Neste dia, em 1997, morre António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho, professor e poeta português CALÇADA DE CARRICHE Luísa sobe, sobe a calçada, sobe e não pode que vai cansada.
Sobe, Luísa, Luísa, sobe, sobe que sobe sobe a calçada.
Saiu de casa de madrugada; regressa a casa é já noite fechada. Na mão grosseira, de pele queimada, leva a lancheira desengonçada.
Anda, Luísa, Luísa, sobe, sobe que sobe, sobe a calçada.
Luísa é nova, desenxovalhada, tem perna gorda, bem torneada. Ferve-lhe o sangue de afogueada; saltam-lhe os peitos na caminhada.
Anda, Luísa. Luísa, sobe, sobe que sobe, sobe a calçada.
Passam magalas, rapaziada, palpam-lhe as coxas não dá por nada.
Anda, Luísa, Luísa, sobe, sobe que sobe, sobe a calçada.
Chegou a casa não disse nada. Pegou na filha, deu-lhe a mamada; bebeu a sopa numa golada; lavou a loiça, varreu a escada; deu jeito à casa desarranjada; coseu a roupa já remendada; despiu-se à pressa, desinteressada; caiu na cama de uma assentada; chegou o homem, viu-a deitada; serviu-se dela, não deu por nada.
Anda, Luísa. Luísa, sobe, sobe que sobe, sobe a calçada.
Na manhã débil, sem alvorada, salta da cama, desembestada; puxa da filha, dá-lhe a mamada; veste-se à pressa, desengonçada; anda, ciranda, desaustinada; range o soalho a cada passada, salta para a rua, corre açodada, galga o passeio, desce o passeio, desce a calçada, chega à oficina à hora marcada, puxa que puxa, larga que larga,[x 4] toca a sineta na hora aprazada, corre à cantina, volta à toada, puxa que puxa, larga que larga,[x 4]
Regressa a casa é já noite fechada. Luísa arqueja pela calçada.
Anda, Luísa, Luísa, sobe, sobe que sobe, sobe a calçada, [x 3]
Anda, Luísa, Luísa, sobe, sobe que sobe, sobe a calçada.
Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo morria. Quando à boca da noite surgiste na tarde qual rosa tardia Quando nós nos olhámos, tardámos no beijo que a boca pedia E na tarde ficámos, unidos, ardendo na luz que morria Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia.
Meu amor, meu amor Minha estrela da tarde Que o luar te amanheça E o meu corpo te guarde. Meu amor, meu amor Eu não tenho a certeza Se tu és a alegria Ou se és a tristeza. Meu amor, meu amor Eu não tenho a certeza!
Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram. Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam Era a noite mais clara daqueles que à noite se deram E entre os braços da noite, de tanto se amarem, vivendo morreram.
Meu amor, meu amor Minha estrela da tarde Que o luar te amanheça E o meu corpo te guarde. Meu amor, meu amor Eu não tenho a certeza Se tu és a alegria Ou se és a tristeza. Meu amor, meu amor Eu não tenho a certeza!
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso se é pranto É por ti que adormeço e acordado recordo no canto Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!
INFORMÁTICOS: A engenheira de informática Luisinha estava a ajudar um colega da empresa a configurar o computador e perguntou lhe que password ele queria utilizar.
O Nuninho, tentando atrapalhá-la disse:
-PÉNIS!
Ela, sem dizer uma palavra e sem se rir ou dar a parte de fraca, introduziu a password. Mas não consegui resistir e quase que morria de riso, quando o computador deu a resposta: