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sábado, 1 de julho de 2017

LIDO

Um estudante de Coimbra, conhecido pela sua preguiça, contemplava o Mondego. A certa altura desabafou:
- como és feliz, Mondego. Segues o teu curso sem precisar(es) de sair do leito

(retirada de O Seringador)

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

LIDO

(...) Por cá, alguém que não conhecesse o país suporia que foi o PS que esteve no Governo nos últimos quatro anos. Da direita à esquerda só se discute o PS, o programa do PS, as promessas do PS, os cortes na segurança social do PS, o acordo da troika que o PS assinou, o plano secreto que o PS tem para se aliar à CDU e ao BE para não deixar o centro-direita governar. A coligação Portugal à Frente acusa o PS de criar instabilidade e insegurança, a CDU e o BE acusam o PS de subscrever as políticas da direita.

E ninguém debate os últimos quatro anos, os 485 mil emigrantes que vão de engenheiros, economistas e médicos a investigadores, enfermeiros e bombeiros, os cortes nos salários da Função Pública e nas pensões dos reformados, a desmotivação completa dos funcionários públicos, o desemprego, o emprego que está a ser criado (90% é precário), os 50% de portugueses que ganham menos de 8000 euros por ano, o facto de estarmos a trabalhar mais 200 horas por ano e a ganhar em média menos 300 euros, o descalabro na educação (com o silêncio ensurdecedor de Mário Nogueira e da FESAP, ao contrário do que aconteceu quando Maria de Lurdes Rodrigues era ministra da Educação), a miséria que se vive no Serviço Nacional de Saúde (onde muitos profissionais são obrigados a comprar luvas ou a fazer garrotes com material improvisado), os medicamentos que faltam nas farmácias e só estão disponíveis daí a dois dias, a machadada que levou a ciência e investigação, os problemas que se continuam a verificar na justiça, a inexistência de respostas ao envelhecimento da população (em 2014 já havia mais de 4000 pessoas acima dos 100 anos em Portugal e há 595 mil portugueses com mais de 80 anos), a irrelevância do ministro dos Negócios Estrangeiros, a fragilidade da ministra da Administração Interna, as múltiplas garantias de Passos Coelho que foram sempre desmentidas por decisões do próprio Passos Coelho, o programa da coligação que não se discute porque não existe, etc, etc.

Ora, é tudo passado. Como disse Passos Coelho, «felizmente conseguimos ultrapassar a situação de emergência financeira que trouxe uma crise que nós resolvemos. Fizemos muito para poder chegar a este momento e os sacrifícios que fizemos valeram a pena. Já não temos necessidade de vos pedir um contributo adicional. Já não temos nenhuma medida restritiva nas pensões». Pronto, a crise está resolvida e agora é sempre a alargar o cinto.

Por isso, o líder da coligação Portugal à Frente pede agora aos eleitores «uma maioria boa, uma maioria grande» e diz que «quando temos necessidade de qualificar maiorias, alguma coisa esta errada. Estou a referir-me a um governo estável que tenha apoio no Parlamento para evitar que daqui a nove meses tenha de haver eleições», disse, esclarecendo porque não pede uma maioria absoluta. «O que nós queremos não é o absoluto, é estabilidade para governar».

Além disso, «nestes quatro anos tentei sempre um espaço de compromisso, de diálogo, com a oposição». Mas infelizmente «é a oposição a dizer que não dará condições para o país ser governado» e «os portugueses têm de julgar isso». Em qualquer caso, avisa: «Andamos com a alma cheia mas não andamos com o rei na barriga. Nós sabemos que as eleições se ganham a 4 de outubro».

Mas o certo é que na tracking pool diária do Público a coligação vai com 5,1 pontos à frente do PS, embora o número de indecisos tenha aumentado. E a coligação vira agora o discurso para tentar recuperar os 600 mil votos de eleitores que perdeu desde que em 2011 chegou aos 2,8 milhões de votantes. Para já, os resultados são estes: 38% PàF; 33% PS; 9% CDU: 6,7% BE; indecisos 25%.

Também o inquérito diário da Aximage para o Jornal de Negócios mostra que a vantagem da coligação face ao Partido Socialista atingiu, este domingo, o valor mais elevado. 5,6 pontos separam, agora, as duas forças políticas: 37,9% contra 32,3%. Jorge de Sá, responsável da Aximage, é taxativo: a probabilidade de coligação ter mais votos que PS pode ser «estimada em mais de 60%». Para o Correio da Manhã, a coligação segue à frente com 37,9% e o PS tem 32,3%.

Perante isto o que faz e diz António Costa? Pois o líder do PS recebeu ontem uma injeção de ânimo de Freitas de Amaral, que em Braga lhe disse: «Vai ganhar! Não acredite nas sondagens! O António Costa vai ganhar!». O certo é que Costa foi levado em ombros em Guimarães e em Barcelos, onde a cada passo um abraço, pediu a concentração de votos em torno do PS para obter uma maioria que lhe permita governar. Numa sessão em que João Cravinho se sentiu mal quando estava a discursar, Francisco Assis juntou-se a Costa no apelo ao voto útil.

