sexta-feira, 18 de outubro de 2013

UM ESPANTO!

Ouço na SICN que os gabinetes ministeriais vão gastar no próximo ano mais 47 milhões de euros (um acréscimo de 8%) do que em 2013! O ministro Marques Guedes meteu as mãos pelos pés ao tentar justificar a coisa, o que não conseguiu, dando um exemplo esfarrapado que nem uma criança de 5/6 anos utilizaria. Um espanto.
Assim se cortam as gorduras do Estado, pelo que vejo.
A sem vergonhice no seu esplendor!
E como o céu está nublado, não se avista a estrela sobre Belém.

Temos que nos indignar!

É absolutamente inadmissível a pressão que o representante em Portugal da Comissão Europeia fez sobre o Tribunal Constitucional. É um ataque rasteiro e vil ao nosso Estado de Direito, e mostra quão pouco democráticos são alguns servidores da União Europeia. Não sei quem é, nem sei a nacionalidade do autor de tal documento, mas acredito que seja mais um lacaio do projecto neoliberal europeu, capitaneado pela Senhora Merkele de que são fieis súbditos, entre outros, os portugueses Durão Barroso, Passos Coelho e, sempre que lhe convém, e só quando lhe convém, Paulo Portas o maior salta-pocinhas da política.
Mas, como disse Jorge Sampaio há dias numa entrevista à SIC Notícias, não devemos nem podemos ficar calados perante tal afronta às nossas instituições. Por isso os cidadãos têm que mostrar a sua indignação. Infelizmente quem devia reagir e pedir explicações seriam o Governo e o Presidente da República. Mas, o Governo é farinha do mesmo saco e, além disso, em vez de governar para o bem-estar dos portugueses governa para a Troika. E o Presidente da República? Bom, o Presidente da República está em Belém a fazer o que sempre faz: NADA!


O tipo não tem vergonha

Ontem assinalou-se o Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza. Várias foram as instituições de solidariedade e de apoio aos mais desprotegidos e à pobreza, como a AMI, algumas Misericórdias e a Cáritas, que deram conta do grande aumento da procura de apoio e do crescente número de portugueses que cai na pobreza extrema. E muitas delas relacionaram este aumento de pobreza à austeridade a que estamos sujeitos. Alguns órgãos da Comunicação Social quiseram saber o que pensava disto o secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social Agostinho Branquinho. Pois o Branquinho, mostrando-se algo zangado, disse que era injusto relacionar a austeridade ao aumento da pobreza, pois o Governo tudo tem feito para ajudar quem menos tem. E falou no cuidado de não tocar nas pensões mais baixas e ter criado e ajudado a criar cantinas de modo a que ninguém passe fome. Deu quase a entender que só passa fome quem quer.
Ao ouvir este disparate desabafei: Este tipo não tem vergonha!
Agostinho Branquinho faz parte daqueles políticos que tomando posições desfavoráveis a uma grande empresa acabam por ser recrutados para a Administradores ou altos quadros das mesmas. No fundo, vão “comer ao prato onde cuspiram”. No que diz respeito ao Branquinho todos nos lembramos da cena da On Going. Ora, Branquinho depois de comer, e bem, na manjedoura dourada daquela empresa, resolveu regressar à vida política (sabe-se que bom não é estar no governo, mas ter estado). Se tivesse um mínimo de decoro, tinha-se recatado e prudentemente dizia, por exemplo, que estava atento e ia tomar medidas, etc, etc. Nunca podia ter dito os disparates que disse, e com alguma arrogância. Por isso, repito: Este tipo não tem vergonha!  


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Há limites para o cinismo!

Eu não vi, mas já li. Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças, lembrou hoje em entrevista que concedeu que tem três filhos pequenos e dado que tem os seus rendimentos diminuídos, uma vez que os cortes na função pública também a atingem, tem pouca margem para poupar. Coitada!

Agora, mais a sério: Ó Luís; há limites para a demagogia cretina e, sobretudo, para o cinismo! 

A tipa tem cá uma lata!

Anteontem resolvi fazer um grande teste à minha paciência, ouvindo a ministra das Finanças, Miss Swaps, anunciar o Orçamento do Estado para 2014. Devo confessar que não fiquei surpreendido com o conteúdo, pois para lá do agravamento de impostos sobre veículos a gasóleo e sobre o tabaco, pouco ou nada é novo. Lá vêm os cortes nas pensões, nos vencimentos dos funcionários públicos, nas prestações sociais, na Saúde e na Educação. No fundo, a receita do costume – mais austeridade, sobretudo para quem vive com rendimentos do trabalho dependente e/ou de pensões.

Mas, se Miss Swaps não me surpreendeu no conteúdo da sua comunicação, menos me surpreendeu na maneira como comunicou. Com aquela cara de safada a que já nos habituou quando está a dizer mentiras jurando que está a falar verdade, justificou as medidas deste Orçamento com a governação Sócrates. A tipa (vá lá, é melhor que gaja) julga que somos tolos ou totós. Nem se lembrou (ou se calhar não) que Gaspar, quando se demitiu do Governo, deixou uma carta de despedida justificando que se ia embora porque tinha falhado na política de consolidação das contas públicas, na redução do défice e no crescimento económico. E houve uma altura em que quase me comovi. Quando Maria Luís anunciando que em 2014 o subsídio de Natal vai voltar a ser pago em duodécimos, justifica o facto dizendo que a medida é tomada, não por conveniência do Governo, não por teimosia do Governo, mas por conveniência dos cidadãos. É obra; esta tipa tem cá uma lata!

