terça-feira, 17 de setembro de 2013

E agora, o que vão inventar desta vez?

Por muito que ela jure e que os dirigentes do PPD continuem a acusar os partidos da Oposição de fazerem política rasteira, já ninguém tem dúvidas que Miss Swaps – a venerada ministra das Finanças de Pedro Passos Coelho – mentiu com todos os dentes que tem na boca à Comissão Parlamentar de Inquérito que se ocupa dos famosos contratos swap.
O assunto que já estava um bocado “em banho-maria”, foi agora agitado com a audição na dita Comissão de Almerindo Marques, na condição de ex-Administrador da “Estradas de Portugal”. Almerindo Marques disse, naturalmente que miss Swaps – Maria Luís Albuquerque – tinha emitido um parecer favorável a celebração de contratos swaps associados a empréstimos daquela empresa pública. Pois bem, o PPD ficou em alvoroço e de cabeça perdida (tocaram na menina dos olhos do chefe), de tal modo que apareceu o líder da sua bancada parlamentar – um tal Luís Montenegro – a chamar aldrabão ao Almerindo e a dizer que o homem cometeu um crime e que, por isso, o partido ia fazer queixinhas às entidades competentes, que é a mesma coisa que dizer que ia queixar-se ao Ministério Público.

Só que circulam nas chamadas redes sociais cópias de tais pareceres assinados de modo legível por Maria de Luís Albuquerque. E agora, o que vão inventar o Governo e os dirigentes do PPD para negarem as evidências? Como não têm vergonha na cara, vão por certo inventar qualquer coisa. Coisa essa em que o nosso venerando chefe de Estado acreditará piamente, como sempre.  

QUEIXINHAS

Ouvi, na tv, aquele senhor deputado com ar ladino (como é que se chama?, qualquer coisa Montenegro, se a memória me não falha), ameaçar comunicar às autoridades competentes (quais?) umas mentiras que terão sido produzidas não sei por quem, numa qualquer comissão de inquérito da AR. Eu, membro que fosse dessas autoridades metia baixa por uns tempos, pois trabalho não deve faltar se todas as mentiras dos políticos tiverem o mesmo destino. Ou será apenas em relação às mentiras proferidas nas tais comissões de inquérito? Mesmo assim, há-de ser muita 'trabalhera'...

INSÓLITOS

Albergaria-a-Velha, 17 set (Lusa)  

Um homem que tentou assaltar uma pastelaria e churrascaria em 2011 está a pedir uma indemnização de 15 mil euros às vítimas do roubo, num processo que está a ser julgado no Tribunal de Albergaria-a-Velha.
O assaltante queixa-se de ter sido agredido pelo dono do estabelecimento e por outros dois homens que o manietaram no local do crime, até à chegada da GNR.
Durante as alegações finais, que decorreram hoje, o Ministério Público (MP), que acompanha a acusação, pediu a condenação dos três arguidos.

Espero que o queixoso veja acolhido o seu pedido, aliás curto. O assaltado e os restantes agressores não podem ficar impunes perante tais barbaridades contra um pacato cidadão que apenas queria aliviar a caixa da pastelaria. 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

CONTRADIÇÕES (CONTINUAÇÃO)

Posteriormente, a 30 de julho, já como ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque insistiu: "Estive afastada desse tema em concreto durante os anos em que estive no IGCP, porque enquanto estive no IGCP não era minha responsabilidade tratar de temas relacionados com swaps, nem do IGCP, nem de empresas públicas, mas apenas os temas relacionados com o financiamento. No entanto, ouvia, de vez em quando, conversas entre os colegas que se dedicavam a essa matéria sobre uma ou outra transação - muito poucas - que lá apareciam para pedido de parecer".
Terá a ministra mentido ou apenas se tratará de uma falha de memória? O DN tentou contatar a assessora de imprensa do Ministério das Finanças, mas a chamada não foi atendida.