O líder do PS, que ouviu jovens emigrantes através do Skype – e todos lhe disseram que não vêem condições para voltar tão cedo – advertiu que o atual Governo pretende prosseguir «um programa impiedoso» nos próximos quatro anos. «Ao longo destes quatro anos, a coligação mostrou ser radical. Colocou os portugueses uns contra os outros. Nós queremos a estabilidade das famílias, das pessoas, das empresas, do quadro fiscal. Para isso, é necessária uma mudança com confiança», defendeu. (...)



Nicolau Santos, in Expresso

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

LIDO

(...)Por cá, na cacafonia inevitável da campanha eleitoral, confiança é também o que procuram os partidos. A coligação Portugal à Frente tem desenvolvido uma estratégia extraordinária. Os seus dois líderes estão a conseguir que não se analise detalhadamente o que se passou nos últimos quatro anos mas sim que a discussão esteja a ser concentrada em torno do programa do PS. É verdadeiramente surpreendente que tal esteja a acontecer. Mas não só está a acontecer como está a dar dividendos, segundo as sondagens, que mostram de forma cada vez mais consistente que a coligação lidera as intenções de voto, com 3,2 pontos à frente do PS. Trata-se da bússola eleitoral que o Público divulga todos os dias e que, sublinha, não é uma sondagem, já que os participantes não constituem uma amostra do universo dos eleitores. Mas a sondagem diária do Correio da Manhã confirma a tendência: 35,9% para a coligação, 34,7% para o PS.

Não há pobreza, não há desigualdades sociais, não há cortes nos salários e pensões, não há promessas que tenham ficado sucessivamente por cumprir, não há 485 mil portugueses que tenham sido obrigados a emigrar entre 2011 e 2014, segundo dados ontem divulgados pelo INE, não há problemas no Serviço Nacional de Saúde, nem na Justiça, nem na Educação. Nada. O grande problema do país é o programa do PS. A confiança é tanta pelo PàF que Passos Coelho já se permite dizer que tem «o nome do futuro ministro das Finanças na cabeça». Embora, claro, primeiro seja preciso ganhar as eleições, porque «não se esfola um coelho antes de o caçar». Ah, Passos fez a afirmação, tendo ao seu lado a atual ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque. Mais. Paulo Portas subiu ao palco para perguntar em quem os presentes no comício confiavam mais: em Maria Luís Albuquerque ou em Teixeira dos Santos ou Mário Centeno? Boa pergunta. Mas alguém podia ter perguntado a Portas porque se demitiu de forma «irrevogável» no verão de 2012 quando Vítor Gaspar deixou o Governo e Passos Coelho optou por substituí-lo por Maria Luís (...).


Nicolau Santos, in Expresso online

sábado, 13 de junho de 2015

LIDO

UM PONTO É TUDO

A TAP voou, voou, voou...

por FERREIRA FERNANDESOntem
Este governo, ainda antes de o ser, era submarinos. Este governo, na véspera de deixar de o ser, é aviões... Estranha mania deste governo por submarinos e aviões quando tanto se gaba de ter os pés bem assentes na terra. De notar, porém, que a venda da TAP tem rodas para andar, o seu principal acionista, agora, é da empresa de camionagem Barraqueiro. Foi escolhido a dedo: caso os socialistas cheguem ao poder e mandem parar o negócio, ninguém melhor do que um tipo dos autocarros, habituado a não obedecer ao sinal de paragem. Que a companhia área tenha sido comprada por um rodoviário, não é o único indício de que a coisa vai mudar. A companhia de bandeira (vermelha e verde) foi também comprada por David Neeleman, o outro acionista do negócio, o dono da Azul. A companhia de bandeira (vermelha e verde) ao associar-se à Azul permite um slogan de relançamento: "Na TAP, olhe pelas nossas janelas e vê sempre o arco-íris." É uma ilusão, mas não é isso que impedirá Pires de Lima de usar esse argumento nas discussões dos próximos dias. E se o argumento não surtir efeito, Pires de Lima avança com outro: "Se o caso dos submarinos não deitou ninguém ao fundo, talvez a pressa com aviões acabe com os atrasos..." Não faz sentido nenhum este tipo de argumentos? Claro, mas também ninguém está interessado em argumentos. A venda da TAP não foi feita com argumentos, mas, isso sim, com um imperativo: já. Eis o mistério que merecia explicação.

