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terça-feira, 15 de março de 2011

Mais respeito pelos jovens de hoje e pelos de "ontem", Sr. Presidente

O nosso país tem a obrigação e o dever de não se esquecer e de homenagear todos aqueles que, voluntariamente ou obrigatoriamente, combateram numa qualquer Guerra. Por isso, se o Presidente da República é convidado a presidir a uma dessas homenagens, deve dizer umas palavras de apreço e até de gratidão aos ex-combatentes. Não pode, por insensibilidade, dizer disparates.
Numa cerimónia comemorativa do 50% aniversário do início da Guerra do Ultramar, Cavaco Silva faz um apelo aos jovens de hoje para que "se empenhem em missões e causas essenciais ao futuro do país com a mesma coragem, o mesmo empenho e a mesma determinação com que os jovens de há 50 anos assumiram a sua participação na Guerra do Ultramar".
Sr. Presidente: Sobre que aspecto a Guerra do Ultramar foi essencial para o futuro do país? Coragem, não tenho dúvida que os então jovens combatentes tiveram, mas desprendimento e determinação duvido. Eu não tive, Sr. Presidente. Ainda me lembro que comigo deram entrada em Mafra à volta de seiscentos jovens, em tempo de exames nas Universidades, muitos dos quais ainda tinham direito a adiamento de incorporação, segundo as normas de recrutamento de então. Mas foram incorporados para servir de exemplo a todos os outros que se manifestavam contra aquela guerra e de um modo geral contra a ditadura e o colonialismo. Ambas as coisas condenadas por quase todas as instâncias internacionais. É que, Sr. Presidente, ao contrário dos jovens de hoje, a quem V.Exa pede que se façam ouvir, nós os jovens combatentes do Ultramar nada podíamos dizer. Por isso pedimos mais respeito!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

FALTA DE MEMÓRIA

O homem que nunca tem dúvidas e raramente se engana, não recorda onde registou (o registo não aparece) uma moradia que mandou construir no Algarve, num lote adquirido por permuta (!), não se sabe bem a quem. Dado que também não se recorda do nome das empresas ("com nomes esquisitos em inglês") em que tem aplicados algumas poupanças do seu míero vencimento, o homem está a perder qualidades. Se é que ainda não tem dúvidas e raramente se engana, terá que reconhecer que está a perder a memória, o que não é nada bom. Bem sei que tem tudo registado no seu diário, mas este não está assim tão acessível a todos os chatos coscuvilheiros da praça.