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sábado, 10 de novembro de 2012

Uma vergonha, senhor primeiro-ministro


Corre já há dois ou três dias a notícia de que nas escolas portuguesas cerca de 10 000 crianças passam fome.
Não tem vergonha disto, senhor primeiro-ministro? Naturalmente que o senhor sabe que o problema é doméstico. Quer dizer: as famílias estão a empobrecer de forma progressiva, devido à maldita austeridade a que estamos sujeitos, e começa a não ter dinheiro, sequer, para comer. Isto é uma vergonha, senhor primeiro-ministro. Estamos a voltar aos tempos do Estado Novo, mais propriamente aos tempos do Doutor Salazar. Este equilibrava as contas públicas porque pouco ou nada gastava com a Saúde, a Educação e as Prestações Sociais. E não tardará muito que volte a aparecer nas escolas a famosa figura da “Caixa Escolar”, uma espécie de mealheiro onde os meninos ricos e os meninos remediados (mais estes, pois os meninos ricos andavam em colégios para não conviverem com os ranhosos nem apanharem piolhos) contribuíam com dinheiro que depois servia para ajudar os meninos pobres. Resultado: Portugal era o país europeu com mais percentagem de analfabetos, com uma percentagem muito pequena de cidadãos licenciados ou com um curso superior, com uma elevada mortalidade infantil e com uma esperança de vida inferior à média dos outros países ditos civilizados. Tudo começou a melhorar já com Marcelo Caetano e a melhorar muito depois do 25 de Abril. Infelizmente, com este desgraçado governo estamos regressar ao passado, a não ser que Passos Coelho resolva emigrar e ir fazer parte do staff da senhora Merkel, que ele tanto admira. Já agora, que leve consigo o Gaspar. Parece que a senhora Merkel está a precisar de dois lacaios.   

sábado, 14 de abril de 2012

Porquê?

A Assembleia da República aprovou ontem, por larguíssima maioria (PPD e CDS+PS), o célebre Tratado Orçamental, imposto pela Sra Merkel e pelo Sr Sarkozy aos restantes países da Europa. Porquê, pergunto? Portugal foi o primeiro país que ratificou tal tratado, quando tinha muito tempo para o fazer. Mais, em alguns dos países que também têm de o aprovar é necessário referendá-lo, por imperativos constitucionais. Então, qual a pressa?
Bem, a do PPD e a do CDS deve-se ao respeitinho que Passos Coelho e Portas têm quanto aos quereres da Sra Merkel e, também porque querem mostrar aos outros líderes europeus que são bem comportados e subservientes.
Mas, quanto ao PS, não descortino um só motivo para dizer sim a este documento. Na sua essência é um tratado que impõe para toda a Europa uma política neoliberalista e impede que um governo de matiz socialista ou social-democrata, escolhido soberanamente pelo seu povo, ponha em prática princípios e programas de governação próprios da sua filosofia política. Quer dizer então que o PS (eu atrevo-me a dizer os dirigentes do actual PS) mandou a seguinte mensagem ao Merkosy: “Senhores, se voltarmos a ser governo por escolha soberana dos portugueses, não só meteremos o socialismo na gaveta, como desta vez termos em conta as mais elementares regras do neoliberalismo europeu. Venderemos os nossos princípios em nome da oposição responsável”! É isto o PS?
Acresce a tudo isto que o PS não devia ter alinhado na pressa da aprovação do Tratado, e nunca o deveria ter feito antes das eleições presidenciais francesas. Nelas joga-se, não só muito do futuro do socialismo e da social-democracia europeia, como até da própria Europa.
Mais uma vez António José Seguro teve entrada de leão e saída de cordeiro. Falou, falou … “agarrem-me se não eu …”, e zás: “Não concordo…, mas voto sim”. Lindo, lindo, grande coerência. Ah, é a oposição responsável. O que é isso?

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

FÉRIAS SEM TRÉGUAS

Deixando os gregos respirar por uns dias, a senhora Merkel acaba de chegar à Madeira! E não gostou das autoestradas, túneis e viadutos que encontrou deste o aeroporto até ao Funchal e proclamou-o em voz audível logo à entrada do hotel onde ficou alojada. O Alberto João já lhe respondeu?