Ferreira Fernandes in DN

quarta-feira, 10 de junho de 2015

LIDO

António Bagão Félix

10 de Junho de 2015, 11:03

Por



“PaF…”

Hoje 10 de Junho é o dia em que, oficialmente, Portugal está mais à frente. Um dia de comemoração que se manteve perante o corte (perdão, poupança) dos feriados nacionais.
Este ano quase coincidindo com a notícia do nome dado à coligação PSD/CDS para as eleições legislativas: “Portugal À Frente”. Nome interessante, embora pouco dado a acrónimos. É que PAF logo nos sugere “Programa de Ajustamento Financeiro”. Que é, como quem diz, Troica à frente de Portugal.
Gosto da palavra Portugal no nome de uma coligação. Porque é o nome do meu País, quase sempre mais conhecido, displicentemente, por “este país” do que pelo nome próprio.
Só não percebo a redundância (política) de “À Frente”. Não chega ser Portugal para estar à frente sem o dizer? As preposições que fazem a junção dos substantivos “Portugal” e “Frente” (que é a gente) podem tudo mudar. Por exemplo, se fosse “Portugal Em Frente”, além de perseguido também por um acrónimo troikista do tipo “Programa de Estabilização Financeira”, dava um ar muito militarista e lembrava a Mocidade Portuguesa. Já “Portugal De Frente”, que os mais distraídos ouviriam desejavelmente como “Portugal Diferente”, faria desconfiar os poderosos da União Europeia que gostam de nos olhar de soslaio. Voltando ao siglês, neste caso seria PDF, algo entre o EXCEL (onírico) do PS e o WORD (enfadonho) do pré-programa da actual maioria.
É notório que alguma oposição terá gostado do Portugal À Frente. Logo se lembraram da dívida pública, do desemprego, do risco de pobreza, da estagnação salarial, das pensões, etc. Só que, em coerência, a Grécia está à nossa frente. Por isso o PAF deveria ser mais exactamente “PAF(SG)”, ou seja “Portugal À Frente (Sem Grécia)”. E, em termos mais ou menos futebolísticos, até já se podem adiantar slogans para a campanha: “Portugal À Frente” a correr atrás do prejuízo. Ou “Com “Portugal à Frente” há que levantar a cabeça”!
“Aliança Portugal” (bem melhor, por sinal) não poderia ser. Foi um nome perdedor nas eleições europeias. “Portugal Primeiro”, além de redundante, dava vantagem ao CDS, ex-PP. “Portugal Sem Dúvida” (não confundir com Dívida) confundir-se-ia com PSD.
Finalmente, haveria a opção pela única marca patenteada da coligação centro-direita: AD, Aliança Democrática. Julgo perceber porque não foi repristinada. O respeito pela memória já não é o que era, mas neste caso ainda foi.
8b_4147_0_AsterixObelixBashThemAllE, pronto. Portugal em campanha eleitoral. Já se ouve ao longe “PaF…”, tal qual como gritava Obélix no meio da campanha guerreira contra os Romanos.





António Bagão Félix, in Público

terça-feira, 12 de maio de 2015

LIDO

Cancela baixa médica para poder pagar IMI 
Estado recusa subsídio a operário que tem um cardiodesfibrilhador. 

Por Cátia Vicente 

Rui Maia, de 36 anos, de Póvoa do Bispo, Cantanhede, sofre de problemas cardíacos, urológicos e de coluna. Foi obrigado a cancelar a baixa médica e voltar ao trabalho porque a Segurança Social (SS) não lhe atribuiu subsídio de doença. "Tenho noção de que estou a colocar a minha vida em risco, mas não tenho alternativa", diz emocionado. Rui Maia, que trabalha na construção civil, tem implantado um cardiodesfibrilhador desde fevereiro. Com dois filhos, de dois e nove anos, está sem rendimentos há seis meses. A família sobrevive com o ordenado da mulher de Rui (600 euros) e com o apoio de familiares. Quando Rui teve de pagar o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), sentiu que era "a gota de água" e decidiu, contra a vontade dos médicos, voltar ao trabalho. O "inferno" começou em novembro de 2014. O estado de saúde agravou-se, Rui entrou de baixa médica e pediu subsídio de doença à SS, mas foi-lhe negado por ter contribuições em atraso. Na Loja do Cidadão de Cantanhede informaram- -lhe que, "se no prazo de 90 dias, pagasse o valor devido, receberia o subsídio". Pediu dinheiro emprestado e pagou mais de mil euros. Agora, em carta enviada a Rui Maia, a SS confirma que os valores estão regularizados, mas que como não estavam quando entrou de baixa, não tem direito a subsídio de doença. 

In Correio da Manhã


A ser verdadeira, a notícia não me merece comentários. Melhor: diria que este país está uma merda vergonhosa.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

TRANSCRITO

Hoje por Pedro Santos Guerreiro
Diretor Executivo
 
12 de Fevereiro de 2015
 
“Falidos mas livres” (mas não ainda)
 
Quem acompanha processos europeus complexos está habituado a reuniões decisivas que não decidem, adiam. Faz parte da negociação – e da encenação? – entre estados membros e assim foi ontem à noite, no “encontro do tudo ou nada” entre ministros das Finanças que não foi nem tudo nem foi nada. O destino da Grécia na zona euro fica adiado para segunda-feira. A notícia da noite foi: não houve acordo sequer quanto a um comunicado conjunto.