Fonte: DN online

CONTRADIÇÕES

SWAPS

Ministra das Finanças apanhada em novas contradições

por Carlos Rodrigues LimaHoje53 comentários

Em junho e julho, Maria Luís Albuquerque garantiu que, enquanto técnica do IGCP, nunca tratou de swaps. Almerindo Marques e documentos desmentem tais declarações
A ministra de Estado e das Finanças, Maria Luís Albuquerque, pode enfrentar nas próximas semanas uma nova polémica relacionada com swaps (contratos de cobertura de risco financeiro). Hoje, o antigo presidente da Estradas de Portugal, Almerindo Marques, declarou no parlamento que Maria Luís Albuquerque, enquanto técnica do IGCP, deu um parecer favorável a um swap da EP. Porém, há dois meses, a ministra garantiu que nunca tocou no assunto dos swaps quando trabalhou no Instituto de Gestão do Crédito Público.
Para além das declarações de Almerindo Marques, o DN teve acesso a um parecer do IGCP, de julho de 2009 (ver ficheiro em anexo) sobre um swap da CP proposto pelo Citigroup. Ora, a autora desse parecer foi, precisamente, Maria Luís Albuquerque enquanto técnica do IGCP.
Foi também nesta qualidade que, segundo declarou hoje Almerindo Marques, durante uma audição na Comissão Parlamentar de Inquérito aos swaps, a atual ministra das Finanças deu um parecer a um swap da EP. "O contrato teve parecer favorável do IGCP e a técnica foi a ministra das Finanças", declarou Almerindo Marques na comissão parlamentar de inquérito aos 'swap'.
Na comissão parlamentar de inquérito aos swap, o antigo gestor, que pediu a demissão em fevereiro de 2011, considerou o swap em causa contratado "bem simples", adiantando ter ficado "perturbado quando agora um organismo do Estado o classificou como de grau 4".
As contradições entre as declarações e o documento revelado pelo DN com as palavras da ministra são bem evidentes. Ouvida a 25 de junho, ainda como secretária de Estado das Finanças, Maria Luís Albuquerque declarou (ver ficheiro em anexo): "Gostaria apenas de esclarecer - e não é que tenha particular relevância para esta conversa - que no IGCP as minhas funções nunca passaram por esta matéria mas pelas emissões de dívida. Portanto, enquanto estive no IGCP não tive qualquer contacto com swaps, nem do IGCP nem de natureza nenhuma". (continua)

REAPARECIDO

Ontem recebi um email em que me diziam que o homem, com ar patético e de boina (basca?), tinha desaparecido. Facto é que há temp+os que não o via nem ouvia.
Se assim foi, e não tenho a certeza de que assim tenha sido, já o encontraram, dado que o vi hoje na tv, com ar fresco e discurso, como habitualmente, escorreito, dizendo aquelas coisas do modo que só ele sabe dizer.
Temo-lo de volta e ainda bem.

domingo, 15 de setembro de 2013

FOGOS FLORESTAIS

Todos os anos é a mesma conversa, o que começa a cheirar mal e a esturro.
Por esse país fora ardem matas, casas e animais domésticos e morrem ou ficam feridos vários bombeiros. Muitas economias rurais ficam arruinadas para toda uma vida.
As tvs mostram-nos como tudo decorre ou decorreu, para que fiquemos bem informados. Fazem-se espectáculos, televisivos e não só. Choram-se lágrimas verdadeiras, muitas, e de crocodilo, ainda mais. Detêm-se uns quantos maluquinhos e ameaça-se com a nacionalização dos matos. O ministro M. Macedo, com o seu ar pretensamente sereno mas cheio de si, diz umas banalidades adequadas ao momento. No final, haverá um cálculo meramente material e concluir-se-há que mais barato ficava a prevenção. Contudo, como há razões que a razão desconhece, tudo fica como dantes e para o ano teremos mais do mesmo, se o Verão "colaborar".
Tudo isto é vergonhoso e degradante e não se vê porem-lhe termo. 

CRITÉRIOS EDITORIAIS

Para a RTP 1, a grande notícia do dia foi a renovação do contrato de C. Ronaldo. Foi assim no Jornal da Uma e no Telejornal das 20h.
Ó senhor ministro Maduro, quando é que que é nomeada, por si, e que perante si será responsável, a tal comissão de sábios que há-de nomear os membros administrativos para a RTP?
Bem fez, aqui há anos, o Santana Lopes, quando lhe interromperam uma entrevista porque tinha chegado o Mourinho à Portela....

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

PARA DESOPILAR


Russ e Sam, dois amigos, encontram-se todos os dias no Parque par dar de comer aos pombos, observar os esquilos e discutir os problemas do Mundo. Um dia Russ não apareceu. Sam não pensou muito nisso calculando que se tivesse constipado ou coisa parecida. Depois de uma semana sem Russ aparecer, Sam realmente preocupou-se. Como, entretanto, o único tempo que passavam juntos era no Parque, Sam não sabia onde Russ morava e assim era incapaz de descobrir o que lhe teria acontecido. Um mês passou, e Sam pensou não mais ver o seu amigo Russ. Um dia, ao aproximar-se do Parque, lá estava Russ sentado. Sam ficou muito excitado e feliz por vê-lo a ponto de lho dizer. Passado o momento de excitação disse-lhe: "Francamente Russ, o que é que lhe aconteceu?
- Estive preso! Disse Russ.
- Preso?! A que propósito?
-Bem, disse Russ, conhece aquela loirinha muito gira que trabalha na cafetaria onde às vezes vou?