MAIS UM UM DESVERGONHOSO ASSALTO

"Segurança Social pede devolução parcial de subsídios

Publicado hoje às 21:26


Segundo uma carta da Segurança Social, em causa está a aplicação da taxa de seis por cento ao subsídio de desemprego e a aplicação da taxa de cinco por cento ao subsídio de doença.
A Segurança Social está a pedir a devolução de parte dos subsídios de desemprego e doença relativos aos últimos dois meses por causa de cortes aplicados aquelas prestações e que, em alguns casos, não terão sido processados pelos serviços.
Segundo uma carta enviada pela Segurança Social, houve pagamentos indevidos e que por isso os beneficiários têm 30 dias para devolver a quantia em causa.
A mesma carta adianta ainda que em causa está a aplicação da taxa de seis por cento ao subsídio de desemprego e a aplicação da taxa de cinco por cento ao subsídio de doença, que não foram descontados nos pagamentos efetuados desde o final de julho."


Quer dizer: os desempregados e doentes são, como é por demais sabido, gente abonada e desleixada, que deveriam ter pago a horas as taxas prevista na lei sobre os subsídios que recebem. A gaita é que os serviços respectivos, a quem compete a dedução, se esqueceram de aplicar as normas e processam os pagamentos sem as deduções. Mais tarde, "porra, enganei-me" e toca a pedir a devolução do pago a mais, sob pena de os subsídios serem cortados. 
Palpita-me que se a devolução não ocorrer no prazo indicado, ainda vão ter que pagar juros de mora.
Os erros têm que ser pagos por quem os não comete?
Esta merda será um verdadeiro Estado de Direito?

REFORMA DO ESTADO

Quando é que o irrevogável senhor vice-primeiro-ministro Paulo Portas apresenta ao país a tão badalada Reforma do Estado prometida pelo seu chefe (ou subordinado?) há quase um ano? Ou vai sendo feita aos soluços em consonância com os soluços e lágrimas dos funcionários públicos e pensionistas/reformados? Esta gente não terá um pingo de vergonha na puta da cara? Até onde irá a paciência para aturar esta abjecta tropilha fandanga que está a conduzir as famílias à pobreza e humilhação? Será necessário começar a partir os vidros das repartições de finanças, dos bancos ou dos tribunais? Ou será, como diz um renomado blogger, que tem que aparecer por aí um Buíça, o que não aprovo? 
O senhor Presidente da República, tão atento, presente e solícito nos anteriores governos, também não se dá conta do descalabro social que aí vem? Ou apenas estará preocupado com a sua própria economia doméstica?
Parece que a Grécia fez, agora, um manguito à troika e fez muito bem. Por cá, brandos e mansos (ou cornos?) que somos, aceitamos continuar cada vez mais agachados e com as calças ao nível dor tornozelos. Há que dizer BASTA! em altos berros e agir em conformidade, de modo a correr com esta cambada imbecil. 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

OE E ELEIÇÕES

Pelo que me é dado a conhecer, o OE/2014 não é exequível, seja pelo lado das receitas, que dizem empoladas ou 'pintadas' (com a aquiescência da troika), seja pela lado das despesas, que apenas contemplam os suspeitos do costume - os funcionários públicos e os reformados/pensionistas - , ficando de fora as tão apregoadas gorduras, que permanecem intocáveis a Bem da Nação.
Acrescendo que algumas das medidas previstas se mostram de constitucionalidade duvidosa, é de crer que o PR não arrisque a promulgação sem o visto prévio do TC, ainda que isso o possa contraiar. Em alternativa, promulga e requer a constitucionalidade sucessiva, tentando lavar as mãos em água seca. De qualquer modo, os partidos da oposição não vão deixar de enviar o OE para o TC. Seja como for, certamente que o TC não vai deixar "passar" todas as medidas previstas. Então, com o PR corado de vergonha e com Passos Coelho dentro da lura, sem saída, apresenta a demissão, e Cavaco, contrariado, terá que convocar eleições antecipadas, o que deveria ter feito em Junho. Não poderá ser esta a jogada do governo (e de Cavaco)?


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Os ex-Presidentes Soares e Sampaio

Neste último fim-de-semana os ex-Presidentes da República, Mário Soares e Jorge Sampaio, concederam entrevistas à Comunicação Social, respectivamenete, à TSF/DN e à SIC-Notícias. Ambos manifestaram enorme preocupação com a situação económico-financeira do nosso país e foram críticos, mesmo muito críticos, com a governação, mas não só. Mário Soares foi mais agressivo e disse, com todas as letras, que o Governo não presta, que alguns membros do mesmo, ministros e secretários de Estado, se portam como delinquentes e por isso deviam ser julgados quando deixassem as suas funções. Jorge Sampaio foi mais contido, mas não deixou de criticar o Governo e sobretudo a insensibilidade com que trata as pessoas, esquecendo-se que é para elas que governa. Um e outro mostraram-se preocupados com a ligeireza com que se criticam órgãos do Estado, nomeadamente o Tribunal Constitucional, e com a facilidade com que se atiram à Constituição, considerando-a como um travão às medidas neoliberais que gostavam de pôr em prática.