A falta de acordo até para fechar um comunicado é mais do que o símbolo do fracasso da reunião
. Segundo conta o Financial Times, o ministro das Finanças Varoufakis informou os presentes de que estava de acordo com a publicação de um comunicado conjunto, mas terá sido desautorizado pelo seu primeiro-ministro quando telefonou para Atenas. Eva Gaspar, no Negócios, diz que a reunião não cumpriu sequer os mínimos: "um acordo sobre o método e o calendário a seguir para tentar alcançar um entendimento concreto".

Yanis Varoufakis, que entrou como estrela da noite, fotografado entre os demais com um sorriso largo, recusava à saída em falar de derrota: “Foi-me dada uma oportunidade maravilhosa para apresentar a nossa visão, as nossas análises e as nossas propostas.” Para já, a maior pressão está na forma de assegurar o financiamento da Grécia até setembro.
O encontro até começara bem, com Lagarde e Varoufakis a darem a mão e a trocarem piropos, numa inesperada demonstração  de  ternura para as fotografias que quebrou o gelo. “Ele chegou de blazer e calças pretas”, ensaiou Luciano Alvarez no Público, “ela esperava-o toda de preto e de cabedal”, e assim a reunião do Eurogrupo começou “de forma fofinha entre ele e ela. Com ambos rendidos um ao outro, perdidos entre sorrisos e olhares cúmplices.”

A questão não é se a reunião foi “fofinha”, é perceber se o ambiente institucional em torno da Grécia aperta ou distende. Hoje, Alexis Tsipras estará na sua primeira cimeira europeia, com a Grécia na maior indefinição. Tsipras e Varoufakis têm forte apoio popular na Grécia, o que ainda ontem se viu, numa manifestação contra as políticas de austeridade que juntou 15 mil na praça Syntagma, em Atenas, empunhando cartazes com palavras de ordem como “Falidos mas livres” ou “Um sopro de dignidade”.

E Portugal?
Frase puramente opinativa: Portugal está na posição mais cínica: ao lado da Alemanha desejando que a Grécia vença. Hoje, numa carta dirigida ao primeiro-ministro, um conjunto economistas, políticos, cientistas e outras personalidades apelam a Passos Coelho que mude de posição em relação à Grécia. Os subscritores têm como base os dinamizadores do Manifesto dos 74 que propôs a renegociação da dívida, mas alargam o apoio a outras personalidades. Portugal, note-se, foi o quarto país do mundo que mais aumentou a sua dívida entre 2007 e o segundo trimestre de 2014, de 258% para 358% do PIB. Isso mesmo, 385% em dívida acumulada (Estado, empresas e famílias), segundo um estudo da McKinsey noticiado no Negócios.

Até à segunda, querida Grécia. Até depois, Portugal.

Até quando, Ucrânia?

Noutra maratona negocial, os líderes da Ucrânia, Rússia, França e Alemanha estiveram fechados numa cimeira da paz em Minsk visando uma solução que ponha termo ao conflito em solo ucraniano. O objetivo de conseguir um acordo de cessar-fogo não está ainda conseguido. Mas a agência de notícias estatal russa Ria Novosti, citada pela CNN, noticiou durante a madrugada em Lisboa que será assinado um acordo de dez pontos, que prevê a retirada de artilharia pesada e a criação de uma zona desmilitarizada. Um acordo de cessar-fogo pode ainda ser conseguido nas próximas 48 horas. Fumo branco?


OUTRAS NOTÍCIASHá dois assuntos que estão em metade das primeiras páginas de hoje nas bancas. O segundo tema fica para o fim; o primeiro é manchete no Jornal de Notícias, no Económico e no Público: a proposta do governo de que as autarquias possam reduzir o horário de trabalho para 35 horas semanais fica sujeita à condição de as câmaras terem as contas em dia. Na verdade, essa é uma de sete condições, que o Negócios lista. O assunto dura há ano e meio.

Em quatro anos, 12 mil automobilistas foram avisados de que se tivessem mais um incidente ficariam sem carta de condução. Mas apenas 41 ficaram sem ela. Grande parte dos processos prescreveu. A notícia faz hoje manchete do Diário de Notícias.

Francesco Schettino, o comandante do Costa Concordia, navio que naufragou em janeiro de 2012 matando 32 pessoas, foi condenado a 16 anos de cadeia. Schettino não assistiu à leitura da sentença. De acordo com o seu advogado, "estava com febre".

A Caixa Geral de Depósitos teve prejuízos de €348 milhões em 2014. Uma redução face a 2013 mas mesmo assim quase um milhão por dia. Tudo por causa de créditos do passado que não são pagos, o que obrigou a provisões e imparidades de quase mil milhões.