-Sim, disse Sam, lembro-me dela! O que lhe aconteceu?
- Bem, um dia ela queixou-se de mim "por violação" e eu, com 89 anos fiquei tão orgulhoso que me declarei "CULPADO"!
O estúpido do Juíz aplicou-me 30 dias de prisão por "Perjúrio"! 
   



  



Imagem removida pelo remetente.



CONTRIBUIÇÕES EXTERNAS

Com os agrdecimentos da Zorra, aí vai mais um textículo(*) do insigne Henrique Antunes Ferreira, que pontifica no blogue A Minha Travessa do Ferreira


Uma lei imoral

Por Antunes Ferreira


Como dizem os Brasileiros - no que respeita à lei que estabelece a convergência das pensões entre o sector público e o sector privado, e que reduz 10% as pensões dos reformados do Estado de valor superior a 600 euros - a coisa está preta. E está. A antiga líder do PSD, e ministra das Finanças e da Educação do Governo chefiado por Cavaco Silva, afirmou no seu comentário habitual no programa Política Mesmo da TVI24 que essa lei é “imoral”.

O (des)Governo chefiado (???) por Passos Coelho avançou com esta medida e muita gente interpretou-a como se ela fosse uma vingança contra o Tribunal Constitucional. De que o (des)Executivo não gosta e Coelho ainda muito menos. Vejam-se os comentários infelizes por ele proferidos no encerramento da Universidade de Verão dos ditos sociais-democratas. Que, de resto, não foram refutadas, nem sequer contestadas.

Pode-se referir que Manuela Ferreira Leite estará a tentar recupera o facto de ter perdido a liderança laranja justamente contra Passos. A ser assim, bem podemos estar a assistir a passos de dança, onde um parceiro da mesma cor tenta desforrar-se do outro, no caso presente, uma parceira a tentar dar cabo do outro.

Ferreira Leite usou uma linguagem muito dura e cáustica ao referir-se ao assunto, chegando mesmo a dizer que se trata de socializar a classe dos reformados do Estado, deixando uma conclusão acérrima: para ela é uma medida que um  qualquer Governo Comunista não enjeitaria. Mas a economista não se coibiu de acusar quem produziu a lei, afirmando que ela, a lei aprovada na última quinta-feira em Conselho de Ministros  “antes de ser constitucional ou não ser constitucional (…) no ponto fundamental é profundamente imoral. E na política, como na vida, nós, a despeito dos objectivos, temos de olhar aos meios que utilizamos para atingir esses objectivos”.

A antiga presidente do PSD falou mesmo em “leviandade, ligeireza e superficialidade” como esta matéria está a ser encarada pelo (des)Governo, - o parênteses, como sempre, é meu - fazendo ressaltar que o diploma “Agride uns princípios tão fundamentais e tão básicos do que é a relação entre as pessoas, do que é a construção de vida das pessoas, do que é o drama que implica nas pessoas, que não creio que haja o direito de ele ser aplicado sem ser com uma profunda ponderação que deve envolver as forças vivas deste país”.
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Mas foi ainda mais longe considerando ainda uma “brincadeira de mau gosto” que esta medida seja apresentada pelo Governo como temporária enquanto o país estiver em crise porque os objectivos do Governo não serão atingidos”. “O único objectivo disto é transmitir ao Tribunal Constitucional que esta é uma medida temporária e não definitiva. Não sei quem acredita nisto”.

Ferreira Leite prevê também que dentro de algum tempo o Governo apresente cortes nas reformas que vão atingir todos e não apenas os aposentados da função pública. “Esta medida é um teste a pessoas que não fazem greve, que não têm representação na concertação social, que não têm nenhuma legislação que os proteja. Mas é evidente que isto não resolve nenhuma reforma orçamental”.

Basta de citações. O ditado que diz que “com amigos destes mais vale ter inimigos” tem aqui plena validade; outro rifão afirma que “zangam-se as comadres descobrem-se as verdades”. Coelho e os seus asseclas estão uma vez mais confrontados com uma castanha que lhes pode explodir nas bocas. E, ainda por cima, daquelas que não se podem tirar das brasas.

