Que
grande baralhada! Os jogadores da União de Leiria, que já não recebem os seus
ordenados há praticamente cinco meses, rescindiram os contratos que os ligava
ao clube. Esta situação vai gerar uma grande barafunda na classificação do
campeonato da primeira Liga. Eu, que gosto de futebol e, por isso, o quero “limpo”,
aplaudo a corajosa decisão destes jogadores. Espero que, com a ajuda do seu
sindicato, não voltem atrás e só tenho pena que colegas seus de outros clubes
também incumpridores não tomem a mesma atitude. Está na hora de obrigar o
futebol português a sair da mentira em que se tornou e trazer de volta a
verdade desportiva, quer os seus dirigentes queiram ou não queiram. Mas o
Estado não pode ficar a assistir de longe ao desenrolar da situação. Tem que
obrigar os clubes a cumprir as suas obrigações fiscais e não fiscais, não pode
aceitar mais negociações e renegociações para pagamentos de dívidas, como o
célebre totonegócio, e também não pode
fazer “vista grossa” a situações que indiciam a prática de actos fraudulentos.
Como é possível que durante o ano desportivo se saiba que muitos clubes devem
milhares (ou até milhões) de euros ao Fico, à Segurança Social, a actuais ou
antigos atletas, a fornecedores ou prestadores de serviços, dívidas essas que constituem
impedimentos à participação no campeonato do ano desportivo seguinte e que, pouco antes do termo da inscrição, apresentem
documentos comprovativos dos pagamentos dessas dívidas e assim vejam levantados
tais impedimentos? Milagres, não, de certo, mas habilidades, talvez.
É
preciso acabar com estas situações. E os jogadores têm uma palavra importante
no combate a elas. Não podem queixar-se e depois pactuarem com as aldrabices
dos dirigentes. Colaborem e confiem no seu
Sindicato. Sinto da parte deste uma vontade grande em acabar com esta pouca
vergonha. Força. É preciso limpar o futebol!