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terça-feira, 4 de março de 2014

Dá que pensar...!

Se ainda havia dúvidas que em Portugal se agrava cada vez mais o fosso entre ricos e pobres, tivemos hoje uma notícia que vem confirmar isso mesmo. Segundo a revista FORBES as fortunas dos três portugueses mais ricos – Américo Amorim, Alexandre Soares dos Santos e Belmiro de Azevedo – subiram mais ou menos 17%, que em termos de valor ronda os dois mil milhões de euros. Como é possível em tempo de crise?! Bom, é possível porque a austeridade, pelos vistos, não toca a todos do mesmo modo. Bem pelo contrário. Este trio faz parte de um núcleo de empresários a quem o Governo aumentou e continua a aumentar os benefícios fiscais.
Como se sentirão muitos portugueses, sobretudo aqueles que têm rendimentos que não lhes permite viver com a dignidade a que têm direito, e aqueles pertencentes às classes médias que no activo ou já na reforma são sempre chamados a suportar os cortes que têm como objectivo atingir um défice que o Governo não controla? Naturalmente com muita raiva.

Ora, provavelmente com outro tipo de políticas, talvez aqueles três senhores, e alguns outros que se lhes seguem, aumentassem menos as suas fortunas e permitissem um alívio àqueles que estão sempre a “pagar a fava”. Mas, enquanto formos governados por estes talibãs do neoliberalismo, não acredito que isso suceda. Por isso um alerta que está na moda: “de nada serve protestarmos como leões, se depois votamos como jericos”!

sábado, 28 de abril de 2012

Ó tempo volta p'ra trás


Cada vez tenho mais a convicção de que vamos voltar às licenças de isqueiro, como nos tempos de Salazar.
O Governo criou agora uma taxa (ou um imposto?) de segurança alimentar a ser paga por  lojas de hipermercados cuja área seja superior a 2000 metros quadrados  ou a grupos de supermercados que em conjunto ultrapassem os 6000. Tal medida vai abranger mais de 1500 lojas, o que é obra! Diz o Governo que a receita arrecadada suportará os custos com a fiscalização da segurança alimentar e que o seu valor será insignificante se tivermos em conta o valor da facturação dos supermercados em causa. Quer dizer que o Governo pensa que vão ser eles a pagar a taxa? Pura ingenuidade! Quem vai pagá-la vai ser mais uma vez o ZÉ. E o Zé pequeno ou o Zé da classe média, pois o Zé classe alta, não vai ao supermercado, tal como também não vai a ministra Cristas.   

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Mais uma taxa

O Governo português pretende criar uma nova taxa sobre o comércio de alimentos para criação dum Fundo de Saúde e Segurança Alimentar. Quem ouviu a ministra Cristas a justificar este novo imposto, até é capaz de acreditar que o objectivo é o bem estar dos portugueses. Mas, analisando melhor a situação, conclui-se que afinal o que se pretende é arranjar dinheiro para custear despesas que o Estado acha que não pode suportar nesta altura. Agora, dizer-se que as empresas que comercializam os produtos em causa têm que participar nas despesas de criação e manutenção do tal Fundo de Saúde e Segurança alimentar, é ridículo. Pois quem vai acabar por pagar tal taxa (ou imposto) são os consumidores, por agravamento dos preços dos produtos. "Paga Zé!"

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Paga "Zé"

Ficamos hoje a saber que é quase certo que no próximo ano a electricidade vai aumentar 4%. Quer dizer, mais uma vez é o "Zé" quem paga a crise. O Zé já começou a pagar mais 16% na factura da EDP, em virtude do "colossal" aumento do IVA. O Zé, de um modo geral, vai pagar mais impostos, vai usufruir de menos benefícios fiscais, já ficou sem quase metade do subsídio de Natal deste ano e vai ficar sem os subsídios de férias e de Natal do próximo ano. Tinha alguma lógica e, sobretudo, muita justiça, que o Governo pensasse: " Coitado do Zé, já é ele que praticamente paga a crise. Recebe cada vez menos dinheiro, tem que pagar mais pelas coisas do dia a dia e, por isso, está a empobrecer. Qualquer dia já não tem dinheiro para comer. Portanto, não vai pagar mais pela luz. Chegou a hora de a EDP ( e os seus accionistas) também contribuir para a crise. Que tenha menos lucros". Pois bem, o Governo preferiu, como tem vindo a fazer, a solução mais fácil: Paga Zé. Só que, atenção: A paciência do Zé tem limites!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Há limites ou não há limites, Sr. Presidente?

Num dos seus últimos discursos, mas ainda no consulado do PS, o Presidente da República, criticando as medidas que o anterior governo tomou e as que previa tomar para combater o défice, se voltasse a ser governo, referiu em tom zangado que "há limites para os sacrifícios impostos aos portugueses". Pela forma como o disse, toda a gente concluiu que Sua Exa. entendia que já havia sacrifícios a mais. Ora, e agora Sr. Presidente, o que se lhe oferece dizer sobre esta medida inesperada da criação de um imposto extraordinário de 50% sobre os subsídios de Natal dos tabalhadores com salários superiores ao salário mínimo? Mais uma vez vai ser a classe média e, sobretudo a classe média baixa, quem vai "pagar as favas", e o senhor vai calar-se? Espero bem que não. E ao facto destas medidas serem tomadas por um governo de coligação cujos partidos tinham garantido aos portugueses que não aumentavam impostos, não vai chamar-lhes mentirosos? É assim que que se ganha a confiança dos cidadãos? Olhe, Sr. Presidente: são medidas como esta, que não faz parte do célebre acordo com a troika, que podem tornar a situação mais explosiva do que aquilo que o senhor acha. A CGTP, por intermédio do seu líder Carvalho da Silva, já apelidou esta medida "como um roubo"!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Por uma questão de decência deviam ficar calados

Já não me recordo se foi ainda em 2007 ou foi já em 2008 que o Governo, para incentivar os cidadãos a frequentarem os ginásios, resolveu baixar o IVA sobre o valor base das mensalidades, para 6%. Nessa altura a Associação de Empresas de Ginásios veio informar que não diminuiam às mensalidades, pois iriam aproveitar o consequente aumento da receita líquida, para fazerem alguns investimentos para além dos previstos e servirem melhor os utentes. Pura retórica! investimentos? nem vê-los.
Veio agora o governo dar o dito por não dito e aumentar o valor do IVA, de 6 para 23%. - mais 17%; quase o triplo! E o que faz a Associação de ginásios? Vem dizer que a subida do IVA vai provocar cerca de 3000 despedimentos em consequência do provável abandono de 90 mil dos actuais 600000 frequentadores. Bom, cabe-lhes a eles diminuir este impacto e do mesmo modo que meteram ao bolso o diferença da baixa do IVA, devem pagar agora, pelo menos em parte, a diferença do aumento. Mas não, não querem. Por isso, por uma questão de decência, deviam ficar calados.
Ah! a propósito: mais uma vez o Governo dá e tira. E como diz o ditado popular: "quem dá e tira para o inferno gira".