Porém, infelizmente, tudo indica que o poder já se habituou a tentar todos os golpes para dar cabo dos cidadãos, começando pelos trabalhadores da Função Pública até chegar aos das empresas privadas. O que quer dizer que é necessário estarmos todos preparados para o que pode ocorrer – e que é plausível que a todos nós, Portugueses, nos bata à porta.  

Que fazer, então? Sendo profundamente pacifista, não descarto a hipótese de aparecer por aí um Buiça ou mais, que comecem a sua tarefa em Belém e a acabem em São Bento, passando por outros locais onde existam (des)governantes. Infelizmente, se tal acontecer, poderemos ter uma guerra civil. Mas também há quem diga que estamos tão mal que esse seria o menor.

Nós, os Portugueses, somos uns sujeitos que no entender do falecido Padre Américo se enquadram no que disse: “não há rapazes maus”. O problema é que logo acrescentaram (e perdoe-se-me o vernáculo): “mas há por aí uns quantos filhos da puta”.

(*) - o termo é do autor do texto


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Que safadeza! Quem pode ter respeito por eles?

Já ninguém tem dúvidas que o nosso desgraçado Governo usa e abusa do cinismo, a começar pelo primeiro-ministro, que só não é o mais cínico de todos porque é impossível ser mais cínico que Paulo Portas.

Nos últimos dias temos ouvido os professores e os dirigentes dos seus sindicatos, os pais e os dirigentes das associações que os representam, e muitas autarquias, dizerem-se preocupados com o novo ano escolar. Entretanto o primeiro-ministro, na véspera da abertura do ano lectivo, acompanhado do ministro da Educação, foi inaugurar uma escola já inaugurada há um ano (é estranho, não é?) e, entre outras considerações e aldrabices, enalteceu o facto de o arranque escolar decorrer sem os sobressaltos de outros tempos em que “não se sabia se os professores tinham colocação e se as escolas estavam prontas”. Mas que grande safadeza! Só pode estar a brincar com coisas sérias. Então não ficamos a saber só hoje, ou seja, depois de o primeiro-ministro ter mandado aquelas “labecas”, que foram colocados 5454 professores e que ainda faltam colocar cerca de 2000, que o Governo mandou encerrar duas escolas dum agrupamento de escolas do concelho de Guimarães com turmas já constituídas, que há professores que ainda não têm acesso aos manuais escolares? Não dá para acreditar. Das duas, uma: Ou o primeiro-ministro não se importa de mentir descaradamente aos seus concidadãos; ou não faz a mínima ideia do estado em que está a Educação. Quem pode ter respeito por um primeiro-ministro destes?

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Que moralidade!

O Governo prepara-se para, mais uma vez, cortar pensões. Nada mais fácil para um qualquer governo diminuir as despesas do que cortar salários ou às pensões e reformas que paga. E este Governo pouco mais, ou nada mais, tem feito do que diminuir o valor das pensões de reforma, diminuir os encargos com salários da função pública, nem que para isso tenha que mandar para casa milhares de funcionários públicos, cortar na Educação e na Saúde e aumentar impostos e taxas, sobretudo ou exclusivamente, para aqueles que vivem do seu trabalho, sejam trabalhadores por conta de outrem ou trabalhadores independentes (conhecidos como trabalhadores a recibos verdes).
Bem, já nem vale a pena falar que tudo isto é absolutamente o contrário daquilo que Passos Coelho prometeu não fazer durante a campanha eleitoral e que foi uma das bandeiras que usou para chegar ao poder. Mas vale a pena meditar sobre o tipo de gente que nos está a governar, capaz de dizer com o maior cinismo: “As pensões de sobrevivência inferiores a 419 euros (para muita gente nem dá para sair da pobreza) vão ser poupadas aos cortes de 10% que o Governo pretende aplicar a partir do próximo ano”. Que caridade!

Entretanto ficamos a saber que metade das empresas portuguesas do chamado PSI 20, com sede fiscal na Holanda através de empresas subsidiárias, transferiram para aquele país mais de 2500 milhões de euros de lucros gerados com a suas actividades em Portugal. Façam as contas e vejam qual o valor da fuga (legal, diga-se) a impostos que deveriam ser pagos no nosso país. Se calhar dava para evitar os cortes nas pensões. Ah, e a EDP, que tanto dinheiro nos suga, é uma das tais empresas. A sua subsidiária pouco mais é que uma caixa de correio. O que dirá a isto o Catroga – amigo do peito do Cavaco?
Que moralidade!

