Aqui há uns anos atrás, penso que ainda durante o consulado de Defensor de Moura, a Câmara Municipal de Viana do Castelo resolveu considerar-se um município contra as touradas e avisou que qualquer pedido de realização de uma tourada seria sempre indeferido. Foi uma decisão tomada após muita discussão no concelho e na cidade, em que o presidente de então se empenhou e, salvo erro, pôs mesmo em causa o seu lugar de líder da autarquia. Com enorme surpresa e muita indignação leio que uma tal “Prótoiro” quer promover uma tourada em Viana do Castelo e que para isso, sabendo que tal espectáculo não terá o devido licenciamento da autarquia local, resolveu interpor junto de um tribunal uma providência cautelar para contrariar a decisão da Câmara. Ora, parece que o tribunal decidiu mesmo autorizar que se instalasse uma arena amovível para que a tourada se realize.
Tenho esperança que as coisas não sejam mesmo assim, e que a tourada agendada para o próximo dia 19 não se realize em Viana do Castelo. Caso contrário será uma grande facada na democracia. Os tribunais não podem imiscuir-se nas decisões políticas tomadas democraticamente pelos órgãos do poder local, que representam os seus cidadãos, desde que tais decisões não contrariem as leis da República. Proibir, ou melhor dizendo, não licenciar um espectáculo bárbaro em que homens e mulheres (estas muito poucas, e ainda bem) se divertem a maltratar animais e quase sempre de uma forma cobarde, não pode ser considerado decisão ilegal. Portanto, espero que prevaleça o bom senso.