O Benfica é o primeiro finalista da Taça da Liga, depois de vencer o Setúbal por 3-0 na Luz.

O Bloco de Esquerda e PS admitem chamar ao Parlamento uma investigação sobre os casos portugueses do processo Swiss Leaks, que lista 220 clientes portugueses. Por causa da revolta levantada pelo escândalo, que revelou contas no HSBC da Suíça que facilitavam a fuga aos impostos e a ocultação de ativos (se quiser saber como, o Expresso Diário explica), o Henrique Monteiro aqui escreveu que é preciso separar a fuga do fisco do julgamento moral da riqueza, “como se quem fosse rico tenha de ser necessariamente suspeito”. Na China os julgamentos são outros: o magnata mineiro Liu Han, que era o 148º chinês mais rico, foi executado depois de ser condenado por crime organizado.

A concessão de vistos gold caiu a pique, noticia o Negócios. Em Janeiro foram atribuídos 78, “menos de metade dos emitidos em Novembro, quando rebentou o escândalo de corrupção neste programa.”

Obama pediu autorização ao Congresso norte-americano para autorizar a utilização de forças militares contra o auto-denominado Estado Islâmico (Daesh), num plano a três anos. A notícia há de ter muitos desenvolvimentos...


FRASESPortugal, um país que passou também por dificuldades, emprestou à Grécia cerca de 1.100 milhões de euros e agora está a transferir muitos milhões que são tirados dos bolsos dos contribuintes”. Cavaco Silva, ontem aos jornalistas.

São declarações que procuram humilhar - por contrapartida de um comportamento do Governo português que o Presidente da República procura todos os dias elogiar - o povo grego e o Governo grego”. Carlos César, respondendo a Cavaco.

Intenções da Altice são positivas para Portugal”, diz o ministro da Economia, Pires de Lima. A PT começará já por reduzir o número de administradores, noticia o Económico.

Eu não teria cortado relações com o Benfica", Filipe Soares Franco, sobre a decisão do Sporting do fim de semana, citado no DN.

Plantem vegetais extensivamente em estufas!” é um dos novos 310 slogans oficiais da Coreia do Norte, agora revelados.


O QUE EU ANDO A LERNão li nem ando a ler “As 50 sombras de Grey”, cuja adaptação a filme tem sido arrasado pela crítica, que o apelida de coisas como “pornografia para mamãs”, embora muitos escrevam que, em comparação com o livro, lhe falta sexo. Mas pronto, a coisa estreia hoje em todo mundo, com mais de 40 mil bilhetes já vendidos em Portugal, e a histeria está em todo o lado. Inclusive em quase todas as primeiras páginas de hoje dos jornais – esse era o segundo tema reincidente de que lhe falei.

Recomendo-lhe outra leitura, a partir das 18 horas. Se ontem a notícia foi de que o Aeroporto da Portela pode vir a chamar-se Humberto Delgado, (a notícia pode ser lida por exemplo aqui), o facto são os 50 anos sobre a sua morte. Esta tarde, no Expresso Diário (que pode ler assinando ou usando o código da revista E de sábado passado), vamos republicar nos Ficheiros Expresso uma entrevista histórica de 1998 a Rosa Casaco, que chefiou a brigada da PIDE que assassinou o general Humberto Delgado a 13 de Fevereiro de 1965, perto de Badajoz. “Como matámos Humberto Delgado”

E pronto, amanhã aqui estará o Martim Silva, que veremos se conseguirá escrever no Dia dos Namorados sem esbanjar recomendações pirosas ou, vá lá, alimentar a epidemia de graçolas com “As 50 Sombras de Grey” que se leem em jornais por todo o mundo.

Até depois? Até já, Portugal. No site do Expresso e no Diário às 18 horas.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

MAIS BES


Moreira Rato devia ser gestor 

do Novo Banco?