AUTÁRQUICAS, CNE E TVS

Pronto, estamos livres da estopada das promessas eleitorais dos candidatos autárquicos. Como as tvs não têm tempo nem disposição para ouvir os milhentos candidatos, como impõe a CNE, não há nada para ninguém. Assim, votamos no nome mais sugestivo ou na cara mais laroca dos cartazes.

sábado, 7 de setembro de 2013

MAIS AUITÁRQUICAS

O TC considerou que um presidente de junta de freguesia que tenha completado 12 ou mais anos numa freguesia pode candidatar-se à presidência de uma união de freguesias em que aquela esteja incluída. Nada de novo, após o acórdão quanto às câmaras. E, então, pode ser assim (mero exemplo que creio não corresponder à realidade): o actual presidente da Junta da Sé, no Porto, que já completou 12 anos, pode candidatar-se à presidência da nova junta das freguesias da Sé, Cedofeita, Santo Ildefonso, Vitória, S. Nicolau e Miragaia. E, se ganhar, daqui a 12 anos pode candidatar-se à união das freguesias da Foz, Nevogilde e Lordelo do Ouro. E depois disso, se ainda for vivo, à freguesia de Campanhã.
Ou seja: presidente de câmara ou de freguesia pode passar a ser uma profissão, a ser incluída no cardápio das profissões para efeitos estatísticos e fiscais.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O Estado de Direito funcionou desta vez

O Estado de Direito funcionou desta vez. A Comissão Nacional de Eleições, após analisar as queixas do PS e do PCP considerou, e muito bem, que a entrevista a Passos Coelho prevista para o próximo dia 10, Terça-feira, no âmbito do novo programa “O País Pergunta” não deve realizar-se, uma vez que “um programa de entrevistas com responsáveis políticos, com o formato anunciado pela RTP, apenas pode ter lugar fora dos períodos eleitorais”. Ninguém com bom senso podia esperar outra decisão. Mas, pelos vistos, bom senso é coisa que está a faltar na RTP, principalmente ao seu director de Informação, Paulo Ferreira, que parece não querer aceitar as instruções da CNE.

Entretanto, Passos Coelho, numa jogada de antecipação, e temendo que os custos políticos duma entrevista polémica podiam ser maiores que os ganhos, declinou o convite, “perante as circunstâncias actuais, às quais é completamente alheio”, disse. Que remédio, digo eu.

PORTAS, O PATRIOTA

Vice-primeiro-ministro declarou ao Tribunal Constitucional ter 80 mil euros numa conta no Deutsche Bank. Depósito foi efectuado após pedido de resgate.
Segundo revela hoje o Correio da Manhã, as últimas declarações de rendimentos apresentados pelo actual vice-primeiro-ministro no Tribunal Constitucional (TC) revelam que Paulo Portas colocou no Deutsche Bank 80 mil euros após Agosto de 2011, altura em que o risco financeiro de Portugal e dos bancos portugueses atingiu um pico.

O jornal dá conta que quando Paulo Portas entregou as declarações de rendimentos relativas à cessação de funções de deputado e início do cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros, declarou ter mais de 159 mil euros numa conta solidária no Banco Popular. Já na declaração de rendimentos apresentada em Agosto deste ano, relativa ao início de funções como vice-primeiro-ministro, o governante referiu ter 80 mil euros em conta solidária no Deutsche Bank.

O jornal conclui que esta poupança foi colocada no banco alemão após Agosto de 2011, altura em que o Deutsche Bank em Portugal passou a estar sujeito ao risco da casa-mãe alemã. Uma mudança que terá atraído alguns depósitos, dado o risco atribuído na altura a Portugal.

DE

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

AS AUTÁRQUICAS- 2

Há dias referi-me ao provável resultado do acórdão do TC quanto às (re)candidaturas dos dinossáurios autárquicos. Acertei no resultado.
Não conheço ainda os fundamentos do acórdão, mas serão certamente de peso. 
Alguém imagina um acórdão de sentido contrário neste momento do campeonato? 
E, julgo, é um raspanete dos antigos aos partidos que não quiseram assumir as suas responsabilidades, aclarando a lei. 
Embora discorde do sentido do acórdão, acho que é bem feito aos tacticistas e cobardolas dos líderes dos partidos, nomeadamente do PS.
E, assim sendo, é bem provável que o Luís Filipe Menezes venha a governar a Câmara do Porto por uns bons anos e o Careca do Benfica vá para o Parlamento Europeu no próximo ano. 
Resumindo, discordando, concordo. É o que merecemos.

AS AUTÁRQUICAS


Pena eu não votar em Gaia...

É preciso desfaçatez!

