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quarta-feira, 10 de abril de 2013

O despacho


O Despacho de Victor Gaspar está a indignar uma larguíssima maioria de cidadãos, muitos deles destacados militantes do PPD que já foram figuras proeminentes do partido, como José Pacheco Pereira que ontem no programa “Quadratura do Círculo” da SIC Notícias se fartou de criticar a medida. Mais, Pacheco Pereira acusou o Governo se assumir uma atitude revanchista depois da decisão do Tribunal Constitucional e de ter entrado numa guerra institucional dentro do Estado, pelo que há motivo forte para que o Presidente da República dissolva o Parlamento. E, já agora: o que diz o Venerando inquilino do Palácio de Belém? Como sempre Cavaco Silva assobia para o tecto e depois dirá que está “trabalhar na sombra”.
Bom, mas para lá de paralisar a Administração Pública, o absurdo Despacho do Gaspar é uma enorme prova de desconfiança e uma quase humilhação para os outros ministros. Agora pergunta-se: e eles aceitam? Pelos vistos aceitam. Já não há no governo pessoas com carácter. O que é preciso é não perder o cargo (ou o tacho?). Que o diga Portas!

O PSEUDO BURACO

Anda o governo a alvoroçar o país e a "Europa" por causa do "buraco" de 1300 milhões de euros gerado pelo TC, para o qual Gaspar não tinha plano B, o que demonstra à saciedade a sua incompetência (ou será  a desculpa para a sua incompetência?), porque previsível era o chumbo (que poderia ter sido muito mais alargado, como muitos esperavam, eu incluido).
Mas as contas estão mal feitas, já que os tais 1300 milhões respeitam a despesa não prevista, sim, mas esquecem que a mesma vai gerar receitas, via IRS e IVA, pelo que o "buraco" líquido ficará pela metade (cálculo "a olho").
O ministro Gaspar deve mostrar as contas, se é que as sabe fazer (saber, sabe, mas não quer mostrar o jogo todo.
O que não vale é atirar poeira para os olhos dos cidadãos/contribuintes, como se todos fossem uma cambada de parvos e ignorantes.
Este ministro das Finanças faz-me recordar um outro, dos anos 20 do século passado. Será que o quer imitar?
Haja um mínimo de pudor.