por PEDRO TADEUHoje
João Moreira Rato recebeu o beijo da morte do
 Wall Street Journal. Nomeado administrador 
financeiro do Novo Banco, que substitui o
 proscrito BES, o homem que desde junho de
 2012 geria com aparente brilhantismo a 
negociação de dívida pública do Estado é 
apontado a dedo pelo jornal norte-americano: 
entre 2008 e 2010 Rato era sócio gerente 
da Nau Capital, um fundo de investimento 
que criou 
com João Poppe graças a 200 milhões de 
euros emprestados pelo Banco Espírito 
Santo.
João Poppe é sobrinho de Ricardo Salgado 
e fora vice-presidente do BES entre 2001 e
 2007.
Moreira Rato saiu da Nau Capital em 2010 
para dirigir a Morgan Stanley. Poppe levaria,
 em 2011, o fundo da Nau Capital para a 
Eurofin, onde ganhou um lugar na direção.
A Eurofin é uma firma com sede na Suíça 
que realizou várias operações de 
financiamento ao Grupo Espirito Santo 
(GES). Para a Eurofin trabalhava Francisco 
Machado da Cruz. Segundo a empresa,
 ele foi administrador não-executivo da
 Eurofin Holding SA
 até março passado, mas não teve mandato
 da 
Eurofin Group em relação ao BES ou ao 
GES.
Acontece, porém, que este Machado da
 Cruz 
era contabilista da ESI, a "holding" de 
controlo
do GES onde foram detectadas 
irregularidades 
nas contas de 2012 pois faltavam contar 
prejuízos
 no valor de 1,3 mil milhões de euros.
 Em entrevista 
ao Expresso, em junho, o contabilista 
afirmou que "Ricardo Salgado sabia" 
que as contas da ESI não refletiam a 
verdade.
Seguiu-se o descalabro conhecido que 
levou 
Vítor Bento e Moreira Rato a irem para o 
BES o 
que, entre um milhão de outras coisas 
mais
 relevantes, os leva a deter 15% do capital 
da 
empresa onde trabalho.
Porque é que o Wall Street Journal achou 
importante fazer esta tortuosa ligação 
entre 
Moreira Rato e o "lado mau" dos negócios 
do Grupo Espírito Santo? Se esta parte da 
história ficar por aqui não se visiona nada 
de irregular, suspeito ou equívoco com ele.
 Certo? Certo, mas...
Para o Wall Street Journal esta notícia 
terá 
um significado: o novo administrador 
do Novo 
Banco foi substancialmente financiado 
pelo 
BES e foi sócio de um sobrinho de Ricardo 
Salgado envolvido nos negócios do banco. 
Será injusto mas, dada a situação explosiva 
que se vive, estes factos tornam temerária e
 insensata a nomeação de Moreira Rato para
este cargo específico.
Quem o nomeou sabia? E ele, avisou quem 
devia? Provavelmente sim. Acharem que isso
 não tinha importância poderá ser fatal para o
 Novo Banco. Basta o Wall Street Journal ou 
outro qualquer insistirem para os mercados, 
os bem ditos mercados, acusarem o toque.
 E os políticos também estão à coca... Uma 
fragilidade, adicional, bem escusada. 
Uma parvoíce, em suma.

Pedro Tadeu, in Diário de Notícias online

Que e quem se seguirá a esta estória?

terça-feira, 1 de julho de 2014

LIDO (O BES)


OPINIÃO

Marcelo, Miguel, o BES e nós

É destes pequenos segredos que vive o regime que nos trouxe até aqui.



Pergunta do milhão de euros: como é possível que um caso com a dimensão do BES só se conheça agora? Como é possível que nós, gente dos jornais e da comunicação social, tenhamos tido ao longo dos anos notícia de tantas pontas soltas – basta ver o número de casos em que o banco esteve envolvido –, mas ninguém tenha sido capaz de unir as várias pontas e perceber aquilo que realmente se estava a passar?
A resposta é óbvia: porque a família Espírito Santo é demasiado grande e o país demasiado pequeno. Enquanto a família esteve unida, formou um bloco inexpugnável, pela simples razão de que o seu longo braço chegava a todo o lado, incluindo partidos (alguém já ouviu António José Seguro, sempre tão lesto a dar palpites sobre tudo, comentar o caso BES?), comunicação social (quem não se recorda do corte de relações com o grupo Impresa em 2005, na sequência de notícias sobre o envolvimento do BES no caso Mensalão?) e até aos próprios comentadores, por via das relações pessoais que Ricardo Salgado mantém com gente tão influente quanto Marcelo Rebelo de Sousa ou Miguel Sousa Tavares.
Ora, ninguém à face da terra possui uma independência inexpugnável. Isso não significa que todos tenhamos um preço – significa apenas que somos condicionados por relações de amizade ou de sangue e que nesse campo uma família de 300 membros, que há décadas se move na alta sociedade portuguesa como peixe na água, acaba por chegar a quase toda a gente que interessa. O próprio Sousa Tavares referiu essas ligações há um ano, numa entrevista à Sábado: “O Ricardo Salgado é sogro da minha filha e avô de netos meus. Além disso, somos amigos há muitos anos, porque eu fui casado com uma prima direita dele. Nunca o critiquei e nunca o elogiei, porque acho que não se fala da família em público.” Pode apontar-se a Miguel Sousa Tavares muita coisa – eu já o fiz –, mas não falta de independência ou coragem. Simplesmente, quando o caso BES atinge esta dimensão, o silêncio de alguém com a sua importância torna-se efectivamente um favor a Salgado. Não há como fugir a isso.
Mas se Sousa Tavares não fala sobre o tema e já justificou porquê, o mais influente comentador português – Marcelo Rebelo de Sousa – necessita urgentemente de aproveitar algum do seu tempo dominical para fazer a sua declaração de interesses em relação aos Espírito Santo. E essa declaração é tanto mais premente quanto nas últimas semanas tem vindo a defender a solução Morais Pires, considerando até que a impressionante queda das acções do BES na passada semana era coisa “inevitável”, visto estarmos perante “um novo ciclo”. Que essa queda tenha acontecido exactamente por não estarmos perante um novo ciclo parece não ter passado pela sua cabeça, habitualmente tão veloz e atenta.
Não admira, pois, que Nicolau Santos tenha chamado a atenção no Expresso para o facto de Marcelo e Ricardo Salgado já terem passado juntos “várias vezes férias no Mediterrâneo”. E já agora – acrescento eu – que Rita Amaral Cabral, há longuíssimos anos companheira de Marcelo, como é público, seja actualmente administradora não executiva do BES, e, entre 2008 e 2012, um dos três membros da comissão de vencimentos do banco. Marcelo, como todos sabemos, nunca teve quaisquer problemas em criticar aqueles que lhe são próximos. Mas há factos que devem ser verbalizados – porque é precisamente destes pequenos segredos que vive o regime que nos trouxe até aqui.

