segunda-feira, 30 de novembro de 2020

EFEMÉRIDES






Neste dia, em 1935, morre Fernando Pessoa, poeta português



Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças 
nem consta que tivesse biblioteca... 

2 comentários:

Janita disse...

Um poema irónico que já conheço de há muito, mas nem por isso gosto muito.

Beijinhos e boa semana.

500 disse...

Quem não conhece? Pois olhe que, pela ironia, eu gosto do poema, que o Villaret dizia muito bem, lembra-se?
bjis.