataram, apesar de não estarem abrangidos pela lei de limitação de mandatos e estarem bem conceituados junto dos seus munícipes, de tal modo que a reeleição estava praticamente assegurada. Então a de Guilherme Pinto pelo PS seria por resultado esmagador. Mas em ambos os casos os partidos mandaram às malvas princípios éticos da democracia – recandidatar quem, podendo candidatar-se, está a exercer com algum êxito determinado cargo e, por isso, tem grandes hipóteses de voltar a ser eleito (não é assim com os Presidentes dos Estados Unidos?) – para pagarem favores a homens do aparelho que ajudou a eleger o chefe. Oxalá não se arrependam!  

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Os aparelhos partidários.


Todos os dias ouvimos falar da importância que têm dentro dos partidos os chamados aparelhos partidários. E ninguém tem dúvidas que hoje os órgãos directivos dos dois principais partidos do poder – PS e PPD – são controlados pelos respectivos aparelhos. Passos Coelho chegou a líder do partido e, consequentemente, a primeiro-ministro, porque, fora do poder, ele e alguns dos seus indefectíveis amigos tomaram de assalto o aparelho. António José Seguro, sempre “alheado” dos problemas dos últimos tempos da governação Sócrates, foi conseguindo dominar o aparelho, de tal modo que a ninguém espantou que tivesse ganho a liderança do partido. É verdade que beneficiou da não “ida a jogo” de António Costa, mas será que não teria ganho à mesma? E agora, o que sucederá se Seguro tiver de disputar a liderança com António Costa? Provavelmente voltará a ganhar, mas uma sondagem publicada hoje no Expresso mostra que António Costa é o preferido dos portugueses, sobretudo daqueles que dizem ser simpatizantes do PS. Ora isto quer dizer que se houvesse eleições primárias abertas, como há em algumas democracias (por exemplo nos Estados Unidos – só assim Obama chegou a Presidente), António Costa seria, naturalmente e com alguma facilidade, o novo líder do partido. Seguro só é líder porque domina o aparelho.
Mas se é verdade que Passos Coelho e António José Seguro são líderes porque dominam os respectivos aparelhos dos partidos, também o é que estão reféns deles. Vão ter que engolir muitos sapos vivos com as eleições autárquicas deste ano. Só assim se compreende que Menezes seja o candidato oficial do PPD à Câmara do Porto e António Parada o candidato do PS à Câmara de Matosinhos. Não há a mais pequena dúvida: Ambos são candidatos dos aparelhos. Dúvida há, e cada vez mais, quanto a algum deles poder ganhar a Câmara a que concorre. Por mim, espero que não ganhem. E, se quanto a Menezes ficarei muito contente e darei o meu contributo para isso (sou munícipe no Porto), quanto a António Parada digo-o com muita tristeza. E aproveito para mandar um recado a José Luís Carneiro, líder da Federação do PS/Porto: A democracia não se esgota nem se resume a eleições; há outra regras, entre as quais o respeito por quem serve, e bem, o país (neste caso o concelho) os cidadãos e os partidos. Ah, e já agora explique-me: é normal que tenham entrado para o PS, nos últimos tempos, cerca de dezanove mil novos militantes?