Ontem, em alguns noticiários televisivos, vi Marco António Costa, o agora todo poderoso Vice-presidente e porta-voz do PPD (uma espécie de papagaio do partido), dizer-se indignado com a acusação do PS e do seu líder António José Seguro de que o governo está a esconder novas medidas de austeridade a pôr em prática a seguir às eleições autárquicas. Com cara de safado (só podia!) o tal papagaio justificou a sua indignação pelo facto de o PPD até ser o partido que mais cumpre aquilo que diz ou promete aos seus cidadãos. É preciso desfaçatez! Será que tipo acha que os portugueses são tolos e que já se esqueceram de terem ouvido Passos Coelho na campanha eleitoral a dizer o contrário daquilo que tem feito no Governo? Quem não se lembra de Passos Coelho a responder a uma jovem que lhe perguntou se iam tirar os subsídios de férias e de Natal: “Isso é um disparate!”

Por isso, eu que me lembro muito bem das falsas promessas de Passos Coelho na campanha eleitoral e depois já como primeiro-ministro; que não me esqueço das vezes que ele “viu luz ao fundo do túnel” de onde ainda não saiu; e que já lhe ouvi tantas balelas em que ninguém acredita; ao ouvir Marco António Costa pensei: O homem não está bem da tola. Ou então, como já disse acima – é preciso desfaçatez!  

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Uma vergonha!

Mais uma machadada no serviço público de televisão dada pela RTP.

A RTP resolveu, e bem, criar um programa na área da informação, em que um líder de um partido político é confrontado, em directo, com perguntas de pessoas de diferentes escalões etários e profissões, que estão numa plateia. A RTP resolveu, e bem, começar as emissões do programa com o líder do partido com maior representação parlamentar – Passos Coelho, líder do PSD. A RTP resolveu, e aí não sei se bem, se mal, que o programa não terá emissão regular e que apenas terá duas ou três emissões anuais, “para que não se banalize”. Mas a RTP resolveu, e mal, mesmo muito mal, que a primeira emissão, com Pedro Passos Coelho, irá para o ar a poucos dias das eleições autárquicas. Pergunto, porque não depois das eleições? Esta atitude da RTP configura uma situação de frete e subserviência do serviço público ao poder político instalado, própria de países com eleições, sim, mas com governos autoritários, de que é exemplo mais usual na actualidade a Venezuela do falecido presidente Chavez e do actual presidente Maduro. Que vergonha! 

ESTÓRIAS DO ZÉ GIL

Aí vai mais uma das estórias do Zé Gil


AS HORTAS
                                                                         Gil Monteiro*  

Na aldeia transmontana, deixava de ser pobre, pobre, quem tinha uma hortinha! “Sempre tinha onde poder colher umas couves” – dizia a Maria do Viúvo, quando a Joaquina morreu, e foi necessário a junta de freguesia ofertar o caixão, para ir ocupar os sete palmos de terra no cemitério de S. Martinho.
O misticismo de ter uma horta era tal, afastando o fantasma da pobreza, de andar de porta a porta e de aldeia a aldeia a esmolar, que Roalde era rodeado por pequenos agros, mais pequenos que a loja dos bois! Entre esses quintais, utilizados nas brincadeiras de rapaz, um era ocupado por uma única macieira frondosa! Serviu de “Meu Pé de Laranja Lima”, como tão bem escreveu, o escritor brasileiro, José Mauro de Vasconcelos, de ascendência transmontana.
As nogueiras davam um “ar fresco “ nas tardes de canícula e as variedades de ameixas faziam a pequenada sorrir e davam coragem para os banhos nas poças da Tenaria, desocupadas dos molhos de linho, a serem macerados e espadeirados, nas bancadas graníticas do Peitoril. Só o tio Brás, artista de fazer estrelejar foguetes, na festa bianual, e tocador de concertina, transformou os seus dois quintais em jardins! Ver lindas rosas, alecrins, açucenas, e cabaceiras, era um assombro! Só na feira de S. Martinho ou no jardim da Carreira de Vila Real, se podia ver semelhante. Mais: nunca o rapazio tratou mal as plantas do tio Brás, apesar de ele morar no fundo do povo, e nem sempre estar por perto. Por ter acesso livre, e por aprender muito com o hortelão, sentia-me um privilegiado. Quando a Amélia do Carumba, munida de escada, convida os garotos crescidos, para apanhar os abrunhos, em planta alta e esguia, na pequenita hortinha, nas traseiras de minha casa, fiquei perplexo: oferta de todos os frutos a toda a gente; e deixava de os ter à disposição, pela janela de minha casa, apanhados das copas mais altas!
Era um vício tirar essas ameixas, rainha Cláudia, doces e apetitosas da Sr.ª Amélia, pois a casa também tinha uma latada de uma grande videira, que nunca era vindimada, tendo sido habituado a ir colhendo os cachos, pela janela da rua, em competição com abelhas de deixarem ficar apenas a pele aos bagos.
Fomos criados para viver em vida rural. O êxodo para as cidades está a acabar. Vai começar outro ciclo: voltar às origens...
É na Baixa Portuense que podemos ver bonitos quintais, e bem tratados, nos prédios não abandonados. De comboio de S. Bento para Campanhã, nos intervalos dos túneis, tirando os olhos do lixo, junto às linhas (agora menos), vemos hortas, onde as laranjeiras, limoeiros e couves-galegas, altas, parecem dizer adeus, ou bater palmas ao ritmo do trem, trem, da linha férrea!
Foi um Almada que, pretendendo por a cidade em melhor contacto com o norte, mandou abrir a rua de Costa Cabral, vendendo talhões de terrenos para construções, próprios para casas e quintais; obrigava a abrir poços de abastecimento e rega, individuais ou meeiros, entre parcelas contíguas. Algumas hortas sobreviveram e têm árvores, onde os pássaros nidificam! Os galinheiros e coelheiras foram morrendo, conforme os supermercados passaram a vender pernas de frango! A propriedade horizontal decretou a extinção do uso. Retalhados pelos donos dos andares dos novos prédios? Mas, devido à crise, começam agora a verdejar...
Chegou o tempo do regresso às origens?!
Os novos empreendedores agrícolas, a rumarem para as aldeias e quintas ou herdades, vão fazer o renovado Portugal. Até os burricos transmontanos, em vias de extinção, já agradecem ao Criador!

