No
próximo dia 25 de Abril completam-se trinta e oito anos que foi derrubado o Estado
Novo - regime autoritário ou até mesmo ditatorial - o que abriu a Portugal a
possibilidade de implantar um regime democrático e passar a ser um Estado de
Direito. Pois bem, instalada a democracia, o país tem sido governado por
governos do PS ou do PPD, sozinhos ou em coligação.
Exceptuando
um único governo formado por uma coligação dos dois, a que se chamou governo do
“Bloco Central”, todos os outros têm sido de esquerda ou de direita, com as suas
políticas e as suas decisões a serem apoiadas e contestadas por quem os apoia
ou se lhes opõe. Contudo, sempre houve um certo consenso em muitas coisas que
são respeitadas por todos, como por exemplo as comemorações dos dias relevantes
para a Nação e o Estado Democrático, como o 25 de Abril. Quer no consulado dos
governos de esquerda, quer nos de direita, esta data foi sempre comemorada oficialmente
no Parlamento, com a presença dos militares de Abril e das principais figuras
da Democracia. Pois bem, foi preciso aparecer um Governo de Direita Neoliberal,
com tiques de extrema-direita, para que os referidos militares se recusassem a
estar presentes. E não só, fala-se já que em solidariedade para com eles também
não estarão presentes figuras relevantes da nossa vida em democracia, como
Mário Soares e Manuel Alegre. Um e outro apanharam o 25 de Abril no exílio e,
com ele, ganharam a possibilidade de regressar a Portugal.
Estranho
a atitude, mas compreendo-a. Este governo não respeita os portugueses, mente-lhes
descaradamente e não pensa duas vezes em os tornar mais pobres só para agradar
à Troika e à Sra Ângela. Por isso, é preciso que haja alguém com peso político
e mediático, que dê a pedrada no charco. Não está em causa a legitimidade dos
actos do governo, nem o regime democrático. Mas não devemos esquecer que Hitler
e Mussolini chegaram ao poder com eleições democráticas.
Ao
que chegamos!
1 comentário:
Diz muito bem: ao que chegámos!
A Associação 25 de Abril, disse-o Vasco Lourenço, também primará pela ausência.
O venerando irá?
E até o Pires Veloso diz que povo deve fazer um novo 25 de Abril.
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