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domingo, 19 de agosto de 2012

Touradas não, obrigado!

Às vezes nesta época do ano dou conta que num qualquer canal de televisão está a dar uma tourada, a que, nunca entendi o porquê, chamam de corrida de touros. É claro que não perco tempo a ver tão triste e bárbaro espectáculo, muito bem retratado há quase quarenta anos por Ary dos Santos e Fernando Tordo.
Se a tal tourada estiver a dar na SIC ou na TVI, fico completamente indiferente. Mas se estiver a dar na RTP, fico de certo modo furioso, já que não aceito que um canal público de televisão, cujos prejuízos são suportados pelo Estado, gaste dinheiro naquilo, porque é um tipo de programa com pouca audiência, felizmente, e irrelevante em termos de share. E não lhe chamem actividade cultural, com história, tradição e apoio popular, pois no passado também houve espectáculos de gladiadores, e de lutas entre cavaleiros, que também eram muito populares. E não esqueçamos que até Nero para divertir o povo romano e impedi-lo de se revoltar contra ele, mandava cristãos enfrentar os leões na arena do Coliseu de Roma. Todos estes bárbaros espectáculos acabaram com o evoluir das sociedades. Está na altura de tudo se fazer para que acabem as tourada e também as chamadas largadas de touros. Ainda noutro dia vi uma reportagem televisiva sobre uma largada de touros em Coruche. Que tristeza! Que prazer pode ter alguém que anda a fugir dum bicho enraivecido? E já agora levanto uma questão que me parece pertinente nestes tempos de crise: Alguém naquela largada de touros foi atingido e ficou ferido, de tal modo que necessitou de assistência médica no local e depois ser transportado ao Hospital (o que veio a seguir não sei). Ora, quem paga estas despesas, o Serviço Nacional de Saúde? Provavelmente é, mas está mal feito. O Estado não tem que suportar os custos das loucuras de alguns dos seus cidadãos. Claro que estes têm que ser socorridos, mas depois têm que pagar a factura. Não é admissível que o Estado corte nos vencimentos dos seus servidores, nas pensões e nos subsídios, aumente impostos, as taxas moderadoras e outra taxas, porque não consegue controlar o défice, e depois patrocine, ainda que indirectamente as touradas. Touradas, não, obrigado!



quinta-feira, 30 de junho de 2011

Há limites ou não há limites, Sr. Presidente?

Num dos seus últimos discursos, mas ainda no consulado do PS, o Presidente da República, criticando as medidas que o anterior governo tomou e as que previa tomar para combater o défice, se voltasse a ser governo, referiu em tom zangado que "há limites para os sacrifícios impostos aos portugueses". Pela forma como o disse, toda a gente concluiu que Sua Exa. entendia que já havia sacrifícios a mais. Ora, e agora Sr. Presidente, o que se lhe oferece dizer sobre esta medida inesperada da criação de um imposto extraordinário de 50% sobre os subsídios de Natal dos tabalhadores com salários superiores ao salário mínimo? Mais uma vez vai ser a classe média e, sobretudo a classe média baixa, quem vai "pagar as favas", e o senhor vai calar-se? Espero bem que não. E ao facto destas medidas serem tomadas por um governo de coligação cujos partidos tinham garantido aos portugueses que não aumentavam impostos, não vai chamar-lhes mentirosos? É assim que que se ganha a confiança dos cidadãos? Olhe, Sr. Presidente: são medidas como esta, que não faz parte do célebre acordo com a troika, que podem tornar a situação mais explosiva do que aquilo que o senhor acha. A CGTP, por intermédio do seu líder Carvalho da Silva, já apelidou esta medida "como um roubo"!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Por uma questão de decência deviam ficar calados

Já não me recordo se foi ainda em 2007 ou foi já em 2008 que o Governo, para incentivar os cidadãos a frequentarem os ginásios, resolveu baixar o IVA sobre o valor base das mensalidades, para 6%. Nessa altura a Associação de Empresas de Ginásios veio informar que não diminuiam às mensalidades, pois iriam aproveitar o consequente aumento da receita líquida, para fazerem alguns investimentos para além dos previstos e servirem melhor os utentes. Pura retórica! investimentos? nem vê-los.
Veio agora o governo dar o dito por não dito e aumentar o valor do IVA, de 6 para 23%. - mais 17%; quase o triplo! E o que faz a Associação de ginásios? Vem dizer que a subida do IVA vai provocar cerca de 3000 despedimentos em consequência do provável abandono de 90 mil dos actuais 600000 frequentadores. Bom, cabe-lhes a eles diminuir este impacto e do mesmo modo que meteram ao bolso o diferença da baixa do IVA, devem pagar agora, pelo menos em parte, a diferença do aumento. Mas não, não querem. Por isso, por uma questão de decência, deviam ficar calados.
Ah! a propósito: mais uma vez o Governo dá e tira. E como diz o ditado popular: "quem dá e tira para o inferno gira".