quarta-feira, 10 de junho de 2015

LIDO

António Bagão Félix

10 de Junho de 2015, 11:03

Por



“PaF…”

Hoje 10 de Junho é o dia em que, oficialmente, Portugal está mais à frente. Um dia de comemoração que se manteve perante o corte (perdão, poupança) dos feriados nacionais.
Este ano quase coincidindo com a notícia do nome dado à coligação PSD/CDS para as eleições legislativas: “Portugal À Frente”. Nome interessante, embora pouco dado a acrónimos. É que PAF logo nos sugere “Programa de Ajustamento Financeiro”. Que é, como quem diz, Troica à frente de Portugal.
Gosto da palavra Portugal no nome de uma coligação. Porque é o nome do meu País, quase sempre mais conhecido, displicentemente, por “este país” do que pelo nome próprio.
Só não percebo a redundância (política) de “À Frente”. Não chega ser Portugal para estar à frente sem o dizer? As preposições que fazem a junção dos substantivos “Portugal” e “Frente” (que é a gente) podem tudo mudar. Por exemplo, se fosse “Portugal Em Frente”, além de perseguido também por um acrónimo troikista do tipo “Programa de Estabilização Financeira”, dava um ar muito militarista e lembrava a Mocidade Portuguesa. Já “Portugal De Frente”, que os mais distraídos ouviriam desejavelmente como “Portugal Diferente”, faria desconfiar os poderosos da União Europeia que gostam de nos olhar de soslaio. Voltando ao siglês, neste caso seria PDF, algo entre o EXCEL (onírico) do PS e o WORD (enfadonho) do pré-programa da actual maioria.
É notório que alguma oposição terá gostado do Portugal À Frente. Logo se lembraram da dívida pública, do desemprego, do risco de pobreza, da estagnação salarial, das pensões, etc. Só que, em coerência, a Grécia está à nossa frente. Por isso o PAF deveria ser mais exactamente “PAF(SG)”, ou seja “Portugal À Frente (Sem Grécia)”. E, em termos mais ou menos futebolísticos, até já se podem adiantar slogans para a campanha: “Portugal À Frente” a correr atrás do prejuízo. Ou “Com “Portugal à Frente” há que levantar a cabeça”!
“Aliança Portugal” (bem melhor, por sinal) não poderia ser. Foi um nome perdedor nas eleições europeias. “Portugal Primeiro”, além de redundante, dava vantagem ao CDS, ex-PP. “Portugal Sem Dúvida” (não confundir com Dívida) confundir-se-ia com PSD.
Finalmente, haveria a opção pela única marca patenteada da coligação centro-direita: AD, Aliança Democrática. Julgo perceber porque não foi repristinada. O respeito pela memória já não é o que era, mas neste caso ainda foi.
8b_4147_0_AsterixObelixBashThemAllE, pronto. Portugal em campanha eleitoral. Já se ouve ao longe “PaF…”, tal qual como gritava Obélix no meio da campanha guerreira contra os Romanos.





António Bagão Félix, in Público

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