Ainda bem que estes dois ex-Presidentes, figuras prestigiadas interna e externamente, vieram chamar atenção para a grave situação em que vivemos e apelar a que é preciso mudar urgentemente de política. Infelizmente quem agora ocupa o Palácio de Belém, nada diz ou faz, para desgraça nossa.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Futebol - a nossa selecção

Queremos quê? Ir ao mundial vencendo o play-off? Juízo! Sejamos realistas, não temos equipa. Só se nos calhar a selecção considerada mais fraquinha e, mesmo assim, desfalcada de um ou dois jogadores. Depois, tenham dó. Temos um seleccionador que é cego e surdo (mas não mudo, porque lá letra tem ele) que não escolhe os melhores jogadores da altura, quer para o grupo, quer para as equipas titulares. Por exemplo: hoje foi notório que Éder devia ter sido titular em vez de Hugo Almeida que esteve quase setenta minutos em campo, a fazer o quê?

Ficarei muito contente se a nossa selecção se qualificar para o mundial do Brasil – é quase uma obrigação, fazermos parte da festa do futebol do país irmão – mas temo que sejamos o bombo dessa festa. Aguardemos.

É preciso dinheiro? Paga o "ZÉ"

Não há dúvidas, cada vez mais somos governados com os princípios mais primários dos tempos do Estado Novo. Agora chegou a vez da RTP. O Governo já deu várias cambalhotas para resolver, dizem eles, os problemas que a estação de televisão pública causa às finanças do Estado. Pois bem, como em todas as outras soluções que o governo inventa para resolver (?) os problemas que vai enfrentando, a solução vai ser: mandar trabalhadores para o desemprego e, se não chega, o resto paga o “ZÉ”.

Assim, é hoje noticiado que a chamada contribuição audiovisual que já pagamos, queiramos ou não na conta da Luz, vai aumentar para financiar o plano de reestruturação da RTP. Assim é fácil governar!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A (desgraçada) entrevista

Confesso que ontem pensei várias vezes se deveria ver ou não ver a entrevista a Passos Coelho na RTP, com o nome de “O País pergunta”. Já não tenho paciência para ouvir o primeiro-ministro a dizer tantas mentiras e a faltar ao respeito aos portugueses. Mas, atendendo a que era um modelo diferente e até importado, resolvi ver, embora saiba que a nossas televisões são fracos macacos de imitação no que diz respeito a modelos televisivos.
Devo dizer que não fiquei entusiasmado com o tipo de programa. Preferia uma entrevista com três ou quatro jornalistas a interpelar o primeiro-ministro tendo em conta perguntas previamente feitas por alguns cidadãos.
Quanto à entrevista propriamente dita e ao comportamento de Pedro Passos Coelho, nada de novo. Lá veio a ladainha do costume: é preciso mais austeridade para diminuir o défice e a dívida pública, independentemente do empobrecimento dos portugueses. Passos Coelho, com ar altivo de quem está num pedestal a falar para gente menor, a quem trata pelo nome próprio apesar de o tratarem a ele por senhor primeiro-ministro (se calhar andaram todos com ele na escola), fez profissão de fé de que vai continuar o caminho por ele traçado: austeridade, austeridade e mais austeridade. E se falhar…, o país falha com ele.

Como é possível estarmos a ser governados por um tipo destes? Até quando?

COMOP DIZ?

Teresa Leal Coelho lembra que Passos Coelho renunciou a subvenção vitalícia
10 Outubro 2013, 18:08 por Lusa
A vice-presidente da bancada social-democrata Teresa Leal Coelho sublinhou hoje que o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho renunciou a uma subvenção vitalícia a que tinha direito, o que lhe garante "legitimidade" para discutir o assunto.
 "[Passos Coelho] Foi dos poucos políticos que renunciou à subvenção vitalícia. É talvez um dos poucos políticos que tem legitimidade para propor esta medida", disse Teresa Leal Coelho aos jornalistas, no dia em que o Diário Económico noticia que o Governo da maioria pretende cortar 15 por cento das referidas retribuições, eliminadas em 2005, mas ainda válidas para os políticos que já tivessem direito a elas anteriormente.

Teresa Leal Coelho sublinhou que "naturalmente que o PSD concorda que o esforço deve ser dividido por todos e também por aqueles que titulam subvenções vitalícias", e assume que a "título pessoal" apoia a suspensão a 100% das subvenções aos ex-políticos.

"Aguardamos a proposta de Orçamento do Estado. Vamos analisar a proposta detalhadamente, não sabemos ainda quais são os contornos que virão a ser propostos através da proposta de OE e nessa altura vamos avaliar o alcance e extensão que consideramos adequada e com significado orçamental para que todos possam contribuir para este esforço", declarou a deputada do PSD.