João Miguel Tavares in Público de hoje

Pois é, tudo se calou até o desastre cair na praça pública, como não poderia deixar de acontecer mais dia menos dia. Claro que a culpa é de um qualquer contabilista manhoso que o Ricardo Salgado contratou a preço de saldo e que apenas acertou na declaração do IRS deste à 4.ª tentativa. 
Oxalá não venhamos a ser chamados a pagar as obras de remoção dos escombros e da reconstrução da coisa.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

LIDO

Chapelada electrónica. A lenta cozedura que agora se iniciou no PS deu já dois resultados, um negativo, outro positivo. O negativo está a ser o cristalizar de posições, melhor dizendo o crispar de olhares e punhos, fechando as portas à razão e à tolerância. Tribos políticas agregam-se por emoções e não se dissolvem em quatro meses. Treinam-se mosqueteiros do cardeal, para defrontarem mosqueteiros da rainha. O positivo está a ser a lenta definição dos comentadores e fazedores de opinião: começa a ser claro que a direita convencional está com Seguro, por recear Costa e o terreiro que a sua popularidade pode varrer. Clarinho, clarinho, será sempre melhor.
A situação é muito clara: uma forte maioria sociológica aspira por Costa, dentro e fora do partido. A máquina, minuciosamente planeada durante anos pelas últimas bancadas de São Bento, matematicamente produz decisões que espelham a proporcionalidade da divisão orgânica. Os estatutos, alterados em comissões nacionais complacentes ou distraídas, blindaram as lideranças. Órgãos jurisdicionais internos escudam-se na imprevisão estatutária. Com a segurança de quem tutela a sua maioria, obediente pelo pavor do que receia perder com a mudança, surge a proposta de eleição para um cargo inexistente, com o engodo da retirada em caso de derrota, tal como fez Cavaco a Seguro, quando lhe acenou com eleições antecipadas. Tempera-se com o sal de uma demagógica redução do números de deputados para a populaça aplaudir e argumenta-se com a suposta similitude com eleições primárias abertas a todos para escolha de líderes socialistas na França e Itália, como se do mesmo contexto se tratasse. Preparado o empadão, serve-se frio ou requentado, com quase quatro meses de espera.
Tal como aqui afirmámos há semanas, as coisas estão feias no PS e vão ficar ainda pior. À saída da Comissão Nacional de Ermesinde duas valorosas militantes (ou simpatizantes), vestidas com a camisola da selecção, assediaram Costa e apoiantes. O ambiente carnavalesco registado pelas câmaras tem efeito demolidor na política, juntando todos no mesmo saco, abrindo espaço ao populismo justicialista.
Quando aqui se apontava o eventual risco de chapelada, mal sabíamos como ela agora se apresenta, no século vinte e um. Não já com votos numerosos dentro do chapéu dos cabos eleitorais, mas com o sofisticado processo de recurso a redes corporativas. Agora foram farmacêuticos que conclamaram na rede respectiva o apoio a Seguro. Uma das conclamantes, dirigente nacional do PS. Pior ainda: citada a pronunciar-se a presidente do Partido e um dos secretários nacionais lavaram as mãos como Pilatos, com o argumento de se tratar de uma posição individual. (Agora se percebe o verdadeiro sentido de algumas escolhas para candidatos municipais). Amanhã serão associados de agremiações apolíticas a congregarem à participação grátis numa singular escolha de governo. Pouco faltará para vermos um futuro canal por cabo a recomendar o mesmo. Mais tarde serão homens de mão de partidos agnósticos a Costa a colaborarem, inscrevendo-se graciosamente para eleger um “candidato a primeiro-ministro”. Recusa-se o que possa aumentar as garantias de independência do processo, retirando ao contraditório a possibilidade de arguir a prática de actos malévolos e quem tem a autoridade interna não verbera estes procedimentos.


