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Confesso
que não gosto de Ramalho Eanes. Não votei nele na sua primeira candidatura à presidência
da República e na segunda o meu voto foi um voto útil, já que de modo algum
poderia nada fazer para evitar que fosse eleito um candidato da Direita, naquela
altura sedenta de ajustes de contas. No entanto, reconheço que Ramalho Eanes
teve um papel importante na consolidação da Democracia em Portugal, quer no 25
de Novembro, quer depois como Presidente da República, cargo que exerceu de
modo activo e interventivo, cumprindo e fazendo cumprir a Constituição. Ao
contrário do actual Presidente, Ramalho Eanes não se limitou a estar em Belém a
olhar para o Tejo a ver “passar navios”.
Um
grupo de cidadãos resolveu promover-lhe uma homenagem. E eu não acho mal. Mas
já não concordo com a data escolhida – 25 de Novembro. E tenho a certeza que a
escolha da data não foi inocente, sobretudo nesta altura em que um dos lemas
das contestações é a perda de conquistas do 25 de Abril, e tendo em conta
alguns dos promotores. Muitos deles invectivaram Eanes aquando da sua recandidatura
ao segundo mandato. É curioso, não é?