As subvenções vitalícias dos políticos foram eliminadas em 2005, continuando a recebê-las quem tinha constituído esse direito anteriormente a essa data.

TSF on line


Vamos a ver se entendi:
a subvenção vitalícia terminou em 2005, sem prejuízo daqueles que, à data, a ela já tinham direito;
o que tinha feito até então o senhor Passos Coelho para abdicar de uma subvenção a que pudesse ter direito? que me recorde, apenas foi líder da jotinha
quererá a senhora Teresa Leal Coelho explicar-me a coisa, como se eu fosse assim para o atrasadinho?


CONTRIBUTOS EXTERNOS

Mais um contributo do Henrique Antunes Ferreira

Em 2014 não baixarão os impostos
Por Antunes Ferreira
Vem aí outro orçamento rectificativo para o ano em curso, afirmou na quarta-feira Pedro Passos Coelho na RTP, durante a primeira emissão do novo programa O País pergunta. Isso permite, referiu, que através dele poderão ser introduzidas “novas condições de competitividade fiscal”. E apesar das perguntas feitas por vinte cidadãos presentes no estúdio não especificou quais eram essas “novas condições”.
Mas fez uma afirmação respondendo a pergunta posta por uma empresária da restauração que naturalmente queria saber se e quando baixaria o IVA a 23% para o anterior a 13%. Apesar de ter informado que a questão ia ser objecto de análise nos Conselhos de Ministros de ontem e extraordinário de amanhã, domingo, sublinhou que não queria “alimentar essa expectativa.
Se nos detivermos em pormenor no que afirmou neste particular, repararemos que Coelho teve a desfaçatez de sublinhar que o problema não diz respeito apenas ao valor do imposto, mas sim porque “as pessoas não têm dinheiro para ir ao restaurante”. Porém, num rasgo de bondade complementou que que o Governo espera que, tendo em conta a tendência de estabilização da economia, “uma parte das pessoas que deixaram de ir ao restaurante possa progressivamente retomar” [esse procedimento]. Isto porque a economia está a estabilizar e a procura interna está praticamente a estabilizar.”
Mas também afirmou que em 2014 não haverá diminuição dos impostos. Porém não disse se estes iam em contrapartida aumentar. Muito mais disse Passos Coelho, mas um tema mais foi abordado, quando respondeu aos jornalistas à saída do estúdio que lhe referiram o problema levantado por Rui Machete, o ministro dos Negócios Estrangeiros, em especial com o pedido de desculpas a Luanda. Com desplante a sua afirmação foi um espanto. Não houvera “nada de grave” no procedimento do ministro.
Misturou uma falsa humildade quando reconheceu que a classe média é a mais prejudicada com as medidas tomadas para combater a crise, em resumo, com a austeridade que, no seu entender é necessária para pagar aos credores aquilo que nos emprestaram. Um (des)Governo honesto tem a obrigação de cumprir o combinado para se alcançar esse objectivo. Pelo que disse é preciso salvar a Nação e os cidadãos mesmo que ela e eles não queiram ser salvos.
Foi um chefe do (des)Governo que se apresentou ufano da “retoma da economia” mas que, bem vistas as coisas, foi verdadeiramente patético. As fintas que usou face às questões mais incómodas não são próprias de um primeiro-ministro. Realisticamente, o programa serviu-lhe para propagandear o que o seu (des)Executivo já fizera em prol da Pátria e dos cidadãos vítimas dos erros enormes cometidos por aqueles que o tinham antecedido. Apetece perguntar se o que disse é  “a sério” e se esta postura é “irrevogável”. E perguntar se se referiu aos Governos do primeiro-ministro Cavaco Silva. É que eles foram também culpados desses erros enormes.
Ter-se-á tratado de mais umas quantas mentiras de um mentiroso crasso? Ter-se-á referido à honestidade da quadrilha que diz que nos governa, mas que na realidade nos (des)governa. Como pode ser honesta um (des)governante que deita para o lixo as promessas que fez na campanha eleitoral para chegar ao poder? Como pode ser honesta uma entidade que permite ditos e desditos em cadeia dos titulares dos seus ministérios?
Como acreditar num ministro – e não é preciso relembrar as trapalhadas relvadas – que depois de ter mentido quanto às qualificações estudantis, até foi premiado com um tacho soberbo? Como se interrogar sobre a Ministra Maria “suópes” Luís Albuquerque que usou mentiras sobre mentiras no Parlamento e ainda se mantém à frente do Ministério das Finanças?
Se a honestidade é isto, bem a podemos comparar com uma peça que é uma farsa – Ali Babá e os 40 ladrões. E na qual somos espectadores enfiados temerosamente nas cadeiras de pau e desconjuntadas de uma plateia amorfa. Mas que honestidade é esta que o (des)Governo interpreta à boca de cena, sem necessidade de ponto?
Alto lá. Sem necessidade de ponto não é verdade. Porque o ponto de interrogação e o de exclamação são inevitáveis- pois existem e têm de ser usados. Porque o ponto principal está metido na sua caixa, o palácio de Belém. Com a ajuda da Senhora de Fátima que ele invocou ao dirigir-se aos “cidadões” e que afirmou que nunca mais “façaria” coisas que lhe parecessem complicadas como a sinistra avaliação. Como por exemplo a sua intervenção, digo eu, no escabroso caso do BPN.
Seja-me permitido recordar que Portugal ( só mais dois países, a Irlanda e a Espanha) apresentou a Berlim as condolências pela morte de Adolfo Hitler. Mais: Salazar mandou colocar a bandeira nacional a meio mastro por motivo do “infausto acontecimento”. Foi então que o Senhor Winston Churchill respondeu ao seu MNE, Antony Eden num memorando com a típica arrogância britânica misturada cum um pouco do humor que o caracterizava. Pelo seu conteúdo, transcreve-se aqui um extracto desse documento.
“Creio que seria mais sensato deixá-los (os Portugueses) continuar a brincar e não sermos demasiado duros com eles (…) Afinal de contas, quando se é um aliado há mais de quatrocentos anos, há que ter permissão para andar de vez em quando por aí à deriva, conforme os caprichos. Devo tratá-los como se fossem crianças amorosas que fazem caretas absurdas”  (Gabinete do Primeiro-Ministro, 10 de Maio de 1945)
Chega? Chega

