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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Homenagem a Ramalho Eanes


Confesso que não gosto de Ramalho Eanes. Não votei nele na sua primeira candidatura à presidência da República e na segunda o meu voto foi um voto útil, já que de modo algum poderia nada fazer para evitar que fosse eleito um candidato da Direita, naquela altura sedenta de ajustes de contas. No entanto, reconheço que Ramalho Eanes teve um papel importante na consolidação da Democracia em Portugal, quer no 25 de Novembro, quer depois como Presidente da República, cargo que exerceu de modo activo e interventivo, cumprindo e fazendo cumprir a Constituição. Ao contrário do actual Presidente, Ramalho Eanes não se limitou a estar em Belém a olhar para o Tejo a ver “passar navios”.
Um grupo de cidadãos resolveu promover-lhe uma homenagem. E eu não acho mal. Mas já não concordo com a data escolhida – 25 de Novembro. E tenho a certeza que a escolha da data não foi inocente, sobretudo nesta altura em que um dos lemas das contestações é a perda de conquistas do 25 de Abril, e tendo em conta alguns dos promotores. Muitos deles invectivaram Eanes aquando da sua recandidatura ao segundo mandato. É curioso, não é?

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Os ex-Presidentes Soares e Sampaio

Neste último fim-de-semana os ex-Presidentes da República, Mário Soares e Jorge Sampaio, concederam entrevistas à Comunicação Social, respectivamenete, à TSF/DN e à SIC-Notícias. Ambos manifestaram enorme preocupação com a situação económico-financeira do nosso país e foram críticos, mesmo muito críticos, com a governação, mas não só. Mário Soares foi mais agressivo e disse, com todas as letras, que o Governo não presta, que alguns membros do mesmo, ministros e secretários de Estado, se portam como delinquentes e por isso deviam ser julgados quando deixassem as suas funções. Jorge Sampaio foi mais contido, mas não deixou de criticar o Governo e sobretudo a insensibilidade com que trata as pessoas, esquecendo-se que é para elas que governa. Um e outro mostraram-se preocupados com a ligeireza com que se criticam órgãos do Estado, nomeadamente o Tribunal Constitucional, e com a facilidade com que se atiram à Constituição, considerando-a como um travão às medidas neoliberais que gostavam de pôr em prática.

Ainda bem que estes dois ex-Presidentes, figuras prestigiadas interna e externamente, vieram chamar atenção para a grave situação em que vivemos e apelar a que é preciso mudar urgentemente de política. Infelizmente quem agora ocupa o Palácio de Belém, nada diz ou faz, para desgraça nossa.