Porto, 29 de julho 2013

                                                                                      *José Gil Correia Monteiro

                                                                                     jose.gcmonteiro@gmail.com

TEXTÍCULOS


Aqui vai mais um textículo (como lhe chama o autor), do insígne jornalita e blogger Henrique Antunes Ferreira ("A Minha Travessa do Ferreira"), que nos dá a honra de o publicar.


Lázaro ressuscitado

Antunes Ferreira
Sinónimo de bom orador na língua portuguesa é António Vieira, ou para ser mais preciso, o padre António Vieira. São mais de 500 os seus sermões, dos quais o Mais conhecido é, indiscutivelmente, o de Santo António aos Peixes. A oratória foi pelos séculos XV, XVI, XVII e XVIII, praticada pelos sacerdotes do alto dos seus púlpitos.

Já na Antiguidade a fama de Demóstenes em Atenas e de Cícero em Roma na arte de bem falar, perdurou por séculos e séculos e ainda hoje se refere que o grego, gago de nascença, usou para corrigir a dicção, falando com seixos na boca; isto durante uns anos até se tornar o orador que assim entrou na História Universal.

Por seu turno, o romano ficou célebre pelos seus discursos entre os quais se destacam as catilinárias, feitos no Senado de Roma e perante o povo, contra Catilina, um nobre que tentava destruir as instituições republicanas. Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? Até quando, enfim, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? A frase continua e continuará a ser usada.

O padre Teodósio, Teodósio de Jesus Pimenta, nascera com o dom da palavra. Nascera, crescera e chegara a sacerdote empunhando a oratória como arma de arremesso contra o demo e seus seguidores, em nome de Cristo ainda que não se saiba se este lhe terá passado procuração para o efeito. Afastem-se minudências sem grande valor.

Todos os Domingos saía sermão, sem falha, sem hiatos, persistente, pontual e verdadeiro. Pastoreava uma freguesia, onde vivia com sua irmã Celestina. Diziam as más línguas que era apenas uma justificação perante o mundo, pois que Teodósio e Celestina partilhavam a mesma cama. Adiante; línguas viperinas.

Pois numa manhã de Domingo, Teodósio acordou rouco. Rouco? Rouquíssimo. E o sermão? Nisto meditava quando se dirigia à igreja paroquial e por isso disse com decibéis negativos ao sacristão Jaquim. Como iria ser? Ninguém o entenderia com aquele falar roufenho. Uma desgraça!

Jaquim atalhou a desdita: Padre Teodósio, hoje é a homilia sobre o Lázaro e eu já o ouvi tantas vezes que a sei de cor e salteado. Vou eu para o púlpito e digo-a ao seu rebanho. Nem pensar, tu és um desbocado, nem que lavasses a boca vinte vezes em água benta deixarias de o ser. Nada, padre; eu subo e o senhor fica cá em baixo e no caso de alguma derrapagem avisa-me e eu corrijo.