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

LIDO

"Se não existisse, este governo teria de ser inventado. Só este governo conseguiria ser apanhado a pedir desculpas a generais angolanos enquanto rouba velhinhas em Portugal. Nem nos filmes.
(...) Pois é: se não existisse, este governo teria de ser inventado para nós. E, pior ainda, por nós".

Rui Tavares, in Público de hoje

Nem mais...

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Até quando...?

No final da passada semana, Paulo Portas apareceu na sala de imprensa da presidência do Conselho de Ministros, ladeado por Miss Swaps, à sua direita e pelo secretário de estado Moedas, à sua esquerda, pôs aquela cara de safado e anunciou “urbit et orbi” que a oitava/nona avaliação da Troika tinha sido um sucesso e que estávamos a começar a inverter a situação económico-financeira do país. De tal modo, que até podia anunciar que aquela ideia de criar uma TSU para os reformados já não ia avante. Eram só boas notícias! Por isso, basta de medidas de austeridade. Quanto a más notícias, apenas o facto de ter ficado acordado com a Troika que era preciso cortar umas pequenas e médias despesas. Quais, perguntaram-lhe? Com aquele seu cinismo habitual, não deu qualquer resposta concreta. Deu a entender que era coisa pouca. Pois bem, a partir de tal conferência de imprensa começam a surgir notícias de mais cortes sérios nas despesas do Estado – sobretudo na Saúde e na Educação –, do fecho de quase metade das Repartições de Finanças e, novamente, de um ataque às pensões de reforma, incluindo, pasme-se, às pensões de sobrevivência ou de viuvez. Uma indignidade! E Portas, o que disse Portas a estas novas medidas anunciadas, pergunta-se? Nada, a não ser umas justificações, como dizer…, cretinas?
Já não era preciso chegarmos aqui para sabermos que Paulo Portas é o político mais pantomineiro, mais cínico, mais safado, mais chafurdeiro, no fundo, o mais abominável da política portuguesa. Até quando teremos que o aturar? Não há gente digna no CDS que lhe dê um chuto no traseiro?


CONRTIBUTOS EXTERNOS

Para desanuviar, um poeminha do Zé Gil

OUTONO

Outono da vida
Sempre a decair
Beleza retida
No caminho da vida.
Nozes descascadas
Ao sabor do vento
Cascas amargadas
Doces por dentro!
As mais ferronhas
Na eira vão secar
Estendidas em fronhas
Começam a escarolar.
O sol aquece na esteira
Alimentos de inverno
Os velhos à soleira
Esquecem o inferno!
Com amor, esperam entregar a alma ao Criador.

  
                                                                    José Gil

                                     jose.gcmonteiro@gmail.com

MACHETE, NOVAMENTE

Assisti, hoje, parcialmente, aos trabalhos da Comissão de Inquérito a Rui Machete: uma fantochada. E salvo a deputada do BE, que pôs os pontos nos ii, e a que Machete não respondeu, o resto foi demasiado morno ou mesmo fora do contexto.
Aliás, Machete continua a ficar mal, muito mal mesmo, na fotografia que está no salão nobre da SLN/BPN e nos corredores do poder de Angola. Cavaco Silva (já que Passos é vesgo dos dois olhos) não se dá conta do descalabro que está a atingir, diariamente, o país? 
Até quando abusarão da nossa paciência? 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

E OS CORTES CONTINUAM...

