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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Circo no Coliseu

No último fim-de-semana – Sexta, Sábado e Domingo – houve circo no Coliseu dos Recreios em Lisboa, a que chamaram Congresso do PPD. Foi um circo bastante participado, com as bancadas repletas de gente e com a presença de trapezistas, malabaristas, equilibristas, pantomineiros e até palhaços. Toda a gente antevia um congresso morno, de onde não sairia nada de novo, e com pouco ou nenhum impacto na vida política do país. Mas lá apareceram alguns animadores do costume e a malta animou. Apareceram alguns ex-líderes, como Luís Filipe Menezes, Santana Lopes e o inevitável Marcelo Rebelo de Sousa.
Luís Filipe Meneses desta vez não chorou no Coliseu, nem insultou qualquer companheiro do partido chamando-lhe elitista e/ou sulista. Santana Lopes estava convencido que desta vez seriam muito poucos os notáveis que apareceriam e, vai daí, pensou que indo lá teria o seu momento de glória e mostrava a todos que ainda tem carisma. Marcelo Rebelo de Sousa, que inventou aquela história do “vou, não vou, claro que tenho de ir”, quis mostrar ao líder que tem muito peso junto dos militantes e que será candidato a Presidente se assim o quiser, com ou sem o apoio da direcção do partido, mas não dos militantes. E claro, lá aproveitou a ocasião para mandar umas críticas indirectas e com o habitual sarcasmo a alguns notáveis e dar umas bicadas ao seu inimigo de estimação: Paulo Portas.
Ah, e pasme-se! Relvas reapareceu para encabeçar a lista proposta por Passos Coelho ao Conselho Nacional. Não há vergonha!


segunda-feira, 26 de março de 2012

Poupar, poupar, como Salazar poupou ...

Álvaro, o ministro faz de conta da Economia é hoje em dia um dos mais acérrimos inimigos do PS. Mal lhe põem um microfone em frente à boca desata logo a bater neste partido da oposição. De tal modo se entusiasma que muitas vezes só diz disparates.

No fim do congresso do PPD, lá vinha o Álvaro todo eufórico aos cumprimentos e aos beijinhos como se estivesse a festejar um qualquer êxito da sua governação. Puseram-lhe um microfone à frente e ..., zás, toca a atacar o PS. Que o PS tinha gasto muito dinheiro, nomeadamente com as parcerias público-privadas, mas que este governo tinha tomado as devidas providências, acabando com muitas delas e renegociando outras ..., para poupar. Quer dizer: Parou e desinterssou-se de muitos investimentos porque era preciso poupar. Quando ouvi isto, lembrei-me que Salazar quando chegou ao Governo de Portugal a regra era: Poupar. O que era preciso era dinheiro e ouro nos cofres do Banco de Portugal. Ouro que, como sabemos, vinha da África do Sul como contrapartida da ida de moçambicanos para as minas daquele país. Uma espécie de pagamento pelo trabalho de escravos. É verdade, Salazar poupou, mas deixou um país que em termos de desenvolvimento estava perto dos países do terceiro mundo: Muitos analfabetos, muitas terras do interior sem energia eléctrica, muitas casas sem esgotos ligados a redes de saneamento, escassos cuidados de saúde (só os ricos tinham razoáveis cuidados de saúde nas clínicas privadas ou nos "quartos particulares" dos hospitais públicos), ensino só para alguns, etc, etc. Um atraso que, apesar do muito que foi feito, ainda precisa de mais outros quase quarenta anos para ser recuperado. Mas, pelos vistos o Portugal do Estado Novo é o sonho de país que o Álvaro quer. Mas, Dr. Álvaro: o senhor nem para ministro de Salazar servia, sabe porquê? Porque fala muito e acerta pouco. E já agora, por graça: também, porque não anda de chapéu, pois não?

domingo, 25 de março de 2012

Social democracia à portuguesa; o que é?

Neste Congresso do PPD, que foi "um congresso vazio de conteúdos" como alguém disse, aconteceram coisas esquisitas. Vasco Pulido Valente no "Opinião" de hoje no Jornal Público fala em ..."irredimível vacuidade do exercício" e em "horas sem fim as galinhas cacarejam e a capoeira bate palmas por nada e para nada". Mas há duas coisas das quais não posso deixar de falar.

A primeira diz respeito à triste figura dos congressistas, incluindo o Presidente da Mesa e os outros elementos da mesma, em virtude duma daquelas "ideias malucas" (para não lhes chamar outra coisa) da Jota PPD. Propuseram os rapazes que todos os órgãos dirigentes do Partido fossem eleitos em eleições directas e não em Congresso. A proposta foi aceite, foi votada e aprovada por maioria. Então, a partir dali, pouco mais haveria a fazer do que ouvir o tal cacarejo das galinhas de que falou Vasco Pulido Valente, e o parido iria funcionar durante algum tempo, com líder eleito, mas a dirigir o partido sozinho sem qualquer outro órgão directivo, até que se realizassem as tais eleições. Resultado: a votação "não valeu" (como nas brincadeiras dos miúdos) e toca a votar outra vez. E em segunda votação a "ideia maluca" não passou.

A segunda coisa que quero referir, diz respeito a uma parte engraçada do novo programa(?) apresentado ao congresso, como um programa moderno e cheio de outros adjectivos. Nele se proclama que a doutrina do PPD é a "social democracia à portuguesa". Ora, eu já conhecia o cozido à portuguesa, o arroz à portuguesa, os caracóis à portuguesa e outras coisas mais. Nunca tinha ouvido falar, nem eu, nem ninguém, de social democracia à portuguesa que, em meu entender, atendendo às sucessivas governações do PPD, se devia chamar neoliberalismo à portuguesa.

Estes tipos são uns pândegos, não são? Só podem!