António Correia de Campos, in Público de hoje

segunda-feira, 7 de abril de 2014

TRANSCRIÇÕES



As difíceis vidas de Paulo e Vítor

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Os licenciados portugueses das mais variadas profissões 
têm sido aliciados por agências de recrutamento com o 
intuito de os levar a emigrar na senda de melhores 
vencimentos e, num significativo número de casos, 
em busca de um mero emprego. Desde há algum tempo 
que, em Portugal, o desemprego deixou de ser exclusivo
dos cidadãos indiferenciados, atingindo actualmente
 cerca de 92 mil pessoas com curso superior, do conjunto
 de 812 mil desempregados contabilizados pelo INE,
 dos quais cerca de 344 mil estão em risco de pobreza, 
isto é, dispõem de menos de 409 insustentáveis euros 
por mês para fazer face às suas despesas.
O desemprego mais desrazoável, porém, é o dos 
cerca de 300 mil cidadãos ditos "nem-nem", compatriotas 
que, por força das agruras da vida, não estudam 
nem trabalham (nem tão-pouco frequentam qualquer 
acção de formação). O facto de não terem emprego -
 ou de não se encontrarem presentemente a estudar - 
faz com que muitos deles acabem por abandonar 
o país como sucedeu, só no último ano, a mais de 120
 mil emigrantes.
Tal é o caso de Paulo e Vítor, dois concidadãos "nem-nem" 
que, com indizível sacrifício pessoal, optaram por não 
agravar as estatísticas dos centros de emprego (nem solicitar 
qualquer subsídio), atrevendo-se a sonhar mais alto, numa
 intransitiva atitude de arrojo e coragem, decidindo trocar 
a pátria (com uma mala na mão), pela diáspora. 
Vendo-se penosamente sem sustento, com as carreiras 
profissionais injustamente destruídas, não hesitaram 
em emigrar engrossando o 
êxodo de portugueses rumo ao desconhecido.
Um desses destemidos patrícios é Paulo Varela Gomes,
 profissional da área da Segurança, inesperadamente 
privado do seu posto de trabalho (como director 
nacional da PSP), na sequência do inflamado "motim" 
das forças policiais na escadaria do Parlamento, 
a 21 de novembro transacto. Da noite para o dia, sem 
que nada o fizesse prever, Paulo viu-se forçado a emigrar
 para Paris (de França), a fim de aceitar trabalho como 
oficial de ligação da Embaixada de Portugal na Cidade-Luz -
 lugar alegadamente criado para ele, inserido no projecto 
de segurança do G4 que engloba Portugal, Espanha, França 
e Marrocos. Um posto de menor responsabilidade, portanto. 
Pese embora vá ganhar apenas 12 mil euros por mês
 (pouco mais do que o triplo do que auferia em Portugal),
 na mesma área profissional onde alegadamente falhou,
 ainda assim Paulo abraçará esta (segunda) oportunidade 
com desmesurada dedicação, como aliás tem sido apanágio 
da generalidade dos seus compatrícios em Paris, desde as 
porteiras aos padeiros, com quem Paulo irá decerto privar 
nalguma pitoresca taberna de fados ao fim de um dia de
 trabalho.
 Boa sorte, Paulo!
Desfecho igualmente feliz teve o caso do seu compatriota 
Vítor 
Gaspar que se viu confusamente desalojado do lugar de 
ministro
 das Finanças de Portugal, sendo obrigado a partir para as 
américas para aceitar trabalho na incerta metrópole de 
Washington como director dos Assuntos Orçamentais do 
FMI (a mesma área profissional onde confessadamente 
falhou), 
remedeio pelo qual irá receber a parca quantia de 23 mil 
euros 
mensais (somente o quíntuplo do vencimento de um 
ministro em Portugal). Apesar disso, Vítor irá empenhar-se 
com abnegação, 
com o fito de juntar um pé-de-meia para um dia (quem sabe?)
 regressar em condições de proporcionar a si e os seus uma
 vida condigna e melhor. Felicidades, Vítor!
São exemplos como estes de vidas anónimas e destroçadas,
 fruto da crónica falta de respeito com que um país madrasto
 brinda os seus cidadãos - que trabalham a vida inteira apenas
 para ver os seus salários e pensões renegociados
 unilateralmente 
sem consentimento - que nos levam a todos a acreditar que a
 felicidade é possível, que a vida ainda pode sorrir, que para 
cada um de nós há uma oportunidade à espreita desde que, 
naturalmente, como Paulo e Vítor, nos disponhamos a sair 
da nossa infame zona de conforto, trocando o perto pelo 
incerto,
 longe dessa preguiçosa facilidade que é ficarmos parados a 
apodrecer, como cadáveres adiados, com a inaceitável 
desculpa 
de que não conhecemos as pessoas certas.


Transcrito do JN de hoje, sem comentários