E os cortes continuam. Não, não é a TSU dos velhinhos, que isso é uma linha vermelha que, segundo o impante senhor vice-primeiro-ministro, não pode ser ultrapassada. São as pensões de sobrevivência do cônjuge sobrevivo que vão à vida (!) e que o dito vice se esqueceu de mencionar na sua intervenção de há dias, porque, diz, a medida não estava quantificada! Ouça, senhor vice: vá à m... e não insulte ainda mais os cidadãos.
Como é que ainda não se terão lembrado de eliminar o subsídio de funeral? Ou lá chegaremos?    E até onde permitiremos que o imoral saque continue? 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O MACHETE

Depois da embrulhada da SLN/BPN e, agora, das declarações feitas em Angola, Rui Machete ainda é ministro dos Negócios Estrangeiros? Se sim, só se pode dizer como dizia o outro: só em Portugal. Este senhor já tem idade e experiência da vida suficientes para não cometer erros tão grosseiros que colocam o país ao nível do Burkina-Fazo, sem desprimor. Uma vergonha.

eleições autárquicas - os grandes vencidos

Os grandes vencidos da noite foram: Luís Filipe Menezes, Fernando Seara e António Parada.
Luís Filipe Menezes foi, sem qualquer dúvida o maior vencido da noite. Entrou triunfante na campanha. Falava já num programa para doze anos, ou seja, os três mandatos que a lei lhe permitiria governar, caso contrário governaria o Porto …, até morrer? Afinal, teve uns miseráveis 21%. Que bazófia quando o confrontaram, a dois ou três dias das eleições, com uma sondagem que dava empate técnico entre os três principais candidatos! Ele, o todo poderoso Menezes, tinha sete sondagens (só?) que lhe davam a vitória. Como ele se enganou; ficou em terceiro! Menezes representou, como candidato à Câmara do Porto, o que de pior há na política: O populismo primário. De tal ordem que nem sequer deu conta que estava a insultar a inteligência dos cidadãos. Que lição que o povo do Porto lhe deu! Mas, atenção. Menezes é vingativo. Assente a poeira, vai arranjar culpados da sua derrota e vai-lhes apontar “as armas”.
Outro grande vencido da noite foi Fernando Seara. Não basta apresentar-se ao povo de Lisboa como sendo o careca do Benfica. O povo esperava estratégias coerentes e não demagogias baratas, como livros e estacionamentos à borla. Pouco mais de 22% em coligação PPD / CDS é um desastre.
Finalmente falo da humilhante derrota de António Parada em Matosinhos. É, sem qualquer dúvida, uma derrota pessoal. Uma derrota de alguém que para atingir as suas ambições pessoais (se calhar um sonho desde menino)  não hesitou em atropelar as boas práticas democráticas, tomar o aparelho local do partido e depois apresentar-se dizer …, meus senhores, agora sou eu! O outro que se lixe. E não me venham com a treta das primárias. Pois, ganhar uma votação (ou mesmo eleição) dentro duma estrutura local dum partido, onde só votam aqueles que pagaram as quotas ou que lhas pagaram, não são primárias. Por isso António Parada ganhou na concelhia, mas perdeu no concelho, apesar de ter a máquina do partido ao seu dispor e o apoio pessoal do líder António José Seguro. Este poderia e deveria ter evitado a derrota do PS em Matosinhos, mas não teve coragem para impor a sua autoridade de líder.
  


eleições autárquicas - os grandes vencedores

Os grandes vencedores da noite foram: António Costa em Lisboa, Rui Moreira no Porto e Guilherme Pinto em Matosinhos.
É quase consensual que o maior vencedor da noite foi António Costa, eleito para presidente da Câmara de Lisboa com mais de cinquenta por cento – um resultado nunca atingido por um só partido. Superou todas as expectativas. Para a Câmara Ganhou em todas as freguesias da cidade.
Rui Moreira, o único dito independente que nunca foi dirigente partidário, bateu-se e ganhou ao candidato do PS, Manuel Pizarro e ao candidato do PPD, o demagogo e populista primário Luís Filipe Menezes. É verdade que teve o apoio declarado do CDS/PP, que beneficiou do descontentamento de muitos barões locais do PPD e do facto do candidato do PS não ser uma figura muito conhecida entre os portuenses normalmente votantes no partido. Seja como for, obteve uma boa vitória.
Guilherme Pinto, em Matosinhos, obteve uma vitória que ficará para a História. Não aceitou (e bem, acho eu) que o partido não o recandidatasse, sabendo-se que tinha obra feita e o reconhecimento de muitos cidadãos de Matosinhos. Concorreu como independente e ganhou com maioria absoluta, relegando o PS para uns impensáveis 25% e o PPD para uns miseráveis 9%.
Esperemos que estes três autarcas não desiludam os munícipes que neles confiam.   


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

E ESTA?

O novo presidente da câmara do Porto acha que o Presidente da República tentou “impedir” e “condicionar” a sua candidatura 

Na noite da vitória eleitoral, Rui Moreira, o novo presidente da Câmara do Porto, acusou Cavaco Silva, de forma velada, de ter tentado prejudicar a sua candidatura independente à segunda cidade mais importante do País, revela a SÁBADO esta quinta-feira, na sua edição impressa. Numa tirada para enfatizar que tinha ganho contra tudo e contra todos, Rui Moreira disse no seu discurso de domingo: “Em nome dos portuenses, gostava e me dirigir a todos aqueles que, desde o início, tentaram impedir esta candidatura, procurando condicionar os nosso apoiantes, que obviamente não se deixaram afectar”. A seguir foi mais explícito: “Estou a referir-me às mais altas individualidades do Estado e a comentadores televisivos com pretensões políticas individuais”.