E assim foi, ainda que o bom clérigo desconfiasse do que poderia acontecer; atento, foi ouvindo. Lá em cima, o Jaquim começava: Voltara o tipo à Judeia e padre Teotónio dirigindo-se ao sacristão: é Jesus, Nosso Senhor. E o orador, pois meus irmãos, enganei-me: voltara Jesus Nosso Senhor à Judeia e ao chegar a Betânia vieram umas gajas aos gritos

Não são gajas! São santas mulheres, entre as quais Marta a irmã do falecido que informou o Senhor da morte de Lázaro, sepultado já há quatro dias e o sacristão emendou, ipsis verbis, prosseguindo: só tu, Senhor o podereis ressuscitar. Então as santas mulheres conduziram Jesus Cristo, à tumba de Lázaro. Ali chegados


O eclesiástico pensou de si para si, o Jaquim entrou nos eixos. Safa! O dito cujo prosseguiu: O filho de Deus impôs as mãos e disse Lázaro levanta-te e anda. E o ressuscitado levantou-se e andeu. Teodósio quase perdeu o tino e, regougou para cima: é andou, estúpido, é andou, estúpido. O sacristão; pois andou estúpido durante três dias e depois passou-lhe   

Para desgraça nossa!

Nos últimos dias muito se tem comentado o ataque, absolutamente absurdo e de certo modo até cretino, que Pedro Passos tem feito ao Tribunal Constitucional por este, no âmbito das suas funções, ter considerado inconstitucional a chamada lei da requalificação dos funcionários públicos, que não é mais, como sabemos, do que uma forma “chico-esperta” (para não lhe chamar outra coisa) de mandar muitos funcionários públicos para o desemprego, e quase de borla.

Pois bem, uma vez que já foi muito criticada por gente de todos os quadrantes e em diversos órgãos da Comunicação Social, não vou comentar a atitude pouco ou nada democrática do primeiro-ministro de Portugal, que convive mal com os princípios fundamentais do Estado de Direito. Mas não posso deixar passar o silêncio de Sexa – o Venerando Chefe de Estado. Se bem entendi e li, foi Cavaco Silva que solicitou ao Tribunal Constitucional que se pronunciasse sobre a constitucionalidade de tal diploma, tecendo comentários mais discordantes da lei do que os do acórdão do Tribunal. Quer dizer, então, que quando Passos Coelho acusa os juízes de falta de bom senso na interpretação da Constituição, também está a acusar Cavaco do mesmo. E se formos ao dicionário ver o significado de “bom senso” podemos deduzir que o nosso primeiro-ministro acha que o nosso Presidente da República não tem bom juízo. Ora, que eu saiba, o Presidente não é surdo, pois não? Mas, neste caso, até parece que é, ou faz de conta, pois não se ouviu ou leu, nem no famoso facebook, que Cavaco Silva tivesse qualquer reacção de desagrado à afronta, ou até insulto, de que foi alvo. Porquê? Porque é o padrinho deste governo e não quer sarilhos com o afilhado? Se calhar! Mas esta atitude (ou não atitude?) de Cavaco diz tudo do estado a que chegou a nossa Democracia com o trio tão ambicionado pela Direita portuguesa – uma maioria, um governo, um presidente. Para desgraça nossa!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

E AS AUTÁRQUICAS?

Parece que continua por aí a confusão quanto aos candidatos salta-pocinhas, ditos dinossáurios. Um tribunal decide de um modo, outro, de outro. E os (re)candidatos continuam como se nada fosse, prometendo o céu e a terra aos fregueses, como se não houvesse amanhã, como se supusessem que os cofres estão a abarrotar. 
Não me atrevo a prever a decisão do TC (ainda que tenha a minha opinião pessoalíssima sobre o assunto). Porém, palpita-me que que o acórdão vai ser favorável a Luís Filipe Menezes, a Fernando Seara e, quem sabe?, a Isaltino Morais, entre outros. De outro modo, temos que voltar ao princípio, que este jogo não valeu.

O PM QUE TEMOS

Arredado que tenho estado de tvs, rádios e (menos) de jornais, não tenho seguido de perto a silly season, mas sempre deu para perceber que o PM, que não assume o desejo de rever a Constituição, insulta o Tribunal Constitucional e, de caminho, o PR, por lhe terem chumbado a lei dos despedimentos (o TC) e porque  o próprio PR suscitou a eventual inconstitucionalidade do diploma.
Parece a velha estória da senhora a ver a parada militar em que só o filho marchava com o passo acertado.