No que se refere às “altas individualidades do Estado”, Rui Moreira estava a dirigir-se ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, apurou a SÁBADO, que confirmou a informação com duas pessoas próximas do novo presidente da câmara do Porto.

O alvo dessas alegadas tentativas de “condicionar” teria sido Luís Valente de Oliveira, de acordo a descrição à SÁBADO de duas fontes próximas de Rui Moreira. Alguém muito próximo de Cavaco Silva terá tentado convencê-lo a não apoiar o independente Rui Moreira. Mas Valente de Oliveira, que é o presidente da Assembleia Municipal de Porto, não se deixou “afectar”, pelo menos tendo em conta o discurso público do novo presidente da Câmara do Porto. O ex-ministro cavaquista (foi 10 anos ministro de Cavaco e integrou o Governo de Durão Barroso) acabou por ser o mandatário da candidatura independente.

Rui Moreira estava convencido que o Presidente da República desejava a vitória de Luís Filipe Menezes, candidato oficial do PSD, por achar um risco para o sistema partidário o sucesso de um independente numa cidade tão importante. Não terá sido indiferente, também, o facto de ter sido o Palácio de Belém a advertir a Assembleia da República para a gralha na lei de limitação de mandatos: onde se lia presidente “da” câmara, devia ler-se presidente “de” câmara, o que poderia originar uma interpretação da lei mais favorável a Luís Filipe Menezes, que atingira o limite de mandatos em Gaia. Daí ter incluído o recado no discurso.

O sucessor de Rui Rio no Porto, que apoiou Mário Soares nas Presidenciais de 2006, foi tendo ao longo dos anos várias intervenções críticas de Cavaco Silva.

Uma fonte oficial da Presidência da República rejeitou à SÁBADO qualquer tipo de pressão por parte de Cavaco: “Obviamente, o Presidente da República não interfere em nenhum acto eleitoral nem em nenhuma candidatura”.

Não foi possível até ao momento contactar Valente de Oliveira.

Revista Sábado online

Obviamente que  Cavaco Silva não se mete em coisas desta natureza, digo eu.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Eleições autárquicas

Antes das eleições autárquicas, sobretudo no último mês e meio, os comentadores políticos e principalmente os jornalistas/comentadores (ou comentadores jornalistas) diziam que nem o PS teria uma grande vitória nem o PPD teria uma significativa derrota. E que por isso, atendendo a que a ocasião era favorável ao PS e desfavorável ao PPD, por força da austeridade governativa, o líder António José Seguro iria enfrentar alguma ou muita contestação no partido, dependendo da fraca vitória ou, quiçá, de uma derrota de última hora. Ao contrário, Passos Coelho teria praticamente garantido o sossego da sua liderança. Puro engano daqueles sabichões! Afinal, apurados os resultados das eleições verifica-se que o PS teve uma vitória clara e inequívoca e que o PPD teve uma grande derrota. O PS alcançou resultados eleitorais que nenhum outro partido ou coligação alguma vez obteve em eleições autárquicas. Ganhou algumas das Câmaras das localidades mais populosas do país – Lisboa, Sintra, Gaia, Amadora, Odivelas, Gondomar, Valongo e outras. O PPD, mesmo coligado com o CDS/PP (Paulo Portas) de Câmaras populosas ganha Braga e Cascais. Mas a vitória do PS, que é efectivamente uma grande vitória, não é porém uma vitória imaculada, pois perdeu três bastiões onde tinha ganho sempre – Braga, Guarda e Matosinhos, e uma outra onde governou os últimos 12 anos – Loures. E se nos casos de Braga, Guarda e Loures podemos dizer que funcionou a alternância, em Matosinhos funcionou, ou melhor, não funcionou a coragem e a autoridade do líder para pôr cobro à ambição desmedida de um dirigente local que pensou poder manobrar os eleitores do PS como manobrou alguns militantes do Partido.
Para além de PS e PPD e à parte as candidaturas de Independentes de que falarei depois, quero pronunciar-me sobre os resultados da CDU, do BE e do CDS.
A CDU, como sempre ganhou – dizem eles! Ganhou, como? Teve mais votos? Conquistou mais câmaras? Elegeu mais candidatos? Claro que não. Teve vitórias parciais em câmaras importantes, é certo, mas quase todas, ou mesmo todas, são câmaras que tinha perdido há pouco tempo para o PS.
O Bloco de Esquerda sofreu também uma enorme derrota, a qual não tem a mesma repercussão da derrota do PPD porque o BE não passa de um partido de protesto com muito pouca ou nenhuma implantação autárquica.
Finalmente o CDS/PP. Se alguém tinha dúvidas de que Paulo Portas é o maior malabarista da política portuguesa, tirou-as na noite eleitoral. Com que alegria Portas anunciou que tinha ganho 5 câmaras – um penta, como ele referiu de mão aberta. Pobre partido de poder que canta vitória com tais resultados! Ah, qual daquelas câmaras tem pouco menos ou pouco mais de cinquenta mil habitantes? No fundo, Portas falou para dentro do partido, tentando apagar a fogueira que acendeu quando fez aquele golpe palaciano que o levou a vice-primeiro-ministro.    


CONTRIBUTOS EXTERNOS

Mais um contributo do Amigo Henrique Antunes Ferreira

Putin 1 – Nobel 0 (?)

Por Antunes Ferreira

Lê-se – e não se quer acreditar; mas tem-se de o fazer perante os textos distribuídos pelas agências noticiosas. Vladimir Putin foi proposto para o Prémio Nobel da… Paz. A proposta foi anunciada na terça-feira passada pelo presidente da Academia Internacional da União das Nações do Mundo pela voz do presidente da instituição, Gueorgi Trapeznikov.
A bem da verdade, nunca se tinha ouvido falar desta Academia cujo nome se afigura, no mínimo, incongruente. Se ela é Internacional, para quê a União das Nações do Mundo? Ou será que esta última precisa de ser internacional para que seja conhecida? E num Mundo em que as guerras, os atentados, os golpes de Estado, a confrontação, será que é possível falar nessa união de todas as nações? Ou serão “quase” todas?
A ser assim, ter-se-á de mudar a designação da Academia? Cuidado. O presidente da Associação sedeada em Moscovo – pois que outra haveria de ser? – o senhor (ou talvez ainda seja “camarada”) Trapeznikov não esteve com meias medidas, afirmando que "Conhecemos bem o papel pacificador que desempenhou o nosso presidente em zonas conflituosas". E deu o exemplo do caso sírio. Pronto, já está.

Aliás, e para que não se verifiquem quaisquer mal entendidos, a carta - para efeitos da candidatura do presidente da Rússia –já foi enviada à Comissão Nobel, mais precisamente a 16 de Setembro tendo sido acusada a sua recepção a 20 do mesmo mês. O processo arrancou, portanto. E quem o transmite é a agência noticiosa oficial ITAR-TASS.
Cabe aqui um esclarecimento: a TASS era a abreviação de Telegrafnoie Agentstvo Sovetskogo Soiuza, ou seja a Agência Telegráfica da União Soviética que foi a agência de notícias soviética oficial, de 1922 a 1991. Mas como o nome TASS era muito conhecido, ele foi posteriormente adicionado à sigla ITAR, ficando agora como a   Telegrafnoye Agentstvo Svazi i Soobshcheniya, o que quer dizer  Agência Telegráfica de Comunicações e Reportagem.
Sem desprimor, foi mais ou menos o que aconteceu quando Marcelo Caetano chegou ao poder depois da queda do “mais belo dos ditadores europeus”, epíteto com que um veterano oficial britânico mimoseou Salazar no princípio da II Guerra Mundial. A União Nacional foi transformada na Acção Nacional Popular, a PIDE mudou para Direcção Geral de Segurança e por aí adiante.
Por singular coincidência – finalmente elas existem… - o ministro Crato, garantiu há dias aos reitores das universidades públicas portuguesas que a intenção de criar um novo sistema de autonomia reforçada, já anunciado, levaria em linha de conta "o que as universidades-fundação já conseguiram". Não há mudança, a não ser na designação. Resumindo: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades? Não, mudam-se os nomes para ficar tudo na mesma, na paz do Senhor.


Vladimir Vladimirovitch Putin  é o actual presidente da Rússia, depois de um jogo de cabra-cega com Dimitri Mdvedev. Enquanto Putin foi presidente, Medvedv era primeiro-ministro; depois inverteram-se as funções entre os dois. E agora voltou tudo à primeira forma. Curioso. Mas, Putin foi agente e chefe dos serviços secretos soviéticos, KGB, e após a queda da URSS, ainda foi o patrão da FSB, que substituiu a sua antecedente. Uma espécie de jogo das cadeiras. 

A KGB, como se recorda, tinha a sua sede na Praça Lubianka em Moscovo, e por isso a polícia secreta ficou conhecida pelo mesmo nome. Ficou tristemente “famosa” pelas milhares de mortes e brutais interrogatórios realizados no seu subsolo; mas também foi o laboratório da criação de venenos do governo, que fizeram algumas das vítimas mais conhecidas dos regimes dos ditadores Estaline e Brejnev.
É este mesmo Putin que foi proposto para o Nobel da Paz. Por uma organização a respeito da qual o seu porta-voz, Dmitri Peskov, disse que desconhecia as pessoas que tinham feito a proposta e se essas pessoas tinham as "necessárias faculdade" para o fazer. Aliás, ainda acentuou que "Putin não é partidário de receber condecorações ou prémios. É, sim, partidário de encontrar satisfação conseguindo resultados com o seu trabalho".

Os proponentes, entretanto, aquando da comunicação da proposta, tinham sublinhado que se o Nobel da Paz fora já atribuído a Obama, mais do que razão para que fosse dado a Putin. Lógica irrefutável. E irrevogável.